<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279</id><updated>2012-02-16T20:54:21.067-08:00</updated><title type='text'>Feliz nova dieta</title><subtitle type='html'>The chief weapons are unceasing criticism and a certain rhetorical insouciance: the willingness to ridicule the ridiculous and satirize the preposterous (Roger Kimball)</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>186</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-1758802480527184784</id><published>2009-10-13T05:13:00.000-07:00</published><updated>2009-10-13T05:13:44.030-07:00</updated><title type='text'>Mudança de endereço, feliz aniversário</title><content type='html'>Amigos, chegou o dia. &lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;"&gt;Mudei-me para &lt;/span&gt;&lt;a href="http://juliolemos.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;"&gt;juliolemos.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Nova fase, etc. Atualizem os links, não voltem mais aqui. Em breve, talvez não muito breve, esse endereço www.julio-lemos.blogspot.com passará para o limbo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os antigos posts estão arquivados no novo blog. Vejo vocês por lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E feliz aniversário, caso alguém tenha cumprido anos nesses dias (you know who you are).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-1758802480527184784?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/1758802480527184784/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=1758802480527184784' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/1758802480527184784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/1758802480527184784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/10/mudanca-de-endereco-feliz-aniversario.html' title='Mudança de endereço, feliz aniversário'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-7071612730134981391</id><published>2009-09-27T06:14:00.000-07:00</published><updated>2009-09-27T08:45:01.832-07:00</updated><title type='text'>For every ω-consistent recursive class κ of FORMULAS there are recursive CLASS SIGNS r, such that neither v Gen r nor Neg(v Gen r) belongs to Flg(κ)</title><content type='html'>&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ontem estive às voltas com problema da alma. Quando se fala em alma, logo alguém se levanta e diz: “mas então&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;como provar que tudo não procede de impulsos elétricos do cérebro?”, como se os impulsos elétricos que observamos num processador INTEL explicassem de onde vêm o software, o processamento dos comandos, etc.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Esse tipo de objeção, muito comum atualmente entre os menos dotados, mas já presente (quase sempre como argumento falacioso) entre os pré-socráticos, se resume a uma forma de reducionismo. Cada escola se concentra em um fenômeno particular, numa perspectiva inferível por descrições, mas nunca logram chegar&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;a alguma causa primária. Os impulsos elétricos, as reações químicas, o movimento dos músculos, a alimentação do córtex, o processamento mesmo cerebral são o &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;como&lt;/i&gt;, mas não o &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;quê&lt;/i&gt; ou o &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;porquê&lt;/i&gt;. Assim como não observamos na natureza a auto-geração ou o auto-impulso, não observamos a reflexão de uma rede sobre si mesma (ver a citação de Kant abaixo). A rede existe – como observamos nas redes neurais simuladas – mas não consegue produzir um conhecimento de si mesma (assim como a consistência dos axiomas não podem ser provada dentro do sistema, como provou Gödel).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quando alguém responde convincentemente à objeção dos impulsos elétricos, logo aparece outra, desta vez enfocando outro aspecto. Mas nunca se explica a causa. Por quê estou aqui e não ali? Por quê posso escolher, enquanto é impossível projetar um software que efetue uma escolha autenticamente aleatória (o que conhecemos por randômico é, na verdade, um truque nada aleatório)? Como posso raciocinar sobre o raciocínio? Como tenho consciência? E o que explica o fato de que eu, sendo inteligente, possa manter uma teoria sobre a impossibilidade da verdade ao mesmo tempo em que a mantenho como uma teoria verdadeira? Ou que eu possa ao mesmo tempo defender que o homem não tem alma e ao mesmo tempo me julgue autorizado a me opor aos experimentos médicos dos nazistas? Que eu possa dizer que todos os meus impulsos se reduzem à libido e mesmo assim sustentar que essa teoria da libido, e apenas ela, não é um produto espúrio da libido, mas uma teoria verdadeira, que descreve a realidade? A causa de tudo isso permanece um mistério, e mesmo os neurologistas mais espertinhos silenciam sobre ela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Existe um tipo de dúvida bastante preguiçosa que se apresenta da seguinte forma: “okeydokey: a Ciência ainda não conseguiu nem começar a intuir qual é essa causa; mas esperamos que, com o tempo, poderemos enxergar essa causa com um microscópio ou com uma fórmula matemática”. O problema é que a alma é um problema filosófico. A ciência faz cálculos, mede, observa e quantifica. Ela não lida com o que, por definição, escapa ao seu método. Um pouco de realismo não faz mal a ninguém.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Essas objeções recaem sempre na conhecida analogia com o jogo de xadrez, que denuncia logicamente essa falácia: quem joga o xadrez são os jogadores – fazendo &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;uso &lt;/i&gt;das regras – e não as próprias regras.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Mas veja bem: quem usa as regras imanentes à nossa rede neural? Se dissemos que é um homenzinho que temos no cérebro que, seguindo essas regras, controla o corpo, temos ainda de explicar como o homenzinho usa essas regras (dizendo por exemplo que esse homenzinho tem um homenzinho no cérebro que o controla, fazendo uso de meta-regras) e assim &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;ad infinitum&lt;/i&gt;. Quem decide apertar o enter e rodar o programa, e com base em que motivo? &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Kant escreveu algo interessante na &lt;i&gt;Crítica da razão pura&lt;/i&gt;:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="  font-style: normal; line-height: 19px; font-family:sans-serif;font-size:13px;"&gt;But of reason one cannot say that before the state in which it determines the power of choice, another state precedes in which this state itself is determined. For since reason itself is not an appearance and is not subject at all to any conditions of sensibility, no temporal sequence takes place in it even as to its causality, and thus the dynamical law of nature, which determines the temporal sequence according to rules, cannot be applied to it.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Por quê a inteligência é inteligível?&lt;/p&gt;  &lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-7071612730134981391?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/7071612730134981391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=7071612730134981391' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/7071612730134981391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/7071612730134981391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/09/for-every-consistent-recursive-class-of.html' title='For every ω-consistent recursive class κ of FORMULAS there are recursive CLASS SIGNS r, such that neither v Gen r nor Neg(v Gen r) belongs to Flg(κ)'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-8910493374609288438</id><published>2009-09-20T06:46:00.000-07:00</published><updated>2009-09-20T08:36:33.143-07:00</updated><title type='text'>I was just trying to get that babbling gook off my lawn</title><content type='html'>Aceito o argumento de que a expressão "senso comum" pode ser mal empregada. Mas não se pode jogar fora a água da banheira com o bebê junto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa atitude, na melhor das hipóteses, torna a conversa inútil. Quem começa por rejeitar tudo o que pareça evidente, por princípio e definitivamente, acaba por cair numa posição insustentável e que tende a cortar todas as &lt;em&gt;condições de possibilidade&lt;/em&gt; de diálogo. Isso vale inclusive para a física, por exemplo. O resultado de uma experiência repetida nos traz sempre uma evidência, algo que pode ser &lt;em&gt;visto &lt;/em&gt;como real por si mesmo; rejeitá-la seria descartar desde já qualquer possibilidade de sucesso. No terreno das experiências do dia-a-dia, a evidência - que não se sujeita a nenhum método - é ainda mais necessária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Defender o senso comum pode parecer coisa de quem não quer pensar. Isso é falso. Só é possível pensar com segurança a partir de dados arrancados delicadamente da experiência comum e tradicional; o senso que se extrai do comum é mais seguro do que o senso que se extrai de um insight individual e isolado. Isso bastaria para rejeitar, ou ao menos considerar-se criticamente, toda filosofia que pressupõe que um gênio, num determinado ponto da história, possa descobrir algo &lt;em&gt;tão fundamental&lt;/em&gt; sobre a vida que seria necessário jogar fora tudo o que tinha sido pensado até então. Como imaginar que a condição para o agir retamente seja a existência de Kant.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;cogito&lt;/em&gt; de Descartes ajudou-nos a pensar com mais cuidado na teoria do conhecimento (o que se extrai de uma consideração crítica da sua filosofia - e que nos leva a valorizar o &lt;em&gt;giro subjetivo&lt;/em&gt;); mas por outro lado nos faz pressupor erroneamente que a certeza da &lt;em&gt;res cogitans&lt;/em&gt;, daquele que pensa, é superior à evidência de que as &lt;em&gt;coisas&lt;/em&gt; exteriores estão lá e são reais por definição antes da existência do eu, e que sem elas não poderia haver pensamento (&lt;em&gt;sum&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;ergo cogitare possum&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em filosofia, a genialidade incide sobre coisas acidentais: o modo de considerar, a perspectiva, a profundidade, as novas relações realizadas e paradigmas quebrados, a terminologia, a elegância. Essas coisas acidentais acabam por ser importantíssimas. Aristóteles inventou, por assim dizer, a lógica; mas não criou a lógica. Sem Aristóteles, o ser continua sendo o ser, e nosso sistema operacional não mudou uma vírgula. Sem o Aquinate, as noções de ato e potência permanecem, por mais que sem ele dificilmente se apresentariam aos nossos olhos de modo tão claro. Não é uma nova conexão do pensamento que mudará a realidade, transformando, como uma sentença pronunciada por um juiz medieval, o branco no preto, &lt;em&gt;ex albo nigrum&lt;/em&gt;. Por mais que bufemos e gritemos e excomunguemos a mãe do taxista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revolta contra a realidade como ela é, por mais simpática que seja - como a preguicinha do brasileiro -, é coisa de retardado, mesmo que se trate de um retardado por um dia. Todos caímos nela vez ou outra; o Tomista Triunfante se revolta contra a realidade mais vezes do que seria capaz de admitir. Isso quando não transforma uma &lt;em&gt;formulação&lt;/em&gt; da filosofia clássica num dogma arcaizante, algo tão perigoso quanto um exército de hegelianos de orelha peluda em ordem de batalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há pureza. Só há luta. A verdade é relativa. Mas seja o que for, o "algo" que nos permite constatar essa relatividade da verdade tem um quê de imutável e eterno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cala-te e vai dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom dia e boa noite. Por favor, pronunciem &lt;em&gt;kyri-e eleison&lt;/em&gt;, e não &lt;em&gt;kyri eleison.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gostaria de carregar a minha irmã alta e esguia e cabelo &lt;em&gt;indie &lt;/em&gt;para todo lado, como Orfeu e Eurídice, apontando as coisas e fazendo comentários, recitando poemas do Auden e escutando o que ela tem a dizer sobre o gato malhado e a Praça das Araras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há poucas coisas mais legais em &lt;em&gt;Gran Torino&lt;/em&gt; do que a idéia de que o "cara malvado", quando começa a acordar, pode dar um "cara bom" muito mais interessante do que os caras bonzinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O testamento dele eu memorizei. É o melhor documento jurídico de doação &lt;em&gt;mortis causa&lt;/em&gt; com encargo que eu já vi em toda a minha vida:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;And I'd like to leave my 1972 Gran Torino to my friend Thao Vang Lor. On the condition that you don't chop-top the roof like one of those beaners, don't paint any idiotic flames on it like some white trash hillbilly, and don't put a big, gay spoiler on the rear end like you see on all the other zipperheads' cars. It just looks like hell. If you can refrain from doing any of that, it's yours. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chesterton: "White is a color; it is not the absence of color. Virtue is not merely the absence of vice; it is something pure and positive. Chastity is not merely abstention from sexual wrong, it means something flaming, like Joan of Arc." (O branco é uma cor; não é a ausência de cor. A virtude não é meramente a ausência de um vício; ela é algo puro e positivo. A castidade não é meramente a abstenção de um desvio de conduta sexual; ela significa algo flamejante, como Joana D'Arc).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cara que lê uma frase dessas e não acaba dizendo internamente "holy shit, esse cara está malditamente certo" - com medo de que seus amigos &lt;em&gt;posers&lt;/em&gt; possam ler o seu pensamento -, esse cara não é humano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-8910493374609288438?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/8910493374609288438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=8910493374609288438' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/8910493374609288438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/8910493374609288438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/09/i-was-just-trying-to-get-that-babbling.html' title='I was just trying to get that babbling gook off my lawn'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-8452287664193379195</id><published>2009-09-15T12:25:00.000-07:00</published><updated>2009-09-15T12:28:55.748-07:00</updated><title type='text'>New Atheism</title><content type='html'>Upa-lelê. Coloquei um novo link para os podcasts/vídeos do &lt;a href="http://johnlennox.org/index.php/en/talks/"&gt;John Lennox&lt;/a&gt;, um professor de matemática em Oxford que tem dado trabalho aos novos ateus. Belo sotaque irlandês, clareza e conteúdo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-8452287664193379195?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/8452287664193379195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=8452287664193379195' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/8452287664193379195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/8452287664193379195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/09/new-atheism.html' title='New Atheism'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-5494149956783671353</id><published>2009-09-13T12:59:00.000-07:00</published><updated>2009-09-15T05:24:12.970-07:00</updated><title type='text'>INQB87R</title><content type='html'>Domingo bem aproveitado (até agora), encerrando com jazz escandinavo e dor de garganta (13/09).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mortos-vivos são patéticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus piores pesadelos são freqüentados por adolescentes pálidos que passam a madrugada lendo textos sobre a "missa tradicional", Lefèbvre e o Código de Direito Canônico revogado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou para fazer uma refilmagem de "Thriller" substituindo os zumbis por sedevacantistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deixem de conferir periodicamente as atualizações do blog do Érico Nogueira. A qualidade está para além dos blogs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou especialmente chocado com os juristas brasileiros. Além de terem desaprendido a escrever - se é que algum dia souberam mais do que fazê-lo conforme a gramática e os moldes barrocos -, agora inventaram de dispensar a pesquisa. Se quer saber algo sobre algum assunto, você terá praticamente de pesquisar por conta própria, interpretar, perder muito tempo, porque não encontrará nos livros mais do que já está no Código, nos livros anteriores (não nos clássicos, que deixaram de ser citados) e na auto-referente jurisprudência. E o pior: de maneira confusa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho essa experiência no momento: escrevendo um artigo sobre direito de superfície, descobri que a breve literatura sobre o tema escrita em português do Brasil não me diz quase nada além  do que eu mesmo, sem eles, já sabia só de "orelhada", como diz alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes me lembro de que tivemos Pontes de Miranda e Teixeira de Freitas. Mas só com esses dois não dá pra viver. Ou apostamos numa nova geração que seja pelo menos medíocre, ou seremos obrigados a nos acostumar com o copy-and-paste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;my nose plays free jazz. end of it. hey chambers.&lt;br /&gt;  thas thee end of it.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compaixão com os interesses que cresceram nos anos 80: computadores ultrapassados, globos de luz, lugares que vimos em sonhos, milhafres, a festa distante que você ouviu de noite e ela não existia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em prol da incomunicabilidade, salvaguardados a analogia e os bons costumes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro livro que você leu já foi reler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caro Apolo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você pensar que eu e ela formávamos um casal comum pune-se com pena de morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Att.,&lt;br /&gt;O autor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poetas que não escrevem, biografias, lendas-que-não-chegaram-a-ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Septemberabend; traurig tönen die dunklen Rufe der Hirten&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Durch das dämmernde Dorf; Feuer sprüht in der Schmiede&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noite de setembro; os escuros chamados dos pastores ecoam tristemente&lt;br /&gt;Pela aldeia crepuscular; fogo crepita na forja.&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;Landschaft&lt;/em&gt;, Georg Trackl, trad. &lt;em&gt;ad hoc&lt;/em&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-5494149956783671353?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/5494149956783671353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=5494149956783671353' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/5494149956783671353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/5494149956783671353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/09/inqb87r.html' title='INQB87R'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-3063234297271173643</id><published>2009-09-06T06:24:00.000-07:00</published><updated>2009-09-06T12:36:41.503-07:00</updated><title type='text'>Ein rätselhafter Schimmer, ein "je ne sais-pas-quoi"</title><content type='html'>Tempos atrás o pessoal cantava nos pubs de Cambridge:&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Should old Aquinas be forgot, and never brought to Mind?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Should old Aquinas be forgot, in days of Wittgenstein?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Can quiddity and haecceity, analogies divine,&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Resolve the paradoxes of Willard Van Orman Quine?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Should symbols bleak replace the speech we learned at Mother's knee?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Or should we now reverse ourselves, and write the backwards E?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Can form and matter be preserved, and analyticity,&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;If we but put particulars for variables free?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Now Henry Veatch and Peter Geach we really must berate:&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;The subject and the predicate they leave to copulate.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Intensions pure we can't secure with Frege, Russell, Boole,&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;By treating good old Barbara with a novel kind of tool.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;And Hesperus and Vesperus are entities distinct--&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Or should we say, not this, but that they're analytically linked?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Shall we aver they're one indeed, with Smullyan, Church and Fitch?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Or should we moan "Ah, Quine alone can tell us which is which"?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Elas expressam o entusiasmo e a perplexidade com a onda da filosofia analítica inglesa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De qualquer modo, o que me interessa é que, apesar da extensa literatura a respeito, Wittgenstein, com o argumento de que uma linguagem estritamente privada - ou seja, criada por um sujeito isolado e inteligível apenas para ele - não seria &lt;i&gt;nunca&lt;/i&gt; uma linguagem, sustentava que a existência real dos objetos da linguagem é uma condição para a existência da própria linguagem. E com isso ele se encontra amigavelmente com Aristóteles e Tomás de Aquino naquilo que há de mais radical e importante nessa filosofia (no que diz respeito à teoria do conhecimento). É o que mostra, com abundância de argumentos, J. C. Calahan em &lt;i&gt;Wittgenstein as a Gateway to Analytical Thomism&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vejo a história da filosofia moderna como uma tentativa de se fugir, a todo custo, da constatação da existência do ser independentemente do que possamos dizer caluniosamente sobre ele, e da conclusão paralela de que os objetos da linguagem (convencional, sujeita a contextos e imperfeita) possuem existência real - i. e., de que o conhecimento humano e sua expressão discursiva é analógico, ou seja, tem uma forte correlação com a realidade exterior, com a coisa &lt;i&gt;an sich&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há essa idéia furada de um mundo regido por um demônio - um demônio que nos teria enganado a respeito do conhecimento até que pudéssemos, no séc. XVIII, receber a visita do Anjo de Königsberg (Kant), que nos revelaria a verdade de que a coisa em si é inacessível.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;* * *&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Olha o que disse o Nietzsche real das cartas pessoais em&lt;i&gt; Briefe&lt;/i&gt; 3/1169:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Was das Christentum betrifft, so wirst Du mir wohl das eine glauben: ich bin in meinem Herzen nie gegen dasselbe gemein gewesen und habe mir von Kindesbeinen an manche innerliche Mühe um seine Ideale gegeben, zuletzt freilich immer mit dem Ergebnis der puren Unmöglichkeit&lt;/i&gt; (Trad. minha: "No que diz respeito ao Cristianismo, espero que acredite no seguinte: que, no meu coração, nunca nutri por ele qualquer espécie de desprezo, desde a minha infância, e que muitas vezes lutei comigo mesmo tendo em vista os seus ideais; e que, ao fim, com certeza, essa luta sempre se chocou com a pura impossibilidade").&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que singelo. Viva o amorrr.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;* * *&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Seria muito melhor que as pessoas admitissem a sua mediocridade, &lt;i&gt;sem mais&lt;/i&gt;,&lt;i&gt; &lt;/i&gt;ao invés de gastar a vida tentando convencer o resto das pessoas de que não há excelência (pensando nisso, numa resposta involuntária à carta de Nietzsche, Chesterton escreveu: &lt;i&gt;The Christian ideal has not been tried and found wanting; it has been found difficult and left untried&lt;/i&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não é porque eu não consigo andar de skate como Rodney Mullen - o cara que inventou o ollie e o kickflip, o deus do &lt;i&gt;street&lt;/i&gt; que ganhou 34 de 35 campeonatos de que participou e foi excluído de outros mais para dar chance aos demais skatistas - que vou começar a jogar merda no ventilador dizendo que andar bem de skate é algo relativo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É lógico que, no terreno existencial, no falhar ou não falhar na vida, as coisas são mais sutis. Isso é evidente. Basta comparar a dificuldade que temos para julgar sobre a honestidade de alguém com a facilidade que temos para dizer se nego toca bem um piano ou se é um picareta. Mas essa maior sutileza não nos exime do dever de investigar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O problema com essas investigações morais - realizar-se ou não e como, ser um canalha ou um cara dos bons - é que há séculos temos ouvido fofocas de comadre a respeito da virtude. Dependendo do contexto da conversa, sempre soa mal dizer que fulano é bom, no sentido radical da palavra; esse fulano logo será objeto de inveja ou, pelo menos, de desconfiança. Ou melhor: o critério de bondade ou maldade será objeto de desconfiança - e eis o contexto que mataria a discussão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Toda virtude real se esconde por baixo das imagens que temos delas. Ela está totalmente por baixo, quase secreta, com medo de ser descoberta. E com isso se forjou uma ética das justificativas - é que isso é relativo, é que isso eu ainda não pensei, é que, é que, é que. Logo são invocados exemplos práticos de gente que parecia ser boa e foi pega fazendo merda.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Outro exemplo são as religiões, e especialmente o cristianismo. Dá &lt;i&gt;medo &lt;/i&gt;ser cristão porque só a palavra "cristão" evoca tudo, menos o cristianismo real: ela evoca um covarde, um cara que mija água benta, um cara sem formação ou que não sabe trabalhar ("ele trabalha na paróquia", o que significa que ele trabalha com &lt;i&gt;papel crepom;&lt;/i&gt; pelo menos essa é a idéia que eu tenho). O assumir uma qualificação - embora a "qualificação", o rótulo, seja exatamente o ponto de distorção - é já, mesmo involuntariamente, assumir todos os estereótipos associados a ela. As pessoas têm medo de que os outros pensem que. Esse é o problema - para não falar no problema maior de quem assume um título sem &lt;i&gt;viver &lt;/i&gt;do seu conteúdo e sai por aí dizendo que é retrógrado mesmo, carola mesmo, retardado mesmo ou o que for.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os exemplos se multiplicam. Quem apenas deixa subentendida a idéia de que o casamento gay é uma contradição, e portanto questionável, ou que os objetos da linguagem possuem existência fora da referência, perdeu sua reputação (tchau, reputação, nos vemos no Rotary). Para quem, mesmo sem querer, foi enquadrado, nada importam os argumentos. O brasileiro é especialmente sentimental; a razão quase nunca entra em cena. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E assim sempre se foge do assunto: a vida útil do aparelho 'homem' entra no modo vida inútil porque ele está velho e cansado de tanto fugir. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Afinal, por Zeus, grande parte da civilização não foi mesmo montada para deixarmos de lado &lt;i&gt;a coisa&lt;/i&gt; e vivermos de justificativas furadas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E &lt;i&gt;let us go then, you and I&lt;/i&gt;,&lt;i&gt; &lt;/i&gt;montar blogs para justificar que, se somos medíocres, é porque essa é a única regra que não admite exceções.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-3063234297271173643?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/3063234297271173643/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=3063234297271173643' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/3063234297271173643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/3063234297271173643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/09/ein-ratselhafter-schimmer-ein-je-ne.html' title='Ein rätselhafter Schimmer, ein &quot;je ne sais-pas-quoi&quot;'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-6750118769083713075</id><published>2009-08-26T08:07:00.000-07:00</published><updated>2009-08-27T03:50:53.620-07:00</updated><title type='text'>Castela faz os homens e os gasta</title><content type='html'>Você deveria estar a fim de gastar-se. Poupar-se é o que recomenda a propaganda do Bamerindus em 1986.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser inclassificável é o resultado de se dar um passo à frente toda vez que alguma coisa diz que é absolutamente vital dar um passo à frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conheço nenhum filho da mãe que tenha se arrependido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morrer metaforicamente, mas &lt;em&gt;for real&lt;/em&gt;,&lt;em&gt; &lt;/em&gt;é adiantar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Bruno Piazza recomendou &lt;a href="http://retido.wordpress.com/2009/07/21/laughing-with/"&gt;essa letra de música&lt;/a&gt; e eu adquiri imediatamente uma nova cantora pop metafísica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser você mesmo é uma bobagem. Encarne o seu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um pouco de gnosticismo e você cometerá apocalipse pessoal e ninguém vai notar. É um traço intangível dos gnósticos o serem progressivamente invisíveis, suscitando a mais violenta falta de compaixão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-6750118769083713075?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/6750118769083713075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=6750118769083713075' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/6750118769083713075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/6750118769083713075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/08/castela-faz-os-homens-e-os-gasta.html' title='Castela faz os homens e os gasta'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-4979100845468425536</id><published>2009-08-15T03:01:00.000-07:00</published><updated>2009-08-26T11:48:55.918-07:00</updated><title type='text'>He doesn't look a thing like Jesus, but he talks like a gentleman</title><content type='html'>Estou ainda chocado com o livro de Andrea Carandini, &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;La nascita di Roma&lt;/span&gt; (1997, traduzido por aqui logo em seguida como &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Die Geburt Roms &lt;/span&gt;e infelizmente ainda não lançado no Brasil) já citado. Entre outras coisas, ele tira as consequências da descoberta (por ele mesmo!) da muralha de Rômulo, encontrada subitamente em 1988 no Palatino. A muralha data do séc. VIII e coincide, surpreendentemente, com a lenda da fundação de Roma por Rômulo exatamente nesse século, segundo a opinião de Varrão (753 a.C), e com uma fíbula de bronze que representa ninguém menos que Anquises, o pai de Enéias, da mesma época. Os ingleses caíram para trás; Carandini dialoga com eles nos primeiros capítulos desse livro de mais de 800 páginas pelas notas de rodapé, argumentando que esses arqueólogos nascidos fora de Roma, em meio à neblina e à poeira das bibliotecas anglo-saxônicas, nunca vão entender o que se passa com a cidade eterna (eles permanecem céticos, mas ao mesmo tempo têm de curvar-se diante dos resultados da arqueologia). Ele até foi gentil, pois outro italiano igualmente ilustre os chamou de 'racionalistas pervertidos'. (A minha opinião é que os ingleses serão sempre úteis como partido da oposição, uma espécie de PT oitentista da arqueologia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é uma demonstração de que as lendas, semelhantemente ao que disse Chesterton, têm não só um fundo de verdade, mas às vezes chegam ao cúmulo de deixar provas materiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora não julgo que Carandini seja um maluco. Lendo com calma algumas passagens dessa obra, cheguei à conclusão - uma conclusão de leigo - de que tudo faz muito sentido. Como já havia dito em &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Hinc svnt dracones&lt;/span&gt;, ele usa dados da mitologia como aportes fáticos minimamente interessantes - Alba Longa, as eras de Saturno, quando &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;ne signare quidam aut partiri campos fas erat&lt;/span&gt;, e de Júpiter, etc - a fim de contar a pré-história de Roma desde o ano 1600 a.C., ou seja, mais ou menos 900 anos antes da fixação da Ilíada segundo a lição da &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;scholarship&lt;/span&gt; ainda em voga (a despeito de M. Burkert e M. West). Com isso ele rompe alguns limites da historiografia anterior, mas no mínimo fará a pesquisa avançar com o que tivermos às mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco de feitiçaria latina, de sangue quente, sempre põe pimenta no negócio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;''The thing that fascinates me is the fact that men can be well-off, judging by their own criteria, with all their needs satisfied, goals achieved, et cetera, yet as time goes on, life is almost unbearable. Amazing!'' Eis a exclamação do escritor Walker Percy numa entrevista publicada em &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Conversations with Walker Percy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Michael Pakaluk, que conheci no Brasil ano passado, foi quem praticamente me obrigou a ir atrás dos romances de Percy. E eis que me esqueci dele. Dando um rolê numa livraria chinfrim em Munique, encontrei uma tradução de &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Love in the Ruins&lt;/span&gt; por &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;€ 3,50 e fui na prática obrigado a comprar, mesmo que fosse para vender depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que vocês também deveriam dar uma olhada. A história tem como personagem principal um médico neurótico chamado Thomas More, encarnação do homônimo herói da resistência inglês recentemente canonizado, que passa os dias que ele julga serem os últimos da Terra tomando quantidades absurdas de uísque e cobiçando três mocinhas que habitam o mesmo hotel que ele (uma espécie de Henry Miller católico). O resto vocês podem imaginar. Ele é o único ser na Terra que tem a cura para a catástrofe - um mal terrível de natureza psicológica, que matará a todos de loucura ou cólera - que, segundo sua previsão, silenciosamente se aproxima. Ele pretende, na pior das hipóteses, salvar apenas a si mesmo e as três moças. No início do romance lá está ele, sentado sob um pinheiro cheio de urtigas (suas costas a ponto de estourar de coceira), bêbado e cogitando sobre a sua própria vida desgraçada e sobre as trepadeiras que sobem pelas paredes da comunidade onde vive. Uma situação divertidamente desoladora. Só essa cena já serve de estímulo ao leitor para ir até o fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percy "virou água benta" - uma brincadeira que costumo fazer com conversos tardios - em 1947, após começar a assistir à missa com um colega que o fazia diariamente, e depois de ler Kierkegaard, o pastor que nos 43 do segundo tempo começou a tender demais em direção ao catolicismo (dar uma olhada em H. Roos, &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;S. Kierkegaard and Catholicism&lt;/span&gt;, Newman 1954), não sem morrer em seguida. As pessoas morrem, ó raios!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o próprio Percy já não tivesse morrido em 1990 de câncer de próstata (há exatos 61 anos seu pai tinha se suicidado com um trabuco), eu iria atrás dele para descolar uma entrevista para a Dicta. Mas esse é justamente o tipo de idéia que surge na sua cachola quando você não tem a mínima possibilidade de levá-la a diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o post número 201. Prost!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há mais ou menos 11 anos, levava eu uma amiga para passear de carro; do outro lado da pista de uma avenida movimentada vinham, na direção contrária, caminhões de 10 toneladas (ainda não tínhamos ônibus &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;double deck&lt;/span&gt;). Por coincidência tocava "There Is a Light That Never Goes Out" dos Smiths no toca-CD do carro. Ela sabia que eu tinha consciência da natureza trágica do nosso inefável relacionamento. E estava munida de suficiente cultura pop para já conhecer previamente a música dos Smiths. Pela primeira vez, vi &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;medo&lt;/span&gt; nos seus olhos. Oh vida divertida. I'll drink to that.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-4979100845468425536?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/4979100845468425536/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=4979100845468425536' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/4979100845468425536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/4979100845468425536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/08/he-doesnt-look-thing-like-jesus-but-he.html' title='He doesn&apos;t look a thing like Jesus, but he talks like a gentleman'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-2307790055175856935</id><published>2009-08-15T02:19:00.001-07:00</published><updated>2009-08-15T02:21:30.108-07:00</updated><title type='text'>Mogwai - Kings Meadow</title><content type='html'>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"&gt;&lt;p&gt;&lt;object width="425" height="350"&gt;&lt;param value="http://youtube.com/v/YMg0BnjmL6s" name="movie"&gt;&lt;embed type="application/x-shockwave-flash" src="http://youtube.com/v/YMg0BnjmL6s" width="425" height="350"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma das minhas músicas favoritas alltime, dedicada a PS, MVP e RF (reconheçam-se). São pessoas que me vêem à mente com um não sei que de übernatürlich quando a ouço. (Sou alheio ao sentimentalismo dos escoceses, mas compreendo quando alguém disse que Mogwai "makes one closer to God").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ouvir muito, mas muito alto mesmo, acordando os japoneses lá do outro lado.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-2307790055175856935?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/2307790055175856935/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=2307790055175856935' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2307790055175856935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2307790055175856935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/08/mogwai-kings-meadow.html' title='Mogwai - Kings Meadow'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-7987194151348249912</id><published>2009-08-09T01:43:00.000-07:00</published><updated>2009-08-09T05:24:41.043-07:00</updated><title type='text'>RUMOUR. Open your ears; 9r"5j5&amp;?OWTY Z0d</title><content type='html'>Alguma coisa me diz que ler o Corpus Iuris Civilis ouvindo clássicos dos anos 80 é um atentado contra o ser. Entretanto sigo sem culpa com minhas obturações ontológicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem pedi ao Karl uma carteira de identidade para comprar cigarros numa máquina automática e ele me disse que os cigarros não combinavam com minha dor de cabeça. Eu disse que cigarros e dor de cabeça não tinham nada que ver. Ele emendou que não fumava e, mesmo assim, tinha dor de cabeça. Eu lhe disse que a sua frase contradizia sua asserção anterior, e então ele me perguntou: "O que uma máquina de cigarros tem a ver com carteiras de identidade?" Agora entendo porque Kafka sempre empregava "K." como personagem central. Ele se referia certamente a Karl.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um macaco simulado digitou, após um número de anos que supera monstruosamente a idade do universo até o presente momento, a frase que serve de título para este post. Agora eu pergunto: trata-se de um resultado minimamente interessante?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande problema com a teoria do macaco digitador, que vocês devem conhecer - a de que, dado um tempo finito, embora monstruoso, ele poderia digitar as obras completas de Shakespeare ou o que for -, é o da finalidade. O macaco não tem, nesse caso concreto, qualquer finalidade em mente. Nós temos. Somos nós que julgamos o seu sucesso ou insucesso, lendo pacientemente aquilo que ele digitou, e isso com a finalidade de comparar o resultado obtido com aquilo que um homem, com a finalidade de escrever uma obra de arte, e que sabia que meios usar para esse fim, escreveu. Uma frase de Shakespeare, assim como um trecho de código genético, tem uma função na realidade que só pode ser julgada por quem pode pensar finalisticamente e está munido das capacidades pertinentes. A evolução, portanto, pressupõe a presença de uma finalidade e de um pensamento adequado a ela, e não estou falando aqui de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;design inteligente&lt;/span&gt;, à trutaqueospariu com o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;design inteligente&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou falando de uma experiência que qualquer mané tem quando está com fome e procura comida. Acidentalmente, ele não vai comer. Que isso aconteça, assim como o surgimento da vida na Terra, é só um pouco mais provável do que o fato de um avião chocar-se contra uma montanha e deste acidente resultar um dinossauro (acreditem, isso é matematicamente possível, embora nunca vá acontecer). Ele precisa procurar uma geladeira, usar o microondas, ir ao supermercado, etc. Tudo, menos ficar sentado e esperar que seu estômago seja randomicamente recheado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pode prescindir daquilo que é, simplesmente, o mais importante: o plano, o processo desenvolvido, e a vontade dirigida, mesmo que ela seja inconsciente, como no caso dos animais. O que rege o mundo animal são os "instintos": finalidades concretas que movem esses seres. Não é mais fácil pressupor a presença daquilo que, a toda evidência, é o mais importante, e descartar a atuação de uma força cega, desprovida de findalidade? Se há algo mais empírico que isso, por favor me diga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pressuposto básico para a inteligibilidade do mundo é que as coisas não acontecem por acaso (e se você quer pensar fora da inteligibilidade, por favor pare de falar). Se tudo fosse como um macaco digitador, eu aposto meus dois olhos que o universo permaneceria um bolo de excremento cósmico por toda a eternidade, se houver eternidade. Sim, era possível que o universo do macaco digitador, seguindo a regra do acaso, se transformasse espontaneamente num universo inteligível, ao menos parcialmente, como este que temos diante de nós. Mas a palavra "possível", que nunca antes merecera tantas aspas, está tão próxima da realidade da minha experiência diária quanto a palavra "impossível". Tanto que dá no mesmo, em termos práticos, dizer que o bolo de merda do macaco digitador transformado em universo inteligível é algo "possível" ou que é algo impossível. Dá no mesmo. O fato é que eu sei que isso não acontece. Que aviões, ao se chocarem com montanhas, não viram dinossauros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O possível, levado às últimas consequências, dá emprego a muita gente. Mas não diz nada sobre a realidade fora dos estudos de pós-doutorado e da divulgação científica. Eu prefiro afirmar que tudo é mistério a crer cegamente no acaso e no seu onipotente e anexo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Blind Watchmaker&lt;/span&gt;. A superstição tem limites. Eu até aceito que haja gente que acredite em macumba. Mas não posso entender que alguém deposite a sua fé num macaco randômico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, a crença no acaso &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pode&lt;/span&gt; levar alguém a afirmar algo interessante. Mas essa chance é a mesma que tem o macaco digitador de escrever, de primeira, a frase que encabeça esse post.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se trata mesmo de uma frase interessante. Para entender algo do rumor que vem do universo, basta abrir os seus ouvidos. Acredito que o macaco era um maldito crente, pois estava aparentemente a citar o salmo 94:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:7;"&gt;הנטע  אזן  הלא  ישמע&lt;br /&gt;אם־יצר  עין  הלא&lt;br /&gt;יביט׃&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;"Aquele que criou o ouvido não haveria de ouvir, etc?"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-7987194151348249912?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/7987194151348249912/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=7987194151348249912' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/7987194151348249912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/7987194151348249912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/08/rumour-open-your-ears-9r5j5-z0d.html' title='RUMOUR. Open your ears; 9r&quot;5j5&amp;?OWTY Z0d'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-1569687263977313890</id><published>2009-08-08T01:07:00.000-07:00</published><updated>2009-08-09T01:22:15.623-07:00</updated><title type='text'>Blond like Hitler, slim like Göring, masculine like Goebbles</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://constitutionalistnc.tripod.com//sitebuildercontent/sitebuilderpictures/nazi2a.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 227px; height: 301px;" src="http://constitutionalistnc.tripod.com//sitebuildercontent/sitebuilderpictures/nazi2a.gif" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;São Paulo aguarda-me com sua lei anti-fumo. Agora é a minha vez de dizer, usando o chavão da esquerda: &lt;a href="http://constitutionalistnc.tripod.com/hitler-leftist/id1.html"&gt;malditos nazistas&lt;/a&gt;! (Devo link e a inspiração ao companheiro &lt;a href="http://ericonogueira.blogspot.com/"&gt;Érico Nogueira&lt;/a&gt;, um não-fumante, que também escreveu em seu blog sobre o tema).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma citação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;The state performer in antismoking propaganda was Adolf Hitler. As one magazine put it: "brother national socialist, do you know that our Führer is against smoking and think that every German is responsible to the whole people for all his deeds and emissions, and does not have the right to damage his body with drugs?"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, o tabaco faz mal à saúde. Ou melhor formulado: um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;possível&lt;/span&gt;, mas não certo, resultado de se fumar durante um certo tempo (uma equação que depende de vários fatores) é uma série de enfermidades, cujo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;worst case scenario&lt;/span&gt; é o câncer de pulmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso eu sabia antes, sei-o agora e saberei depois de ter parado de fumar, se esse dia chegar. Minha opinião sobre o hábito, todavia, nunca mudou, desde os 17 anos (hoje em dia costuma ser a idade em que a razão começa a dar sinais de vida), embora só tenha começado a fumar de verdade faz uns dois anos, em julho de 2007, quando Bento XVI veio ao Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se para chocolates vale a regra da temperança, ela também vale para o cigarro; ou seja, a moderação, como parâmetro concreto para a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;eudaimonia&lt;/span&gt;, tem plena aplicação nesse caso. O problema é que o governo não entende de temperança. A lei mencionada é, antes, produto de um ambiente moral depravado sustentado expressamente com um argumento econômico. O primeiro consiste no nosso conhecido puritanismo, que vê o fumante como um pecador e o não fumante como bom moço, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;aleluia, irmão&lt;/span&gt;. O argumento econômico resume-se aos gastos públicos com o tratamento de doenças ligadas ao tabaco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ambos, estou dando de ombros. Fumar, em si mesmo, não torna alguém bom nem mau. O mesmo com não fumar. Não se trata de uma questão moral (e se fosse, não são os juristas os primeiros a dizerem que a moral está totalmente separada do direito?). O governo alegaria, se reconhece isso, que se defende como qualquer empresa que tem demasiados gastos com seus funcionários doentes. Mas o problema é que o governo não tem o direito de me multar porque como muitos chocolates, e nem porque fumo cigarros ou pratico montanhismo (e outros esportes perigosos). Se ele pensasse, entretanto, que fumar fosse neutro do ponto de vista moral, e não tivesse gastos com tratamento de fumantes, essa lei sequer seria cogitada. Creio que o primeiro requisito já seria suficiente: retirado o ambiente moral depravado em que nos metemos, e no qual o governo está metido, por ser formado da mesma gente que compõe o resto da sociedade, essa lei não teria sentido; seria mais uma lei nazista na mente do deus-legislador que nunca viria ao mundo real. Tanto é assim que ainda não haviam promulgado leis semelhantes antes da &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Anti-tobacco_movement_in_Nazi_Germany#cite_note-STR15-3"&gt;campanha antitabagista do Partido Nazista&lt;/a&gt;, ao menos até onde tenho notícia (inclusive no que diz respeito a&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;o termo&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;Passivraucher&lt;/span&gt;, "fumante passivo", cunhado em 1929, que fez enorme sucesso entre os nazistas e foi usado inicialmente apenas nesse âmbito).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui na Alemanha o resultado de tantos anos de campanha é o seguinte: os homens talvez fumem menos, e com medo (afinal, são os descendentes espirituais dos soldados sob as ordens do Führer), e as mulheres mandam ver. Diariamente sou abordado por mulheres, e todas têm o mesmo interesse:&lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;                            &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Hey Alter, hast du Feuer? &lt;/span&gt;(tem isqueiro aí, mano?).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-1569687263977313890?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/1569687263977313890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=1569687263977313890' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/1569687263977313890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/1569687263977313890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/08/blond-like-hitler-slim-like-goring.html' title='Blond like Hitler, slim like Göring, masculine like Goebbles'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-6426448544349755529</id><published>2009-08-03T11:37:00.000-07:00</published><updated>2009-08-05T04:13:42.116-07:00</updated><title type='text'>Fragmenta terrae germanicae</title><content type='html'>Só agora fui perceber que estou acidentalmente na mesma Universidade em que atuou como catedrático o Eric Voegelin, ocupando em 1958 a cadeira de Max Weber, vazia desde 1920.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é tarde. No próximo dia 18 volto ao Brasil, à pátria amada que, feliz ou infelizmente, é a minha. Não se escolhe a família e não se escolhe a pátria. E estou feliz, mesmo assim (com a minha família).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema das universidades brasileiras, em matéria de humanas, é que normalmente nelas não se pode escrever teses que demandam material estrangeiro (ou seja, quase todas). Você nunca encontrará a bibliografia mínima para escrever algo que preste, a não ser que mande tirar cópias no exterior: e mesmo assim, o fato de o material não estar à sua disposição o tempo todo diminui as chances de você encontrar "acidentalmente" novos argumentos, como aconteceu comigo raramente (umas 5 vezes por dia). Sinto dizer, embora grande parte dos leitores saiba disso melhor do que eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fenômeno que ocorre no Brasil, em razão disso, é o da multiplicação de bibliotecas privadas, algumas delas excelentes e muito grandes. Tenho um amigo com pouco mais de 30 anos cuja biblioteca não cabe na sua casa, que não é pequena (ele deixa na mansão dos pais). Não sei quantos livros, mas devem ser mais de 10 mil. Na Itália e na Alemanha, as bibliotecas pessoais são relativamente pequenas, já que não faz sentido comprar livros quando se tem uma biblioteca gigantesca ao alcance da mão e de graça. O instituto em que estou é só uma parte minúscula e desprezível da Universidade, e tem mais ou menos 6 salas de 20 metros quadrados com livros &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;até o teto&lt;/span&gt;. Imagine quantos livros são necessários só para as fontes clássicas: as obras completas de todos os autores do cânon latino e grego &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;mais&lt;/span&gt; a literatura filológica, filosófica, literária e histórica anexa escrita desde o séc. XIX (meu "posto de trabalho" se situa exatamente na sala em que essas fontes se encontram e, acreditem, é muita coisa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte do problema no Brasil é que não se gasta dinheiro com livros, salvo honrosas exceções, como os institutos de linguística da USP e da UNICAMP. Para manter uma biblioteca específica atualizada, é necessário encomendar perto de uma centena de livros por mês (algo que custará entre 10.000 e 20.000 reais). O problema não é o dinheiro, mas a existência de um encarregado diligente e bem informado. Infelizmente, estou ainda para conhecer uma figura dessas no Brasil. Aqui temos o Dr. Platschek, um jovem e irônico professor recentemente habilitado que passou a vida encomendando livros (ele que me recomendou o excelente sebo online &lt;a href="http://www.skulima.de/"&gt;Sculima&lt;/a&gt;) e escrevendo calhamaços quase incompreensíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revolução do scanner deve ajudar a globalizar o acesso à literatura em todas as áreas. Estou a ponto de desejar a morte do copyright.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Colônia, conheci finalmente &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;a &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.koelner-dom.de/rundgang.html"&gt;catedral&lt;/a&gt;. Fiquei quase duas horas por lá dando voltas e esgotando o que podia ser esgotado. É uma coisa gigantesca por fora; algo que, no meio de uma cidade antiga-medieval-moderna-e-pós, parece ainda reinar. Até me esqueci dos turistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos novos vitrais foi feito por ninguém menos que o já citado Gerhard Richter. A definição de um amigo lendário é que o vitral é bom porque parece que sempre lá esteve, apesar do seu estilo abstrato (é um mosaico de muitas cores que não forma nenhuma figura reconhecível). Deram-lhe o encargo, que foi mal-visto na Alemanha inteira, e ele cumpriu com maestria. A pergunta era: "O que faz Gerhard Richter numa igreja?". &lt;a href="http://www.spiegel.de/kultur/gesellschaft/0,1518,501994,00.html"&gt;Aqui&lt;/a&gt; há um curto artigo com fotos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem que tenho do Brasil visto pelos olhos alemães, especialmente de São Paulo, é de algo dinâmico e poderoso. As pessoas aqui pensam que somos patriotas fanáticos que gritam o tempo todo "o Brasil é o melhor país do mundo", e em geral - esta foi a minha surpresa - pensam que temos em parte razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No terreno intelectual, estou especialmente otimista. Lembro-me de um inglês que, ao ver os alemães que tinham ido a Roma sentados à sua frente num auditório, exclamou: "Let me sit down here close to you guys to see if I can grow wiser". Em que universo paralelo teria um grupo de brasileiros ouvido tal elogio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ouso dizer que temos não só potencial, mas inteligência em ato. Basta um punhado de homens para botar ordem na coisa (desliguei a ironia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as placas de trânsito tedescas. Deus, os alemães são sólidos designers até no maldito DETRAN.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso o brasileiro não conseguirá nunca. Placas de trânsito elegantes, nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso vou ficar sempre esquizofrenicamente entre um patriotismo discreto e a paixão pelos bárbaros do além-mar. Isso é brasilidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-6426448544349755529?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/6426448544349755529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=6426448544349755529' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/6426448544349755529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/6426448544349755529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/08/fragmenta-terrae-germanicae.html' title='Fragmenta terrae germanicae'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-6494975487987531704</id><published>2009-07-26T06:54:00.000-07:00</published><updated>2009-07-26T09:07:30.080-07:00</updated><title type='text'>Para onde vão os tiros</title><content type='html'>É conhecido o suposto episódio em que Chesterton responde à pergunta que o jornal London Times fez a vários escritores: "O que há de errado com o mundo?". Sua resposta teria sido uma carta com o seguinte conteúdo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dear Sirs,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;I am&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sincerely yours,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;G. K. Chesterton&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A respeito da veracidade do fato, diz a &lt;a href="http://chesterton.org/qmeister2/wrongtoday.htm"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;American Chesterton Society&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;This story has been repeated so often about Chesterton that we suspect              it is true. Also, it seems it is never told about any one other than              Chesterton. What we have not found, however, is any documentary evidence              for it. It may indeed be from &lt;/span&gt;&lt;i style="font-style: italic;"&gt;The Times&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;, as the story is usually              told, but no one has taken the trouble to go through the back issues              and find a copy of the actual letter. It has also been attributed              to other papers, but again, no proof.              &lt;/span&gt;&lt;p style="font-style: italic;"&gt;It is also entirely possible that it actually happened with another                author, but has been attributed to Chesterton because it is typical                of both is humility and his wit and because it is associated with                the title of a book he wrote in 1910, What’s Wrong with the World.&lt;/p&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Real ou não, o fato combina perfeitamente com o caráter do nosso amigo. O que está errado com o mundo não é a corrupção em níveis alarmantes, os crimes, a modernidade, a maçonaria ou a Igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, tudo começa com esse &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;eu estou errado&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Alguns dirão que se trata de auto-rebaixamento ou algo do gênero. Não é. Ele sabia que era inteligente, mais do que a grande e esmagadora maioria, e que era, no final das contas, um homem de sorte, muito bem casado (embora não pudessem ter filhos), etc. Esse &lt;span style="font-style: italic;"&gt;eu estou errado&lt;/span&gt; é uma constatação imensamente saudável, mesmo que se saiba especialmente agraciado, não com coisas espetaculares, mas com uma vida feliz (ainda não morri, mas penso que é o meu caso e o de muitos leitores).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como esse blog é um enorme parênteses dentro de outro, e de outro, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ad inf.&lt;/span&gt;, vamos lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca se pode estar seguro de que se vai morrer nesse estado. A transitoriedade é um fato, e não adianta espernear. A vida é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;work in progress&lt;/span&gt;, espero que não um Finnegans Wake, e é preciso constantemente reafirmar aquela velha fidelidade depois que se viu para onde vão os tiros. Você está sempre como Ulisses: tem consciência de que é necessário - Lo! a sabedoria grega! - amarrar-se ao mastro do navio para garantir que, quando passarem pelas sirenes (ou sereias), você não abandonará o navio como um filho da égua. Mas você pode deixar passar. E ter de dar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;reboot&lt;/span&gt;. Estas são as regras do jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo moderno, desculpem o chavão, é um mundo de especialistas. Eu diria que é o mundo da terceirização. Quando você precisa entrar em forma, contrata um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;personal&lt;/span&gt;. Quando precisa escrever uma tese, vai buscar autores que já escreveram sobre o tema. Quando não sabe que caminho tomar, olha no Guia Mais, ou melhor, no Google Maps. E assim por diante. Sabemos ir às fontes, e elas estão aí, pornograficamente disponíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas e quando o assunto é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;que merda de vida viver&lt;/span&gt;? Aí esses meios não ajudam. A vida é uma unidade, e as especialidades não estão à altura dela. Não há propriamente especialistas em felicidade; isso seria uma contradição em termos. Ou melhor, mesmo se houvessem - e de fato há quem se arrogue o título -, eles seriam tratados com desconfiança, e com razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você vai adiante, vai descobrir que existem, não pessoas, mas tradições muito antigas que procuram lidar seriamente com esse tema, e que dizem possuir a chave. A filosofia é uma delas, mas os melhores entre os autores sabem que ela não dá respostas muito práticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase sempre as tradições antigas nos darão bons insights. Elas têm mais experiência - já que o homem é sempre o mesmo, e o mesmo cabeça de bagre, por mais que se esperneie - do que os personal trainers da felicidade. Mas isso não é tudo. Sempre se chegará à conclusão de que elas são contraditórias entre si, e que nenhuma merece a minha confiança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afirmo que a chave para a felicidade está em algo que transcende as tradições. Ela não é mais um entre outros caminhos. Ela é a própria realidade, o próprio ser, em parte inacessível, em parte acessível, ao menos para quem está munido de um mínimo de sinceridade. Essa  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;vontade de acertar &lt;/span&gt;parece pouco, mas é tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como tudo o que é bom, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;vontade de acertar&lt;/span&gt; é o mais difícil. O alemão tem uma palavra interessante: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aufrichtigkeit&lt;/span&gt;, que pode ser traduzida como sinceridade, honestidade, franqueza, genuinidade, etc. É estar sobre, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;auf&lt;/span&gt;, a retidão, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;die &lt;/span&gt;Richtigkeit&lt;/span&gt;. Se pudesse construir uma palavra, seria &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Hinaufrichtigkeit&lt;/span&gt;, que pode indicar uma direção em direção à Direção (desculpem se isso complica um pouco as coisas, mas acho que se pode entender). Essa Direção é a própria realidade. Por mais que fiquem putos da vida, sem nós há uma realidade. Ela está lá. Estava lá antes de nós. Ela nos transcende justamente porque não foi inventada por nós. Mesmo no esquema mais radical berkeleyano, não se pode ocultar o fato de que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;alguém&lt;/span&gt;, Berkeley no caso, escreveu uma doutrina, já está morto e, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;plaft&lt;/span&gt;, aqui estamos nós diante de algo que foi escrito por outro, nesse caso um hoje-cadáver. Dá pra entender?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A direção, portanto, que devemos tomar é aquela que se assenta por baixo de tudo o que vamos, aos poucos, colocando sobre a realidade. São acidentes. Podiam ser e podiam não ser. Você podia ser careca, mas é cabeludo. O cabelo não traz felicidade. Esse pássaro é vermelho, mas morto é preto. Outros pássaros semelhantes ocorrem de ser alaranjados. O que está por trás desses pássaros? Pode ser tudo, menos o nada. A isso chamamos a substância de pássaro, que pode ser abstraída em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;passaridade&lt;/span&gt;. Pois - como a mesma lógica se aplica a todas as coisas, já que sem essa subjacência elas simplesmente não seriam, e não se poderia sequer pensar em falar nelas, pois - como essa lógica se aplica a tudo, podemos dizer com segurança que ela também se aplica à realidade como um todo. A realidade tem realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A direção moral, portanto, nas minhas concretíssimas circunstâncias, é uma direção real (estrutura metafísica da ética), é um caminho perfeitamente trilhável. A sinceridade é que destrói as conversinhas de filósofo, a auto-ajuda, a falsa religiosidade, a moda, os blogs, o papel, o "mas podemos duvidar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;também disso&lt;/span&gt;" (reparem na ironia, pois para poder duvidar é necessário atribuir certeza à possibilidade de duvidar, malditamente realista), enfim, todas as aparências que nos afastam da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ser possui um fundo, e mesmo que ele nos seja parcialmente inacessível, é para ele que nos devemos dirigir. Ou então, meu amigo, se mata. Eu não sei você, mas eu nasci com uma vontade enorme de fazer a coisa certa - e isso exclui o "ser certinho", porque ser certinho é errar. E mesmo quando fiz a coisa errada, sabia que, de um modo ou de outro, eu estava errado (mais uma vez, a realidade do erro é uma prova da realidade da verdade).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que há no episódio tipicamente chestertoniano é uma expressão perfeita dessa dificuldade de acertar (em termos cristãos, o pecado original, oh horror). O que ninguém pode, entretanto, retirar de nós é essa retidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tradição que entendesse esse equilíbrio delicado entre a bondade e a maldade do homem - a vontade de acertar e os constantes erros, o reconhecer o ser e mesmo assim optar pelo nada - se colocaria, sem ironia e sem arrogância, por cima de todas as outras. E por isso ela &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não seria uma simples tradição, e por isso nunca seria um caminho entre outros&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela seria tão superior a mim que cometeria a desfaçatez de me chamar pelo meu nome.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-6494975487987531704?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/6494975487987531704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=6494975487987531704' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/6494975487987531704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/6494975487987531704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/07/para-onde-vao-os-tiros.html' title='Para onde vão os tiros'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-2669717067886415622</id><published>2009-07-25T00:59:00.000-07:00</published><updated>2009-07-25T01:51:07.833-07:00</updated><title type='text'>I'd rather go for a pint of Guinness</title><content type='html'>Alguns leitores terão percebido que, volta e meia, recebo comentários não exatamente simpáticos do Adriano Correia. Pensando nisso, trago a lume uma breve consideração sobre a sua pessoa, com a finalidade de desfazer eventuais equívocos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Adriano é um excelente rapaz. Já almocei em sua casa, conheci os seus pais - gente boníssima -, e fui recebido com verdadeira hospitalidade. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;E não há porém&lt;/span&gt;. Ao vivo, Adriano é extremamente educado, nunca me tratou mal e o mais das vezes apenas rimos juntos ou conversamos sobre metafísica ou ética. Acrescento que ele é dono de um senso de dever que supera o dos melhores suíços: nunca reteve um livro emprestado, sempre devolvendo com pontualidade. Além do mais é inteligente e escreve bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero que concluam, portanto, a partir desses "ataques", qualquer coisa de negativo contra ele. Cada um tem o seu estilo e os seus defeitos. Não me agrada a acusação gratuita de "canalhice"; mas estou tentando, aos trancos e barrancos, seguir o conselho de Sócrates, que quando injuriado se preocupava mais com o injuriador do que com a sua própria reputação. Deixo o julgamento quanto a esta última a quem tiver autoridade para fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não faço mais que minha obrigação, e isso não me custa esforço e muito menos deve contar a meu favor. Quem pensar o contrário estará &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gravemente &lt;/span&gt;equivocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O melhor é não levar a vida tão a sério e tomar uma boa cerveja. Quem quiser brigar que chame um Rocky Balboa Aposentado pra porrada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-2669717067886415622?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/2669717067886415622/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=2669717067886415622' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2669717067886415622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2669717067886415622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/07/i-prefer-to-drink.html' title='I&apos;d rather go for a pint of Guinness'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-801255415387814372</id><published>2009-07-23T04:57:00.000-07:00</published><updated>2009-07-23T09:58:34.011-07:00</updated><title type='text'>Auctoritate magis quam imperio regebat loca</title><content type='html'>O que torna (qualquer) assunto acadêmico interessante, por mais longe que esteja das nossas inclinações naturais, é a habilidade e a profundidade com que ele é tratado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem terminou um seminário do qual participei sobre o dote (&lt;em&gt;dos&lt;/em&gt;) em direito romano, a partir de documentos literários, papiros e fontes jurídicas. O assunto não me interessa nem um pouco, porque foge totalmente do meu âmbito de estudos. Mas em todas as reuniões estava presente o Prof. Dieter Nörr, já perto dos 80 anos, encurvado pela idade e mais lúcido do que nunca. Só isso já me serviu de desculpa para perder 2 horas semanais durante meses com esse assunto desinteressante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso dizer que aprendi algo de importante sobre a matéria. Em termos utilitários, descobri um papiro que me fez pensar numa idéia e numa questão prática conexa com minha pesquisa. E é só. Mas foi a primeira vez em que travei contato com alguém que, inquestionavelmente, atingiu os cumes da ciência a que se dedica (um &lt;em&gt;auctor&lt;/em&gt;, num dos sentidos originais do termo, como definirei adiante); e não por puro esforço: o homem tem talentos que normalmente só se vê em livros, e que ao vivo passam ocultos em razão da discrição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem assim atingiu algo que os romanos chamavam &lt;em&gt;auctoritas&lt;/em&gt;. Ela passa longe tanto da afetação juvenil quanto da esclerose dos velhos. A &lt;em&gt;auctoritas&lt;/em&gt; tem algo de jovem e algo de experiente: de jovem porque transmite vitalidade, instiga a curiosidade, torna as coisas atraentes e faz pensar tudo desde o início; de experiente porque nada ali é gratuito - tudo está em seu lugar e é resultado de um processo de maturação. Diante de quem naturalmente atinge essa maturidade, nenhum questionamento passa em branco e, ao mesmo tempo, os outros se sentem à vontade para falar, mesmo que seja bobagem (ele sabe que a aprendizagem é sempre individual, e por isso valoriza o conflito e o erro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ciência requer condições que não se aprendem oficialmente na Academia. Não se aprende a ser amável ou humilde - no sentido correto do termo, que é, pela milésima vez, submissão à verdade, especialmente quando ela &lt;em&gt;aparentemente&lt;/em&gt; me diminui diante de mim e diante dos outros -, não se aprende a ser homem. A ciência que está &lt;em&gt;registrada&lt;/em&gt; foi feita por homens, e ela nunca dispensou elementos que estão a rigor fora do seu âmbito (refiro-me especialmente às antipáticas virtudes). Consideramos a ciência, mas muitas vezes não aquilo que era condição de possibilidade para que ela surgisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo isso porque a Academia não precisa ser um lugar chato onde se lê, se faz perguntas, se perde tempo e depois se vai para casa. E porque as ciências - refiro-me também às exatas - não falam apenas do homem &lt;em&gt;enquanto isso&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;enquanto aquilo&lt;/em&gt; ou do movimento ou dos números; mesmo indiretamente, ela fala do homem enquanto homem, dos seus limites e potencialidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não deixarei de mencionar algo ainda mais importante. Quem detém a &lt;em&gt;auctoritas&lt;/em&gt; não chama a atenção para si, mas para algo que está fora dele: a verdade, mesmo relativa, mesmo provável ou hipotética, sobre um objeto de estudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha 'teoria' é que a relação que temos com um &lt;em&gt;auctor&lt;/em&gt; é triangular, e se aplica especialmente às ciências humanas. No ponto A está o próprio &lt;em&gt;auctor&lt;/em&gt;; no B, quem o ouve; no ponto C, o objeto de conhecimento. O &lt;em&gt;auctor &lt;/em&gt;está sempre preocupado com o ponto C, e seu trabalho consiste simplesmente em transmitir, por &lt;em&gt;contato&lt;/em&gt;, esta preocupação a quem ocupa o ponto B. A isso chamamos &lt;em&gt;formação&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem afeta conhecimento apaga, deliberadamente, o ponto C, a fim de se sobressair e impressionar. Isso faz, por exemplo, quem, numa discussão, perde-se na "crítica", mostrando o seu poder de argumentação ou conhecimento destruindo tudo o que está a seu redor, para que todos olhem para ele e esqueçam coisas imbecis como a "verdade", a honestidade intelectual, etc. Uma variante é rebaixar alguém para que, em comparação com o sujeito rebaixado, eu me torne maior (em outras palavras, inveja).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A manutenção dessa relação triangular num discurso e numa atitude de fundo é prova de honestidade. É o único caminho possível para o trabalho intelectual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reação virulenta ao argumento de autoridade é sempre resultado de um desequilíbrio nessa relação. Se ela se mantém, a idéia de autoridade &lt;em&gt;na verdade &lt;/em&gt;pode ser reestabelecida e os gritos de quem, movido por vontade de auto-afirmação, virar-se contra ela, não serão ouvidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-801255415387814372?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/801255415387814372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=801255415387814372' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/801255415387814372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/801255415387814372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/07/auctoritate-magis-quam-imperio-regebat.html' title='Auctoritate magis quam imperio regebat loca'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-7657645712124809003</id><published>2009-07-18T00:47:00.000-07:00</published><updated>2009-07-18T01:25:32.726-07:00</updated><title type='text'>Gott könnte das modernste Wesen sein</title><content type='html'>Nessa semana esteve na casa onde moro o filósofo francês Rémi Brague, "um dos grandes" segundo descrição do companheiro Martim, para falar sobre "O Deus dos modernos". Juro que tive a impressão - parcialmente falsa - de que era a primeira vez que via alguém &lt;span style="font-style: italic;"&gt;falar com propriedade&lt;/span&gt;. Ah-ham, a gente está acostumado a ouvir pessoas inteligentes, excelentes professores, enfim, pessoas que sabem do que falam. Mas não filósofos. Rémi Brague é um filósofo, no sentido menos piegas que se pode imaginar. Não é à toa que ele é o sucessor de Romano Guardini em Munique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As perguntas foram muito boas, apesar do tempo que exigiram. Brague tem método e usa o alemão como uma espécie de Lego lógico-retórico. Surpreendentemente, o resultado é algo vivo, instigante. Em dado momento, ele discutiu justamente o significado mais profundo da palavra &lt;span style="font-style: italic;"&gt;interessante&lt;/span&gt;, fazendo um jogo de palavras com o francês (eu filmei essa parte, mas o áudio ficou tenebroso).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve uma pergunta (do conteúdo não me recordo) que foi respondida mais ou menos assim: o problema crítico do ateísmo - lembrando de Dawkins - é que ele combate um conceito de Deus que teólogos e filósofos clássicos seriam os primeiros a combater (ou melhor, já combateram e têm mais o que fazer), e com muito mais habilidade, de modo que o seu efeito acaba sendo meio &lt;span style="font-style: italic;"&gt;kicking a dead pig&lt;/span&gt;, chutando um porco já morto, na expressão de um &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Kicking_a_Dead_Pig:_Mogwai_Songs_Remixed"&gt;disco remix do Mogwai&lt;/a&gt;. Um conceito tão pobre, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;armselig&lt;/span&gt;, de Deus, que faria qualquer teólogo vomitar. Em outras palavras: os cristãos são ainda mais ateus que os ateus (o que nos leva à famosa entrevista com Girard). O ateísmo só faz mudar de assunto. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gott&lt;/span&gt;, disse ele, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ruft unsere Freiheit an&lt;/span&gt;.*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveito para linkar &lt;a href="http://www.die-tagespost.de/2008/index.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=100050180&amp;amp;Itemid=4"&gt;o artigo publicado no Tagespost&lt;/a&gt; de anteontem descrevendo a palestra. Infelizmente está em alemão (quem sabe não serve de estímulo para você começar a estudar o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;idioma de Belzebu&lt;/span&gt;?). Não fiz a experiência, mas talvez se possa tentar traduzi-lo pelo Babel ou o que seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em língua user-friendly, aqui vai uma entrevista com ele: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;a href="http://www.clarionreview.org/main/article.php?article_id=38"&gt;"Yellow Ants", Fundamentalists, and Cowboys&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* "Deus invoca nossa liberdade", na melhor tradução que consegui fazer.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-7657645712124809003?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/7657645712124809003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=7657645712124809003' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/7657645712124809003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/7657645712124809003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/07/gott-konnte-das-modernste-wesen-sein.html' title='Gott könnte das modernste Wesen sein'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-1484127961413369786</id><published>2009-07-12T10:51:00.000-07:00</published><updated>2009-07-21T00:19:06.128-07:00</updated><title type='text'>Don't eat the yellow snow (actually someone hath pissed on it, bozo)</title><content type='html'>&lt;div&gt;Muitas vezes ajuda pensar com crueza: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;eu posso estar errado&lt;/span&gt;. Não como quem simplesmente considera a possibilidade. É algo extremamente difícil. Considerar uma possibilidade real é bastante diferente de refletir como um adolescente de todas as idades, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;yeah, I could be right and I could be wrong&lt;/span&gt;. Trata-se de entrar com seriedade num ambiente mental em que a realidade cresce e, junto com ela, uma disposição sincera, não de duvidar simplesmente (cartesianamente?), mas de afastar todos os obstáculos que nos distanciam da verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando falamos em verdade, é natural que as pessoas desconfiem, especialmente se ela vem com maiúscula e cheia de pretensão pseudotomista. Mas pensem em verdades simples: eu penso que tal rua se chama A e na verdade ela se chama B; eu penso que A é um preguiçoso por não ter vindo, quando na realidade ele não veio porque o pneu furou; eu julgo que alguém é um idiota completo quando na real ele é apenas discreto. Evidentemente, em outros casos a complexidade aumenta. Mas o princípio é o mesmo. Senão, não há conversa possível, não há busca, e o melhor e meter-se dentro de um barril.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade começa com coisas práticas, e afirma o seu valor justamente aí: quando ela nos envolve, quando ela é quase uma questão de sobrevivência. Aí não brincamos. Não somos ateus, não somos idealistas, não somos nada. Somos homens que querem sobreviver, ou que querem que um filho não seja um pacana, ou que querem conquistar uma mulher. É muito bonito dizer-se que se é cristão ou ateu. Mas e quando essa posição é posta à prova? Quando já não é questão de ser legalzinho ou chocar os amigos, mas de decidir com base nesse fundamento? É &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fashion&lt;/span&gt; admitir que sou relativista; mas e quando a minha própria estrutura pessoal começa a ruir em função disso, fustigada em suas bases por decisões práticas que supõem justamente a realidade das coisas (ou seja, uma suspensão do mesmo relativismo)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se é o tão-falado espírito do tempo, mas o fato é que brincar com as próprias convicções parece estar em moda. Todos têm convicções, mesmo que sejam loucos ou sejam o próprio Alfred Jarry.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os ambientes insinceros - mesmo os espaços privados entre amigos - parecem colocar tudo em jogo. Neles não se fala a verdade - procura-se afetar e impressionar. Tenho de evitar a qualquer custo soar como alguém que acredita em alguma coisa. Preciso soar como um DJ inglês que não sabe qual lista de mp3 escolherá desta vez, e que e se diverte com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha impressão é que, ao invés das opiniões insinceras (os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;uiticismos&lt;/span&gt;* de grupo, as piadas internas, as palavras de efeito) serem julgadas por um critério superior, ocorre justamente o contrário: a experiência, as normas práticas, os costumes, a razão mesma depende das configurações e tendências que se formam nesses ambientes e se cristalizam nessas palavras e frases mágicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* De &lt;span style="font-style: italic;"&gt;witticisms&lt;/span&gt;: "comentários espertinhos", que aqui elevo à categoria máxima de visão de mundo em si mesma. Os franceses são mestres do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;jeu d'esprit&lt;/span&gt;, mas os bons entre eles sabem que se tratam de meios, e não de fins.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;Isso não constitui uma crítica a essas ironias sociais. Elas são boas e necessárias. Mas elas supõem uma sabedoria prática; e elas devem ser usadas, aliás, justamente para transformar idéias que normalmente têm uma imagem piegas em coisas espertas e atraentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se trata, pois, de banir o que é atraente, mas de transmitir o que é atraente por si mesmo sob a forma de discursos e comportamentos inteligentes (não se trata de fazer concessões, mas sim de expurgar o ridículo, que é no mínimo desagradável).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, portanto, uma via média (uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mediedade&lt;/span&gt;, como diz Marco Zingano, traduzindo Aristóteles) entre a insinceridade &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cool &lt;/span&gt;e a ingenuidade ridícula. Oh yes, a verdade pode ser algo atraente - ela é atraente em si mesma, se a entendemos bem, e poucos estão dispostos a discordar sinceramente desse fato. Quem estiver disposto a fazê-lo, que seja interrogado. Quando a coisa pegar, ele mudará misteriosamente de opinião. Ou no mínimo as suas ações provarão que ele estava errado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-1484127961413369786?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/1484127961413369786/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=1484127961413369786' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/1484127961413369786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/1484127961413369786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/07/dont-eat-yellow-snow-actually-someone.html' title='Don&apos;t eat the yellow snow (actually someone hath pissed on it, bozo)'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-5619946634868651104</id><published>2009-07-05T01:40:00.000-07:00</published><updated>2009-07-05T03:44:27.396-07:00</updated><title type='text'>A Hund is er scho!</title><content type='html'>As conexões que a ciência nos obriga a fazer torna a "interdisciplinaridade" algo inescapável. Acabei por comprová-lo na minha própria pesquisa sobre um antigo instituto de direito romano. Fui obrigado a emprestar dados de muitas disciplinas: história, geografia, epigrafia, papirologia, filologia, linguística, arqueologia, agricultura, agrimensura, fotografia aérea, e vai saber o que mais. Antes, eu achava que interdisciplinaridade fosse conversa fiada, e nunca imaginaria que teria de usar o Google Earth numa pesquisa sobre a propriedade privada em Roma. Sem que eu pudesse perceber, as coisas aconteceram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso me fez pensar na autonomia da realidade, que destrói preconceitos e noções ideológicas (e dizê-lo não faz de mim um professor da USP). A ciência é uma excelente oportunidade para o exercício do "curvar-se aos objetos" que estão lá fora, ou seja, cuja existência não depende de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;In this study, the potential and feasibility of the use of panchromatic and multispectral QuickBird data for the identification and spatial characterization of archaeological sites was evaluated. The analysis focused on an assessment of the capability of QuickBird images to detect surface anomalies expected in the presence of archaeological buried remains. The investigations were performed for a test case in the south of Italy, where human activity has been logged from the Palaeolithic to the Middle Ages. The results show that the QuickBird panchromatic and data fusion products can be a flexible data source for archaeological prospection, and can be useful for extracting features of archaeological sites prior to any excavation work and for increasing the cultural value of historical sites.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que diabos é anti-folk?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noel Gallager recentemente afirmou, entre outras coisas, que não suportava isso de shows com mensagem política, discursos carregados de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mea culpa&lt;/span&gt;, etc, a exemplo dos do Coldplay e do U2. Apesar de ele falar merda grande parte do tempo, sou forçado a concordar. E o "seu ponto" é que as pessoas vão aos shows para ouvir música, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;to have a good time&lt;/span&gt;. "Não vou a um show para me sentir culpado", disse ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente, essa é uma característica marcante desde os anos 90 (ou 60?). Deve haver um espaço público em que os artistas são gente engajada, o público se sente culpado e todos dão as mãos. Mas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gente&lt;/span&gt;, eu quero ouvir música. Eu não sou um cara legal. Talvez eu me preocupe mais com o que acontece na minha casa do que com a África (o que não significa que a África não seja digna de atenção, ou o Brasil ou a Inglaterra). Talvez eu queira ouvir alguém que saiba tocar bem o piano, ou o que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que as pessoas se preocupam demais com algo que não podem mudar e ignoram aquilo que podem fazer. Deixar de tentar ser um cara tão bacana e engajado seria um bom passo. Isso você pode mudar. Deixar a angústia social de lado e arranjar um emprego que se possa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;desempenhar com arte&lt;/span&gt;: é o modo normal de agir bem e dar a sua contribuição à "sociedade" (eu digo real people), mesmo que ela seja totalmente imperceptível (exemplo: analisar fotografias aéreas e fumar no intervalo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem estive numa pequena festa. Um sujeito que conheci, com o mesmo nome que eu, dizia que aprendera há pouco algo interessante: não é porque eu sou bonzinho que coisas boas acontecem. Shit happens to good people. Eu acrescentaria que, se ele reparasse bem, descobriria que ele não é tão bom assim e que, mesmo que o fosse, a merda aconteceria. Simples, não? Mas como custa reconhecer. Não se trata de uma constatação depressiva. Não somos soviéticos. Mesmo descobrindo que não somos tão legais, há &lt;span style="font-style: italic;"&gt;vida no depois&lt;/span&gt;. E acrescento, vida melhor. Mas eu não disse nada. Eu e ele aprenderemos sozinhos. Papai não precisa ensinar, nicht wahr?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso diz muito sobre a literatura, como o MVC muito bem disse, carregando no sombrio: ela lida com o fracasso, e sabe resolvê-lo de modo esteticamente aprazível. A vida é muitas vezes literária, como diz o cliché. Converter a vida em literatura, a literatura em vida (corta essa, Leonard Cohen, de novo, que maldito cliché). Mas ok, é por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A providência atua nos bares, nos cafés: o palco muitas vezes é montado para que não sejamos mais outros, não mais anônimos, não mais tão vagamente preocupados com a realidade. E lá estamos mudando o mundo. Não como os estudantes de 68, mas como as donas de casa, conversando com os chatos e servindo o cafezinho morno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-5619946634868651104?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/5619946634868651104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=5619946634868651104' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/5619946634868651104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/5619946634868651104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/07/hund-is-er-scho.html' title='A Hund is er scho!'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-4297452477218700761</id><published>2009-06-21T07:25:00.000-07:00</published><updated>2009-06-23T02:36:47.026-07:00</updated><title type='text'>Dois</title><content type='html'>Em 1994 surgia um dos melhores albuns do hardcore/indie da década passada: &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Hand Me Down&lt;/span&gt;, do Falling Forward. Sei que só dois leitores - e isso não acidentalmente, pois a conhecemos juntos - conhecem a banda, mas mesmo assim, ok, voilá. Sou particularmente fã dessa descendente menor do Elliott por dois motivos: (i) lá está o frescor que já não têm mais as bandas alternativas de hoje, e (ii) os caras sabiam o que estavam cantando (reparem na letra de &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Character&lt;/span&gt;, que começa com um&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;/span&gt; memorável "Ill rage a war against myself"). E não adianta ir atrás do CD: ele deixou de ser editado em 2000 e nunca mais, creio, o será. Mas todo o disco está disponível para download &lt;a href="http://www.megaupload.com/?d=JMPB32Z3"&gt;aqui&lt;/a&gt;. É para ficar na &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;história das coisas menores&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconciliei-me com os últimos artistas contemporâneos ao visitar no domingo o &lt;a href="http://www.museum-brandhorst.de/"&gt;Brandhorst Museum&lt;/a&gt;, o mais recente museu de Munique, um dos melhores (e menores!) que já visitei. A arquitetura é uma obra de arte que não fica a dever ao conteúdo exposto (é a construção perfeita para quem gosta de fotografia arquitetônica, a propósito). Você sabe onde está o tempo todo, o que não é comum - ainda mais para gente perdida como eu. Além de agradável, o edifício é &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;bonito&lt;/span&gt; (!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá estão muitos trabalhos de Warhol para agradar o público caça-celebridades. Mas o melhor é uma grande coleção de obras do carro-chefe Cy Twombly, que ocupa, como é de lei, &lt;a href="http://www.museum-brandhorst.de/de/gebaeude/panoramafotos.html"&gt;enormes salas&lt;/a&gt; e &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;passages&lt;/span&gt;. Quem sabe um dia ele não ilustra um número da Dicta? Além disso, Christopher Wool, Bruce Nauman, Sigmar Polke. E, de brinde, um trabalho daquele que é talvez o maior, e o mais caro, artista plástico vivo: &lt;a href="http://www.museum-brandhorst.de/de/sammlung-brandhorst/gerhard-richter/familie-nach-altem-meister.html"&gt;Gerhard Richter&lt;/a&gt; (há muitas coisas dele &lt;a href="http://www.gerhard-richter.com/art/"&gt;aqui&lt;/a&gt;; hoje estou me sentido generoso). E um vídeo anticomunista armênio (?) cujo autor não consegui identificar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-4297452477218700761?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/4297452477218700761/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=4297452477218700761' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/4297452477218700761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/4297452477218700761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/06/dois.html' title='Dois'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-4437911559783247247</id><published>2009-06-08T11:55:00.000-07:00</published><updated>2009-06-09T05:28:46.173-07:00</updated><title type='text'>Costurando cadáveres de arminhos</title><content type='html'>Ter leitores sensatos é o sonho de qualquer escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os leitores definem, em última instância, o que será de uma obra. Se ninguém tivesse compreendido Machado de Assis ou (o que dá no mesmo) ele tivesse sido esquecido, a sua obra possuiria, sim, um valor intrínseco &lt;em&gt;potencial &lt;/em&gt;- mas o que é a literatura desconhecida senão, na prática, um fenômeno socialmente nulo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não haveria Cícero se os anônimos eruditos medievais e os Humanistas fossem idiotas: eles teriam feito a alegria das traças com os manuscritos e boa parte da cultura latina teria virado, literalmente, &lt;em&gt;merda Lepismae saccharinae&lt;/em&gt; (cocô de traça).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes se ouve dizer que alguém &lt;em&gt;escreve para si&lt;/em&gt;. Isso está longe de ser um problema. Alguns deles farão parte dos "clássicos do futurível", seja por decisão pessoal, seja por acidente (&lt;em&gt;Os Lusíadas&lt;/em&gt; quase se perderam, Kafka mandou expressamente queimar seus manuscritos mas foi felizmente desobedecido, etc.). (E eu diria que o espírito que move os que escrevem para si é muito mais nobre do que o dos que querem ser conhecidos a todo custo. Aliás, não seria essa despreocupação um atributo essencial do escritor?) Mas nós torcemos para que os bons autores sejam divulgados, trasformem e sejam transformados pelos seus leitores. Infelizmente, só vivemos em uma solitária dimensão do espaço-tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E suspeito que ela não seja paralela a nenhuma outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um lado, acreditar que as infinitas bifurcações temporais gerem infinitos universos paralelos é substancializar ilicitamente a imaginação matemática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso se assemelha ao furado argumento antológico de S. Anselmo: pensar que Deus existe &lt;em&gt;porque&lt;/em&gt; é a coisa mais perfeita que se pode imaginar e que, se for mesmo perfeita, deve ter o atributo da existência (!), é o mesmo que pensar que a escolha entre duas (na prática, infinitas) alternativas para uma ação - e aqui nos atemos apenas à dimensão da escolha livre humana - não é definitiva, e que a alternativa não escolhida teria vida própria e portanto habitaria um universo paralelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes tenho a impressão de que muita gente acredita, inconscientemente, viver num universo paralelo, mesmo que nunca tenha formulado expressamente, de si para si, esse problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida real, entretanto, não admite esse raciocínio. Na prática, só nos preocupamos com os resultados das nossas escolhas para &lt;em&gt;essa vida&lt;/em&gt; que se desenvolve diante dos nossos olhos. Os outros eus-paralelos ("o que seria de mim se...") são, ou deveriam ser, ignorados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, a imaginação certamente ajuda quando, inspirando-se num eu-paralelo, encontra energia para forjar, à sua imagem, um novo Eu, não passado, mas &lt;em&gt;a partir de agora&lt;/em&gt;. É quando o futurível deixa de ser futurível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto é absurdo contemplar "o que eu teria sido se", é algo muito fértil contemplar "o que eu serei se", desde que eu esteja disposto a colocar os meios pertinentes. À força de imaginar, forjamos um futuro real: podemos vir a habitar um "universo-que-seria-paralelo" escolhendo livremente a existência - dentro das limitações de costume (basta ter em conta que não somos deuses) - que queremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa história pessoal mostra - espero que os leitores encontrem exemplos - que &lt;em&gt;coisas absurdas&lt;/em&gt;, que mal podíamos acreditar, aconteceram. Talvez não sejam muitos os nossos exemplos. Penso, aliás, que poderiam ser mais numerosos. O que distingue um medíocre de um excelente (pensem em algo interessante, e não no José Wilker) é essa capacidade de imaginar coisas absurdas e torná-las reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Definitivamente, a vida dos &lt;em&gt;time travellers&lt;/em&gt; é mais interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;------&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;P. S. progaganda: A &lt;em&gt;Dicta&lt;/em&gt; 3 já está em segundo lugar no ranking de vendas não-ficção na Cultura.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-4437911559783247247?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/4437911559783247247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=4437911559783247247' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/4437911559783247247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/4437911559783247247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/06/costurando-cadaveres-de-arminhos.html' title='Costurando cadáveres de arminhos'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-1238450576638101657</id><published>2009-06-01T02:51:00.000-07:00</published><updated>2009-06-01T06:45:29.389-07:00</updated><title type='text'>Infinitary mathematics is a fantasy world in which we fantasize about the completions of processes which, realistically, we can only begin</title><content type='html'>Aquela expressão antiquada &lt;span style="font-style: italic;"&gt;acender uma vela a São Miguel e outra ao diabo&lt;/span&gt; parece afirmar, não um dogma, mas uma máxima da experiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A opção por manter uma espécie de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;duplipensar &lt;/span&gt;moral, além do custo emocional, só pode ser sustentada por uma espécie de filosofia: o niilismo radical, que consegue aparentemente conciliar uma ausência total de fundamentos para o agir&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;com as exigências da vida normal. Na prática, ninguém faria negócios com um niilista, ninguém gostaria de ser seu amigo, etc etc. O zeitgeist tornou-o, entretanto, alguém interessante. Na pior das hipóteses, o niilista nunca se assume como tal (estou falando de pessoas concretas, que existem e respiram, e não de categorias filosóficas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma espécie de voluntarismo sustenta e conserva a opção niilista: apesar de todas as evidências em contrário extraídas da vida prática com pertubadora evidência, mantenho essa contradição e essa paradoxal tensão (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;the sort of tension that equals zero&lt;/span&gt;) simplesmente porque &lt;span style="font-style: italic;"&gt;quero&lt;/span&gt;. Lembro-me de ter usado repetidas vezes esse argumento interior, porque fui eu mesmo um niilista radical com todas as letras. Experimenta-se então, sem dramas (como queira), o que nos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;papers &lt;/span&gt;sobre o tema costuma chamar-se "abismo ontológico", e é quase impossível sequer respirar intelectualmente. Pode-se empurrar com a barriga, mas a situação é tão absurda, que a atividade mais nobre e interessante passa a ser algo que defini como "contemplar paredes", algo que desemboca, se a pessoa tiver coragem o suficiente, numa estética do vazio. Essa situação foi suficientemente descrita na literatura contemporânea, com destaque para os romances de Don DeLillo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por uma espécie de instinto de sobrevivência, poucos têm coragem de levar o niilismo até as últimas consequências. Trata-se de uma incapacidade crônica de formular claramente a própria opção intelectual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São muitos os obstáculos que se erguem diante de quem procura formular claramente a sua própria opção intelectual niilista. Um deles é o próprio espírito do tempo. O que era antes um passatempo exclusivo de pessoas inteligentes, teóricos da arte e filósofos tornou-se pelo menos desde os anos 80 uma alternativa para as massas. Não se exige do consumidor dotes intelectuais ou coragem. Basta assistir a um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;reality show&lt;/span&gt; ou a um comercial para se expor a doses cavalares de niilismo - como dizia há muito tempo Baudrillard, a publicidade veicula essa filosofia do nada através de imagens aprazíveis e aparentemente inofensivas&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;, e praticamente não há como fugir dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes o simples ato de realizar essa formulação é a única saída para encontrar o sentido que falta. Lamento informar, para os que ainda não sacaram, que não basta recorrer a uma bibliografia anti-niilista, ou o que for. É preciso &lt;span style="font-style: italic;"&gt;contato&lt;/span&gt; com pessoas que, de uma forma ou de outra, encontraram o caminho de volta - naturalmente não me refiro aos chatos "conversos" ou a proselitistas do otimismo - ou que nunca caíram nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Platão afirma em uma de suas cartas justamente isso: o que nos faz realmente cair do cavalo é o contato (aqui ele utiliza uma palavra grega intraduzível, algo que lembra vagamente "trato", "comércio" ou "intercâmbio") com pessoas interessantes, e não os livros. Eu diria que é a amizade; e se você não está pronto para acrescentar ao termo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;amizade&lt;/span&gt; conotações meramente sentimentais ou francamente equivocadas, poderá ter uma idéia do que quero dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imunidade à poluição semântica, assim como o gosto pela alimentação normal (v. g., carne, massas, queijo; café, vinho, cerveja), é nada mais do que sinal de saúde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-1238450576638101657?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/1238450576638101657/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=1238450576638101657' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/1238450576638101657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/1238450576638101657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/06/infinitary-mathematics-is-fantasy-world.html' title='Infinitary mathematics is a fantasy world in which we fantasize about the completions of processes which, realistically, we can only begin'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-3307321187156602796</id><published>2009-05-31T01:40:00.000-07:00</published><updated>2009-05-31T02:31:45.482-07:00</updated><title type='text'>Belong</title><content type='html'>Olhando para trás, acho que o jazz sempre foi o meu âmbito musical favorito. Mas para ouvir jazz, que é uma coisa profissional, é preciso tempo, discernimento e paciência. Atualmente estou em falta no que diz respeito aos três requisitos, de modo que, quando surge a necessidade, ao invés de expandir o meu círculo, permaneço nos clássicos John Coltrane, Charlie Parker, Ornette Coleman, Miles Davis e Chet Baker (do qual aprendi a gostar com o memorável Fernando A B); mas vez ou outra sucumbo aos anos 70 escandinavos - especialmente Jan Garbarek, com o tema de jazz mais belo já realizado (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;My Song&lt;/span&gt;, com o fantástico Keith Jarrett) -, ao baterista mágico Jack DeJohnette, à guitarra de Pat Metheny.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aos que não gostam de jazz: nunca é tarde. Mesmo aos sem-paciência, não custa tentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música tem mesmo algo de mágico. Mas ela só é efetivamente mágica quando não se põe nela todas as nossas esperanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arte &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não vai&lt;/span&gt; te salvar. Essa é uma dura verdade, que passou a se esconder depois que criaram o mito do gênio no séc. XIX.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-3307321187156602796?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/3307321187156602796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=3307321187156602796' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/3307321187156602796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/3307321187156602796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/05/em-aberto.html' title='Belong'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-485524603544487261</id><published>2009-05-28T05:23:00.000-07:00</published><updated>2009-05-28T05:26:59.051-07:00</updated><title type='text'>Abwesend</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.ife.org.br/uploads/images/convite_3_site.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 500px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://www.ife.org.br/uploads/images/convite_3_site.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Caros paulistanos, por favor estejam no meu lugar, pois estou longe. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-485524603544487261?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/485524603544487261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=485524603544487261' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/485524603544487261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/485524603544487261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/05/abwesend.html' title='Abwesend'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-6856942945402173902</id><published>2009-05-26T00:48:00.000-07:00</published><updated>2009-05-26T01:31:47.516-07:00</updated><title type='text'>Voll krass, Alder!</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.ife.org.br/uploads/images/DICTA_3_capa_site.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 500px; CURSOR: hand; HEIGHT: 697px" alt="" src="http://www.ife.org.br/uploads/images/DICTA_3_capa_site.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem ainda não sabe, o número 3 da Dicta será lançado nos próximos dias. Eis a capa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma surpresa, até para mim, como as coisas se passaram. A entrevista com o ex-presidente FHC é tudo menos uma entrevista comum. Cremos ter feito - os créditos vão para o entrevistador e para o time da Dicta, que formulou as perguntas com um grande cuidado - um bom trabalho de jornalismo (cabe todavia ao leitor julgar), que implica deixar o sensacionalismo de lado e ir às coisas importantes, sem tirar nada do contexto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei muito contente também com o artigo do Olavo, que ainda não tive oportunidade de ler. Os livros do Mario Ferreira dos Santos foram meu primeiro guia quando comecei a estudar metafísica há mais ou menos 7 anos atrás. E por aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teremos surpresas também por ocasião do lançamento, que será muito diferente do "habitual".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço desculpas, se é que alguém percebeu, pelo longo tempo sem postar. Eu costumo me desconectar fisicamente da Internet - meu notebook está voluntariamente sem acesso - para poder trabalhar em paz. E eis que -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabo de ler &lt;a href="http://www.dieterwunderlich.de/Ende_freiheit.htm"&gt;&lt;em&gt;Das Gefängnis der Freiheit&lt;/em&gt; &lt;/a&gt;de Michael Ende (1992), excelente livro de contos quase que expressamente dedicado a Jorge Luis Borges. Não tenho notícias da sua tradução para o português - o que é uma pena -, mas é possível conferir a tradução espanhola, &lt;em&gt;La prisión de la libertad. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é difícil perceber que todos os contos estão relacionados entre si, como era de se esperar. Todos são bons e a melhor coisa é lê-los na sequencia disposta no livro, começando pela história de Cyril, filho fleumático de um rico diplomata que procura, sem querer, algum sentido para a sua vida, e indo até a de Wegweiser (o "Homem Placa", entre muitas outras identidades), um homem legendário cujo nascimento e morte estão ligados por um raio. É praticamente impossível voltar ileso para o mundo real, mas a leitura é mesmo assim fortemente recomendada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em certo sentido, Ende entende melhor das coisas do que Borges, embora seja &lt;em&gt;talvez &lt;/em&gt;inferior do ponto de vista literário. Os gnósticos escrevem melhor, malgrado a sua confusão. Borges brinca, apesar de parecer um homem sisudo (ele dizia que, se pudesse reencarnar, reincidiria com gosto nos mesmos erros). Michael Ende é uma criança que leva a vida realmente a sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto que já comecei a ler &lt;em&gt;Momo &lt;/em&gt;(1973) e não consigo mais parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri há pouco tempo que Michael Ende morreu em 1995. Tinham me dito que ele estava vivo, eu queria continuar nessa ilusão, mas o Google o matou de câncer de estômago.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-6856942945402173902?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/6856942945402173902/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=6856942945402173902' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/6856942945402173902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/6856942945402173902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/05/voll-krass-alder.html' title='Voll krass, Alder!'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-5795992311491228641</id><published>2009-05-10T01:46:00.000-07:00</published><updated>2009-05-10T06:34:19.449-07:00</updated><title type='text'>E huuns e outros todos fallavam desvairadas razõoes sobresto</title><content type='html'>Um dos melhores artigos que li do &lt;a href="http://www.olavodecarvalho.org/semana/090507dc.html"&gt;Olavo de Carvalho&lt;/a&gt;. Ele explica o que se deve fazer para se adquirir uma formação filosófica. Não é fácil, mas é o único caminho. As dicas dele se aplicam não só à filosofia, mas a qualquer tipo de estudo sério, guardadas as especifidades. Impagável a parte onde ele explica o método que seu professor utilizava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora em pequena quantidade, também recebo um ou outro e-mail com pedidos de bibliografia e etc. Reenvio os leitores ao artigo do filósofo, que tem toda a competência para esclarecer esse problema (mas tratem de não amolar o pobre Olavo!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que isso também ajuda: desfazer-se de uma visão "reclamona" do mundo, deixar a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;velhice&lt;/span&gt; de lado. Essa atitude é extremamente prejudicial, pois impede a pessoa de começar a pensar. A impressão é que tudo está perdido e que não há nada a fazer. Sabemos que não é assim. O mundo é como é, nosso ambiente é esse mesmo, e aí devemos nos esforçar para ser melhores, calar e trabalhar. A Europa não é nenhuma espécie de "último baluarte da cultura" (para os poucos que ainda alimentam semelhante esperança), e o Brasil nunca foi uma terra boa para se pensar. É sempre hora de ligar o "I don't give a f***", com o perdão da expressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não advogo uma visão ingênua do mundo, como vocês já estão carecas de saber (alguns literalmente). Mas sou a favor do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;otimismo esperto&lt;/span&gt;, se é que podemos chamá-lo assim. O pessimismo sempre teve mais glamour. É muito mais chique reclamar e dar uma de sombrio. Não sei, essa é a minha natureza. Embora não me sinta tão bem, gosto de dias nublados, clipes do The Cure (e agora, a música do Bat For Lashes), e até &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gostava &lt;/span&gt;de usar preto; afinal de contas, meu avô sempre reclamou do Sol porque a seca era prejudicial à fazenda, e meu pai só escutava música anglo-saxônica. Sempre achei que as "pessoas felizes" fossem meio babacas. Preconceito besta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso é uma questão de propensão natural. Só crescemos contrariando um pouco nossas tendências, só por birra, e não precisava nem o Confúcio tê-lo dito (para citar um autor contemporâneo, entre muitos outros). O bom mesmo é ser imprevisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabo de voltar de uma exposição chamada &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Luxus und Decandenz&lt;/span&gt; - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Römisches Leben am Golf von Neapel&lt;/span&gt;, com descobertas arqueológicas de Pompéia vindas de Nápoles, tudo muito bem disposto e organizado. Não sei porque, mas havia aquele toque pós-moderno. Entre os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;souvenirs&lt;/span&gt;, um ímã de geladeira com a inscrição &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o tempora o mores&lt;/span&gt;, sabonetes e audiobooks com obras de Sêneca. Ouvi alguém dizendo, "mãe, eu quero um sabonete do Horácio", e lembrei-me imediatamente da Turma da Mônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora a Europa não seja mais o que foi, ainda vejo gente &lt;span style="font-style: italic;"&gt;estudando papiros&lt;/span&gt;, e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;falando deles&lt;/span&gt; em reuniões informais. Tenho uma colega de pouco mais de 20 anos que passa o dia estudando papiros gregos, e que parece ter saído do séc. XIX. Sou a favor do Estado conceder bolsa de estudos para 1 papirologista cada vez que 1 novo irmão do Eminem iniciar a sua carreira no rap. É a lei do equilíbrio universal. Quando não houver mais gente que saiba escrever sem errar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;oxyrhynchus papyri &lt;/span&gt;(mesmo que tenha esquecido o que significa), o mundo terá embarcado dessa para uma melhor. Eu lamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oká, para manter a cultura viva, deixo um link para o site oxfordiano onde se pode consultar de graça &lt;a href="http://www.papyrology.ox.ac.uk/POxy/"&gt;imagens dos papiros mencionados&lt;/a&gt;. Agora, cuidado. No momento em que a página for acessada, um outro irmão do Eminem largará a Ilíada* e dirá um doloroso &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Yo!&lt;/span&gt;, lembrando que, quando era bebê, cuspiam na sua cerveja enquanto ele fingia dormir a sesta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ferrar-nos-emos, sem qualquer menção ao estado decadente do rock.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* (23) Coincidentemente, as primeiras palavras da &lt;a href="http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text.jsp?doc=Perseus:text:1999.01.0133:book=1:card=1"&gt;Iliáda&lt;/a&gt; são &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eminem áeide theà&lt;/span&gt;, e assim por diante.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-5795992311491228641?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/5795992311491228641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=5795992311491228641' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/5795992311491228641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/5795992311491228641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/05/e-huuns-e-outros-todos-fallavam.html' title='E huuns e outros todos fallavam desvairadas razõoes sobresto'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-3831255597818143298</id><published>2009-05-03T02:49:00.000-07:00</published><updated>2009-05-03T05:27:57.335-07:00</updated><title type='text'>Como tornar-se um cara from hell</title><content type='html'>Tenho um velho hábito: de tanto cantar uma música internamente, acabo alterando a letra, e depois, muito tempo depois, escuto a música original e acho &lt;span style="font-style: italic;"&gt;estranho&lt;/span&gt;, resmungando que o filho da puta alterou a letra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh vida imanente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero &lt;span style="font-style: italic;"&gt;canonizar &lt;/span&gt;&lt;span&gt;o bom senso&lt;/span&gt;, mas o fato é que é estranho ouvir gente reclamando que, "enquanto tanta gente passa mal", alguém possa se preocupar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mais&lt;/span&gt; com a saúde e o bem-estar da família e dos amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós somos nossos círculos, por mais amplos que sejam. Não nossos grupelhos, por Júpiter Quirino, como explico abaixo. O "acaso" cria a nossa teia de relações, e é essa teia de relações a mais importante - ela gera os nossos deveres diante dos outros. A ela se restringe a nossa preocupação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paradoxo: esse círculo deve ser infinitamente aberto, pronto para transformar estranhos em amigos ou, pelo menos, em colegas ou em gente digna de receber a nossa estima e cuidado. Sem essa abertura, somos atores de novela ou membros de seitas, o que constituiria uma tragédia sem par. Nesse sentido o santo, em moldes não caricaturais, é o exato oposto do sectário, pois o que o define é justamente essa abertura incondicional. E no entanto são os santos os primeiros a ser guilhotinados (confira os últimos capítulos da novela de Thomas More).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensar assim é - não por essa razão - uma condição para viver em paz, sem angústias franco-revolucionárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A isso contraponho o amor à Humanidade, de que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ninguém é capaz&lt;/span&gt; em sentido estrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas seitas são, a propósito, a personificação desse amor abstrato que viola a humanidade em favor da Humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preferir sistematicamente "membros do nosso grupo" aos outros, por princípio, é um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;grave erro de nuance&lt;/span&gt; diante princípio que esbocei acima. Essa atitude implica preferir (não digo afetivamente, mas 'sectariamente') abertamente certas pessoas&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porque&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; aceitaram fazer parte do meu grupo, o que é lançar um elemento estranho de voluntariedade numa esfera que é, por definição, aberta à Providência (ao acaso, para os ateus) e à gratuidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso a formação de grupos, quando inevitável, deve sempre obedecer a esse princípio &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pessoal&lt;/span&gt;, e não organizacional, de abertura ao Outro. Fazer parte de uma seita é desconectar-se dos círculos naturais e fechar a minha teia de relações, transformando-a em algo impessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os exemplos são abundantes. A crítica ao comunismo e ao politicamente correto pode converter-se em um grupo ideológico que descarta pessoas que se enquadram, como falantes explícitos ou implícitos a favor daquelas ideologias, nessa crítica. E ela se converte então em alguma espécie de ódio, não em um ódio caricatural que só existe nos livros, mas numa antipatia que restringe aquele círculo natural apenas aos que, por algum motivo, fazem parte do grupo (os amigos, em oposição aos inimigos, semelhantemente à política de Carl Schmidt). Já vi gente odiando até a mãe porque ela seria "esquerdista". É muito fácil passar de uma atitude crítica, que pode e deve ser sensata, a um sentimento de repulsa por pessoas concretas. Mas o ser fácil nunca é desculpa. Muitas vezes até esse sentimento de repulsa estaria entre os principais objetos da crítica, mas na prática o grupo "anti-ideológico" o assume com gosto, fechando os olhos para os seus erros. E então o "objeto criticado" se identifica com o crítico: eles passam a ser um só, entram no mesmo saco, embora se odeiem mutuamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantos exemplos dessa crítica espelhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é à toa que o individualismo moderno tenha gerado sectarismos sem fim. As pessoas se sentem como indivíduos, mas nem pedem licença para fundar a sua panela e viver nela como se fosse um microcosmo perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há diferenças essenciais entre o individualismo e o coletivismo. Por isso os seres mais iguais e sem personalidade que conheci eram, não consumidores-padrão, mas gente do mundo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;underground&lt;/span&gt;, "alheios às convenções do grupo dominante", &lt;span style="font-style: italic;"&gt;id est&lt;/span&gt;, infinitamente convencionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não basta a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;consciência&lt;/span&gt; de que o anti-convencionalismo é mais um convencionalismo. Isso é ridículo e só um adolescente poderia dizê-lo, com seus 15 ou com seus 40 anos de inexperiência. A personalidade radicalmente própria não se constrói com mais "consciência", mas com uma luta concreta por encarnar valores autênticos (posse de si, firmeza, prudência, justiça, mesmo que se use &lt;span style="font-style: italic;"&gt;piercings&lt;/span&gt; e se tenha tatuagens de caracteres chineses, coisa que passou de moda há séculos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fácil ler muitos livros e se tornar consciente das limitações do mundo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;underground&lt;/span&gt;, que prega um anticonvencionalismo ultraconservador. O difícil é sorrir quando as coisas vão mal, tomar decisões, jogar a cocaína fora, ter filhos, falar palavrões sem achar que se está abafando. A heterogeneidade dos exemplos falam, isso vai sem dizer, de um universo novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ovelhas se distinguem pelo seu horror à sua condição de ovelhas, mas principalmente pelo fato de que não mexem nem um mindinho para sair dessa situação de servilismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em resumo, parece-me que o saudoso Jim Morrison foi uma ovelha. Lamentamos a ovelha, mas que os mortos enterrem os seus mortos. Isso não me faz odiá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nem odiar o black metal &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;polonês de vanguarda-roupa (que sim, existe).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-3831255597818143298?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/3831255597818143298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=3831255597818143298' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/3831255597818143298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/3831255597818143298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/05/como-tornar-se-um-cara-from-hell.html' title='Como tornar-se um cara from hell'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-6611028393572295045</id><published>2009-05-01T06:03:00.000-07:00</published><updated>2009-05-01T09:34:40.535-07:00</updated><title type='text'>Horror Movie</title><content type='html'>Esse blog, se contamos as mudanças de nome, já tem quase 7 anos, mais ou menos a idade da minha irmã, que faz aniversário nesses dias. Nem tudo é instável. Os acidentes mudam, a essência permanece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basicamente, por que motivo insistir tanto na idéia de estar preso à realidade, repetindo o velho mote realista? O problema consiste em deixar de dar atenção a um mote porque ele &lt;span style="font-style: italic;"&gt;soa&lt;/span&gt; velho e sem sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas que pensam muito costumam viver duas vidas: uma vida real, em que se preocupam com os outros, ao menos quando se vêem coagidos a fazê-lo, em que querem ser felizes e acreditam numa objetividade do aqui e agora; e uma vida imanente, em que preferem prescindir dos fatos e ater-se a esquemas mentais porque são belos, ou porque são o resultado de anos de estudo.&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida imanente é extremamente perigosa, e não só no campo moral. "As coisas não deveriam ser assim; isso é provavelmente alguma encruzilhada lacaniana que merece exame". Crê-se acima das responsabilidades, acima das exigências reais - com base na idéia de que tudo pode ser consertado depois, no campo mental. E então a procrastinação, a fuga, a angústia. Tudo procede do preferir os conceitos àquilo que a experiência nos oferece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso não significa que devamos jogar fora os conceitos. Todos os erros básicos de princípio em filosofia consistem justamente nesse "então vamos abolir esse negócio de conceito", ou então "dane-se a realidade", posições aparentemente opostas, mas que partem da idéia de que, se algo deu errado com o nosso time, então é necessário apostar todas as fichas no time adversário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os conceitos exigem um teste permanente, uma atualização constante de acordo com os dados da experiência. Ir dos fatos aos princípios e dos princípios aos fatos; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;transformar&lt;/span&gt; aquilo que poderia ser só um esquema mental em algo novo, operante e vital, sem medo de abandonar velhos preconceitos e de adquirir novos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais que tudo pareça ruir, algumas noções sempre permanecem: o princípio da não-contradição, a analogia do ser, diferenças fundamentais entre substância e acidente (por mais que se esperneie, uma seringueira é uma seringueira, e não uma acácia, e do mesmo modo uma seringueira pode ter 2 anos ou 100 anos de idade sem perder a sua identidade), entre forma e matéria, e assim por diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podemos abandonar uma verdade por ser ela antipática, e nem deixar de lutar por tornar simpático aos nossos olhos aquilo que, por ser real, é em si digno de simpatia. Para além do tomismo, do aristotelismo, do cartesianismo, etc., está o homem tal como ele é, diante do mesmo mundo, diante dos mesmos fenômenos. A realidade é muito mais rica do que Aristóteles ou Leibniz. Deixar a paixão pelas etiquetas e ir às coisas mesmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa semana, fui abordado no metrô por um simpático senhor que quis saber o que eu estava lendo. Eu disse que era só um livro com um tema obscuro de direito romano e ele sorriu, comentando a respeito do assunto e dizendo paternalmente, ao final, que é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;muito importante que haja gente que estude esse tema&lt;/span&gt;, por essa e aquela razão. E ele estava claramente sendo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sincero&lt;/span&gt;. Lógico que eu disse obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então chegou a minha estação e eu me virei para a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus, por um momento pensei que estivesse num filme do Tim Burton e que o Johnny Depp apareceria na cena seguinte, vestido de índio. Mas também pensei na possibilidade de fazer um novo amigo, por que não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei pra trás e o cara tinha &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sumido&lt;/span&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-6611028393572295045?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/6611028393572295045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=6611028393572295045' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/6611028393572295045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/6611028393572295045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/05/horror-movie.html' title='Horror Movie'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-6938912165095855862</id><published>2009-04-29T12:53:00.000-07:00</published><updated>2009-05-26T01:34:43.350-07:00</updated><title type='text'>Herunterladen</title><content type='html'>Olá, primeiro post via smartphone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;# # #&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Es konnte auch auf diese hochintelligente Sprache geschrieben werden, aber es geht nicht. Der Deutscher, der drinnen wohnt, ist normalerweise kaputtgemacht, oder ´was. Das Problem besteht darin, daß er immer besofen ist.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;# # #&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre o problema de viver os fatos como se estivéssemos em casa, tomando uma cerveja. Os altos e baixos, por mais que as hordas protestem, constituem um sinal de que, por vaidade, estamos insistindo em algum erro essencial. Em uma palavra - se não é problema para os médicos resolverem (e negá-lo seria outro sinal de vaidade) - imaturidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-6938912165095855862?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/6938912165095855862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=6938912165095855862' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/6938912165095855862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/6938912165095855862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/04/heruntergefallen.html' title='Herunterladen'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-4738275284568436258</id><published>2009-04-19T03:08:00.000-07:00</published><updated>2009-04-19T03:46:08.565-07:00</updated><title type='text'>So lost in the sacred majesty</title><content type='html'>O objetivo mais humano - a saber, viver ancorado numa profunda alegria em meio à dureza inescapável da vida - não se atinge humanamente. Alguns diriam que é uma pena, mas até aqui se manifesta paradoxalmente a dureza da vida. Como comunicar o segredo dessa alegria? Por definição, trata-se de um fato imediatamente incomunicável. Por isso a frustração de quem tenta compartilhar esse segredo - nesse momento esquecendo-se de que, novamente, será necessário ancorar-se ainda mais nesse &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gaudium&lt;/span&gt; a fim de confortar-se diante da sua própria inexcrutabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alegria nos pede que a compartilhemos. E mais uma vez sofremos com a sua incomunicabilidade imediata, embora não impossível a longo prazo. Quem quer comunicá-la, conhecendo a limitação da sua comunicabilidade, precisará de algo que só o seu interlocutor pode dar: a sua liberdade. O acesso à alegria passa pelo bom uso da liberdade, algo difícil de se atingir. Se podemos compartilhar conhecimentos com certa facilidade, não podemos compartilhar a livre adesão a algo que pressupõe uma grande responsabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis algo que o próprio Deus não pode tocar, ou melhor, não &lt;span style="font-style: italic;"&gt;quer&lt;/span&gt;, de modo algum, tocar. A tua liberdade, o teu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;aqui e agora&lt;/span&gt; diante das escolhas (ou ainda, a tua escolha diante do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hic et nunc&lt;/span&gt;). Os bens mais excelentes escondem-se, esquivam-se dos orgulhosos e dos que não querem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gastar a sua vida&lt;/span&gt;. Mas essa é a realidade, essa a constituição da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;persona&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A eternidade é a posse simultânea e perfeita de todos os instantes e de toda essa alegria, a *interminabilis vitae &lt;em&gt;&lt;/em&gt;tota simul et perfecta possesio* de Boécio: sendo a vida enraizada no tempo, isso exige paciência, e o tipo mais duro de paciência, que deve se dispor a enfrentar a inexcrutabilidade do futuro (pode ser uma paciência para hoje ou para daqui 50 anos, nunca se sabe - e aqui entra a afirmação de Aristóteles de que só é possível conhecer a felicidade de um homem após a sua morte). Paciência = fidelidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dança é a arte da paciência. (E assim devo estar a copiar algum teórico do ballet).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso me lembra a história de um ex-agente da KGB, que com toda a sinceridade, admitia a sua maldade ao se deixar recrutar pela organização. Todos os que reclamam que foram recrutados esquecem que, apesar de tudo o que possa pesar em seu favor (que sim, devemos levar em conta e suspender o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;julgamento pessoal&lt;/span&gt;), deram o seu assentimento quando podiam não tê-lo dado. Ninguém se torna um assassino por exigência do meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim ninguém alcança a felicidade em virtude de um determinismo. Se somos recrutados por uma falsa alegria, "a joy that glows at Nature's bourn" (Shelley), a responsabilidade é só nossa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É para esquecer a idéia de que liberdade rima com facilidade que alguns homens cessaram de a procurar e a encontraram, no meio das maiores dificuldades. Isso significa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gastar a vida&lt;/span&gt;, não querer segurá-la, mão sucumbir a uma filosofia fácil e irresponsável que tem como mote o "livre exame da constituição do mundo e do homem", ou seja, uma fuga da realidade do sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os passos mais difíceis da filosofia são pouco teóricos: implicam uma escolha livre que, sinceramente, dói, complica a vida. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Reconhecer os erros pessoais&lt;/span&gt; - reconhecer que fomos recrutados livremente pela falsidade - é das coisas mais dolorosas que há, mas também das mais saudáveis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-4738275284568436258?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/4738275284568436258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=4738275284568436258' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/4738275284568436258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/4738275284568436258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/04/so-lost-in-sacred-majesty.html' title='So lost in the sacred majesty'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-7465566879445785774</id><published>2009-04-13T06:44:00.000-07:00</published><updated>2009-04-13T07:15:06.698-07:00</updated><title type='text'>Eu te chamo de panaca e você diz olá (Beatles)</title><content type='html'>De volta. Feliz Páscoa, sem os cuidados politicamente corretos de costume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi há alguns dias de um famoso professor de Roma que o alemão é como a sua mulher: você a ama, quer mantê-la consigo, mas nunca, em hipótese alguma, poderá &lt;span style="font-style: italic;"&gt;dominá-la&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;APPLAUSE, lat. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;applaudere&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ataques recentes ao papa, por ocasião da sua visita à África, mostram como os intelectuais ainda não conseguiram obter aquilo que tanto sonharam: distinguir-se das massas. (Com alguma veemência compreensível, &lt;a href="http://www.olavodecarvalho.org/semana/090407dc.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; estão os comentários do filósofo Olavo de Carvalho a esse respeito).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chama a atenção (sem crase) como as opiniões da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;inteligência&lt;/span&gt; identificam-se com as opiniões geradas espontaneamente e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ad hoc&lt;/span&gt; nos botecos e entre uma novela e outra. O que escandaliza o povo escandaliza o jornalista, escandaliza o professor, escandaliza o escritor gaúcho suburbano, escandaliza a tia da psicologia que estudou em Paris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E todos entram felizes e saltitantes no mesmo saco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu usaria sempre, não fosse a carga meio babaca associada ao termo, a palavra "reacionário" para designar a pessoa que não se sente bem entrando nesse saco. Que seja. Que seja moderno, seja conservador, seja o carajo que seja, e que um raio nos parta que seja o que seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E um passo além será escandalizar os reacionários, que - salvo honrosas exceções - costumam entrar no mesmo saco quando ninguém está olhando. Eis a tentação da ideologia, e mesmo a da ideologia sincera que tem como mote o desprezo a qualquer forma de ideologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se mantemos a palavra intacta de vícios, chamaremos "homem sensato" a quem consegue, no meio de tantas tentações, escapar desse maldito saco de gatos pacíficos, mesmo que seja para apanhar diariamente e para cometer as suas pequenas, e muito humanas, traições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é mesmo o ser que esquece, seja quem for o autor desse simples e brilhante provérbio, e apague a luz quem sair por último.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-7465566879445785774?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/7465566879445785774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=7465566879445785774' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/7465566879445785774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/7465566879445785774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/04/eu-te-chamo-de-panaca-e-voce-diz-ola.html' title='Eu te chamo de panaca e você diz olá (Beatles)'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-5024516121630980778</id><published>2009-03-29T02:06:00.000-07:00</published><updated>2009-03-29T03:09:27.788-07:00</updated><title type='text'>Pessoas ameaçando-se com guardanapos</title><content type='html'>Um amigo dizia, se posso me lembrar bem (lá se foi o meu português - agora não &lt;span style="font-style: italic;"&gt;domino &lt;/span&gt;língua nenhuma; fiquei no prejuízo), que a maior "epifania do zeitgeist" que jamais experimentou foi ouvir acidentalmente, do rádio de um autoposto no interior de SP, a música "You're Always On My Mind" do Petshop Boys.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém &lt;span style="font-style: italic;"&gt;por favor&lt;/span&gt; pare essa risada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é possível viver dignamente se não se é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;trendy&lt;/span&gt;, a não ser que você tenha mais de 60 anos e tenha autoridade suficiente para não sê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Trendy&lt;/span&gt; é um conceito mais usado para cortes de cabelo, mas serve para qualquer coisa. Ele indica que o sujeito &lt;span style="font-style: italic;"&gt;entende o seu tempo&lt;/span&gt;, na sua profundidade e na sua superficialidade. É preciso amar o mundo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mais do que os mundanos&lt;/span&gt;, e ao mesmo tempo assumir uma atitude transcendente diante dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso unir uma profunda filosofia do ser a uma (auto)imagem fiel, que represente ao mesmo tempo um enraizamento nas tendências contemporâneas e um heróico desprendimento - uma capacidade de dizer não e surpreender que nem os "bons", nem os "maus" costumam ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pessoa "boa" é aquela que não sabe negar. Uma pessoa "má", entregue ao cinismo, é aquela que não tem coragem de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;afirmar&lt;/span&gt;. São dois tipos muito presentes no discurso e na ação (como fundamento de motivação para o agir, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Handlungsgrundlage&lt;/span&gt;). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;além do bem e do mal&lt;/span&gt; é ser &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bom&lt;/span&gt; - autenticidade que se garante não com provas filosóficas, mas com um comportamento brutalmente afinado com o ser. O ser não se define, o ser diante-se-age.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nietzsche representa apenas uma sinceridade superficial, de quem não quer chegar até o fim, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;afinar-se&lt;/span&gt;. Um pobre "cristão", o velho Nietzsche, um cagão, por assim dizer (se quer a prova, leia com atenção as suas cartas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá-me pena ver homens perdidos, que um dia são gnósticos - imaginam que o mundo foi esculpido por um demiurgo e não conseguem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;adaptar-se&lt;/span&gt; -, outro dia ateus, outro dia filocristãos, kantianos, o que for, segundo a conveniência ou o estado de espírito. Essa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;inadaptação&lt;/span&gt; é sinal de que o sujeito está ainda sob a saia da mãe. O que não é motivo para escárnio, mas para ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ditadura do estado de espírito é o que é, totalitarismo do eu. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Divide et impera&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;twitter. Add juliolemos&lt;/span&gt;, cabra. Blog é coisa do passado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-5024516121630980778?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/5024516121630980778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=5024516121630980778' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/5024516121630980778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/5024516121630980778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/03/pessoas-ameacando-se-com-guardanapos.html' title='Pessoas ameaçando-se com guardanapos'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-1841870180859296836</id><published>2009-03-21T11:00:00.000-07:00</published><updated>2009-03-22T10:30:55.516-07:00</updated><title type='text'>Hic svnt dracones</title><content type='html'>Foi mal, mas terei de ir a Roma na páscoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma grande ironia ter contato direto (ok, um exagero) com meu objeto de pesquisa. Nos últimos tempos, tenho lido muito sobre as origens de Roma segundo Älfoldi, Momigliano e Gjerstadt. E até as maluquices, digamos, pós-modernas de Andrea Carandini, que em "O nascimento de Roma" juntou dados das  novas descobertas arqueológicas sobre o tempo pré-romano e da fundação de Roma com dados da mitologia ligada a Alba e de mitos indoeuropeus. Apesar dele ser um pouco hegeliano, não discordo de todo dos seus pontos de partida, que envolvem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;dar crédito&lt;/span&gt; parcial aos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;legendary accounts&lt;/span&gt; (ler a Eneida e trechos de Hesíodo como se fossem aportes factuais), indo na contramão do ceticismo inglês, por exemplo, de Finley.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é hora para fazer filosofia da história, mas, sim, os historiadores se sentem uns alienígenas. Provavelmente porque o são.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;$ $ $&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para algo completamente diferente: tente fingir que você não está tentando fingir não ser brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tarefa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;jedi &lt;/span&gt;para casa: escreva a frase anterior em linguagem booleana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;$ $ $&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revisitem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Killing Fields&lt;/span&gt;, ou pior, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gritos do Silêncio&lt;/span&gt; (curiosamente, em alemão &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Schreiendes Land&lt;/span&gt; - algum teutão andou tomando caipirinha), do genial Roland Joffé. Um clássico. Vale até o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Imagine&lt;/span&gt; de John Lennon rolando ao final, uma ironia tremenda, embora não intencional (fosse eu o diretor, colocaria justamente &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Imagine&lt;/span&gt; no final, fingindo que a letra de Lennon não tem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nada&lt;/span&gt; em comum com o Khmer Vermelho - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;and no religion, too&lt;/span&gt;). A fotografia do filme é perfeita, para quem gosta de alguma nostalgia com câmeras &lt;span style="font-style: italic;"&gt;verdadeiramente&lt;/span&gt; analógicas. E aquela cena com Sidney diante da televisão, que mostra cenas do Camboja, com um clássico da ópera de sala de estar rolando ao fundo? O que é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;aquilo&lt;/span&gt;?&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;Impagável o cínico, mas generoso, personagem de John Malkovich.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as crianças cambojanas sofrendo lavagem cerebral, aprendendo graficamente a cortar todos os laços com a família? &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Spooky.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um efeito acidental desse filme é que até um jovem de 15 anos dos anos 70 teria, depois de assisti-lo, a chance de se tornar anticomunista e trocar o baseado pelo Marlboro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;$ $ $&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certas acusações desesperadas me trazem à memória a história de um colega da escola que, aos 8 anos de idade, levantou suspeitas de estar apaixonado por uma Maria Isabel, de 9 anos, uma garota da nossa classe que, segundo o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;vox minusculi populi&lt;/span&gt;, era mais bonita que, sei lá, a Angélica. Sua defesa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sai fora, ô, tá maluco, nunca nem olhei pra ela (não convenceu)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insistimos mais um pouco e eis a desculpa desesperada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah meu, sai fora, ela até tem cara de que é... sapatão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A teoria, obviamente falsa, ganhou adeptos e até chegou a ser, mais tarde, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;communis opinio doctorum&lt;/span&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-1841870180859296836?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/1841870180859296836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=1841870180859296836' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/1841870180859296836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/1841870180859296836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/03/hic-svnt-dracones.html' title='Hic svnt dracones'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-3607329020089625512</id><published>2009-03-15T02:53:00.000-07:00</published><updated>2009-03-15T03:48:53.384-07:00</updated><title type='text'>Em que aparece um jedi no final</title><content type='html'>As divergências entre costumes não são uma prova de que a moral é relativa. Trata-se apenas de mais um sofisma. A grande tese é que o que tem relevo moralmente é a intenção &lt;span style="font-style: italic;"&gt;expressa&lt;/span&gt; em cada ato, de acordo com as circunstâncias e seus significados culturais implícitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, um aperto de mão: sendo este ato uma ofensa em determinada cultura (hipotética), quem nela pratica o "aperto de mão", estando consciente disso, comete uma ofensa moral. Isso também fala a favor do bom conhecimento que se deve ter daquilo que é tácito em cada cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que, na minha cultura, um esporte hipotético em que um sujeito vestido de esquiador e armado com uma arma esportiva tem de dar voltas em uma pista nevada e, na primeira volta, atirar deitado 5 vezes contra um alvo e, na segunda, atirar de pé também 5 vezes contra um alvo, é uma ofensa terrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas essa porcaria existe. Os alemães são campeões nesse troço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra ofensa, em qualquer cultura, é odiar crianças e adorar cachorros. E falar com cães como se fossem crianças, que supostamente seriam odiadas - com a leve diferença de que não são crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso não faz sentido. Morte aos cachorros de famílias solitárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que uma turba de moleques de seis anos lhes transforme em churrasco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Malditos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gauloises&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;que custam 4 euros e vêm, não com 20, mas com 17 unidades de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;plaisir tabagiste&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com espaço sobrando! Crime ecológico!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta semana conheci, num centro do Opus Dei, um vietnamita que conhece bem 11 línguas - português, inglês, francês *simplesmente perfeito*, alemão, finlandês, grego, latim, espanhol, vietnamita, romeno e italiano -, e escreve uma tese em alemão sobre Fichte e Tomás de Aquino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelos óculos dos anos 70, vê-se que é um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;jedi&lt;/span&gt;. Ninguém me convence do contrário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-3607329020089625512?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/3607329020089625512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=3607329020089625512' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/3607329020089625512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/3607329020089625512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/03/em-que-aparece-um-jedi-no-final.html' title='Em que aparece um jedi no final'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-1850953955091691846</id><published>2009-03-03T09:19:00.000-08:00</published><updated>2009-03-10T00:30:28.877-07:00</updated><title type='text'>Ja, mei!</title><content type='html'>O Feliz Nova Dieta tornou-se agora internacional (oh, grande coisa). Numa nova casa em Munique, muito mais modesta que a de Thomas Mann - que fica logo ali na esquina -, mas muito agradável. Aqui morou, mais estranho ainda, o diretor de "A Vida dos Outros", Florian H. von Donnersmarck, evidentemente antes do Oscar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não ficarei nem um ano, pois morrerei de saudades do Brasil (aham).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma boa descoberta, andando por aí, é que há ainda pessoas que fumam, mesmo com toda essa neura alemã de querer "estar no século XXI", seja lá o que isso signifique. Já tratei de esconder o meu hábito, para passar por cidadão comum. Estou tentando incorporar, no meu alemão terrível, grunhidos locais como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Uiuiui -&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ja, mei! - Na guck mal!&lt;/span&gt;, mas ainda sem sucesso.&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Mas não foi isso o que me trouxe para cá, e sim a &lt;a href="http://www.uni-muenchen.de/index.html"&gt;Universidade LMU&lt;/a&gt;, que tem mais livros do que São Paulo inteiro, e pessoas estranhas, e mapas detalhados pelas paredes (incluindo até o mapa do banheiro de serviço).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, e você pode deixar o seu Porsche na frente da casa durante toda a noite com a chave no contato, como o meu vizinho. Nada acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei hoje em uma equação estranha. No Brasil, as pessoas confiam 10% uns nos outros, a ponto de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sempre&lt;/span&gt; deixarem trancados os seus carros e casas, e a polícia é 10% efetiva. Na Alemanha, as pessoas confiam, vá lá, 95% nas outras (evidentemente, do ponto de vista apenas da segurança de suas propriedades), a ponto de deixarem abertos seus carros e casas, e a polícia é, vá lá, 90% efetiva, medonhamente efetiva. Que diabos explica isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O medo da polícia não exerce tanta influência. Por exemplo: a operação de compra de bilhetes de ônibus é deixada &lt;span style="font-style: italic;"&gt;totalmente &lt;/span&gt;ao alvedrio do cliente. Veja que é obrigatório, mas não há fiscalização. Se não quiser pagar - não há catracas -, isso será uma falta contra os deveres cívicos (e de direito público), mas ninguém vai saber. Mas mesmo assim todos pagam. Uma vez eu esqueci de pagar e, na volta, por puro dever cívico (na verdade, só por respeito àquela virtude chata, a justiça, e não por medo do purgatório), comprei dois bilhetes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O imposto é imposto porque é imposto, dizia alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São condições mínimas de pesquisa - silêncio e bibliografia. Silêncio monumental, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ça va sans dire. &lt;/span&gt;E&lt;span style="font-style: italic;"&gt; n&lt;/span&gt;ão é possível fazer uma pesquisa sem ter à mão &lt;span style="font-style: italic;"&gt;todos&lt;/span&gt; os livros e artigos necessários, e isso &lt;span style="font-style: italic;"&gt;na hora em que precisamos deles&lt;/span&gt;. Essa hora vem a qualquer momento, e costuma ser inesperada. Cada afirmação, mesmo acidental, também em ciências humanas, deve ser comprovada com citações. Se eu não tenho o livro, não posso fazer nada. Simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E cadê o meu senso de humor?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-1850953955091691846?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/1850953955091691846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=1850953955091691846' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/1850953955091691846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/1850953955091691846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/03/ja-mei.html' title='Ja, mei!'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-2776698772590246704</id><published>2009-02-17T04:11:00.000-08:00</published><updated>2009-02-17T05:17:06.135-08:00</updated><title type='text'>Terere as a way of life - lo and behold!</title><content type='html'>O que é mais perigoso em qualquer tipo de tradicionalismo é o acomodamento. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um sinal lateral disso é o próprio uso da palavra 'tradição': em épocas históricas em que as pessoas naturalmente valorizam a entrega dos valores e 'modos de estar-no-mundo' às próximas gerações (a idéia é de um filósofo basco), ninguém menciona a 'tradição' e nem funda movimentos tradicionalistas. É algo natural. A tradição é apenas uma das características da civilização, e por isso não deve ser defendida como um valor desencarnado, esteticamente aprazível.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por isso, parte do tradicionalismo é movido exclusivamente pela vaidade. As pessoas se sentem como que revolucionárias, partidárias de um novo modo de vida, e aquela coisa toda. O mero tradicionalismo religioso é uma forma decadente, exterior, de relação com Deus. Aqui, é mais 'católico' quem mais fala da Tradição, quem mais tem cara de reacionário, quem parece mais piedoso, andando por aí com terços à mão e com cara de beato, &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;pissing around holy water&lt;/span&gt;. É decadência pura. A solidez não tem lugar num esquema estético desse tipo. Nesse sentido, os vitorianos eram grandes tradicionalistas, fariseus que usavam casacas e fumavam cachimbo e ficavam escandalizados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Qualquer tradição só se afirma quando é implícita em um discurso e está ligada a um comportamento autêntico, não estereotipado e não nostálgico, aberto ao mundo, ao diálogo, ao intercâmbio, como ocorre com as boas tradições (culinárias, esportivas, tecnológicas, científicas, filosóficas, etc).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O perigo do acomodamento está mais diretamente ligado à idéia de que basta aderir a uma tradição e tudo está resolvido. Que nada. Se se trata, por exemplo, da ética das virtudes, aderir a ela é apenas um começo, que não garante absolutamente nada. O cristianismo, da mesma forma, abomina o acomodamento, a passividade, o pessimismo "nós &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;versus&lt;/span&gt; o mundo corrompido", a 'humildade' do camponês que fica na sua terrinha e não alimenta nenhuma ambição. As tradições autênticas são modos de estar-no-mundo inseparáveis do heroísmo, inimigos da mediocridade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O tradicionalismo faz capelinhas, grupinhos, panelas. Transforma pessoas naturalmente modestas em pedantes que não querem falar com ninguém que esteja 'de fora', a não ser que seja para convertê-los (em que? em tomadores de tereré?).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bem, mas isso não é novidade, esse &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;to be, and not just appear to be. &lt;/span&gt;Leiam Chesterton e deixem esse escândalo de lado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;* * *&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para algo completamente diferente, eu digo que &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;existem múmias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-2776698772590246704?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/2776698772590246704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=2776698772590246704' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2776698772590246704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2776698772590246704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/02/terere-as-way-of-life-lo-and-behold.html' title='Terere as a way of life - lo and behold!'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-2154343181448938071</id><published>2009-02-13T12:32:00.000-08:00</published><updated>2009-02-13T12:41:24.839-08:00</updated><title type='text'>Schlaflos in München</title><content type='html'>Se você acha que o alemão é uma língua quadrada, sem-graça, escute os podcasts da Annik Rubens, no seu site &lt;a href="http://www.annikrubens.de/"&gt;Schlaflos in München&lt;/a&gt;. &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;Ganz toll, Junge&lt;/span&gt;. No mundo do jornalismo podcast, a moça é um fenômeno. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Evidentemente, não é necessário entender uma palavra de alemão. Sério.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Simpatia: uma linguagem universal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-2154343181448938071?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/2154343181448938071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=2154343181448938071' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2154343181448938071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2154343181448938071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/02/schlaflos-in-munchen.html' title='Schlaflos in München'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-9156302999229985337</id><published>2009-02-10T06:22:00.001-08:00</published><updated>2009-02-11T04:16:24.431-08:00</updated><title type='text'>Live fast, die young and leave a good-looking corpse</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;O mais cômico no mundo da pieguice progressista é o transhumanismo (hifens agora à pqp). Veja lá em transhumanism.org: "we want people to be better than well". &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sim, concordo, mas então comece por não ser um otário e pensar que ainda está no meio de uma partida de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/GURPS_Cyberpunk"&gt;GURPS Cyberpunk&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na minha época, quem jogava GURPS com personagem cheio de membros biônicos e viciado em anfetaminas era bicha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Só o fato de você querer atribuir a si o epíteto de "pós-humano" já me dá vontade de te espancar com uma perna fleumática do C3-PO (sim, eu também acho que rolaria um "gradiente bacana").&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na Declaração Transhumanista (pqp), o chabi analfabeto que a escreveu diz: "Humanity will be radically changed by technology in the future (&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;right&lt;/span&gt;). We foresee the feasibility of redesigning the human condition (&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;aham&lt;/span&gt;), including such parameters as the inevitability of aging (&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;conta outra&lt;/span&gt;), limitations on human and artificial intellects, unchosen psychology (&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;in english, please&lt;/span&gt;), suffering (&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;hello, my name is Future Buddha, love me tender&lt;/span&gt;), and our confinement to the planet earth (&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;yeah, right&lt;/span&gt;)".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ahn? Você pensa que vai morar fora da Terra? Você já tem 30 anos, não agüenta nem subir uma montanha, toma Prozac e vai se mudar para outro planeta? Que planeta? O mauricinho Timberland vai preferir os desertos marcianos ao Iguatemi? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pelo jeito, o cara nem percebeu que o ano 2000 foi um fiasco. O ano 2020 será um fiasco também: pouco irá mudar, fora a sua empregada, que vai ter um i-phone, na melhor das hipóteses, o que não é grande vantagem. Pense só: quem vai cozinhar enquanto a empregada roll-down na barrinha de vídeos do youtube?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu adoro tecnologia. Mas confesso que os &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;otários&lt;/span&gt; não me agradam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;* * *&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um tipo de sofrimento que a medicina cyberpunk nunca vai conseguir eliminar é o &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;constrangimento. &lt;/span&gt;Isso me lembra de um amigo que, obrigado a participar de uma terapia de grupo, aguentou o tranco estoicamente. Mas aí veio a psicóloga e perguntou-lhe, após o experimento de "exclusão social" em que todos faziam um círculo com seus corpos e não o deixavam entrar: "como você se sentiu, Ricardo?" (adianto que a única resposta certa, socialmente imposta, era "excluído"). O Ricardo, que é velho de guerra, respondeu com seu sotaque carioca: "constrangido, porra". &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Toda essa linha de pensamento débil, piegas e otária das terapias de grupo (um transhumanismo avante a letra), do naturalismo psicodélico, do panteísmo de boutique, é rigorosamente constrangedora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A minha tese é que até a mais burra, mais foucaultiana das &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;tias da psicologia&lt;/span&gt; no fundo, no fundo, se sente ridícula, sabe que há algo muito errado nisso tudo. Mas isso é o salário dela, é o respeito que ela deve às autoridades acadêmicas, é o gostinho de sofrer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não podemos eliminar o sofrimento. Para mim já seria um sofrimento enorme se uma autodenominada "nova raça superior de pós-otários" quisesse me amputar o saudável sofrimento de viver. Entendem o paradoxo? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pois bem, os otários do futuro não entendem. E ninguém vai conseguir eliminar deles o profundo - mas muito útil - sofrimento de serem apenas mortais, destinados a voltarem (daqui a 200, 300 anos de tédio?) ao pó de onde vieram, com ou sem silício no corpo.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-9156302999229985337?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/9156302999229985337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=9156302999229985337' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/9156302999229985337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/9156302999229985337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/02/live-fast-die-young-and-leave-good.html' title='Live fast, die young and leave a good-looking corpse'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-8126515922711403691</id><published>2009-01-28T06:30:00.000-08:00</published><updated>2009-01-28T09:53:51.266-08:00</updated><title type='text'>Bela Lugosi's Red, He's fed, He's fed, He's fed</title><content type='html'>Nunca falei de Guimarães Rosa porque nunca tinha lido com calma. Ainda não é o momento de falar, e nem sei se ele vai chegar, mas ao ler &lt;em&gt;Manuelzão e Miguilim&lt;/em&gt;, ouso dizer, tive orgulho de ter nascido na mesma terra que ele (ia dizer "de ser brasileiro", mas o senso do ridículo censurou-me).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guimarães Rosa é, em alguns aspectos, um modernista - se é que podemos aplicar-lhe essa 'ofensa' - muito melhor do que Joyce: como afirmou um estudioso no prefácio ao livro de correspondências entre Guimarães Rosa e o seu tradutor alemão em Munique, Guimarães está mais para "reacionário" do que para "revolucionário", por tentar recuperar o sentido original das palavras, recuperar o tempo em que elas estavam vivas. É um autor que Nicolai Berdiaev gostaria de ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um velho leitor de Graciliano Ramos, mas temo que ela vá ser preterido. Temos pouquíssimos bons prosadores - gente que realmente nos faz pensar que estamos diante de alguém &lt;em&gt;mais inteligente&lt;/em&gt; ou o que seja. A pergunta que sempre nos vem diante de um romance nacional é: "Por que vou perder tempo com um cara frustrado e meio medíocre se posso ler Evelyn Waugh?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não entro em detalhes. É puro &lt;em&gt;advertisement&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No avião, o menino chama a mãe para olhar pela janela e diz, com convicção: "Olha, mãe, o Google Earth".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os fleumáticos - uma hora o momento chega - acabam por fazer a seguinte pergunta: "Why can't you see / I'm burning inside?" Essa frase povoa, como uma cultura de bactérias, as canções de rock inglesas. É por isso que elas são tão boas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu tivesse a fé de um ateu, seria santo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gozada essa onda publicitária dos Novos Ateus na Grã-Bretanha. Se eu fosse a mãe, descia a mão e chamava o moleque de chato de galochas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o diabo não existisse, ele teria um nome insosso como "Sting" e cantaria numa banda insossa como "The Police".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jedi tem função social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem aí tocar no Brasil o Peter Murphy, vocalista do Bauhaus, para o lançamento do novo álbum "Go Away White".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí um cara estranho na Paulista o reconhece, puxa ele de lado e diz, sem a sua serenidade habitual: "Eu quero a minha adolescência de volta, seu morcego filho da puta!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Olha, mãe, o Batman", diz o menino do avião.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-8126515922711403691?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/8126515922711403691/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=8126515922711403691' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/8126515922711403691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/8126515922711403691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/01/bela-lugosis-red-hes-fed-hes-fed-hes.html' title='Bela Lugosi&apos;s Red, He&apos;s fed, He&apos;s fed, He&apos;s fed'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-6788327930078226352</id><published>2009-01-19T04:22:00.001-08:00</published><updated>2009-01-19T04:22:16.765-08:00</updated><title type='text'>When Your Mind's Made Up</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;p&gt;&lt;object height='350' width='425'&gt;&lt;param value='http://youtube.com/v/0k_Pe_iNYO4' name='movie'/&gt;&lt;embed height='350' width='425' type='application/x-shockwave-flash' src='http://youtube.com/v/0k_Pe_iNYO4'/&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Cena da gravação de "When Your Mind's Made Up", em Once (Apenas Uma Vez). Bem, pois então assistam o filme. &lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-6788327930078226352?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/6788327930078226352/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=6788327930078226352' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/6788327930078226352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/6788327930078226352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/01/when-your-mind-made-up.html' title='When Your Mind&amp;#39;s Made Up'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-7987101178486954577</id><published>2009-01-17T12:27:00.000-08:00</published><updated>2009-01-17T12:59:55.913-08:00</updated><title type='text'>Se una notte d'inverno un cornuto</title><content type='html'>Se a vida é movida a paradoxos? Antes, os paradoxos são a única forma de expressar, pela linguagem oral ou escrita, certos aspectos da realidade. Se não há paradoxo, não há fidelidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se digo que a grande meta, no terreno do comportamento, é trazer para si a responsabilidade e, &lt;em&gt;ao mesmo tempo&lt;/em&gt;, estar totalmente à vontade, estou dizendo que a alegria genuína é uma espécie de paz na guerra. E o ideal para os pais: firmeza e amabilidade, tudo ao mesmo tempo. É certamente como descreverá alguém que tenha sensibilidade a experiência de um filho diante de um pai e uma mãe&lt;em&gt; na medida&lt;/em&gt; &lt;em&gt;certa&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teorias educacionais e explicações sintéticas da realidade - e talvez toda a procura por uma teoria - nutrem quase sempre um ódio ao paradoxo; ele rouba à teoria a sua capacidade de abarcar a realidade, sempre rebelde às certezas e ao quadriculamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há nada pior do que um médico 'convicto', que está sempre com a sensação de acertar em tudo; quando se trata de um psicanalista, a tragédia é ainda maior (vejo sempre freudianos cheio de certezas). O médico inteligente é aquele que desconfia sistematicamente da sua habilidade, embora não tenha medo de &lt;em&gt;decidir&lt;/em&gt;. Eh, mais um paradoxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós esquecemos de tudo. Dizia o Nicolás que o pecado é sempre um esquecimento: uma desordem nas prioridades, na &lt;em&gt;ordo amoris&lt;/em&gt;. E vamos seguir errando, nos dois sentidos do termo, enquanto não nos lembrarmos de que importa não esquecer, &lt;em&gt;numquam obliviscere fidem tuam&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso o sucesso de tudo o que 'esquece'. Uma palavra repetida: "Esqueci", que vende muito bem. A memória anda em baixa porque a fidelidade anda em baixa. É um enraizamento tedioso no imediato-sem-memória. O imediato é, sim, o único; mas ele vive de &lt;em&gt;contágios&lt;/em&gt; com as resoluções, os valores, as retificações. Sem esse contágio, o presente é uma fixação no nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sucesso dos adágios é sinal de saúde mental coletiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cole no seu carro: &lt;em&gt;quid hoc ad aeternitatem?, &lt;/em&gt;que diabos essa joça importa diante da eternidade?, e cause muitos abalroamentos de automóveis, engavetamentos, sinistros incalculáveis, enfim, muito trabalho para a polícia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-7987101178486954577?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/7987101178486954577/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=7987101178486954577' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/7987101178486954577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/7987101178486954577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/01/se-una-notte-dinverno-un-cornuto.html' title='Se una notte d&apos;inverno un cornuto'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-2593751083809731873</id><published>2009-01-10T16:17:00.000-08:00</published><updated>2009-01-13T13:41:26.454-08:00</updated><title type='text'>Obiter dictum</title><content type='html'>Lendo &lt;em&gt;The Rest is Noise&lt;/em&gt;, de Alex Ross, crítico musical da &lt;em&gt;New Yorker&lt;/em&gt;: uma história informal da música no séc. XX, cheia de fofocas e, principalmente, de análises de composições. Impressionante o sucesso que fez o livro entre o grande público. O livro abre com flashes de estréias fulgurantes de Strauss e Mahler, duas figuras opostas, ambas suficientemente excêntricas. O segundo capítulo abre com a história de dois personagens: um ficcional, Adrian Leverkühn, e outro real, o lendário Schoenberg. Um &lt;em&gt;must&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um episódio divertido: Mahler, depois de assistir a uma execução de &lt;em&gt;Five Pieces &lt;/em&gt;de Schoenberg, conhecida pelo atonalismo 'livre', ordenou à orquestra que tocasse um acorde de Dó maior (uma tríade, com a fundamental, a 3.a e a 5.a). A orquestra obedeceu, tocando o acorde, e Mahler disse: "Obrigado", aliviado, e saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se querem um bom &lt;em&gt;review&lt;/em&gt;, abram a Dicta n. 2 e procurem pelo breve artigo do Guilherme Malzoni.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-2593751083809731873?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/2593751083809731873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=2593751083809731873' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2593751083809731873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2593751083809731873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/01/obiter-dictum.html' title='Obiter dictum'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-6008145523374150080</id><published>2009-01-02T04:13:00.000-08:00</published><updated>2009-01-04T04:17:19.651-08:00</updated><title type='text'>You like playing the 'antichrist' (you're gay)</title><content type='html'>E fica a grande pergunta: qual o valor de &lt;em&gt;Finnegans Wake&lt;/em&gt;? Tenho esse livro na cabeceira, mas nunca terminei. Às vezes me divirto com ele, como os fans do Jean-Luc "Ceci n'est pas Resnais" Godard, aquele cabeça-de-couve, se divertem com erros cinematográficos intencionais. A verdade é que é um clássico, em certo sentido, mas um clássico isolado, sem conexão com outros grandes livros - talvez com exceção de &lt;em&gt;Tristram Shandy -, &lt;/em&gt;e que só acerta, no terreno das idéias, acidentalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o seu grande problema seja ter inspirado Paulo Leminsky a escrever "Catatau (prosa experimental)".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvir dizer que alguém "dedicou a vida a defender o liberalismo" ou qualquer sistema de idéias me soa pior do que ouvir dizer que alguém "dedicou a vida a xingar o Parreira".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Breakfast Epiphany.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grow a reactionary moustache and commit social suicide.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-6008145523374150080?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/6008145523374150080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=6008145523374150080' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/6008145523374150080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/6008145523374150080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2009/01/you-like-playing-antichrist-youre-gay.html' title='You like playing the &apos;antichrist&apos; (you&apos;re gay)'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-2451556212511871589</id><published>2008-12-31T11:37:00.000-08:00</published><updated>2008-12-31T12:38:57.747-08:00</updated><title type='text'>Just too busy to go fox hunting</title><content type='html'>Entrei para o clube dos blogs em 2002, com o &lt;em&gt;Capitalismo. &lt;/em&gt;Pouco depois, acho que em 2003, fundei o velho &lt;em&gt;Comentário ultramontano&lt;/em&gt;, com arroubos triunfalistas e tudo o mais que nos autos consta. Só em 2006 fui criar esse &lt;em&gt;Feliz Nova Dieta&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é uma placa comemorativa de coisas inúteis, e talvez nem tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1989, comecei a construir &lt;em&gt;bestas&lt;/em&gt; usando borracha de injetar soro, pregos e um arco de goiabeira. Agora, por pouco mais de 100 mangos, você compra uma besta amadora em qualquer &lt;a href="https://portaldoesporteonlin.websiteseguro.com/produto.php?id=66&amp;amp;prin=&amp;amp;id_categoria="&gt;loja de esportes&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1999, derrubei um copo de uísque num bar. Em 1998, eu e uns amigos estourávamos para nós mesmos em uma banda de hardcore chamada &lt;em&gt;Insight 13&lt;/em&gt;, da qual não temos gravada nenhuma música e da qual não se conservam as letras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1979, surpreendi-me, com um ano de idade, fugindo das tias dos futuros anos 80 cheias de creme no rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2009, trinta anos depois, cá estou escrevendo asneiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1969, minha mãe era uma criança (era mesmo). Em 1959, ela nem tinha nascido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2007, com a visita de Bento 16, entrei para o mundo de Marlboro, pois ninguém é de ferro, com &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Iron_Man"&gt;1 exceção&lt;/a&gt; (estilo Kurt Vonnegut)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 10 de outubro de 1999, dois dias antes do dia da criança, percebi que não era, nem de longe, a pessoa mais inteligente que eu tinha encontrado. Hoje, raramente me esqueço de que não estou nem no top 100 dos mais inteligentes da minha casa. Cé burro de nascença?, dizem no Ceará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A virada de ano é motivo de balanço ou não é uma virada de ano. Esqueçam os preconceitos iluministas: o fato de que um ano termina tem um significado psicológico importante: é um recomeço &lt;em&gt;mesmo&lt;/em&gt;, se você não for um &lt;em&gt;texugo gripado&lt;/em&gt;. Daqui poderei ver os fogos da Paulista de camarote. Quem sabe uma champanhe prendada. Muita alegria, apesar da dor pelas burradas de 2008; é legal cumprimentar as pessoas num terraço que dá para a Paulista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Única coisa é ser fiel, macacada. &lt;em&gt;High fidelity&lt;/em&gt;: uma expressão que me lembra mais pessoas interessantes que televisões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser, em oposição a pensar, a discursar, a pregar, a ter, a aparentar, sempre implica uma meta, um cara descontente com os resultados até então obtidos. Não se pode &lt;em&gt;ser&lt;/em&gt; algo que não seja bom, se estamos a entender os têrmos (palavra que era assim duas reformas atrás, não é isso?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quando o recurso chegar no STF, será um macaco a dar a sentença, naquele esquema Planeta dos Macacos", dizia um jurista criticando a lentidão dos processos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eh, Brasil!", dizia um amigo se referindo a tudo o que era falta de profissionalismo. A nuance é que "Brasil" soava sempre maravilhosamente, como se fosse um apelido aplicado à pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ei, você. Cê tá perdendo tempo. Por que não vai até o fim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seymour na praia falando para a nova amiguinha de 6 anos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vamos esnobar essa onda. Olha ela chegando. Dois esnobes".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A profissão mais antiga do mundo é a de &lt;em&gt;engenheiro&lt;/em&gt; &lt;em&gt;agrônomo&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando olho para a história, olho para coisas que &lt;em&gt;aconteceram.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Sempre houve alguém no momento certo que disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"&lt;/em&gt;Vai lá, Pedrão, acontece esse negócio!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os valores também acontecem. Não há valor desencarnado. Não há Humanidade. Não há também amor: só presentes sinceros de namoro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso eu e você gostamos de fatos, e não de conversinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cara que só tinha três ternos no guarda-roupas foi eleito o homem mais elegante do ano na Espanha. Muito mais do que esse babaca do Patrick Dempsey. Não é possível ser elegante se o cara não tem caráter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda hora que você não tiver palavras para expressar um coisa muito ruim, diga apenas "preta Gil".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-2451556212511871589?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/2451556212511871589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=2451556212511871589' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2451556212511871589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2451556212511871589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/12/just-too-busy-to-go-fox-hunting.html' title='Just too busy to go fox hunting'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-2494720075562824477</id><published>2008-12-26T03:34:00.000-08:00</published><updated>2008-12-26T05:33:48.451-08:00</updated><title type='text'>A perfect day for bananafish</title><content type='html'>Lendo &lt;em&gt;Franny &amp;amp; Zooey&lt;/em&gt;, do Salinger, acabei por associar, imediatamente, muitas pessoas da minha geração com personagens do livro. A simpática e numerosa família Glas é retratada em vários contos de Salinger: todos são inteligentes e... excêntricos. Os filhos mais novos, Franny e Zooey, foram educados por Buddy e Seymour (já escrevi algo sobre ele aqui), os irmãos mais velhos. Seymour é o mais genial dos irmãos; se olhamos para o lado mau, ele é o coitado que levou até as últimas conseqüências o vazio da família ao suicidar-se sem avisar, de uma hora para outra, em &lt;em&gt;A Perfect Day for Bananafish.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que identifiquei nessa família é algo que tenho experimentado em amigos e conhecidos: uma dificuldade congênita de adaptar-se ao "mundo normal", e mesmo um desprezo nada tácito pela normalidade. Salinger escreve sobre isso com ironia; embora não tenha a chave para compreender o problema, sabe divertir-se com os próprios enganos. Ele acredita que o zen é a forma mais refinada de lidar com o problema do "nada é verdadeiro" da cultura americana pós-moderna (dal qual o Don Delillo de &lt;em&gt;White Noise&lt;/em&gt; é o mais hábil retratista).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As conversas entre Franny e seu irmão são impagáveis. Franny é minha personagem favorita; uma menina prodígio, agora com vinte e poucos anos, levando uma vida oculta de &lt;em&gt;religious freak - &lt;/em&gt;ela lê o livro do peregrino russo, que vocês devem conhecer, e não entende nada, apesar de tentar colocá-lo em prática - e agindo graciosamente. É a única personagem nessa linha, junto com Aliosha, que não me causa repugnância. Ela é uma chata, como todas essas garotas desajustadas e que não fazem mal a uma mosca: não conversa, discursa; não explica, expõe; não pensa, sente com o cérebro; é uma ególatra que odeia o próprio ego e é por isso insuportável para si mesma. Entenda-se bem o problema: a garota percebe a falta de autenticidade dos outros, o seu egoísmo e a sua vontade de &lt;em&gt;show-off&lt;/em&gt;, mas ela mesma não percebe que não passa de uma versão sofisticada desses homens-massa. Todas as nossas musas intelectuais adolecentes padecem da mesma doença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, Franny é &lt;em&gt;o ponto&lt;/em&gt;. São muitos problemas concentrados na mesma pessoa; ela mesma diz que está endoidando. Não é uma loucura exógena (ou seja, não é um fator neurológico que a causa), mas uma loucura gnóstica, se me perdoam o salto. Já vi gente passar por isso, e eu mesmo pude sentir o cheirinho de enxofre da "inadaptação", do "descarrilhamento" de que fala Voegelin sem compreendê-lo até o fim. Tudo começa com uma espécie de navalha de Ockham: tudo é ilusão, não há pessoas reais, o mundo é essencialmente desconfortável e alheio. É preciso "matar o ego"; é um impulso virtualmente suicida. Você quer jogar a água da banheira com o bebê junto. E mantém uma vida interior autocentrada, liga para a namorada, discursa, deita-se na cama olhando para a parede. O &lt;em&gt;vazio&lt;/em&gt;. Isso tudo é muito poético e &lt;em&gt;charmant&lt;/em&gt;, mas é uma vida dura; o problema de fundo é que é uma vida de quem está profundamente enganado a respeito das coisas. Não estou sendo retórico. A inteligência vira-se contra si mesma e transforma a pessoa num ser estúpido e inútil (ao menos na sua casca).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salinger reveste tudo isso de vida e de profundidade. Ele &lt;em&gt;compreende&lt;/em&gt; as suas personagens e se comporta como um pai; não é um assassino como Joyce que, como disse um amigo, tem ódio da sua criação como se fosse um demiurgo da pior espécie. Zooey também compreende o problema quando se volta contra os seus irmãos mais velhos, Buddy e Seymour, que lhes deu essa educação de crianças espertas que, sem perceber, viram eruditos orientalistas cheios de referências culturais e de "sabedoria" (Zooey teria traduzido um Upanishad do sânscrito para o grego clássico para se curar de uma decepção amorosa). Mas o próprio Zooey não sabe sair do buraco. Ele não tem &lt;em&gt;meios. &lt;/em&gt;A sua confusão religiosa - a mistura entre elementos orientais gnósticos e um cristianismo chocho do qual desconfia - é uma prova disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o peregrino russo? O livro anônimo (no original Откровенные рассказы странника духовному своему отцу, algo como histórias adocicadas de um peregrigo em busca do seu diretor espiritual) é uma espécie de manual de oração. O amor dos bichos-grilo por ele não é um bom índice de ortodoxia. De fato, o autor do livro saiu de uma escola em parte herética - trata-se do ἡσυχασμός, mas não vou entrar em detalhes - que prega a transformação espiritual através de uma jaculatória, a "oração de Jesus", o velho &lt;em&gt;kyrie eleeeson,&lt;/em&gt; que deve ser repetido continuamente. O erro está em atribuir uma espécie de poder mágico à repetição, como se fosse um mantra; a confusão de Franny vai mais longe, até identificá-la positivamente com o mantra e com as tradições orientais anexas. Há obviamente uma forma de ler essa doutrina de modo ortodoxo, e eu mesmo prefiro seguir essa hermenêutica conciliatória em razão do meu estilo aristotélico. Mas é muito fácil errar nesse ponto, e aí está o perigo desse livro. Se ficar claro que yoga não tem nada a ver com oração, mas nada a ver &lt;em&gt;mesmo&lt;/em&gt;, então não haverá problema. A procura da paz interior nesse sentido de "cessação da atividade mental" é um bom atalho para o inferno (algo que os ortodoxos, mesmo os hesicastas, sabem muito bem; o que não se pode sustentar é que a essência divina seja acessível neste mundo ou que a graça seja &lt;em&gt;incriada&lt;/em&gt;: acreditar nisso seria sair totalmente da ortodoxia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu prefiro os aspectos simpáticos de &lt;em&gt;Franny &amp;amp; Zooey&lt;/em&gt;. A &lt;em&gt;compreensão compassiva&lt;/em&gt; de Salinger e a sua inteligência vital é comovente e fazem desse &lt;em&gt;freak&lt;/em&gt; um dos meus escritores favoritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, feliz Natal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-2494720075562824477?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/2494720075562824477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=2494720075562824477' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2494720075562824477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2494720075562824477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/12/perfect-day-for-bananafish.html' title='A perfect day for bananafish'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-4555579888184546243</id><published>2008-12-20T06:04:00.000-08:00</published><updated>2008-12-20T06:19:57.762-08:00</updated><title type='text'>Jeopardize them</title><content type='html'>Aqui estou, vivo, embora com seqüelas na mão devido a uma queda numa escada em Curitiba; eis o motivo pelo qual não vou escrever muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que isto é só um sinal de vida. Ainda estou de férias. Por pouco tempo, é verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou terminando os Irmãos Karamázov, que até hoje não tinha tido tempo de ler. É um tratado sobre muitas coisas. No meio tempo, li um policial muito bom chamado "La Sangre del Pelícano" (2007), de Miguel Aranguren: não percam tempo, encomendem o livro. Ele trata de uma conspiração luciferina de modo muito, e até excessivamente, ortodoxo. Saldo sombrio, em se tratando de dois livros sobre o mal. Sem drama. Ainda assisti pela segunda vez, agora filmada, a uma palestra do L. F. Pondé do ano passado tratando de Dostoievsky.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estive no lançamento da Dicta n. 2; mas aproveito para recomendar, já que está melhor do que o primeiro número. Há dois artigos meus indignos de nota; se ficarem em dúvida, leiam o último, sobre Nicolás Gomez Dávila, só porque é o primeiro artigo brasileiro sobre o fidalgo colombiano. Uma editora me disse que vão publicá-lo em breve no Brasil, o que é uma surpreendente notícia; e cheia de coincidências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se alguém quiser se divertir com uma gramática de acádio antigo, &lt;a href="http://oi.uchicago.edu/pdf/mad2.pdf"&gt;toma lá&lt;/a&gt;. Bem, é só um link para mim mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-4555579888184546243?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/4555579888184546243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=4555579888184546243' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/4555579888184546243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/4555579888184546243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/12/jeopardize-them.html' title='Jeopardize them'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-2537849645879608753</id><published>2008-11-25T10:05:00.000-08:00</published><updated>2008-11-26T09:16:14.654-08:00</updated><title type='text'>História da arquitetura maçônica (2007)</title><content type='html'>O Sol alto e vazio. Felipe Lacerda e eu entrávamos pela porta dos fundos da casa abandonada que há na rua Direita. Nosso objetivo era apenas observar o que havia por lá e dar o fora.&lt;br /&gt;«Felipe, está vendo aquele crânio chifrudo ali?»&lt;br /&gt;«Que crânio chifrudo? Aquilo é uma cabeça de boi».&lt;br /&gt;«Bem, uma cabeça de boi seca e sem carne é um crânio chifrudo, cacete».&lt;br /&gt;«É que soa mal dizer ‘crânio chifrudo’. Parece coisa do demo».&lt;br /&gt;«A maçonaria é coisa do demo. É uma casa de maçons. Ou era. A Cíntia me disse que seu pai freqüentava essa casa nos anos 70. De costeletas e tudo. Sei lá, capas e espadas e essa coisa toda».&lt;br /&gt;«Por Zeus, isso me dá arrepios. É melhor a gente fazer o relatório e sumir daqui. Não quero ser visto num moquifo do demo, fazendo sabe-se lá o que».&lt;br /&gt;A verdade é que não sabíamos exatamente o que estávamos fazendo lá. A casa fora abandonada nos anos 90 e nunca conseguiram vender. Meu pai, que é corretor, diz que o imóvel é «invendável» ou o que seja. A vizinhança se limita a dizer que é mal-assombrada.&lt;br /&gt;Tivemos de pular o muro, passando por um matagal absurdo que praticamente impedia que a pessoa tivesse acesso à casa. A porta estava aberta, e estávamos numa pequena sala, um hall dos fundos, com um espelho invendável e uma cortina invendável. Havia dois corredores logo em frente. Seguimos pelo da esquerda, com o nariz tapado. Havia colônias de mofo e sabe-se lá o que mais, que fazia o local cheirar a século XIX, mesmo com aquele pé direito alto. Era uma mansão de uns três andares, com muitos cômodos; os telhados eram confusos, com pequenas torres e outros desníveis.&lt;br /&gt;Exploramos a casa com diligência. 23 cômodos no total, caveiras, janelas góticas e antigüidades inglesas. No começo estávamos com medo; mas depois o medo se transformou em cautela, e a cautela em amizade. Meia hora depois estávamos adorando o local.&lt;br /&gt;«Precisamos comprar isso aqui, meu», disse eu a Felipe.&lt;br /&gt;«Você tirou as palavras da minha boca. Eu já estava fazendo a contabilidade».&lt;br /&gt;Felipe era um cara rico. Fazia economia na FEA-USP e seu pai era um grande advogado tributarista. Fiquei pensando que a aquisição da casa não era um sonho distante. Poderíamos reformar a mansão e fazer dali o nosso QG.&lt;br /&gt;A vida naquele tempo era meio maluca. As pessoas começavam com medo e acabavam encantadas.&lt;br /&gt;Eu e a Cíntia, minha noiva, estudávamos Arquitetura &amp;amp; Design, éramos gente moderna e «prafrentex»; havia uma banda indie formada por mim, o Felipe, o Elton, o Pólux e mais três instrumentistas eventuais. Lançáramos o último CD - «Música Para Gente Rica» - por uma gravadora finlandesa, pela Internet, um mês antes da invasão. A banda se chamava ora Straight-Edge Junkies, ora Meu Pai é São Tomás, que abreviávamos M.P.S.T. para a coisa toda soasse como um partido do DCE formado por vagabundos maconheiros. Abrimos para o Au Revoir Simone quando elas vieram tocar em São Paulo, e olhamos o trio novaiorquino de cima para baixo. Afinal de contas, todos os integrantes da nossa banda eram os primeiros alunos das respectivas classes, sabiam várias línguas, tocaram em orquestras e conheciam a Eneida de cor, como Dante. Uma das senhoritas da Au Revoir Simone exclamara, antes de soltar uma boa risada feminista:&lt;br /&gt;«You guys are kinda WASP, but you realy kick ass».&lt;br /&gt;Felipe, enquanto acendia um cigarro Winston, disse em espanhol:&lt;br /&gt;«La gente piensa que vosotras nos precederían en el show».&lt;br /&gt;E Pólux, em francês, que para ele era grego:&lt;br /&gt;«Un veil amie, El Greco, a fâit quelques remarques... Vous êtes... Comme j’en dît? Aussi comme Jordi Savall écoutant pour le premier fois la pièce “Voix humaines”».&lt;br /&gt;Não era exibição; era auto-ironia. Poucos perceberam. Uma tiete procurou Pólux e corrigiu o seu francês, que parecia uma tradução literal do romeno. Atualmente são noivos. Vão casar em outubro; a moça está fazendo doutorado sobre a narrativa contemporânea – mais especificamente sobre «A confusão dos tempos e modos verbais na prosa de Julio Lemos». Basicamente, ela queria saber se a confusão era voluntária ou involuntária.&lt;br /&gt;Quando saímos da casa, já estava escuro. Ao cair na calçada, eu e Felipe fomos surpreendidos pela Cíntia, que estava vestida de policial. Ela foi logo dizendo:&lt;br /&gt;«Aquele carro é de vocês?»&lt;br /&gt;«Bem...», era eu entrando no jogo dela, «para dizer a verdade é do pai desse meu amigo, que...».&lt;br /&gt;«Muito bem, quero a habilitação de motorista do... motorista. Quem está dirigindo essa porcaria?»&lt;br /&gt;«Sou eu», disse Felipe com autoridade.&lt;br /&gt;Cíntia insistiu com a sua brincadeira. Fomos multados: o carro estava muito perto da esquina, o que era uma infração do artigo tal do Código Brasileiro de Trânsito. Entramos num discussão sobre o desaparecimento do «Nacional» do antigo Código, algo que nos parecia um sinal dos tempos.&lt;br /&gt;Com o canhoto da autuação, entramos no carro, fulos da vida. Para descontrair, escutamos «Do You Realize?», do Flaming Lips. A letra dizia: Do you realize / that everyone / you know / someday / will die? Apliquei-a a Cíntia; mesmo com aquelas roupas de guarda de trânsito, um dia ela iria morrer.&lt;br /&gt;Adquirimos a casa no ano seguinte. Custou-nos R$ 76.000; o proprietário era um vovô maluco, que passava o dia escutando música medieval e descendo o pau no bull terrier.&lt;br /&gt;«Po**a, vocês disseram 23 paus? Não dá nem pra pagar o seguro do carro».&lt;br /&gt;«Cain, cain, cain», disse o cachorro, perplexo.&lt;br /&gt;«Cala a po**a da boca, seu vira-lata». E desceu-lhe o taco de baseball no focinho. O cão voltou para debaixo do armário. Eu e Felipe ficamos impressionados.&lt;br /&gt;Fechamos no montante mencionado, e o velho abriu um sorriso hierático.&lt;br /&gt;«Fechem com a velha».&lt;br /&gt;A velha era a D. Mercedes, uma mineira gentil e cheia de savoir-faire. Ela... elaborou um contrato na máquina de escrever, pegou a assinatura de um neto, que é advogado, e foi até o cartório conosco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi que a vida em São Paulo tornara-se mais cosmopolita que a de Nova Iorque. Ninguém mais falava português! O futuro! Tudo o que os teóricos da pós-modernidade confabulavam aconteceu, não nos anos 90, mas na metade do século XXI. Eu podia jurar que tinha conhecido um cara num show, cujo nome não me lembro, que morava numa casa em estilo sumério, fazia fotossíntese – era tipo uma dieta sem comida – e trabalhava como office-boy de um... carteiro.&lt;br /&gt;As conspirações de brincadeira se multiplicavam. Até as faxineiras estavam dentro. Uma vez, um cartorário anônimo alterou a programação do grande visor da prefeitura, que informava quanto os cidadãos haviam pago de impostos desde o início do ano – uma cópia do da Associação Comercial –, fazendo com que ele exibisse haicais e provérbios de La Bruyére. Quem diria!&lt;br /&gt;Nem eu nem Felipe nos casamos naquela época. Pólux regularizou a sua situação com a tiete, depois de ela ter tomado pau no doutorado: fora contratada pela Coca-Cola como agente de marketing e o tempo acabou ficando curto. Felipe entrou para a Cartuxa, e eu, de comum acordo com a Cíntia, resolvi fazer um longo retiro espiritual na Califórnia. Lá percebi que não tinha vocação de religioso – vai saber o que me passara pela cabeça -, mas que podia dar um bom corretor de imóveis. Entrei para a Imobiliária Ícaro, cujo fundador era o pai do Felipe, e acabei me tornando o cara responsável pelas vendas na Vila Nova Conceição.&lt;br /&gt;Entrei como sócio em pouco tempo. Havia uma sócia chamada Jane «Janis Joplin» de Marchi, uma senhorita de 32 anos que tinha sido uma hippie retrô na adolescência, donde granjeara o apelido. Ela gostou do meu trabalho e me convidou a fazer parte do seleto grupo que ganhava dinheiro por ali, logo depois da joint venture com a Gonçalves &amp;amp; Jenner e da compra da Marquesa de Santos, uma imobiliária gigante, cujos sócios resolveram ir para o ramo do tabaco. Eu não tinha muito dinheiro, mas ela me emprestou um bocado e disse que eu a poderia pagar quando saísse o... casamento.&lt;br /&gt;«Casamento? Não entendi, doutora».&lt;br /&gt;«Não me chame de doutora, por favor... Tolinho. Eu quero me casar com você».&lt;br /&gt;Era uma cara de pau! Uma mulher séria, que usava óculos e tinha as orelhas um pouquinho afastadas, que nunca olhara para mim nem para ninguém, de repente me faz uma proposta dessas. Ela devia estar brincando.&lt;br /&gt;«Ainda não entendi... Como assim, casar... bem, eu não gosto que brinquem assim comigo».&lt;br /&gt;«Você está comprometido com alguém? Não que eu saiba. Me desculpe, mas eu já averiguei isso. Não achava que seria honesto fazer uma proposta dessas se não soubesse que a pessoa estava livre, ou ao menos estivessem presentes as... as condições de possibilidade... Já leu Kant?»&lt;br /&gt;Eu ri, ela também. Que honestidade intelectual, que hombridade... Eu sempre tivera certeza de que as mulheres eram mais homens do que os homens da metrópole. Oh manhood! Ela estava me cantando do modo antigo. Como eu estivesse a rir, continuou:&lt;br /&gt;«Está surpreso? Não tinha percebido? É, eu não sou do tipo sentimental. Quando quero uma coisa, vou até o fim».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tomei as rédeas da situação.&lt;br /&gt;«Que tal um café depois do expediente?»&lt;br /&gt;«Depois do expediente...»&lt;br /&gt;«Não, pode ser agora».&lt;br /&gt;Fomos até o Girondino, que ficava ali perto. Os garçons eram cordiais e discretos, e a coisa já tinha uns 200 anos de existência. O que mais se via eram estudantes da São Francisco revisando matéria para a prova, enquanto tomavam um expresso após o outro.&lt;br /&gt;Sentamo-nos perto da entrada. O dia estava nublado, muito úmido e fresco. Jane estava de cachecol, seguindo a última moda. Tinha um aspecto franco-germânico, se me permite dizer: uma beleza um tanto dura, mas confortável, de mulher competente e straight-to-the-point. Eu não sabia muito bem como me comportar diante dela, mas não estava intimidado. Era um mundo novo, bem diante de mim. Talvez ela estivesse brincando, é verdade, mas parecia a coisa certa.&lt;br /&gt;«Me conte a sua vida. Mal te conheço, Jane», convidei, usando pela primeira vez esse tipo de tratamento informal. Eu me sentia num filme enlatado dublado, desses de Sessão da Tarde. «Ei, Johnny, seu grande – filho da mãe!»&lt;br /&gt;Ela pediu dois expressos ao Tobias, antigo garçom da casa, e começou a tratar do assunto.&lt;br /&gt;«Que posso dizer? Fui criada em São Paulo e sempre morei aqui. Meu pai é neto de italianos, mas nasceu aqui também. Tenho quatro irmãos, homens. Como todo mundo sabe, queria ser diplomata, mas não suportei as aulas de economia daqueles... cursos preparatórios para o Itamaraty».&lt;br /&gt;«Não valia à pena enfrentar a coisa?»&lt;br /&gt;«Acho que até valia. Mas fui fraca. Estudava só coisas que me interessavam. Não é o melhor caminho. Hoje mesmo penso que, com a mentalidade que tenho hoje, teria enfrentado. Mas enfim, agora é tarde».&lt;br /&gt;«Mas você só tem... 32 anos!»&lt;br /&gt;«Como sabe a minha idade?»&lt;br /&gt;«Deve ter sido alguma indiscrição minha. Perguntei ao Nelson...»&lt;br /&gt;«Quer dizer que tinha algum interesse em... em mim?»&lt;br /&gt;«Lógico que tinha, bem, digo, não interesse... É que me chamou à atenção o fato de você – doía-me o você – ser tão aplicada e, vamos dizer, normal. As mulheres há muito tempo vivem de aparências. E você não me parecia que fosse desse tipo».&lt;br /&gt;Desse tipo, que expressão!&lt;br /&gt;Ela se esquivou do elogio:&lt;br /&gt;«Sei muito sobre você. Não dados históricos, mas... como que uma biografia implícita. Que expressão boba! Mas é isso. Acho que era o Machado de Assis que dizia algo assim. Não sei onde li. As pessoas, sem querer, têm uma biografia implícita: mesmo com a nossa liberdade, podemos ter uma idéia de como a pessoa a exerceu».&lt;br /&gt;«Epa, não sou nenhum anjo», disse eu, um pouco decepcionado – involuntariamente – com a sintaxe janeana.&lt;br /&gt;Não era hora de fumar, mas vi que tinha de ser eu mesmo, com os meus hábitos; o café pedia tabaco. Saquei um maço de Gauloises, comprados num momento de vaidade, e cheguei a oferecer um cigarro a ela, se não me engano. E ela aceitou. Aquele isqueiro da Bic, por Zeus.&lt;br /&gt;«Somos uma raça em extinção!», exclamou.&lt;br /&gt;Depois do silêncio habitual, continuamos.&lt;br /&gt;«É verdade que tem um amigo que entrou para a Cartuxa?»&lt;br /&gt;«É, o Felipe. Você conhece o pai dele: é o dono da Ícaro». Estávamos entrando em assunto delicado. Ela estava surpresa. «Ele é meio maluco, mas sabe o que quer. Aliás, ele estava ainda fazendo doutorado em economia. Desde que ele foi pra... lá... não tive mais notícias».&lt;br /&gt;«Natural. Já li algo sobre os cartuxos. Ou foi um filme?»&lt;br /&gt;«Deve ser aquele filme alemão, acho, ‘O Silêncio de Deus’, não é esse?»&lt;br /&gt;«Isso, isso mesmo! Eles se tornam como que anônimos. Mas me pareceu gente de personalidade. Aposto que o seu amigo está numa boa».&lt;br /&gt;Estranhei o palavreado, mas isso me fez me sentir mais à vontade.&lt;br /&gt;«Está numa boa, com certeza. Também assisti ao filme. O diretor fez uma proposta ao, sei lá, ao chefe deles, e o cara, o monge lá, disse que retornaria a ligação dizendo se topava ou não, se deixava o cara fazer o filme lá dentro. E dez anos depois ele ligou, dando o OK».&lt;br /&gt;«É verdade, isso aparece no filme acho. É outra concepção do tempo».&lt;br /&gt;Na literatura, as pessoas só dizem coisas inteligentes. Na vida real, a coisa é menos sutil. Olhem só o que eu disse:&lt;br /&gt;«É, isso parece de outro mundo, mas eles têm lá as suas razões».&lt;br /&gt;«Têm, com certeza. Me parece razoável. Mas e você? Já passou por algo assim? Eu tive de esperar dois anos para ser contratada como advogada. Antes passei num concurso para escrevente, e trabalhei um tempo com isso», disse ela, rindo.&lt;br /&gt;«Nada mal. Temos de ter paciência. Diga-me: você já teve muitos... me desculpe a pergunta... namorados, paqueras?», as palavras me escaparam um pouco emboladas, eu estava com vergonha.&lt;br /&gt;«Hahaha, paqueras, fazia tempo que não ouvia essa palavra. Bem, eu acho que tive, antes dos 20. Depois o trabalho me absorveu, e há outras razões. De repente, ninguém mais parecia responsável o suficiente. Eu mesma não me sentia preparada. Ainda no século XX...».&lt;br /&gt;O assunto parecia ficar sério demais para ela.&lt;br /&gt;«Ainda no século XX?», perguntei, esperando a conclusão.&lt;br /&gt;«Ah, deixa pra lá. Não sei o que queria dizer».&lt;br /&gt;Os seus olhos denunciavam alguma intranqüilidade, pouco comum nela, pelo que eu sabia. Algo me dizia que... nunca voltaríamos à proposta de casamento. E eu já estava apaixonado.&lt;br /&gt;Pedimos mais dois expressos.&lt;br /&gt;«Desculpe, mas fiquei um pouco atrapalhada. Não sei falar de mim mesma».&lt;br /&gt;«Não se preocupe, Jane. Aliás, acho que fui pessoal demais nas perguntas. Eu é que peço desculpas».&lt;br /&gt;A velha mansão maçônica, os shows, a minha imaturidade desfilavam diante dos meus olhos, como se eu estivesse a ponto de morrer. Não sabia como conduzir uma conversa! A expectativa de algo que parecia que não iria acontecer estava me deixando ansioso.&lt;br /&gt;«Me dá um minutinho?», ela perguntou.&lt;br /&gt;«Lógico!»&lt;br /&gt;«Já volto».&lt;br /&gt;Ela foi até o toilette. Voltou uns 20 minutos depois, ao que parece, com a maquiagem refeita e os olhos um pouco vermelhos. Ai de mim!&lt;br /&gt;«Tudo bem com você?»&lt;br /&gt;«Desculpa a demora. Recebi uma ligação, e não queria te incomodar. A pessoa não desligava!»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei porque, mas aquele dia no café me pareceu um episódio de «Você Decide», um antigo programa de televisão que meus pais assistiam, em que a história chegava a um ponto e os telespectadores ligavam, dizendo qual o desfecho da sua preferência. Normalmente isso envolvia uma questão polêmica imbecil, como a do marido que tinha de se decidir se abandonava a esposa para ir viver com a secretária ou se voltava para a esposa.&lt;br /&gt;Ulisses se acorrentou ao navio para escapar à sedução das sirenes, cuja forma nada tinha a ver com a das sereias que conhecemos. Eu me via como... uma sirene! Jane estava amarrada ao mastro do navio!&lt;br /&gt;Passaram dois meses, e Jane jamais mencionara a questão do casamento. Estaria eu a sonhar naquela ocasião? Entendera errado? Naquele dia, notei que parecia ser eu a pessoa que se tinha declarado: eu tinha feito a proposta, e estava esperando a resposta dela. Percebia a história da minha vida – maldita expressão – como um conjunto de fragmentos sem conexão, sem começo, meio e fim. Quando assistimos a um filme, percebemos claramente que tudo tem um propósito: ninguém recebe uma ligação por engano, ou se envolve na preparação de uma festa que nada tem a ver com o enredo. Bem, a vida não me parecia ser assim.&lt;br /&gt;Tudo ficou ainda mais estranho quando soube que Jane estava noiva.&lt;br /&gt;«Sabia que a Jane está noiva?», informou-me o Nelson, que era um dos gerentes.&lt;br /&gt;«Poxa, não sabia! Que bacana...».&lt;br /&gt;Hipócrita. Eu gostaria de ter perguntado quem era, mas o pudor me impediu; no dia seguinte ouvi uma conversa, sem querer, em que se mencionava um corretor – seria alguém da Ícaro? – que estaria noivo de alguém.&lt;br /&gt;A notícia foi como uma bomba. Continuei trabalhando normalmente, até com mais intensidade, na esperança de que isso me pudesse distrair. Assisti naquela semana a um filme do Buñuel, em que as pessoas ficavam presas numa casa... aberta... e ninguém conseguia sair.&lt;br /&gt;Jane sequer olhava para mim. O empréstimo que ela me fizera pesou-me. Se ela ia casar, o que será que o cara pensaria de mim? Que sentido teria para ela emprestar dinheiro para um cara que... só pagaria o empréstimo após o casamento com ela? Desisti dos detalhes jurídicos.&lt;br /&gt;Outra questão me deteve. Se ela me propôs o casamento, não éramos noivos? Não era eu o noivo dela?&lt;br /&gt;Angustiado, procurei o Nelson no seu escritório e fechei a porta.&lt;br /&gt;«Cara, me desculpe perguntar isso agora, bem, é que estou encafifado».&lt;br /&gt;Encafifado?&lt;br /&gt;«Ora, pergunte, meu».&lt;br /&gt;«É sobre o noivo da Jane. Só por curiosidade...».&lt;br /&gt;«Ué, mas que que você tem a ver com isso?»&lt;br /&gt;Pensei nas pequenas conspirações de brincadeira que andavam fazendo. Estaria eu enredado no meio de uma?&lt;br /&gt;«Bem, são motivos pessoais. Você sabe quem é o noivo dela?»&lt;br /&gt;«Quem é?»&lt;br /&gt;«Poxa, eu vim perguntar isso a você».&lt;br /&gt;«Não sei cara, sei que é um corretor. Acho que é alguém aqui da Ícaro, talvez de outro escritório».&lt;br /&gt;«Caramba...».&lt;br /&gt;Nelson ameaçou ser indiscreto, mas se conteve.&lt;br /&gt;«Bem, deixa pra lá. Valeu, Nelson».&lt;br /&gt;«Cara, está tudo bem com você?»&lt;br /&gt;«Não, está tudo bem. Estou um pouco encafifado, mas deixa pra lá. É uma longa história».&lt;br /&gt;«Ué, por que não pergunta a ela, meu?»&lt;br /&gt;«Valeu, Nelson. Vou pensar nisso», disse, antes de abrir a porta e cair fora.&lt;br /&gt;Tentei trabalhar naquele dia, mas não consegui. Voltei para casa e fui direto aos meus manuais de história da arquitetura maçônica. A resposta devia estar lá. Eu tinha o diploma de Arquitetura &amp;amp; Design para que? Havia alguns livros grudados uns nos outros. Um deles, «Geschichte des Masonischen Bauwissenschafts», de H. Prümer-Schlüssel, me disse que um dos cinco princípios da arquitetura maçônica, intacto durante todo o seu desenvolvimento histórico, era uma espécie de simbolismo anfibológico: as coisas tinham de dizer algo para as pessoas de dentro e algo para as de fora. Os iniciados não sabem mais sobre a maçonaria: eles sabem outra coisa sobre ela. O conhecimento dos leigos não é imperfeito, mas errado. Para um maçom, uma águia é algo completamente diferente do que é para um leigo.&lt;br /&gt;Abandonei o livro, que me deixou ainda mais confuso. Pesquisei algo na Internet; os resultados foram ainda mais confusos.&lt;br /&gt;No dia seguinte, cheguei mais cedo para o trabalho. Jane ainda não estava lá. Deixei um recado em sua mesa: não posso mais agüentar. desculpe-me, e assinei meu nome.&lt;br /&gt;Não vi Jane durante o expediente, mas antes de sair notei um bilhete na minha mesa: não me procure. eu também não posso agüentar. Aquilo era um enigma. Nunca passei tão mal; nunca, desde que minha banda foi enganada há uns dez anos por uma VJ da MTV. Marimoon – era esse o nome – nos convidou para tocar nos estúdios da MTV, sem explicar o motivo, e ao chegar lá os seguranças não nos deixaram entrar.&lt;br /&gt;No dia seguinte, encontrei Jane nos corredores. Ela parou, como que assustada. Seus olhos estavam vermelhos. Então ela os baixou.&lt;br /&gt;«O que está acontecendo, Jane? Não estou entendendo nada do que se passa».&lt;br /&gt;«Como não entende?»&lt;br /&gt;A incomunicabilidade.&lt;br /&gt;«Você me... você sabe, e depois me vem a notícia de que você está noiva».&lt;br /&gt;«Vou te fazer uma pergunta. Você levou aquele pedido a sério?»&lt;br /&gt;Eu não sabia interpretar. Era uma pergunta objetiva, de sim ou não, ou uma brincadeira, do tipo «então você caiu nessa?».&lt;br /&gt;«Não sei te responder, poxa. Lógico que eu levei a sério».&lt;br /&gt;«E por que agiu como se fosse uma brincadeira?», disse ela, magoada.&lt;br /&gt;Eu não tinha resposta. Era tudo tão confuso: a saída repentina, a espera de 20 minutos, os olhos vermelhos, a ligação, a notícia do noivado...&lt;br /&gt;Ficamos em silêncio.Nos dias seguintes, encontrei um novo bilhete dela em minha mesa: SEREMOS VENCIDOS PELO SILÊNCIO.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-2537849645879608753?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/2537849645879608753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=2537849645879608753' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2537849645879608753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2537849645879608753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/11/histria-da-arquitetura-manica-2007.html' title='História da arquitetura maçônica (2007)'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-6160001342424070006</id><published>2008-11-23T12:06:00.000-08:00</published><updated>2008-11-25T09:36:50.889-08:00</updated><title type='text'>Peguem aquele sasquatch filho da mãe</title><content type='html'>Não vai dar tempo de colar aqui, mas já deixo registrado o convite para o lançamento da Dicta n. 2, no dia 8-XII, às 19:00 (salvo engano) na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Aliás, a revista já está em modo "pré-venda" na própria Cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ponto alto, na minha opinião, são as ilustrações exclusivas de &lt;a href="http://www.mariabonomi.com.br/"&gt;Maria Bonomi&lt;/a&gt;, artista ítalo-brasileira de fama internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase roubei algumas xilogravuras para vender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra dica. Uma entrevista s. s. ("santamente sarcástica") com &lt;a href="http://www.opusdei.org.br/art.php?p=30649"&gt;Francesco Angelicchio&lt;/a&gt;, desbocado que só. Dêem uma olhada naquela bengala: aposto que ele já deu na cabeça de alguém, carinhosamente. Não sou de citar gente que usa colarinho, mas não resisti (aí vai um trecho, para os preguiçosos):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;P: Pasolini escutava o senhor.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R: Uma vez escreveu em uma poesia que Paulo VI tinha “olhos viperinos”. Passeando por duas horas para cima e para baixo na “Via della Conciliazione”, eu o convenci ao invés que eram os olhos de um homem bom, paterno, provado pelo sofrimento. “Vou tirar este verso”, desculpou-se enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;P: Com certeza, já que no recurso do diretor contra a sentença de condenação ao filme “La ricotta”, por vilipêndio da religião do Estado, o senhor fora sua testemunha de defesa.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;R: Pasolini não era antireligioso. Tirando aquela doença – eu não saberia defini-la de outro modo... Rossellini me contava que quando Pier Paolo Pasolini via um jovenzinho... – tirando aquele hábito irresistível, era profundamente cristão. Conservo uma carta assinada na qual me escreve que se um homem se arroga o título de Filho de Deus, se proclama que é o próprio Deus, não há dúvidas de que ele o seja, esta é a prova de sua divindade. [...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;P: E Rossellini era um bom cristão?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R: Ele alegava que não conseguia sê-lo por causa das muitas mulheres e eu lhe respondia que deveria ter nascido no tempo dos patriarcas bíblicos; assim poderia ter-se concedido três ou quatro mulheres. Ele era louco pelos filhos. No Vaticano circulava uma piada: “Rossellini está ao serviço de Propaganda Fide”. Porque tinha tantos filhos e os batizava a todos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-6160001342424070006?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/6160001342424070006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=6160001342424070006' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/6160001342424070006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/6160001342424070006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/11/peguem-aquele-sasquatch-filho-da-me.html' title='Peguem aquele sasquatch filho da mãe'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-108318330467509601</id><published>2008-11-18T09:32:00.000-08:00</published><updated>2008-11-22T05:14:09.633-08:00</updated><title type='text'>I'm Jim Morrison, I'm Dead</title><content type='html'>Saiu o novo do Mogwai, &lt;em&gt;The Hawk is Howling&lt;/em&gt;, cujo CD em breve devo ter (56 mangos na Submarino). Antenados, e se alguém já tiver uma apreciação pode despejar na caixa de comentários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grande conflito pode surgir na vida acadêmica: fugir, por economia de tempo, de assuntos &lt;em&gt;que não tenham a ver com a minha tese&lt;/em&gt; - ou seja, fugir do mundo. Uma tentação grave e intermitente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou terminando um artigo com o título &lt;em&gt;Magnanimidade e menosprezo - comentários a EN 1224b&lt;/em&gt;. Agradeço as sugestões na caixa de comentários que vieram junto com o post anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero criar expectativas indiscretas, mas me parece que uma certa revista está chegando ao número 2, como programado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estarei fora entre 27-XI e 22-XII, de modo que não esperem, a princípio, que eu escreva nesse período. Minha vontade era criar um &lt;em&gt;bot&lt;/em&gt; para escrever na minha ausência, mas não acredito em inteligência artificial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, quanto à ciência, a tecnologia e a moda (` _ _ viva a música da crase), chegamos a esse &lt;em&gt;ceticismo sorridente&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Pedro Sette, pelo ceticismo político, que talvez o Russell Kirk chamasse de &lt;em&gt;politics of prudence. &lt;/em&gt;O "ceticismo" religioso é ortodoxia na veia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazem um acelerador de partículas do tamanho de um bonde na Suíça. Os supersticiosos pensam em &lt;em&gt;doomsday. &lt;/em&gt;Duas semanas depois, &lt;em&gt;boom&lt;/em&gt;, estoura uma crise internacional começando por NY. Pegou, mano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa também não é minha. Eu pensei em contratar o autor dessa idéia para ser meu &lt;em&gt;ghost-writer &lt;/em&gt;em lugar do bot. "The Happy Bot".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há gente preocupadinha (oi) com o "politicamente correto" de direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como ficar preocupado com o seu hamster - que há três dias recebeu o nome de Duke of Norfolk - enquanto a casa inteira pega fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se há um politicamente correto de direita, o melhor é jogá-lo no fogo junto com os hare-krishnas. Eles já não vestem laranja?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PC surge quando coisas mais sérias, como a religião e a metafísica, saíram para comprar maconha ou foram jogar paintball.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ausentes os fundamentos, as pessoas inventam substitutos mais cômodos, como atentados terroristas, direitos humanos das plantas, um ex-aluno de Harvard para presidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grau de confusão é impressionante. Os gregos chamavam os homossexuais de pederastas, que eram os pedófilos de hoje (vou poupá-los das etimologias). Em Curitiba já mandaram ao Congresso um projeto de lei que inclui, entre outras medidas, a castração química de pedófilos, e não estou brincando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vô, é verdade que no seu tempo o governo perseguia os paido-afetivos?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não, isso era no tempo do Lula".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-108318330467509601?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/108318330467509601/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=108318330467509601' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/108318330467509601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/108318330467509601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/11/im-jim-morrison-im-dead.html' title='I&apos;m Jim Morrison, I&apos;m Dead'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-8665785679020155536</id><published>2008-11-07T02:21:00.000-08:00</published><updated>2008-11-07T04:27:26.676-08:00</updated><title type='text'>Talking shamelessly about retriutga</title><content type='html'>Por ocasião de um trabalho de tradução e comentários que estou fazendo, intrigou-me o sentido do verbo grego &lt;em&gt;kataphroneô&lt;/em&gt;, particularmente na seguinte passagem da Ética a Nicômaco:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"De fato alguns possuidores de bens [da fortuna] podem se tornar desdenhosos e insolentes. Sem a virtude não é fácil suportar harmoniosamente os sucessos; assim, não podendo lidar com eles, julgando-se superiores aos outros, acabam por desprezar os demais, embora ajam como os outros. Imitam o magnânimo sem ser semelhantes a ele, fazendo o que eles fazem naquilo em que são capazes; mas não agem por virtude ao desdenhar os demais. Já o magnânimo desdenha justamente os outros – e nisto sua opinião é correta" (EN 1124a29 – 1124b6).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traduzi &lt;em&gt;kataphroneô&lt;/em&gt;, provisoriamente, por desdenhar, que é a tradução comum. Mas será assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O contexto é o seguinte: enquanto o vaidoso é esnobe &lt;em&gt;(snob, sine nobilitate&lt;/em&gt;)&lt;em&gt;,&lt;/em&gt; o magnânimo é verazmente nobre. Veja essa frase do Duque de Bedford: "Snobbery is, to a great extent, the joy of looking down upon others. And our world's so marvellously constructed that everyone—but everyone—finds someone to look down upon". &lt;em&gt;Look [think] down&lt;/em&gt; - trocando olhar por pensar - é o sentido literal de &lt;em&gt;kataphroneo&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o problema é simples: Aristóteles advoga o desprezo puro e simples? Como é então que Tomás de Aquino sufragou a visão aristotélica da magnanimidade, se o desprezo despreza a humildade? Esse é o tipo de questão que anima os aristotélicos a "jogar na cara" dos filósofos católicos, de modo nietzscheano, que Aristóteles é anti-cristão (de cara, isso é um anacronismo besta).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá até preguiça de responder, mas vamolá. Prefiro lidar com as coisas, nessas questões, antes que com citações e pensamentos. O &lt;em&gt;megalopsychos&lt;/em&gt;, segundo Aristóteles, é alguém que tem todas (?) as virtudes; mas esse conjunto está coroado pela &lt;em&gt;alma grande&lt;/em&gt;, ou seja, por um olhar a vida como um empreendimento em busca das coisas grandes - a honra, a glória e a contemplação, algo que vale para todas as épocas, se fazemos os devidos ajustes &lt;em&gt;modulares&lt;/em&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atitude do &lt;em&gt;megalopsychos&lt;/em&gt; diante dos outros é, estritamente, a de alguém que não perde tempo: apesar de afável e respeitoso, ele sabe muito bem que o grosso da humanidade está ocupada com coisas desprezíveis. Sim, é fácil passar do "ocupado com coisas desprezíveis" para o "essa gente é desprezível". De certa forma - vamos tomá-lo como veracidade - quem se ocupa com o medíocre é medíocre. Basta pensarmos em nós mesmos, que ficamos assistindo tv no sofá ou lendo romances a tarde inteira. Não temos porque ficar irritados se alguém nos mostra que somos medíocres, pois isso é um fato. Isso não afeta nossas potencialidades, o nosso &lt;em&gt;ser&lt;/em&gt;: temos a dignidade que qualquer homem tem - embora esse aspecto não tenha sido desenvolvido por Aristóteles, não o contradiz. Mas enfim, não basta que sejamos &lt;em&gt;potencialmente&lt;/em&gt; dignos; é preciso procurar com obras a excelência. E nisto o magnânimo anda bem ao não esperar muito e não perder muito tempo com medíocres consumados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo, esse &lt;em&gt;olhar de cima&lt;/em&gt; do magnânimo é plenamente justificado; tanto que uma das virtudes que se lhe atribui é a da veracidade: ele nem elogia, nem critica sem razão, e é muito discreto nesse aspecto. Mas &lt;em&gt;olhar de cima&lt;/em&gt; não é desprezar no sentido anti-cristão: é simplesmente olhar a realidade como ela é. É facílimo perder o controle nesse momento e passar a odiar, a desprezar de verdade, a comportar-se como um esnobe; mas quem disse que a virtude é fácil? É quase impossível ser, ao mesmo tempo, magnânimo - estar cheio de qualidades - e humilde - reconhecer que, mesmo assim, não somos "a última bolacha do pacote", e muito menos deuses. Achar-se &lt;em&gt;como Deus&lt;/em&gt; é a maior estupidez, mas como isso é freqüente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja que a magnanimidade, dentro de um esquema superior - que é o da filosofia + revelação, que consegue vislumbrar o caráter de &lt;em&gt;criaturalidade&lt;/em&gt; e de dependência metafísica do homem - é plenamente compatível com a humildade (=veracidade, realismo). Por isso não é de estranhar que a ética clássica-cristã não exija "atitudes humildades" de sujeição servil por parte de quem tem muitas virtudes: não faz sentido que um homem superior ande como se fosse um maldito hippie, ou que peça desculpas por existir, como um beato. &lt;em&gt;Servire Deo, regnare&lt;/em&gt;. Diante de Deus - que é o único ser a quem o magnânimo atribui supremacia real - ele é humilde; diante dos outros, age como qualquer pessoa da sua posição agiria, sem achar que é mais, ou menos, do que em verdade é (por uma espécie de instinto de adequação e auto-consciência profunda, nunca kantiana).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo se resume nessa plena aceitação da realidade, mesmo que seja contrária a nós. Quase tudo o que é servil é, no fundo, orgulhoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso &lt;em&gt;kataphroneô&lt;/em&gt; readquire um sentido mais próximo: &lt;em&gt;to think little of something&lt;/em&gt;, como costuma vir em alguns dicionários ingleses. Se algo é pequeno, de pouco valor, nada mais basalmente realista que &lt;em&gt;kataphroneá-lo.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-8665785679020155536?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/8665785679020155536/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=8665785679020155536' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/8665785679020155536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/8665785679020155536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/11/talking-shamelessly-about-retriutga.html' title='Talking shamelessly about retriutga'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-7133731049324963440</id><published>2008-10-31T03:10:00.000-07:00</published><updated>2008-10-31T04:39:43.264-07:00</updated><title type='text'>Études dantesques</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.whywahooweeps.com/Tom_Tomorrow_This_Modern_World_09-21.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 622px; CURSOR: hand; HEIGHT: 568px" alt="" src="http://www.whywahooweeps.com/Tom_Tomorrow_This_Modern_World_09-21.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Diógenes certa vez abriu uma barraquinha e na ágora e começou a vender idéias. Um milionário enviou um escravo para que comprasse daquele picareta o que desse com três sestércios. O escravo voltou com um provérbio: «Em todas as tuas ações, observa o fim». O cara gostou tanto da frase que resolveu inscrevê-la numa placa de ouro e colocá-la na entrada da sua casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual a finalidade da sua vida? Por que perde tempo lendo esse blog?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o tipo de pergunta diante da qual muitos simplesmente viram o rosto, fingindo que não é com eles. «Não há finalidades na vida». Ora, quando eu perguntei a você sobre a finalidade, você teve em vista justamente um fim: uma resposta à pergunta. Ao dar uma resposta, você provou que há uma finalidade para cada ação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto o «não-finalismo» é uma justificativa sem sentido. Como podemos comprovar facilmente com um pouco de conhecimento próprio, caímos nessas polêmicas contra o bom-senso justamente quando o bom-senso nos exigiria retificar. Freqüentemente questionamos algo não porque esteja errado, mas porque admitir a possibilidade de que esteja certo implicaria reconhecer que agimos como cabeças de bagre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São várias teorias que surgem: a teoria da inexistência da responsabilidade pessoal, da inexistência de uma distinção entre o bem e o mal na ação humana, o subjetivismo/relativismo moral, a ausência de fundamentos para uma ontologia realista. E por aí vai. Essas teorias são muito menos &lt;em&gt;impessoais&lt;/em&gt; do que comumente julgamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando uma ação envolve nosso interesse imediato, facilmente caímos em teorias desse tipo. Para não admitir que trapacear é intrinsecamente mau, o «eu-picareta» cria a teoria da picaretagem universal. Mas quando o «eu-picareta» é enganado, rapidamente volta ao realismo da culpa e da responsabilidade. &lt;em&gt;Esse cara tem que pagar pelo que fez! &lt;/em&gt;Outro exemplo: se nossa irmã está envolvida, somos a favor do respeito – até nos detalhes caretas –, mas quando a irmã de outro cara desconhecido está envolvida, vale tudo, até o «olhar de pedreiro». Admitimos uma lei para os outros, mas fazemos uma honrosa exceção para nós. E nem reparamos que fazemos papel de idiotas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Há toda uma &lt;em&gt;genealogia da moral picareta&lt;/em&gt; que precisa ser feita. Já sugiro um título: «o inferno é para os outros».&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-7133731049324963440?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/7133731049324963440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=7133731049324963440' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/7133731049324963440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/7133731049324963440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/10/tudes-dantesques.html' title='Études dantesques'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-3744512597509512933</id><published>2008-10-27T02:55:00.000-07:00</published><updated>2008-10-31T03:07:17.741-07:00</updated><title type='text'>Der Himmel über Edmund Burke</title><content type='html'>Acho que é uma informação de utilidade pública: a polêmica foto do perfil do blogger contém uma peruca, e não um cabelo natural (o meu &lt;em&gt;não é crespo&lt;/em&gt;). Já recebi um monte de e-mails de gente escandalizada; para piorar as coisas, lembro que ainda tenho cicatrizes de piercing e sete brincos. Só pra modernizar, como dizíamos em Brasília. Mas tudo o que era alternativo nos anos 90 tornou-se convencional, conformista. Contemporâneo e &lt;em&gt;indie&lt;/em&gt; é Joseph Ratzinger.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mística da revolta - cada vez mais sinônimo de "eu só tenho cerebelo, e olhe lá".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assisti a um filme muito bom, e aproveito para recomendar: &lt;em&gt;Herói por acidente&lt;/em&gt; ("Hero", EUA, 1992), de Stephen Frears. Ah, comédia romântica o cacête. Dustin Hoffman sempre abafando, fazendo o papel de um dos melhores anti-heróis do cinema. Falhas no enredo, e daí? Isso acontecia o tempo todo nos anos 90, e agora piorou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que mais acontecia nos anos 90? Tudo sob &lt;em&gt;white noise&lt;/em&gt;.&lt;em&gt; &lt;/em&gt;Algumas multinacionais usam um esquema de classificação cuja distinção mais importante é entre a geração X (dos que cresceram em contato com uma mídia, v. g. televisão) e a geração Y (mais de uma mídia, como televisão e Internet). A geração X nasceu entre 1970 e 1980, e eu quase saí dela, mas estou dentro. Mas e o videogame? Conta como televisão? Horas e horas para zerar &lt;a href="http://www.celephais.net/solstice/index.php"&gt;Solstice&lt;/a&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso explica porque o pós-moderno é demodê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também estou com João Pereira Coutinho, que me disse porque McCain vai ganhar. Não é que torça por ele; é que é impossível não torcer para que o Obama seja derrotado. Nada pessoal. &lt;em&gt;Press and lies&lt;/em&gt;. &lt;em&gt;It dresses up and dies.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, o que mais quero é ver a mídia brasileira inteira perguntando, com o seu desespero kierkegaardiano: por que, Deus, por que? E depois alegar fraude eleitoral.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-3744512597509512933?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/3744512597509512933/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=3744512597509512933' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/3744512597509512933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/3744512597509512933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/10/der-himmel-ber-edmund-burke.html' title='Der Himmel über Edmund Burke'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-2743078331375553728</id><published>2008-10-21T09:51:00.000-07:00</published><updated>2008-10-21T11:00:38.991-07:00</updated><title type='text'>FFF is for File under Finished Files</title><content type='html'>Quinta-feira teremos João Pereira Coutinho no IICS, entrem no site.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, precisamente, Martim Vasques com &lt;em&gt;Eric Voegelin &lt;/em&gt;(para os íntimos, Érico Passarinho), segundo o calendário do IFE na &lt;em&gt;Dicta&amp;amp;Contradicta&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como meu tempo anda curto, esse blog está virando um quadro sucinto de avisos, &lt;em&gt;but I don't give a rat's arse&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros vão reclamar que falo muito de filosofia moral e de ética aplicada, com uma pretensa (ou pretendida?) naturalidade, quando eu mesmo não sou um bom exemplo. Pois é assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao considerar os esforços ingentes que são necessários para "passar a vida a limpo", podemos pensar assim: não é exigente demais? No momento em que condenamos a mentira, 8.934.874 pessoas no mundo acabaram de contar uma &lt;em&gt;daquelas. &lt;/em&gt;E aí? E além disso 6.890.765 fornicaram bonito. E aí? Você deve perguntar, não como eu consegui esses dados, mas &lt;em&gt;que tipo de resposta devo dar ao meu tio gordo, que tem uma corrente de ouro no pulso e anda com um copo de uísque &lt;/em&gt;on the rocks &lt;em&gt;tilintando, soltando risinhos graves e obcenos&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta é parecida com algo que ouvi esses dias de um crítico literário: "an american word who is also universally known: bullshit".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A filosofia moral, e qualquer discurso moral (não moralista, que acontece de ser imoral, sempre), não está nem um pouco preocupado, ao menos essencialmente, com estatísticas. Trata-se do que é melhor fazer, não do que normalmente se faz, o que não é nenhuma novidade. Billy Corgan sabia disso quando disse que &lt;em&gt;the world is a vampire&lt;/em&gt;, o que numa banda como Barão Vermelho, em português, soaria ridículo, algo que você, como eu, acha, bonito, porque, é, em, inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O mundo é um vampiro&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Manda secar destruidores Secretos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Te segura sobre as chamas&lt;/em&gt;, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Isso parece simbolismo da "Escola Primária Piccolino". Mas imagine o Frejat soltando uma dessas. Aliás, coisas piores brotaram dos seus &lt;em&gt;lábios de fogo&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que a passagem mais sinistra da história do cinema está num dos longa-metragens de Twin Peaks. Uma sujeita entra em seu quarto (acho que é uma amiga da Laura Palmer), fica lá durante um tempo e sai. Mais tarde ela encontra alguém que lhe diz que há "algo" perseguindo o pessoal (todos sabemos que é aquele carinha simpático que disse que &lt;em&gt;Fire walks with me&lt;/em&gt;), para usar uma linguagem chula e despretensiosa. Então a mocinha começa a se lembrar de quando estava em casa, subindo as escadas, entrando em seu quarto... Subitamente, recompondo a cena em seu quarto usando apenas a sua memória, ela &lt;em&gt;se lembra&lt;/em&gt; de &lt;em&gt;algo&lt;/em&gt; que a estava observando no quarto. Eu estremeço só de pensar. Pense bem: ela não viu nada quando estava lá, mas quando se lembrou da cena, &lt;em&gt;viu algo, com o canto dos olhos&lt;/em&gt;. Brrr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ética não é suficiente. Aliás, é bem pouco, mesmo a chamada "ética da excelência"; é impossível fazer algo realmente grande com ela, a não ser com ajuda do alto. Mas se nem isso tentamos, então o negócio é encher a cara e cantar como Amy Winehouse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas veja que essa não é uma alternativa viável, a começar pelo fato de que não temos talento nem para Jim Morrison. Sequer temos coragem de falar de desertos e lagartos, e de pensar que somos uma espécie de Rimbaud do século XXI. Não cola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mediocridade dói mais do que uma banda cover do Yes com 10 anos de rodagem. É por isso que, se apontamos para uma banda cover, seremos &lt;em&gt;roadies&lt;/em&gt;, ou no mínimo &lt;em&gt;groupies&lt;/em&gt;. Os gays serão &lt;em&gt;cheerleaders&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pai, um fantasma grunge apareceu pra mim ontem. Calça xadrês, camisa por cima da camiseta e tudo. Com uma voz rouca ele me dizia: &lt;em&gt;come as you are&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o que seremos. &lt;em&gt;Cheerleaders.&lt;/em&gt; Môços de chinelo e camisa regata da FFLCH. Brrr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada de super-homens com a cueca para fora da calça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó engole essa, fubá!&lt;em&gt; Lula à la tour chez Casa-da-Dinda&lt;/em&gt;. Joguei esse resto d'A Hora do Brasil no meu terreiro de macumba. Jerônimo ficô pinéu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regata. Djavam. Batelata.&lt;br /&gt;Axé axé &lt;a href="http://www.cs.rice.edu/~ssiyer/minstrels/poems/858.html"&gt;axé&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-2743078331375553728?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/2743078331375553728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=2743078331375553728' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2743078331375553728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2743078331375553728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/10/fff-is-for-file-under-finished-files.html' title='FFF is for File under Finished Files'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-8770804186125212716</id><published>2008-10-19T11:17:00.000-07:00</published><updated>2008-10-19T14:58:53.121-07:00</updated><title type='text'>Lucifer Sam, Siam Cat</title><content type='html'>Depois da surpresa com o colóquio de filosofia, não esperava uma surpresa maior: o citado Michael Pakaluk veio fazer-me uma visita, almoçamos com outros amigos e tivemos um get-together aqui em casa. A impressão que sempre tive é que os norte-americanos são realmente 'gente boa'; nesse caso, há um fator multiplicativo em jogo, mas isso é outra história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falamos sobre a situação geral da educação nos Estados Unidos - de fato, apesar da conhecida crise, eles estão a anos-luz de nós. Apesar disso, ele ficou surpreso com o número de alunos presentes no colóquio na USP, e disse que lá a assistência a esse tipo especializado de congresso é ainda mais restrita (!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele me passou uma &lt;a href="http://www.greekbiblestudy.org/"&gt;página interessante&lt;/a&gt; em que se pode ler o novo testamento no original e fazer aos poucos uma tradução própria, com várias possibilidades (por exemplo, hyperlinks com semântica e gramática). Não é a minha área, mas... alguns aproveitarão a dica. Parece-me que é necessário fazer um rápido registro para ter acesso ao conteúdo do site.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alguns artigos dele aqui sobre a &lt;a href="http://www.coe.unt.edu/gifted/presentations/friendship/index.htm"&gt;amizade e liderança&lt;/a&gt;. Dêem uma olhada especialmente em &lt;em&gt;The Closing of American Heart&lt;/em&gt;; para um acadêmico sério e altamente técnico (o domínio do grego é assustador), são surpreendentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, esse equilíbrio entre erudição (em parte, por que não?, acadêmica) e filosofia como uma questão absolutamente vital é, no meu ponto de vista, &lt;em&gt;o&lt;/em&gt; ideal para quem quer ser professor. Nós, mortais, podemos aprender muito com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surpreendi-me essa semana &lt;em&gt;quase&lt;/em&gt; dançando ao som de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Amy_Winehouse"&gt;Amy Winehouse&lt;/a&gt;, que é o supra-sumo, para mim, da alta qualidade musical aliada a uma vida imprudentemente entregue à arte como &lt;em&gt;modus vivendi&lt;/em&gt;... Necessária essa auto-destruição? ("In June 2008, Winehouse's publicist reported that she had developed early signs of what could lead to emphysema, while her father relayed reports of an irregular heartbeat, stating these conditions were brought on by smoking cigarettes and crack cocaine" - Wikipedia). Certamente não. Mas é o preço que pagam alguns pelo talento excessivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, e confiram o último do &lt;a href="http://www.portishead.co.uk/"&gt;Portishead&lt;/a&gt;. Há tempos não ouço nada tão sombrio e bem-feito. Incrivelmente, há passagens que lembram até o velho Fugazi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou pop e me sinto bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-8770804186125212716?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/8770804186125212716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=8770804186125212716' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/8770804186125212716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/8770804186125212716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/10/lucifer-sam-siam-cat.html' title='Lucifer Sam, Siam Cat'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-8647353313291568769</id><published>2008-10-17T04:30:00.000-07:00</published><updated>2008-11-12T09:03:28.811-08:00</updated><title type='text'>Old Possum's Book of Theoretical Dogs</title><content type='html'>Uma entrevista com o Prelado do Opus Dei ao jornal italiano "La Repubblica" &lt;a href="http://www.opusdei.org.br/art.php?p=29876"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Aos 76 anos D. Echevarría, apesar de seu físico pequeno e frágil, ainda joga tênis uma vez por semana, escuta Beethoven com paixão e sempre que tem tempo devora livros de Teologia, Filosofia, Direito Canônico, História da Igreja e literatura".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu, com menos de 30 anos, ainda não comecei a jogar tênis, como havia programado, e, na hora "h", acabo preferindo Metric ou Joanna Newsom a música clássica. Viva a diversidade. E ainda vou fazer uma tatuagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem o presidente da &lt;em&gt;Chesterton Institute for Faith and Culture&lt;/em&gt;, Ian Boyd, deu uma palestra no IICS. E eu perdi em razão de &lt;em&gt;correrias acadêmicas&lt;/em&gt;! É a academia contra a academia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar nisso, muitos em São Paulo estão perdendo o quase secreto (o Prof. Zingano não é muito de divulgar as coisas) &lt;em&gt;Colóquio Internacional Ethica Nichomachea - Book VI&lt;/em&gt;, com palestrantes ingleses, americanos e ítalo-franceses (!). Irei hoje para a última série de conferências, começando com o genial Michael Pakaluk, formado em Harvard, autor de &lt;em&gt;Aristotle's Nichomachean Ethics - An Introduction &lt;/em&gt;(Cambridge, 2005).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, é uma oportunidade para &lt;em&gt;ver&lt;/em&gt; o que é uma discussão entre adultos inteligentes (porque eu ficarei novamente calado, só escutando).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito, Mr. Pakaluk tem um blog, &lt;a href="http://dissoiblogoi.blogspot.com/"&gt;Dissoi Blogoi&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez, palmas, muitas palmas para o competentíssimo Marco Zingano, que não se deixa abater pela crise universitária e age - graças a Deus - como se nada estivesse acontecendo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-8647353313291568769?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/8647353313291568769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=8647353313291568769' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/8647353313291568769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/8647353313291568769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/10/old-possums-book-of-theoretical-dogs.html' title='Old Possum&apos;s Book of Theoretical Dogs'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-7818197018096245629</id><published>2008-10-06T07:38:00.000-07:00</published><updated>2008-10-06T08:47:04.739-07:00</updated><title type='text'>Wynton Marsalis' Black Code from the Underground</title><content type='html'>Estou 97% &lt;span style="font-style: italic;"&gt;insatisfeito&lt;/span&gt; com os posts que escrevi. Dizia alguém que o melhor é simplesmente não ler nada do que se escreveu. É uma verdade. Ainda assim, é melhor escrever: embora isso não valha para mim, há muita gente talentosa que não escreve ou não publica por perfeccionismo (um defeito, está claro? Lembremo-nos daqueles caras que, ao serem entrevistados para uma vaga numa empresa, dizem que têm dois defeitos: "pensar demais nos outros" e "perfeccionismo").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ato de escrever... &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;oh &lt;/span&gt;shut up&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pump up the jam / pump it up&lt;/span&gt;. O número de pessoas para as quais esse verso faz sentido tem diminuído. É que convivo com gente &lt;span style="font-style: italic;"&gt;jovem demais&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As festas no final dos anos 80 e início dos 90 foram embora e não voltam mais. Não havia baladas. As pessoas davam festas de aniversário (!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;acontecimentos culturais&lt;/span&gt; não existem. Existem os caras que pensam e depois se misturam com os outros, causando inquietações com uma semântica e uma sintaxe quase natural, mas delicadamente demolidoras. Isso é educação liberal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Senac Tereza, bom dia!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já foi o tempo em que o Jardel, um amigo meu, podia afirmar com segurança, ao ver uma ave de rapina deixando escapar um peixe, que "ela fez curso de predador no Senac".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vocês ainda têm quele curso de &lt;/span&gt;Predador &lt;span style="font-style: italic;"&gt;aí no Senac&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Beg your pardon?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pensar demais nos outros", ora vejam, não é um defeito. Só será se você for um maldito filantropo, e então terei certeza de que "pensar nos outros", para você, é promover-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que nos deve motivar é o bem intrínseco das coisas, mas não há problema algum em sentir-se bem por isso, nem em receber recompensas. Quem age "por puro desinteresse" no estilo kantiano é doente mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é só um problema de semântica; é algo muito mais profundo. Quando ouve a sentença "pensar nos outros", o sarcástico logo imagina uma caricatura. Toda a prática do mal envolve a desculpa de que os bons são alguma caricatura. Acontece que os bons, em sentido estrito, não são caricaturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um cara bom&lt;/span&gt; pode ser mais irônico, mais furioso, mais violento, mais ranzinza, mais sexualmente carregado do que o típico &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cockney-speaking waste&lt;/span&gt; ou do que o tipo freqüente de mano que tem uma banda de hip-hop satanista. A diferença é que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o cara bom&lt;/span&gt; está lutando, com uma ponta de bom humor, para ser menos cabeça-de-bagre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hakim Bey, anarquistas ontológicos e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gadgets&lt;/span&gt;: vão todos à putaquiospariov.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8e/Intonarumori-veduta.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 400px;" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8e/Intonarumori-veduta.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-7818197018096245629?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/7818197018096245629/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=7818197018096245629' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/7818197018096245629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/7818197018096245629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/10/wynton-marsalis-black-code-from.html' title='Wynton Marsalis&apos; Black Code from the Underground'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-5197143921497590797</id><published>2008-09-26T06:10:00.000-07:00</published><updated>2008-09-28T05:49:44.750-07:00</updated><title type='text'>Who watches the watchmen?</title><content type='html'>&lt;a href="http://farm3.static.flickr.com/2255/2102278217_ea4853830b_o.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand" alt="" src="http://farm3.static.flickr.com/2255/2102278217_ea4853830b_o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://farm3.static.flickr.com/2255/2102278217_ea4853830b_o.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os acontecimentos favoráveis - posso dizê-lo, pois experimento essa sensação agora mesmo - não nos podem tirar do sério. Um santo qualquer dizia que, quando ouvia uma ovelha balindo ("bé bé"), lembrava dos padecimentos de Cristo; algo que me lembra, por sua vez, um personagem idílico das &lt;em&gt;Bucólicas&lt;/em&gt; de Virgílio suspirando por uma pastora qualquer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A memória é uma coisa engraçada: também ela tem de ser educada. Ao invés de pensarmos em qualquer coisa, ao invés de puxar da memória uma besteira qualquer, porque não educá-la suavemente e trazê-la de volta à realidade mais profunda? Sei que causo uma confusão, ao falar ao mesmo tempo da imaginação e da memória, mas não há problema.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Isso não é "pensar positivo". Pensar positivo é fugir da realidade; trata-se aqui de embeber-se nela, o que possui implicações metafísicas. A realidade não é o sofrimento do mundo, nem a ausência de sofrimento: é o que está por debaixo de tudo, que flui e ao mesmo tempo permanece imóvel. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Penso que um bom líder é aquele que se crava como uma estaca no Ser e vê tudo o que passa, tudo o que ocorre diante de seus olhos, &lt;em&gt;in conspectu aeternitatis.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;* * *&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Quand le monde sera réduit en un seul bois noir pour nos quatre yeux étonnés, - en une plage pour deux enfants fidèles, - en une maison musicale pour notre claire sympathie, - je vous trouverai&lt;/em&gt; (Rimbaud, &lt;em&gt;Phrases&lt;/em&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Se todo sentimento verdadeiramente lírico nos traz uma idéia de permanência que não se pode definir, segue-se que a poesia lírica é realista, num sentido bem particular. Toda expressão humana autêntica aponta para algo que a transcende.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Sei que isso tudo soa meio singelo, mas é o que me ocorreu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Não sei o que acontece, mas desde pequeno fujo de coisas comoventes, de tudo o que não seja ironia; mas aí está um exemplo de falta de &lt;em&gt;simplicitas&lt;/em&gt; (inclusive no colocar a palavra em outra língua).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Alguém disse que ser civilizado é olhar para tudo o que está bem feito - a civilização - com uma certa ironia, mas ao mesmo acreditando piamente nos valores que a fundaram. Tudo podia ser diferente: uma coisa são os valores, com as suas raízes metafísicas, outra coisa são esses valores na sua face visível, exterior. A tendência aristotélica, que traz moderação, é ver tudo ao mesmo tempo, sem procurar essências "por trás" dos fenômenos como se fossem entidades independentes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O que podemos fazer pelo mundo? Ser mais silenciosos e trabalhar. Sabendo que o fim do mundo virá numa época tão boa, ou tão ruim, como a nossa. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-5197143921497590797?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/5197143921497590797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=5197143921497590797' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/5197143921497590797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/5197143921497590797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/09/who-watches-watchmen.html' title='Who watches the watchmen?'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-3891960874011039865</id><published>2008-09-22T06:33:00.000-07:00</published><updated>2008-09-22T06:55:30.648-07:00</updated><title type='text'>Migration of Kuiper-belt objects inside the solar system</title><content type='html'>Só temos uma opinião autêntica se, ao mesmo tempo, o assunto diante do qual tomamos uma posição é «opinável», ou seja, não está sujeito a uma prova matemática ou a uma demonstração lógica perfeita, e quando de fato podemos apontar-lhe um fundamento – não um mero consenso (Habermas), mas uma correspondência real. Só abandonaremos o «achismo» quando recuperarmos os critérios de distinção entre fundamentos reais e argumentos furados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O reino da opinião fundada é a única saída em questões opináveis. Nesses assuntos, não há navalhas de Ockham, não há verdades indiscutíveis, mas há muito de verdade. Quando digo que, ao matar alguém, um ser humano normal deve experimentar uma sensação de remorso, não vou poder demonstrar matematicamente minha asserção, mas encontrarei amplo apoio na experiência comum – não no mero consenso – dos homens. Trata-se de uma opinião bem fundada. Não importa que tal linha de psicologia cognitiva afirme o contrário; é bem provável que esteja redondamente enganada, e terei prazer em discuti-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma questão opinável, como dizia, é aquela que não admite demonstração lógico-matemática. Mas há outros tipos de afirmações com pretensão de verdade (pois a opinião, se fundada, tem uma alta pretensão de verdade) que também não admitem esse tipo de demonstração, ao mesmo tempo em que exigem um exame mais cuidadoso do que no caso das opiniões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certos corpos de doutrina, como o islamismo, o judaísmo e o cristianismo, não são questões opináveis nesse sentido; e nem questões que se pode resolver matematicamente. Elas se pretendem verdadeiras – ao contrário das experiências religiosas new age e assemelhadas –, entretanto, num sentido mais forte do que no assunto das questões meramente opináveis. É diferente a afirmação de um jurista ou cientista político da afirmação de um teólogo autêntico: o primeiro nunca terá certeza de que está certo, e nem deve ter, e o segundo aderiu racionalmente a uma verdade que o transcende, e pode apontar, claramente, os fundamentos da sua posição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pretensão de verdade religiosa é discutível em termos teóricos – por exemplo, posso negar o cristianismo porque ele crê na razão e na prudência, e o islamismo por ser fideísta –, mas tem de ser tratada separadamente das questões meramente opináveis. Negar uma verdade transcendente como fruto de um pressuposto metodológico – como fazem os positivistas, ateus e agnósticos – significa viver preocupado apenas com questões menores, quantitativas, desprovidas de mistério: uma atitude imprudente, porque me importa muito mais se Deus existe, e quais as conseqüências disso para minha vida, do que o preço justo de uma saca de soja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São pelo menos 7.000 anos de civilização teísta (penso nos sumérios como ponto de partida, mas é possível recuar mais e mais e nunca encontrar ateus) que se descarta só porque se leu, quase sempre indiretamente, meia dúzia de pensadores isolados e sem experiência; pode-se contar nos dedos os pensadores importantes agnósticos e ateus, e praticamente não há clássicos da literatura e da arte ocidental que não sejam cristãos. Poucas vezes o ateu se dá conta de que adere, com negações a priori das teses contrárias, a argumentos de autoridade ou a opiniões socialmente corretas desde os anos 60 (o que alguém chamou de “argumentos de quem nasceu ontem”). A crendice do ateu – daquele que reduz questões transcendentes a questões opináveis – é quase um prodígio sobrenatural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se dizer que as opiniões fortes em matéria teológica perderam voz no debate contemporâneo. Mas isso é apenas um fato histórico, sem pretensão legítima de verdade; o consenso da comunidade científica em matérias fora da sua alçada não valida uma afirmação falsa. Esse enfraquecimento foi gerado por uma ascensão do historicismo e do pirronismo: há certas idéias que, por exigirem rigor intelectual e terem sido sustentadas com um sucesso invejável no passado, foram desprezadas e taxadas de «fora de moda», como se produtos arqueológicos. O raciocínio implícito e inconfesso muitas vezes é esse: porque ninguém com projeção pensa assim, deve estar errado. Mas isso é uma infantilidade sem sentido histórico: essas linhas contemporâneas de raciocínio, sem as nuanças de hoje, já foram trilhadas num passado muito remoto e infrutífero; basta pensar em Górgias, em Protágoras, em certos bonzo japoneses, e em todos os céticos e sofistas ocidentais e orientais, hoje pouco estudados porque o que ensinaram tinha pouco valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido, o cristianismo – que é a união harmônica entre a fé em dados revelados e uma confiança viril na razão – é a única novidade dos últimos 2000 anos. Com a falência do projeto iluminista, resta-nos a opção entre essa fides et ratio do cristianismo, o fideísmo muçulmano/evangélico e o nec fides nec ratio, nem razão nem fé, do pós-modernismo (na definição de Jameson, «surrealismo sem inconsciente»).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou pronto a ceder, se alguém quiser me convencer a ser fideísta ou a voltar ao niilismo original, ou mesmo a uma fé incondicional na Razão Iluminada. O grande problema é que, quando estamos diante de um fanático religioso, seja evangélico, seja muçulmano, seja judeu, estamos diante de alguém que não tem argumentos racionais (portanto incapaz &lt;em&gt;convencer&lt;/em&gt;); sequer sabe no que acredita. Já o niilista simplesmente desistiu de pensar, preso a estados de ânimo (não acredito que a falta de um remédio ou de equilíbrio emocional possam determinar uma verdade universal) que o impedem de reconhecer o evidente mistério da origem e do destino humanos. Por fim, o cara que ainda acredita nas promessas da Razão Iluminada, como Dawkins, sempre parece usar perucas do séc. XVIII. Não consigo parar de rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se querem um bom texto sobre essas quatro opções intelectuais, leiam &lt;a href="http://www.mercatornet.com/articles/view/inevitable_choices/?view"&gt;Inevitable choices&lt;/a&gt;, de Richard Bastien.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-3891960874011039865?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/3891960874011039865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=3891960874011039865' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/3891960874011039865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/3891960874011039865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/09/migration-of-kuiper-belt-objects-inside.html' title='Migration of Kuiper-belt objects inside the solar system'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-2697043175718715842</id><published>2008-09-08T06:54:00.000-07:00</published><updated>2008-09-08T07:08:38.236-07:00</updated><title type='text'>Adittapariyaya sutta</title><content type='html'>Amanhã, terça-feira, 9-IX-08, cometerei o erro de falar sobre T. S. Eliot no curso do IFE (link ao lado). Pretendo narrar o percurso intelectual e espiritual do poeta entre &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Waste Land&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ash-Wednesday.&lt;/span&gt; Quem quiser, é só aparecer (e pagar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leio Eliot há 10 anos, assiduamente. Eu mudei, mas ele permanece o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Come in under the shadow of this red rock.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-2697043175718715842?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/2697043175718715842/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=2697043175718715842' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2697043175718715842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2697043175718715842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/09/adittapariyaya-sutta.html' title='Adittapariyaya sutta'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-8488478142500434007</id><published>2008-09-02T05:13:00.000-07:00</published><updated>2008-09-02T05:32:59.078-07:00</updated><title type='text'>Jason action figure ready for use with Barbie collection</title><content type='html'>«De los seres que amamos su existencia nos basta», disse Nicolás Gómez Dávila. Um contato desmerecido, ou inconveniente, com um ser que amamos pode nos levar à ruína.    &lt;p class="MsoNormal"&gt;* * *&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Para ser grande, é necessário repetir os mesmos gestos, dizer as mesmas palavras, insistir nas mesmas idéias. Abandonado o caminho, voltamos a ser pequenos (no fundo não passamos disso, mas o melhor é não ficar parado). Só há crescimento naquilo que importa: por isso é necessário &lt;i&gt;repetir&lt;/i&gt; para renovar. As grandes idéias – sim, deliciosos lugares comuns! – são inesgotáveis, e só mostram a sua riqueza aos que lhes são leais.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Uma vida nobre é um grande segredo. Ela não pode ser demonstrada, e demasiadas vezes nossa tentativa de tornar evidente o seu valor acabou em uma vulgaridade.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;* * *&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Por isso o pudor é uma coisa urgente. Só uma pessoa inteligente sabe o que é o pudor.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Dizia-se que Tomás de Aquino era uma «inteligência servida por órgãos». Quem hoje tem coragem de colocar o corpo a serviço dela? São séculos de propaganda em favor do embrutecimento.&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNormal"&gt;* * *&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Se podemos dispensar a vulgaridade, não nos convém desprezar o vulgar, a conversa jogada fora, alguma trivialidade bem colocada, a circulação em um ambiente pouco nobre, desde que não nos provoque dano.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;O isolamento, salvo raras exceções (a vida monástica?), é uma cômoda desculpa. Que autoridade tem o solitário contumaz?&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;* * *&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Às vezes passamos anos lendo folhetins e romances baratos; na nossa estante descansavam Homero, Cervantes, Dante, William «Lança-que-balança» Shakespeare. Dizíamos a eles: descansem em paz.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;* * *&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Só há vida independente com o tipo certo de submissão. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Submeter-se inteligentemente, e segundo o modo correto, não significa obediência pela metade.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Islam&lt;/span&gt; إسلا significa submissão irracional a algo que, em si, é muito bom. O erro está em jogar fora a inteligibilidade. Assim os mouros jogaram Aristóteles para fora da sua história.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;* * *&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Se um leigo começa a falar demais sobre liturgia, saque um revólver. Se tocar na palavra «Concílio», saque o machado do Jason que você comprou nos anos 80.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;* * *&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;O espírito grego e o espírito romano nasceram para o casamento indissolúvel. Divórcio entre eles significa duas coisas: espiritualismo e ativismo. Este último se combate com exortações moderadas à contemplação. O primeiro, com palavrões.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ainda assim, prefiro uma boa espingarda às obras completas de Plotino.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;* * *&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Antes a companhia do sarcástico que a do bonzinho.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.starstore.com/acatalog/Jason_14_inch_Figure-01.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px;" src="http://www.starstore.com/acatalog/Jason_14_inch_Figure-01.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não falo nos modos exteriores, que se podem corrigir com o tempo: é algo que está metido na alma do sujeito inofensivo o que me preocupa. Quando ouve falar em virtude, pensa que já está no bom caminho.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;O sarcástico também tem um problema grave: ele pensa, enganado, que o cara bonzinho é no fundo um cara bom, embora ridículo. «Tem bom coração». Estamos lidando com tipos, mas eles &lt;i&gt;ocorrem &lt;/i&gt;com uma freqüência irritante.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Esses dias ouvi uma garota se dirigir a um cara bonzinho: «eh, ô certinho, você vai morrer virgem!». Se fosse bom, teria colhões para responder: «e você, quer morrer uma vadia?».&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;* * *&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Andamos por aí e encontramos pessoas satisfeitas consigo mesmas. Vai nos parecer que todo o trabalho civilizacional consiste em mostrar-lhes que não são tudo aquilo que pensam, e que podem ser muito mais do que imaginam.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;A experiência nos mostra que poucos estão prontos para isso, por estarem preocupados demais com os seus probleminhas pessoais.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;A civilização do ser, da virtude, é a única aristocracia defensável sob &lt;i&gt;todos&lt;/i&gt; os pontos de vista. Mas não se trata de uma aristocracia orgulhosa, que vive do &lt;i&gt;status &lt;/i&gt;de elite: no momento em que alguém age supondo fazer parte dela, e portanto supondo ser &lt;i&gt;melhor&lt;/i&gt;, é excluído. Há uma certa superioridade que não se confessa nem a si mesmo.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Essa civilização se opõe à das aparências – a essa sede de espetáculo, de auto-afirmação. Ela morre todos os dias, para renascer em seguida nas consciências pouco lúcidas (alguém diria, nos imbecis). Quem age para afetar alguma virtude é imediatamente admitido nela. É o caminho natural, tentação contínua.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Acostumamo-nos assim a valorizar as coisas raras: ricos desprendidos, pobres elegantes, empresários contemplativos e escritores humildes. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quando estamos diante de uma raridade autêntica, de algo &lt;i&gt;vintage&lt;/i&gt; – por exemplo, de alguém que tinha tudo para ser diferente do que é –, estamos diante de uma prova da existência de Deus.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;* * *&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;A amizade e o amor surgem freqüentemente como fruto dessa surpresa. O mundo costuma ser repetitivo e decepcionante. Por isso a capacidade de surpreender-se é uma demonstração comovente de inteligência.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;«Como diabos essa pessoa &lt;i&gt;existe&lt;/i&gt;?» é uma formulação lapidar dessa surpresa.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Se nos encontramos com alguém assim e não nos damos conta, é porque somos pouco lúcidos (alguém diria, imbecis).&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A morte costuma trazer lucidez.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-8488478142500434007?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/8488478142500434007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=8488478142500434007' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/8488478142500434007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/8488478142500434007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/09/jason-action-figure-ready-for-use-with.html' title='Jason action figure ready for use with Barbie collection'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-9046549448542785844</id><published>2008-08-21T15:56:00.000-07:00</published><updated>2008-08-21T16:01:30.782-07:00</updated><title type='text'>Cinzeiros migratórios</title><content type='html'>Alou. Estou vivo. Muitos prazos, muito o que escrever fora daqui. Agradeço as visitas insistentes dos leitores fiéis. Agradeço mesmo. O blog está vivo, vivíssimo, eu é que estou fora da vida virtual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agir &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tou kalou heneka&lt;/span&gt;, em razão daquilo que é nobre, diz Aristóteles. O que diabos ele quer dizer com isso? Penso em escrever um artigo e publicar algumas das minhas conclusões por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faltam dois minutos para o jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ando maravilhado com a humildade. Mais do que tudo. Queremos o que não temos. Trabalho ao lado de duas pessoas muito inteligentes; um deles é genial, e é dos caras mais humildes que conheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu peço a Deus aprender por osmose. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The brazilian way of life&lt;/span&gt;...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-9046549448542785844?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/9046549448542785844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=9046549448542785844' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/9046549448542785844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/9046549448542785844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/08/cinzeiros-migratrios.html' title='Cinzeiros migratórios'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-5836753835827382848</id><published>2008-08-08T10:53:00.000-07:00</published><updated>2008-08-08T12:53:40.252-07:00</updated><title type='text'>Vestindo uma jaqueta de piloto aposentado</title><content type='html'>isso ando imerso na leitura da Ética a Nicômaco, com a tradução inglesa de Rackham e a velha edição grega de Bekker (sim, foi ele que inventou aqueles 1045b, aquela coisa toda). Se novamente 'descobri' que o meu grego não dá pro gasto, pelo menos desta vez isso não me causa angústia: é uma verdade, e as verdades devem ser aceitas. A revolta faz, de pessoas, imbecis. Não a rebelião contra a mediocridade (e. g. ateísmo uzw.), que é apetite irascível bem canalizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprender uma língua é como aprender a construir barracas: de nada ou quase nada servem os manuais teóricos. É preciso ir engolindo quantidades maciças de texto, digerir, argumentar. É do contato com a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;coisa&lt;/span&gt; que surge o conhecimento. A língua é um hábito operativo, blah blah.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ponto interessante da Ética, livro I, é a segurança com que Aristóteles afirma que, para cada objeto de estudo, há uma exigência diferente de certeza e legitimidade. A estatística precisa de muitos dados, a matemática de demonstrações exaustivas (embora não dos axiomas), a biologia da observação minuciosa dos seres vivos, a política da observação do comportamento das pessoas em sociedade, com vistas ao bem comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a Ética é a mesma coisa: basta observar atitudes e reações, meter-se em enrascadas e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tentar&lt;/span&gt; agir conforme a reta razão para saber o que é bom e o que não é, e assim criticar as posições contrárias. Não é possível demonstrar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porque&lt;/span&gt; a fraude e a mentira são más em termos categóricos. Basta abrir a Metafísica dos Costumes e a Crítica da Razão Prática - frutos do complexo de inferioridade das ciências humanas diante do ideal de certeza da física e da matemática - para perceber que, depois de Aristóteles, o pessoal começou a exigir da Ética algo que ela não pode dar. É preciso olhar para os 'homens eticamente bem-sucedidos', e tentar imitá-los - com uma boa dose de senso prático e prudência - para saber o que cola e o que não cola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O racionalismo colocou a Ética no papel, no latim e no alemão, na sintaxe fria dos tratados filosóficos de jesuítas decadentes; o realismo a via na rua, nos campos, nas casas, nas assembléias de cidadãos. Por isso Aristóteles afirmou que o estudo da ética, se não nos torna melhores, de nada serve. Pergunte a um artesão competente se ele aprendeu 'teoria do artesanato', e ele te mandará pentear Macacos Aposentados. O estudo filosófico da ética é importante, mas não torna ninguém melhor a não ser que o estudante comece a se meter pelas ruas. Posso, com toda tranqüilidade, me dedicar aos grossos volumes de comentários antigos, medievais e modernos à &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ethica Nicomachea&lt;/span&gt;; mas preciso, a todo tempo, lembrar-me de que estou resolvendo questões que só têm sentido fora dos comentários e das academias e dos gabinetes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é meio óbvio, mas não é o que vemos nas salas de aula das universidades. Quando muito, tentam colocar em prática teorias sociológicas furadas sobre a classe dominante. Criou-se uma cisão entre o que se fala nas academias e o que se faz no dia-a-dia. Ninguém olha para os professores como exemplos de seriedade científica ou de conduta (até porque muitas vezes não o são), mas como "autores com os quais se trabalha". "Ele &lt;span style="font-style: italic;"&gt;trabalha&lt;/span&gt; Foucault", ou &lt;a href="http://contraplatitude.com/2008/07/15/index-prohibitorum/"&gt;pior&lt;/a&gt;, "ele &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pensa&lt;/span&gt; a sociedade contemporânea sob o olhar de Zygmunt Baumann". (E os seus livros vendem! Vocês conhecem as editoras: "quantos alunos você tem? 1500? Então é prá já").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me que a própria linguagem que utilizam é prova dessa cisão: já não se diz as coisas com economia, concisão, elegância, indo ao que interessa e falando 'algo' sobre 'algo'. A sintaxe não resiste a uma rápida análise lógica, o vocabulário é auto-referente e a semântica, indeterminada. Os projetos de pesquisa são niilistas e recorrem à reprodução mecânica de opiniões dos autores da área. Aliás, os títulos já denunciam: "O conceito de x sob a perspectiva do(a)  y: uma análise z-ística da teoria de Fulano de Tal".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num ambiente assim, ficamos surpresos e gratos ao encontrar professores que se limitam a falar sobre o que conhecem, como os físicos e os químicos. Mesmo num estrito âmbito acadêmico, a seriedade sempre se sobressai. Se não podemos ter mais 'grandes mestres', exemplos de conduta íntegra, com uma visão de mundo rica e magnânima, contentemo-nos com os profissionais discretos e competentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Sebrae agradece a sua ligação. Tenha um bom dia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moby Dick é um livro sensacional. O estilo é desigual, a narrativa muda de foco com facilidade (isso rendeu muitas críticas a Melville no séc. XIX), mas o autor consegue criar um verdadeiro universo em miniatura naquele barquinho velho e disposto a naufragar. Não sei o que acontece, mas quando você &lt;span style="font-style: italic;"&gt;entra&lt;/span&gt; no livro, geralmente na segunda ou na terceira leitura, chega a encarar como passatempo até as suas digressões náuticas, pesqueiras e cetológicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é possível dizer, à primeira vista, se se trata de um livro bem escrito. A pista é que Melville se esconde atrás do texto, o que é um sinal de primor. Toda aquela complexidade soa muito simples, ao contrário do que ocorre com o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ulysses&lt;/span&gt;; (semicolon worshipers, beware) e nem vou falar de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Finnegans Wake&lt;/span&gt;, que tenho na minha cabeceira até hoje. Pense-se naquela frase do primeiro, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Come up, you fearful jesuit&lt;/span&gt;!, que sempre li como um convite aos eruditos para que tentassem desvendar cada frase, cada referência. Uma pretensão nunca vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aquela tola missa negra com Buck Mulligan dizendo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;introibo ad altare dei&lt;/span&gt; enquanto &lt;span style="font-style: italic;"&gt;desce&lt;/span&gt; as escadas? As pessoas eram ingênuas antes da invenção do black metal nórdico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Só um puritano maluco poderia ter escrito um livro daqueles", disse alguém aqui ao lado. "Que livro?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-5836753835827382848?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/5836753835827382848/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=5836753835827382848' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/5836753835827382848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/5836753835827382848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/08/vestindo-uma-jaqueta-de-piloto.html' title='Vestindo uma jaqueta de piloto aposentado'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-6505834535985965982</id><published>2008-07-29T12:20:00.000-07:00</published><updated>2008-07-29T12:39:54.882-07:00</updated><title type='text'>How I convinced Groucho Marx to join my club</title><content type='html'>Essas difíceis ciências do espírito, &lt;em&gt;geistwissenschaften&lt;/em&gt;, atraem-nos às vezes muito mais pelo desafio do que pelo seu conteúdo e pela sua aplicação às nossas vidas. Mas, contudo, porém, todavia (como li numa petição judicial uma vez) é nessa dificuldade, nesse atrativo &lt;em&gt;an sich&lt;/em&gt;, que treinamos a cabeça e disciplinamos a vontade para outras coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um momento numa tese de doutorado em que começamos a pensar por conta própria. Os autores não são mais nossos pais. Eles se tornam gentis inimigos, como numa partida de tênis. Às sequer conversamos com eles, indo às fontes, aos problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um problema teórico é uma bela duma mortificação. Também uma tela em branco, uma partitura vazia, um documento do Word que receberá uma matéria jornalística. Experimente concentrar todos os seus esforços nessas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num texto de Chesterton, “&lt;a href="http://chesterton.org/gkc/essayist/v1n3.gkcessay.htm"&gt;Em defesa dos votos insensatos&lt;/a&gt;”, citado pelo &lt;a href="http://repetente.blogspot.com/"&gt;espertinho do Cristian&lt;/a&gt;, fica exposto o problema moderno: o medo de sermos outros homens quando nos esforçamos por ultrapassar as nossas limitações. (Isso me lembra um conto do Julio Cortázar sobre um cara que solta um fio de cabelo no buraco da pia de propósito e vai atrás dele depois, quebrando todo o encanamento, etc. etc.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu me levanto do sofá e começo a pensar, parece que o meu “eu” irá se desintegrar. A preguiça é o maior aliado do “eu”, do velho homem do mar. Muitas clínicas psiquiátricas ganham dinheiro com essa manutenção e estímulo periódico de egos que morrem de medo da dor, ou seja, do outro. Seja esse outro a família, os amigos ou Deus mesmo. Por isso o pacifismo nos deve dar vergonha. Quer um pouco de paz? Esteja pronto pra guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prova de autenticidade é mais o não acender um cigarro do que o acendê-lo. Para um cinéfilo, mais em não assistir certos filmes – porque embotam a sensibilidade – do que em assisti-los todos, sem critério de pertinência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazer agora mesmo um compromisso que, sabemos, não vamos conseguir cumprir. O magnânimo é um cara que faz compromissos malucos, descumpre-os, e depois se arrepende, e não um cara que nunca pisa na bola (evidentemente não falo de compromissos para toda a vida: descumpri-los seria grave traição). Quanto mais compromissos – e nem sempre precisam ser dos mais difíceis – melhor. Mais erros, mais pisadas, mais experiência. A prudência muitas vezes consiste na audácia mais destrambelhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos ver, Vasco da Gama. Não conheço as suas circunstâncias pessoais. Mas teve um dia em que ele resolveu, vamos dizer, fazer umas viagenzinhas. Pisar num barco e liderá-lo por meses e meses é mais do que pode um homem. Ele sabia disso e mesmo assim topou a parada. E deixou um puta rastro na história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É absolutamente necessário colocar-se em frias. Quando estamos numa fria, aí surgem os talentos. Um moleque vira um homem quando o pai morre ou viaja e ele precisa pôr ordem na casa, como naquele conto do Steinbeck que citei faz um ano. No começo, mal sabe por onde começar. Mas é a mesma pessoa: com e sem responsabilidades, com um controle de videogame na mão ou com uma espingarda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A melhor cena de filme que vi nos últimos dez anos é aquela em que Galdalf dá uma cajadada na cabeça do rei covarde de Minas Tirith logo depois deste ter mandado todos os seus homens “correrem pelas suas vidas”, como naquela música do Iron Maiden (“run to the hills / run for your lives”). Depois da pancada, Gandalf ordena e anima todos para que estejam prontos para a guerra, sabendo que se trata de uma causa perdida – a cena é construída com perfeição. The Lord of the Rings é sobre uma causa perdida desde o começo, absolutamente perdida, que termina vencedora. E tudo está nas mãos de um Hobbit meio bicha (nos filmes, não no livro) e com cara de dor de barriga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma sacada boa para quem não vê motivação nos compromissos é que as mulheres só dão bola para homens minimamente decididos. A não ser que você queira ser um bebê da sua namorada indie. Isso também acontece, esses namoros por piedade. Mas quando chegar a hora da coragem, ela fará a vontade do pessoal da arquibancada do Coliseu: um polegar para baixo, sinalizando que o oponente não merece compaixão, e dump!, pé na bunda. E se você quiser virar seminarista, aposto que Deus lhe dará outro pé na bunda, desta vez um do tipo &lt;em&gt;omnipotens aeternusque&lt;/em&gt;, com raios e trovões e aquela coisa toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Lembro-me daquela campanha salutar nos Estados Unidos: &lt;em&gt;Wanna be a priest? You gotta be a man first&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, ao menos você ainda terá a cabeça sobre o pescoço. E se for inteligente, ainda poderá concorrer ao Sissy Poetry Award, San Francisco, California.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem fiz uma excursão num vale perto de Monte Verde, divisa com Minas Gerais. Não era exatamente montanhismo; consistia em encontrar antigos sinais de uma trilha e contornar o vale, subindo e descendo montanhas. Falhamos na metade do caminho, ficamos perdidos, andamos em círculos mas conseguimos voltar. Ainda assim, foi divertido. Tudo terminou com uma cerveja na cidadezinha de Monteiro Lobato e histórias de casas mal-assombradas e discos voadores, um assunto sempre bem-vindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz um mês, comecei a fazer exercícios pela manhã, ao acordar (o plano é o mesmo usado pelos cadetes da Real Força Aérea canadense: ridículos 11 minutos por dia). Tudo isso que se fala de “qualidade de vida”, de fato, não é balela. Enfrentar a natureza, por assim dizer, é uma atividade sempre grata ao corpo e... oh, shut up.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer modo, cuidar do corpo é uma coisa boa. Só não consigo entender essas obsessões com academias e espelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só agora, muitos anos depois, compreendo aquelas aulas de educação física (já fiquei de recuperação em basquete, obrigado a fazer sei lá quantas bandejas por minuto para passar na matéria). Fiz natação por muito tempo e um pouco de hipismo, meu esporte favorito, mas não gostava nada de handball e atletismo. Pode ser que isso suma com o tempo ou que as academias acabem entrando de vez nos colégios. Uma substituição dos esportes pela malhação. De algo que tira as pessoas de si mesmas para algo que as coloca diante dos espelhos (numa comparação clássica, é como Narciso vs. Olimpo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mentalidades mudam, e assim se transforma o modo como encaramos o exercício físico e os jogos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não podemos fugir dessa atitude esportiva diante da vida. Isso não é papo de professor de yôga, bem ao contrário. A vida feita de enclausuramento, narcisismo e computadores acaba se gastando, se esvaziando. A natureza tende à inércia e à morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há figura mais atraente do que aqueles exploradores britânicos e alpinistas suíços; e Hernán Cortez dando um showzinho nos ameríndios:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Montanha ali homem nenhum sobe”, disse o pajé para o tradutor, apontando uma enorme montanha com o cachimbo da paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Paco, Ramón, Gutierrez, a cojer las cuerdas y picos. Vamos a cruzar esta mierda”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-6505834535985965982?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/6505834535985965982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=6505834535985965982' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/6505834535985965982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/6505834535985965982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/07/how-to-convince-groucho-marx-joining-my.html' title='How I convinced Groucho Marx to join my club'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-8321001048198407895</id><published>2008-07-23T10:59:00.000-07:00</published><updated>2008-07-23T11:35:40.809-07:00</updated><title type='text'>Killed for less</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Lewis, ao falar da amizade no seu &lt;i&gt;The Four Loves&lt;/i&gt;, invoca aquelas conversas que surgiam nos clubes ingleses (só para homens) e faz um paralelo entre elas e o mistério das conversas femininas. Há um ponto universal – agora um tabu faz uns 20 anos – que são essas conversas entre homens e entre mulheres. Embora muito semelhantes e iguais em direitos (e blah blah), homens e mulheres têm um espírito e uma “cultura natural” peculiar ao seu sexo.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Muito desse preconceito moderno se deve à abstratização, se posso usar essa palavra, das relações humanas, e de uma certa cegueira para a cultura, a sutileza do particular. Crêem que, por serem essencialmente iguais, homens e mulheres não podem ter diferenças; diferenças que, apesar de surgirem no tempo e no espaço, são muito desejáveis. Um sadio feminismo, do lado delas, e um sadio machismo, do nosso, vai muito bem, como dizia outro inglês provocador. E serei o primeiro a defender as mulheres quando alguém tentar oprimi-las com uma suposta superioridade a priori.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Nenhuma mulher se desenvolve se não se relacionar com outras mulheres ou fazer parte dessa cultura feminina. Defendo com unhas e dentes essas conversas reservadas – que graças a Deus não conheço, a não ser pelo Bergman e por outros diretores de cinema – tipicamente femininas. Ouso dizer que sou mais patriota com o universo das mulheres do que com a Inglaterra.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;A morte da privacidade só pode ser a morte do feminino. Esse mundo é infinitamente atraente, e tem gerado, talvez, mais impulsos civilizatórios do que o dos homens. São esses círculos &lt;i&gt;women only &lt;/i&gt;que seguram a barra de alguns valores sempre ameaçados. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;(Justamente o contrário do que muitos pensam, é uma intimidade exagerada com o outro sexo, e uma dificuldade enorme em lidar com círculos de homens a marca da falta de virilidade. “Eu gosto tanto de mulher que tenho 30 amigas e nenhum amigo”. Yeah, right). &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;As ideologias pós-marxistas, na sua vontade de destruir a família, esse ninho do capitalismo, estão na base desse feminismo auto-destrutivo, que faz as mulheres quererem ser “homens menores de idade”,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;essa coisa grotesca. Isso e a pornografia, a melhor arma na luta contra os direitos e a cultura das mulheres.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;* * *&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Essa crítica que faço pode ser imediatamente taxada de reacionária. Vejam bem, isso não é nem novo nem velho. É o de sempre: é como as pessoas funcionam quando esquecem as teorias vazias que aprenderam nos anos 60. O futuro estará cheio de “reacionários” descontentes. Uma hora cai a ficha e as pessoas começam a viver e a tomar atitudes mais... realistas. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;A vida &lt;i&gt;privada&lt;/i&gt; dos progressistas está cheia de opiniões reacionárias: gostam de reuniões de família, de uma boa cerveja, do pai desafiador da legislação ambiental, que joga papeizinhos pela janela do carro, tentam afastar os filhos das companhias dos desocupados, e até sentem dor ao ver o filho lendo Sartre. “Não quero isso para os meus filhos”, apesar de terem ensinado o contrário na universidade. “Bem, são teorias; isso aqui é coisa séria, são meus filhos”. Já ouvi muitas histórias de pais ateus que ficam envergonhadamente felizes quando vêem que os filhos tomaram um rumo mais racional. Talvez, como quase todo ateu, sejam uns piegas sem convicção. Acho o ateísmo uma coisa piegas e de baixo nível, e por isso trato bem os ateus: no fundo, no fundo, estão procurando uma vida digna, que funciona melhor quando esquecem o credo que um dia professaram solenemente lendo &lt;i&gt;O mal-estar da civilização &lt;/i&gt;de Freud e apagando o último cigarro (do dia).&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Essas teorias levariam, na prática, ao ódio às convenções, ao bom-dia, às drogas lícitas, à prudência, aos ricos, às empresas, aos velhos, às crianças &lt;i&gt;in utero&lt;/i&gt;. Mas somos brasileiros. E toleramos um cigarrinho, ficamos felizes quando os ricos ou o governo sustentam nossos empreendimentos intelectuais, adoramos um velhinho simpático-tomista e fazemos todos os cálculos para acertar nas decisões do dia-a-dia; e quando alguém da nossa família quer abortar, ficamos chocados e não há teoria que nos faça ver com bons olhos a cena do sobrinho sendo sugado ou raspado do útero da nossa irmã “desprovida de recursos financeiros”. Amanhã, na reunião do partido ou na universidade, voltamos a cuspir no prato que, na prática, comemos. E na pesquisa de opinião votamos a favor da “interrupção voltuntária do sobrinho”, pela liberação da maconha do sobrinho e dos seus fornecedores, pela liberdade total do nosso sobrinho casar e descasar 5 vezes deixando 4 lares desfeitos (e vários psiquiatras com dinheiro no bolso; alguém tem de ganhar com essa história, não há problema com isso). &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;E ficamos putos da cara quando alguém passa reto e não diz a palavrinha mágica “e aí, beleza?” ou &lt;i&gt;pelo menos&lt;/i&gt; o tradicional, católico e reacionário “bom dia, como vai essa força?”.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;* * *&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;The Editors é uma banda &lt;i&gt;hype&lt;/i&gt;, mas muito boa. Eles se empolgam um pouco às vezes, como em &lt;i&gt;The Racing Rats &lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;– mas é o ardor juvenil. As batidas dançantes me lembram um Bauhaus menos obscuro, mais rentável. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Com a nova banda The Last Shadow Puppets, voltamos de novo aos anos 60 e aos Beatles. Estamos voltando o tempo todo. Não que as bandas independentes de 20 anos atrás fossem melhores: Can, por exemplo, dos anos 60 aos 80, apesar de interessante, sempre foi cansativa. É reciclagem geral, e tudo passa de moda muito rápido. Ninguém mais vai querer saber de The Killers e Artic Monkeys no final do ano. Talvez Death Cab for Cutie dure mais um ano, dois. O Radiohead continua bom, um raro exemplo: mas é porque surgiram nos anos 90, com aqueles showzinhos simpáticos em Oxford.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;E &lt;i&gt;todo mundo&lt;/i&gt; com aquele ar de aristocrata decadente.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Semana passada assisti a um show em DVD da Diana Krall em Paris, 2001. Recomendo. A moça consegue cantar muito bem, na linha Sarah Vaughan talvez (na linha, mas não no nível, e nem falei em Billie Holiday), e improvisar sabiamente no piano. E toca com o melhor baixista de jazz da atualidade. Faz um tipinho, até, com aquele cabelinho caindo no olho e aquela falsa, e altamente rentável, timidez.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Diana Krall: a primeira grande vocalista de jazz que jogou videogame. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ficamos a pensar o que seria de Cole Porter se tivesse zerado Mario World 3.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-8321001048198407895?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/8321001048198407895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=8321001048198407895' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/8321001048198407895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/8321001048198407895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/07/keep-that-ar.html' title='Killed for less'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-1855967678808971127</id><published>2008-07-13T14:41:00.000-07:00</published><updated>2008-07-14T04:57:44.111-07:00</updated><title type='text'>Suffer us not to mock ourselves with falsehood</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;(O texto abaixo vocês podem pular. É meio babaca).&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Estive em São Carlos, na fazenda Pinhal, fundada em 1815 pelo futuro Conde do Pinhal quando era um simples oportunista. Conservaram a Casa-Grande, mesmo depois da senzala ter sido modificada com a vinda dos imigrantes.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;A Casa-Grande é rústica, mas muito elegante. Conserva-se as coisas como eram, pois a família ainda vivia ali até o final do século passado. Há narrativas sobre a vida da casa: os jantares, as conversas de negócios &amp;amp; política, as missas, as rotinas. Tudo está “tatuado” com o brasão da família: porcelanas, cadeiras, e até o mata-borrão.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Eram seis homens e seis mulheres, os filhos. Há a sala das meninas, com piano e fotos de família, e a dos meninos, com retratos de D. Pedro II e de gente importante do tempo, inclusive Bonifácio de Andrada – as famílias eram amigas. As tutoras eram francesas e alemãs; as últimas eram mais linha dura, enquanto as primeiras eram conhecidas por serem mais liberais (as histórias de infância do Bruno Tolentino confirmam essa impressão). &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;A propriedade foi tombada, e hoje funciona como hospedaria e restaurante, tal como fazem na velha Inglaterra. É impossível sustentar uma propriedade dessas sem fazer essas coisas. As famílias são cada vez menores, o espaço é excessivo, o imposto é altíssimo.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não sou exatamente um historiador, e nem me interesso vivamente por coisas antigas. Como já disse, a história do cotidiano pode servir para virar do avesso a nossa visão do que é atual. Ela permite julgar o nosso dia-a-dia com os olhos antigos, e essa multiplicação de perspectivas é um progresso salutar (quase nenhum professor de história procede desta maneira). Antes de perguntar “como vejo as famílias do séc. XIX”, seria melhor questionar “como as famílias do séc. XIX me veriam”. Os preconceitos muitas vezes são úteis, mas não nesse caso. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Hoje temos mais conforto, mas muitas vezes nossas vidas são meio estreitas. Não é que &lt;i&gt;tenham de ser assim&lt;/i&gt;; ocorre que são, porque nosso padrão costuma ser linear e limitado. São as circunstâncias. Muitos criticam o capitalismo global, o modo de produção, etc. O problema são as pessoas. “Somos nozes”, como dizia aquele sujeito dotado de necessidades fonológicas especiais. As idéias – o igualitarismo, a liberdade como escrava dos impulsos, o controle demográfico a todo custo, o culto do feio e do espalhafatoso – têm conseqüências. Também não é que no século XIX tudo andasse às mil maravilhas. Basta pensar nos escravos. É que humanamente talvez houvesse mais condições de possibilidade – não para as massas, que não existiam – para uma certa riqueza de costumes, para uma esquecida independência pessoal, algo como a “discrição”. Se a pujança técnica em tese não atrapalha em nada, na prática ela pode servir de pretexto para não pensar, para não ver. Nesse sentido, vemos menos apesar do microscópio eletrônico (maravilha que pude conhecer mês passado).&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ninguém volta para o passado (com exceção de Biff &amp;amp; McFly). Por definição, são ações e hábitos que, embora tenham deixado marcas, só fazem sentido no seu contexto. Não há lugar para novos brasões ou para uma restauração. Os fatos passados podem servir, entretanto, de critério – como experiência acumulada. O modo de ser “livre” no Brasil dos 1800 é diferente do ser “livre” hoje. Temos de nos questionar se, dentro dos respectivos contextos, somos mais ou menos livres, o que implica uma reflexão sobre a responsabilidade. O pensamento unívoco/equívoco não tem sentido aqui. É preciso pensar com analogias.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;A tese mais verossímil para mim é a de que o homem não mudou nada. Não somos melhores nem piores que nossos avós. Minha preocupação é com um complexo de superioridade totalmente furado, que está em moda desde o Iluminismo. Esse complexo dificulta o olhar para o futuro (com os pés bem fincados no presente), que sob determinado aspecto é a única coisa que importa. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;* * *&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;(Warning. Strong evaluations. Take the children out of the room. Show no mercy).&lt;/p&gt;            &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;This is the time of tension between dying and birth&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;The place of solitude where three dreams cross&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Between blue rocks&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;But when the voices shaken from the yew-tree drift away&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Let the other yew be shaken and reply.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;                        &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Blessèd sister, holy mother, spirit of the montain, spirit of&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;        &lt;/span&gt;the garden,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Suffer us not to mock ourselves with falsehood&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Teach us to care and not to care&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Teach us to sit still&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Even among these rocks,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Our peace in His will&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;And even among these rocks&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Sister, mother&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;And spirit of the river, spirit of the sea,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Suffer me not to be separated&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;And let me cry come unto Thee.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;                   &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                               &lt;/span&gt;(T. S. Eliot, &lt;i&gt;Ash Wednesday&lt;/i&gt;, VI)&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;O que há de sagrado na morte? Talvez o fato de que um “ser” já não é mais. A pergunta inversa de Heidegger, cheia de mistério, “por que o ser e não o nada?”, talvez explique esse tom meio solene da morte.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;A morte precisa ganhar espaço. Uma mentalidade a que estamos acostumado esconde os seus mortos e, especialmente, as suas dores. Talvez seja o medo das guerras que já foram. O medo das “avaliações fortes” da vida, que colocam essas distinções duras e vitais entre o que é bom e o que é mau, mesmo que deixe largo espaço para o cinza. Elas causaram guerras, admito, embora justamente por má avaliação. Mas o mal físíco que as guerras trazem certamente é menor do que o causado pelo “pensamento débil”, morno, raiz de uma ditadura muito pior que a dos generais.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;A dor, que é como um princípio da realidade – captamos tudo pelos sentidos –, é por isso mesmo elemento necessário para nossas avaliações. Só encontramos um sentido porque há dor: dor a ser enfrentada, dor a ser evitada. Há uma meta específica (Romano Guardini fala numa “palavra” secreta, inexplicável em termos biológicos, mas que está lá como uma idéia numa cabeça) para cada um de nós, e ela sempre envolve enfrentar a dor e sofrer. Se por princípio excluímos a dor, cortamos essa meta, e depois sofremos mais ainda. E é natural que sejamos infelizes, mesmo com esse sorriso no rosto e esses gritos cheios de vitalidade que damos em dias de festa.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Diante de um concurso público, enxergamos duas coisas: um possível sucesso e o esforço envolvido. Sem enfrentar o segundo, não podemos ter nem a possibilidade de obter o primeiro. Isso se repete em todas as situações que envolvem alguma coisa de valor.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Até mesmo as utopias, as ideologias envolvem dor. Já descartamos tudo isso. Nossa meta é o final de semana, e olhe lá. Uma banda que vai se apresentar, uma peça de teatro, um filme. Todos eles nos dizem a mesma coisa: isso é bom, minha vida é isso. Mas a banda já tocou, a peça foi encenada, o filme chegou ao fim. Só resta aguardar o próximo final de semana. Entre ele e eu, há muito trabalho chato. Por isso o carpe diem, o agnosticismo prático, leva ao mais boçal, ao mais sacal, ao mais profundo tédio. Se nós nascemos para experimentar o tédio, ah, vá pentear macacos. Nós quem, cara pálida?&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Essa filosofia que se faz com palavras, de forma discursiva, pode ser apreendida com um olhar. Ou com a experiência. Não é preciso citar Heidegger. Não há vocabulário técnico que substitua a constatação do tédio. Há alguma coisa errada. O fantasma do egoísmo lhe dirá – talvez seja o mesmo de Hamlet – que o melhor é não pensar e inventar um novo divertimento. Pois bem. Alguns gostam do eterno retorno do prazer-tédio. Mas tê-lo como pano de fundo para tudo é simples burrice.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Enfrentar a dor implica buscar uma finalidade que transcende a arte, o banal, o cotidiano, sem descartá-los. Poderei então ver as mesmas peças, os mesmos filmes, as mesmas bandas. Elas já não me causarão tédio. O próprio tédio, quando vir, será apenas um sintoma da minha imaturidade, de que a meta foi perdida de vista e precisa ser recapturada. Está no pacote uma compreensão de que eu me esqueço do que é importante, e que precisam me lembrar disso o tempo todo.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Só então a morte entra na vida como um coroamento. Fúnebre reflexão? Ao contrário: isso é vitalismo de dar inveja a Nietzsche e Bergson. Se tirarmos a foto no momento certo, veremos a mais potente felicidade.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Os mortos aparecem para nos lembrar da dor e da finitude. Tenho em mente uma pessoa: um dia ela morrerá. Talvez eu esteja por perto, talvez não. É bem provável que não. Num quarto hipotético de hospital, entrevejo duas cenas contraditórias: numa, alguém que sabe que não está ali por acidente, quase sorrindo e com o coração nos que estão à sua volta; em outra, alguém revoltado, sem norte, um reflexo desfigurado do que fora em vários momentos da sua vida. O que essa pessoa faz agora, hoje, determina, de certo modo, a cena de que será protagonista naquele hospital hipotético. Mas nunca se sabe. &lt;i&gt;Nunc et in ora mortis nostrae&lt;/i&gt;, aquela coisa toda&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-1855967678808971127?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/1855967678808971127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=1855967678808971127' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/1855967678808971127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/1855967678808971127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/07/suffer-us-not-to-mock-ourselves-with.html' title='Suffer us not to mock ourselves with falsehood'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-5224350897446930947</id><published>2008-07-10T10:27:00.000-07:00</published><updated>2008-07-10T12:23:26.381-07:00</updated><title type='text'>Zur Genealogie der Genealogie</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;«Corruptio optimi pessima». A corrupção dos excelentes é a pior. Esse dito dos antigos é uma suma de experiências no campo da ética. (Sem pretender aqui “engajar” – para brincar com os que acham que minha prosa é tradução do inglês – em um romantismo diante das coisas que são antigas. Se tenho horror à rejeição pura e simples da experiência passada, “mais horror ainda devoto” à nostalgia dos velhos eruditos, que pensam que essa gente jovem só tem merda na cabeça. O grande risco de quem estuda direito romano é cair no estereótipo do “jovem velho”. Na boa, prefiro tocar berimbau.)&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Já temos visto os frutos que dão muitos homens educados: de Calígula a Obama Hussein. Basta lembrar-se daquela cena de um dos episódios do Star Wars (nunca fui um colecionador de darth vaders de fibra de carbono) – Darth Sidious tentando convencer Anakin Skywalker, com uma lavagem cerebral das boas, a juntar-se ao Lado Negro. Ele diz algo como, “Veja, essa elite de Jedis é um bando de certinhos, de mente estreita. Há uma realidade que eles, fanáticos, não conhecem ou – no caso dos mais antigos – ocultam de você. Basta desligar-se deles e eu te contarei tudo, desde o começo”. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;E lá vem fofoca das boas.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quantas vezes não ouvimos essa história? São análogas ao “há coisas sobre sua mãe que te dariam calafrios”. E vem a curiosidade; e se cedemos, recebemos uma avalanche de informações “ocultas e terríveis” sobre a genitora. Pronto, a confiança terminou. Já não somos os mesmos. A atitude de um homem seria dar um soco no nariz do caluniador antes que qualquer palavra lhe escapasse dos lábios. Mas somos tão... humanos. Já passamos para o outro lado.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A reputação de nossas mães é análoga à reputação da virtude. Esse é o método genealógico de Nietzsche e Foucault, seu fiel servidor. &lt;i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Zur &lt;/span&gt;Genealogie der Moral&lt;/i&gt; é uma grande fofoca sobre tudo o que “está por trás” do bem, da beleza e da verdade. São coisas terríveis sobre os homens de bem, que ocultam, sob as suas aparentes boas intenções, a vontade de poder; lá são postas a limpo as estratégias dos fracos para escapar à natural soberania dos fortes.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Muito antes de Nietzsche, Cálicles já usava esse método; e, tão esperto como a sua ovelhinha alemã, acusava Sócrates de ser o que ele próprio era: &lt;i&gt;Sycophantes Sokrates en tois logois&lt;/i&gt; – Sócrates é enganador com as suas conversinhas. E fica o velho problema da contradição: todo um discurso revelador da vontade de poder só pode ser, ele mesmo, vontade de poder. (Podemos vê-lo no movimento feminista radical, que em um livro menos divulgado de Shulamith Firestone, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Dialetic of Sex&lt;/span&gt;,&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;estimula o incesto como forma de “destruir a base da família” e instituir um novo reinado; em suas palavras, "the incest taboo can be destroyed only by destroying the nuclear family as the primary institution of the culture". Yeah, right). Por isso a ética nietzscheana se desmascara a si mesma e não tem nada a dizer sobre a ética socrática. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Sócrates diria que Nietzsche é um mentiroso e que ele, Sócrates – porque acredita que o discurso humano pode ser verdadeiro –, ao menos procura contar histórias verdadeiras. Nietzsche diz que todas as histórias – Foucault vai aprofundar esse método em &lt;i&gt;Les mots et les choses&lt;/i&gt; e na sua história reprimida da sexualidade – são falsas. Qualquer interessado em filosofia seria obrigado a rejeitar Nietzsche, que tem consciência da sua mentira, e pelo menos dar ouvidos a Sócrates. Antes de ler Hegel, ô espertinho, faça a sua lição de casa, dirá um professor.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Ir contra a corrente é rejeitar toda a forma de fofoca, cortando-a pela raiz. Um filósofo político belga diz que a confiança – não do tipo tolo, mas uma confiança inteligente e desperta – é um dos pilares da sociedade. Confiança na possibilidade de investigação serena sobre a verdade, sem medo da acusação de dogmatismo; confiança em que deve haver um fim para a ação humana; confiança na experiência do passado, como na advertência de Burke; confiança nos laços familiares e nas instituições sérias. E, por outro lado, um horror, também desperto e muito esperto, à mentira e à calúnia. Desconfiar dos ataques raivosos – especialmente daqueles que, como disse Chesterton, constituem críticas contraditórias, como aquelas célebres acusações à Igreja (“são fracos, humildezinhos”; “são velhacos orgulhosos, loucos por poder”) – e das conversas à meia luz, cheias de segredinhos sobre os “hipócritas”.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Temos de ser mais velhacos do que Nietzsche, que disse que "a rebelião escrava começou com os Judeus" (parágrafo 7 do livro citado). Oh sim, se isso não é anti-semitismo, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;my name is Lou Andreas-Salomé.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Temos que saber ver, nos seus próprios textos, uma condenação furiosa de si mesmo, desse seu ressentimento tipicamente... nietzscheano.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-5224350897446930947?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/5224350897446930947/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=5224350897446930947' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/5224350897446930947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/5224350897446930947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/07/zur-genealogie-der-genealogie.html' title='Zur Genealogie der Genealogie'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-4782487197571966663</id><published>2008-07-03T07:33:00.001-07:00</published><updated>2008-07-06T10:41:52.582-07:00</updated><title type='text'>Just like heaven</title><content type='html'>&lt;blockquote style="font-style: italic;"&gt;So you go and stand on your own&lt;br /&gt;and you live on your own&lt;br /&gt;and you go home, and you cry, and you want to die.&lt;/blockquote&gt;São palavras melancólicas de Morissey no The Smiths. Não falam apenas de suicídio, mas de solidão, uma das causas dele: um problema da época de Sêneca tanto quanto dos anos 80, e um problema do Japão, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava discutindo a morte de Sêneca ontem, no almoço, e estive pensando em uma passagem de McIntyre - não sou exatamente fã dele, mas o velhinho manja do assunto - sobre a concepção da vida como uma narrativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é "perder o sentido da vida"? Podemos conceber a vida de um indivíduo concreto como uma narrativa que se estende do nascimento à morte. Não uma narrativa literária, embora possa ser transformada numa biografia, num best-seller inclusive. Mas uma história, em oposição aos atos isolados e sem contexto. Só assim se pode explicar o porquê de cada decisão, e porque muitas vezes uma decisão leva ao fracasso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa narrativa aparece facilmente: basta confrontar "the subject's own account of it" com a versão dos seus familiares, amigos e desconhecidos. Teremos uma sucessão de ações em que nada faz sentido a não ser que seja compreendido dentro de um pano de fundo, que é formado por elementos de fora e de dentro do indivíduo. Não se pode decidir, simplesmente, ser outra pessoa: uma pessoa é aquilo o que ela tem sido até agora. Isso limita, mas ao mesmo tempo constitui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perder o sentido da vida seria, aí, não encontrar bases coerentes para as próximas decisões. O sujeito pensa: "só tenho fracassado; nada deu certo; meu futuro é incerto e tenebroso". Como se pode fazer alguma coisa quando não construí nada? Quando a minha narrativa é fragmentária, incoerente e sem uma busca por uma finalidade que seja, não terei parâmetros para decidir. Meu passado me esmagará com a sua incoerência; incoerência cujo maior responsável sou eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O suicida - excluídos os fatores endógenos que um psiquiatra poderia julgar doentios - encontra-se diante de um grande vazio. Suas escolhas nunca tiveram uma finalidade que lhes pudesse conferir um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sentido&lt;/span&gt;. A sua vida é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pointless&lt;/span&gt;. Não estranha que não queira seguir adiante; isso exigiria muita coragem. Mas a decisão pelo suicídio é sempre responsável e, por isso, sempre contornável. Talvez seja melhor mudar de cidade, pedir conselho - talvez fugindo dos psiquiatras que implicitamente só fazem reforçar aquela escolha -, encontrar uma ocupação. Um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;horário&lt;/span&gt;, por convidar a uma seqüência de ações previamente determinadas, pode ajudar, com o tempo, a fazer com que a narrativa vá fazendo sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A perda de sentido contemporânea é um fato conhecido e proclamado aos quatro ventos. Weber já o percebeu quando falou em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;desencantamento&lt;/span&gt; (Entzauberung). Mas pouco tem sido feito, nos grandes debates, para enfrentar esse tema. Há inclusive os que se encantam com esse desencantamento; e constróem uma vida de fruição estética pautada nele. A falta de sentido passa a ser o sentido da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o mais interessante, como eu já falei: vários filmes e livros são feitos com base nessa visão de mundo, e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nos filmes e nos livros&lt;/span&gt; as coisas dão certo, ou ao menos são moderninhas e bonitinhas. Mas vá conversar com um deprimido pra ver como é dura uma vida sem sentido. E como esse encanto do desencantamento dura pouco, ou só é proclamado diante de terceiros, enquanto é amaldiçoado antes do cara ir dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um sentido nos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bens&lt;/span&gt;, que são desejos dotados de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;qualified evaluations&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;na teoria de Taylor (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;What is Human Agency? &lt;/span&gt;in &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Philosophical Papers,&lt;/span&gt; Cambridge, 1985, p. 15 e ss). Os bens só existem na vida prática. Posso falar dos meus bens, mas é difícil torná-los palpáveis em teoria. Por isso não é possível - como queriam os utilitaristas - calcular os bens em termos de prazer e dor. Os bens são qualitativos; e minhas reações a eles são reações racionais, e não de náusea ou profunda emoção, como diante de um morango mofado ou de um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;risotto a base di foie gras&lt;/span&gt;. São reações de sentido diante de uma tese de doutorado bem feita ou da descoberta de um novo composto químico (como o que um amigo meu acabou de sintetizar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses bens, agora fazendo uma conexão, só existem numa narrativa. Se alguém te conta uma novidade, e você não sabe a história, provavelmente vai achar que se trata de uma piada &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nonsense&lt;/span&gt;. Por exemplo, diante da notícia: "Ingrid Betancourt foi libertada!" Se eu não conheço a história, vou perguntar: "Ingrid &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o quê&lt;/span&gt;?" ou, imitando um inglês afetado, "Come again?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O suicídio pode ser visto como uma incapacidade de enxergar bens na minha própria vida, ou de obtê-los. E normalmente não posso conversar sobre isso com ninguém, pois as pessoas fogem de mim. Daí que não possa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;desejar nada&lt;/span&gt; (a negação dupla aí, como no francês &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;non, &lt;/span&gt;je ne regrette rien&lt;/span&gt;, é um paradoxo interessante). Ou glorificar o nada, jogar confetes no nada, e depois ir dormir em busca de paz, pelo menos até a hora de levantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso se diz que o amor salva tudo. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;And if a double-decker bus / crashes into us / to die by your side / is such a heavenly way to die&lt;/span&gt;, diziam os Smiths. Um sujeito apaixonado tem muito o que dizer sobre a sua narrativa. Agora ele tem uma razão para viver. É uma pena que, do jeito que estão as coisas, ele se vai fixar nesse amor de forma egoísta e logo logo vai perder essa razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ter amor é ir em busca de um bem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;com combustível&lt;/span&gt;. E esse combustível pode ser infinito, se o cara aprendeu a dar a vida por esse bem. E mesmo se esse objeto amado já bateu as botas, ou fugiu de você. No caso do amor espiritual, esse problema não existe. O seu objeto amado sempre estará lá - ele é a própria permanência. Até você, com esse seu corpinho, vai embarcar dessa para uma melhor (ou pior). Mas ele permanece, porque está fora do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode um ser humano se converter em objeto de amor eterno? É lógico que pode. O amor sempre aponta para o eterno; e isso não é coisa de românticos, porque os românticos erraram o alvo. Os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fideli d'Amore&lt;/span&gt; do tempo de Dante, exceptuando-se as heresias em anexo, parece-me, sabiam que uma mulher poderia ser amada porque ela apontava para algo mais alto. Beatriz? Ela é e não é uma mulher de carne e osso. Por isso a tragédia é sempre um desfecho adequado. Divago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que li &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Werther&lt;/span&gt;, em 1996, fiquei com essa idéia na cabeça. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;And this is not one of those posts about Love and Death&lt;/span&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-4782487197571966663?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/4782487197571966663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=4782487197571966663' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/4782487197571966663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/4782487197571966663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/07/just-like-heaven.html' title='Just like heaven'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-7821470822496031861</id><published>2008-06-27T08:31:00.000-07:00</published><updated>2008-06-27T12:21:54.611-07:00</updated><title type='text'>Redrum!</title><content type='html'>O grande problema com a ética da vida real é que ela se recusa a ser compreendida pela ética moderna, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;say&lt;/span&gt;, pós-kantiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou dar um exemplo. O grande ponto da ética real é a integridade. O homem se recusa a dar atenção a pessoas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;voluntariamente&lt;/span&gt; incoerentes. Veja Zelig, aquele velho filme do Woody Allen que retrata um camaleão humano. Leonard Zelig - esse é o nome do personagem - tem problemas sérios: em cada ambiente se torna a pessoa que se espera dele. Entre os japoneses, um japonês, entre bêbados, um bêbado, etc. A sua psicanalista é obrigada a lidar com um homem que pensa que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ele&lt;/span&gt; é o psicanalista dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como ser coerente dentro da ética kantiana? Na prática, basta... &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não errar&lt;/span&gt;. Para ser kantianamente coerente, não se pode ser incoerente... nunca! Mas oras, nós somos incoerentes o tempo todo; o ponto é que lutamos para ir, aos poucos, eliminando essa falta de integridade, sabendo que a qualquer momento podemos trair a nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sistema kantiano, um homem é um ser universal que segue princípios universais. Há uma navalha de Ockham na sua cabeça; ele é infalível. Se ele, por infelicidade, deixa de seguir um princípio universal, é preciso procurar uma desculpa; "é que não fui kantiano o suficiente; se tivesse sido, isso não teria acontecido". O sistema ignora o erro e só atribui ao sujeito as opções válidas. A realidade que se vire.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela costuma sofrer ainda mais quando a pessoa se sente a encarnação desses princípios. Como lembrou McIntyre, pessoas assim agem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pior&lt;/span&gt; do que aquelas que nunca estudaram Kant. E nunca sabem dizer "minha culpa". Todos os erros são atribuídos, na sua versão pós-hegeliana, à perseguição anti-progressista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a ética kantiana, esmagar um mosquito sem nenhuma razão ou jogar um cigarro no chão é equivalente a esganar uma criança: uma falta moral inadmissível para o sistema, embora na prática todo mundo saiba que a gravidade dos atos varia infinitamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por isso não é comum que, oprimido pelos erros pessoais o sujeito desista de tudo e queira se tornar um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hashishin&lt;/span&gt;, da seita dos assassinos. Só vai faltar a coragem. Aí é que eu quero ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O puritano e o safado são gêmeos siameses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ética ideológica admite e estimula a coerência dentro da mesma linha de pensamento. Assim um esquerdista respeita sinceramente os 'homens íntegros de esquerda'. Mas arma um escândalo, uma caça às bruxas quando se trata do que considera uma 'coerência de direitista', por exemplo do homem que é contra o aborto e não cede em questões anexas. E muito menos uma 'coerência fascista'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso demonstra que o esquema conceitual da ética ideológica é pobre e não dá conta das suas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;versões rivais de ética&lt;/span&gt;. Enquanto a ética tradicional entende perfeitamente porque um legalista age como age e não apóia, de modo algum, uma 'coerência legalista'. E por que não apóia? Porque o legalismo, mesmo coerente, é um fruto envenenado de uma árvore-de-veneno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ética tradicional - e não a tradicionalista, porque nela se cai no erro de admitir um critério como verdadeiro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porque tradicional&lt;/span&gt; - não apóia a coerência dos loucos. Já viu um louco incoerente? Não há, com exceção dos esquizóides - que são uma versão daquilo que alguém  chamou de gente "íntegra na sua incoerência". São como kantianos insensíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Nota de rodapé. Niklas Luhmann, sociólogo alemão morto há poucos anos, elaborou toda uma teoria dos sistemas hiper-hegeliana. Tendo sido luhmanniano por um tempo, e tendo convivido com gente que almoçava Luhmann, percebi o seguinte: eles sustentam que o homem é uma construção de expectativas e expectativas de expectativas, e que por isso não há justificativa real para o seu comportamento; assim, ao perceber isso, "passam para o sistema" a sua crença nessa ausência de fundamento e vivem nessa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hiper-realidade &lt;/span&gt;do nada-é-verdadeiro. "E se estivermos errados?" "Kein Problem, diz Luhmann, se estivermos errados eles, os nossos rivais, também estão". Por isso o orelhudo do Habermas certa feita exclamou: "Luhmann é um homem genial. Mas está errado". E não é que o Habermas também almoça Luhmann? Ai que tristeza).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ando preocupado com a minha prolixidade. Gostaria de escrever limpidamente, como as pessoas inteligentes. I'm doing my best, man. Please hold the line.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Uma canja de Wodehouse. Reparem na maestria. A conversa entre dois noivos, o narrador e Bertie:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Yes. You have a splendid, chivalrous soul&lt;/span&gt;." (diz a noiva)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Not a bit."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Yes, you have. You remind me of Cyrano."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Who?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Cyrano de Bergerac."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"The chap with the nose?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Yes."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I can't say I was any too pleased. I felt the old beak furtively.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;"Dei uma apalpada discreta na velha napa". Genial.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-7821470822496031861?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/7821470822496031861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=7821470822496031861' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/7821470822496031861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/7821470822496031861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/06/redrum.html' title='Redrum!'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-7067111083872334144</id><published>2008-06-24T08:38:00.001-07:00</published><updated>2008-07-13T17:34:15.085-07:00</updated><title type='text'>I'm getting sentimental over you</title><content type='html'>A razão do 'gap' de alguns dias é que estive fora no final de semana. Campo Grande. Basta morar lá por um tempo - não, não há jacarés, só capivaras, como em São Paulo - para ganhar simpatia pela cidade. Não sou do tipo caipira paulistano que, quando vai ao interior, fica entediado. Oká, um pouquinho; mas é só ir à feira municipal e comer um sobá com meus irmãos de 4 e 6 anos, que são duas figuras de colecionador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente tomei um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;vin de Borgogne&lt;/span&gt;, via bolso alheio (e amigo). Talvez não estivesse tão bom em razão da variação de temperatura; a rolha estava levemente molhada, um mau sinal. Se fosse num restaurante, a etiqueta mandaria pedir uma troca imediata. Mas como dizem na nossa terra, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a cheval donné, on ne regarde pas les dents.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa &lt;a href="http://www.dicta.com.br/"&gt;Dicta&amp;amp;Contradicta&lt;/a&gt; está em segundo lugar em vendas na categoria não-ficção da &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/maisv/maisv.asp?nassunto=2&amp;amp;nveiculomv=1&amp;amp;cidioma=por&amp;amp;sid=0171111281057546412559739&amp;amp;k5=12801629&amp;amp;uid="&gt;Livraria Cultura&lt;/a&gt;, na frente da biografia do Paulo Coelho. Pfui. Eu não digo que seja um grande sucesso para nós; na verdade é um grande fracasso para o Fernando Morais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meta seria ficar em primeiro lugar no ranking da Veja, como disse alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitem e dêem uma olhada no &lt;a href="http://www.dicta.com.br/a-genese-de-%e2%80%98do-enigma-ao-misterio%e2%80%99-iii/"&gt;post número três&lt;/a&gt; sobre a aula do Bruno Tolentino. E tentem não ficar muito sentimentais (eu fiquei).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-7067111083872334144?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/7067111083872334144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=7067111083872334144' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/7067111083872334144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/7067111083872334144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/06/im-getting-sentimental-over-you.html' title='I&apos;m getting sentimental over you'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-7389294902719606203</id><published>2008-06-15T05:31:00.000-07:00</published><updated>2008-06-15T05:42:18.476-07:00</updated><title type='text'>Estado de São Paulo, 15-VI-08</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Um convite ao pensamento, apesar da pressa do mundo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A estreante Dicta&amp;amp;Contradicta propõe estimular a reflexão na época em que o ato de ler é considerado uma renúncia ao viver.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Francisco Quinteiro Pires&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ganhador do Prêmio Nobel de Medicina em 1973, o austríaco Konrad Lorenz dizia que a mente, para estar em forma, precisa testar e rejeitar cinco hipóteses antes do café da manhã. Antes de ter uma opinião, é preciso estudar seriamente, ler bastante e refletir ainda mais. Nos dias atuais, essa parece uma convicção na contracorrente, quando fluxos de informação e produção se aceleraram de modo inédito. E, quando consumir na hora em que se deseja é obrigação, fica no ar a pergunta que o aceleramento da história suscita: ler ou refletir é renunciar a viver?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A proposta da revista Dicta&amp;amp;Contradicta, que lança neste mês o seu primeiro número, apóia-se na necessidade de refletir para melhor viver. A publicação aposta em ensaios longos sobre filosofia, poesia, literatura, cinema, música, artes plásticas, sem se submeter à ditadura da novidade pela novidade. A Dicta&amp;amp;Contradicta (210 págs., R$ 22,50) não ''pretende ensinar ao leitor o que deve pensar, mas oferecer-lhe estímulo para pensar''. Os textos não podem ser barateados, segundo os editores. A exigência que há no ato de reflexão, no entanto, não pode ser confundida com hermetismo ou academicismo, eles alertam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patrocinada pelo Banco Fator e Instituto Bovespa e feita pelo Instituto de Formação e Educação, a Dicta&amp;amp;Contradicta traz, na seção Do Lado de Lá, dois artigos traduzidos das revistas The New Criterion e First Things. (Os editores dizem que The New Criterion é uma das inspirações de Dicta&amp;amp;Contradicta). No primeiro ensaio, o editor da The New Criterion Roger Kimball fala das relações entre Friedrich Hayek e os intelectuais, a partir das quais se discutem idéias sobre governo, liberdade individual e civilização. No segundo, o editor da First Things Joseph Bottum fala de política e morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revista começa semestral, mas pretende tornar-se trimestral. Vem com uma seção dedicada a contos e poesias inéditos, tanto nacionais quanto internacionais. Nesta edição, Antonio Fernando Borges, autor de Memorial de Buenos Aires, escreve o conto Agostinho e o ensaísta Rodrigo Duarte Garcia publica o poema Torres da Memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ponto alto da estréia é um artigo - Do Enigma ao Mistério - com a edição das últimas três aulas dadas pelo poeta Bruno Tolentino, morto em junho do ano passado. As aulas foram gravadas por Guilherme Malzoni Rabello em maio do ano passado. Elas tratam do mistério da vida - e da morte -, Bruno Tolentino parecia sentir o fim próximo, e da necessidade de o homem ter epifanias para responder à espessura impenetrável dos enigmas que parecem compor a travessia da existência. Tolentino dá transcendência à vida. O poeta, preocupado com o esvaziamento cultural do País, empenhava-se por meio da poesia a despertar as pessoas para a realidade, sem excluir o que há de grotesco e sublime no ser humano, e de certa maneira ensinava que viver é aprender a morrer. ''Se a festa está acabando, muito bem, vamos acabá-la da melhor maneira possível.''&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua reflexão parte da visita do papa Bento XVI ao Brasil no ano passado, a qual foi um chamado ao silêncio do pensamento. Autor de O Mundo Como Idéia e A Imitação do Amanhecer, Tolentino diz que, num mundo conturbado, ''temos todas as razões para buscar um cantinho, um momento de calma, mas praticamente não o fazemos nunca. Estamos sempre ocupados em ter idéias, respostas e tudo o mais''. Tolentino afirma que a vida dá lá as suas voltas, por vezes assustadoras, por vezes maravilhosas, o que não impede ninguém de levá-la a sério. Ler, pensar, sentir, tudo isso leva o homem a viver - e a morrer - melhor, não sem antes aprender a amar mais a si mesmo e ao semelhante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-7389294902719606203?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/7389294902719606203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=7389294902719606203' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/7389294902719606203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/7389294902719606203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/06/estado-de-so-paulo-15-vi-08.html' title='Estado de São Paulo, 15-VI-08'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-5585988920989468965</id><published>2008-06-13T08:25:00.000-07:00</published><updated>2008-06-13T08:44:53.274-07:00</updated><title type='text'>Oxford Comma</title><content type='html'>Agradeço a presença de todos no surpreendente lançamento da Dicta, cujo link para o site (ativamente atualizado) vai aí ao lado. "Estarei postando" no site periodicamente. Amanhã sai uma nota sobre a magnanimidade num artigo de J. Howland.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ops, a revista vendeu mais no lançamento do que o Fernando Morais vendeu o seu livro sobre o Paulo Coelho, como alguém comentou. De qualquer forma, o trabalho apenas começou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contente com a presença do pessoal do &lt;a href="http://www.apostos.com/"&gt;A Postos&lt;/a&gt;, contando ex-wunderbloggers, especialmente o Dante e o FDR. Eu também sou um ex-wunder e tenho orgulho disso (com certa modéstia). E conheci pessoalmente algumas lendas, como o Nivaldo Cordeiro. Faltou o João Pereira que, coitado, estava em Paris ou em Lisboa, nunca se sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ambiente cultural começou há muito tempo a ser agitado. Em velhos posts, comentei sobre esse &lt;em&gt;acontecimento necessário&lt;/em&gt;, mas talvez não seja novidade. E não acredito no determinismo histórico, &lt;em&gt;ça va sans dire&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este blog não se tornou, é bom lembrar, um apêndice. Pelo contrário. Pretendo mantê-lo mais vivo do que nunca, especialmente tendo em vista as férias de julho, que passarei escrevendo minha tese e... &lt;em&gt;vai saber o que vai acontecer&lt;/em&gt;. Essa vida já virou uma espécie de realismo mágico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notas de leitura. Estou lendo &lt;em&gt;The Human Comedy&lt;/em&gt; de W. Saroyan, e há poucos livros mais comoventes e divertidos. Comecei também &lt;em&gt;Nostromo&lt;/em&gt;, do Conrad. Por fim, revisito &lt;em&gt;After Virtue&lt;/em&gt; para preparar minha aula sobre McIntyre no &lt;a href="http://www.ife.org.br/"&gt;IFE&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouçam Metric e Vampire Weekend, que são minhas bandas do mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh, nenhuma nota de leitura. Eu vou é almoçar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-5585988920989468965?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/5585988920989468965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=5585988920989468965' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/5585988920989468965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/5585988920989468965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/06/oxford-comma.html' title='Oxford Comma'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-6348597602862241484</id><published>2008-06-06T05:58:00.000-07:00</published><updated>2008-06-06T06:33:52.248-07:00</updated><title type='text'>Parece que o bebé tomou corpo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SEk7XO3xWLI/AAAAAAAAADE/kghBTVZRGcs/s1600-h/convite_frente.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5208759714345736370" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SEk7XO3xWLI/AAAAAAAAADE/kghBTVZRGcs/s400/convite_frente.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SEk7dP9nxPI/AAAAAAAAADM/4rKfRMfGQr4/s1600-h/convite_verso.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5208759817717925106" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SEk7dP9nxPI/AAAAAAAAADM/4rKfRMfGQr4/s400/convite_verso.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Amici, a coisa saiu. Na próxima terça-feira (10-VI), como se pode ver no convite acima - dirigido aos leitores - teremos o lançamento da revista Dicta &amp;amp; Contradicta, na boa e velha Livraria Cultura.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não há a pretensão de fazer algo &lt;em&gt;ousado e inédito&lt;/em&gt;. Tampouco de estar &lt;em&gt;kicking a dead pig. &lt;/em&gt;O fato é que não há uma revista de cultura com esse viés, vamos dizer assim, &lt;em&gt;high brow&lt;/em&gt;, no Brasil. A inspiração (e não o &lt;em&gt;modelo&lt;/em&gt;) é a &lt;em&gt;New Criterion&lt;/em&gt;, cujo editor, Roger Kimball, tem um artigo traduzido na Dicta. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A iniciativa é do IFE, cujo site oficial foi lançado ontem (está no mesmo endereço do link ao lado). A revista já pode ser adquirida online &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=11019830&amp;amp;sid=1002252551066367385312639&amp;amp;k5=25C66D98&amp;amp;uid="&gt;aqui&lt;/a&gt;, na própria Livraria Cultura, que disponibiliza uma imagem da capa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Logo depois do lançamento o site &lt;a href="http://www.dicta.com.br/"&gt;http://www.dicta.com.br/&lt;/a&gt; será ativado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É isso, meus caros. Vejo muitos de vocês lá. Podem divulgar o lançamento e a revista; ao que parece, algum barulho vai fazer.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-6348597602862241484?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/6348597602862241484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=6348597602862241484' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/6348597602862241484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/6348597602862241484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/06/parece-que-o-beb-tomou-corpo.html' title='Parece que o bebé tomou corpo'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SEk7XO3xWLI/AAAAAAAAADE/kghBTVZRGcs/s72-c/convite_frente.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-2745320959273842547</id><published>2008-05-25T14:46:00.002-07:00</published><updated>2008-05-26T06:19:19.864-07:00</updated><title type='text'>What would you do if you saw spaceships over Glasgow?</title><content type='html'>Alguma coisa, não sei o que seja, me diz que, se &lt;em&gt;operare sequitur esse&lt;/em&gt; – o agir é resultado do ser –, e se o tempo é um acidente, pouco importa quanto tempo passou desde a operação saída de um ser; mais concretamente, as ações de uma pessoa que repercutiram em você deixam uma marca eterna. «Falou, ô Vinícius de Moraes», mas é sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você esteve com alguém – vamos dizer, o falecido avô ou a sua tia que era gente finíssima – há 10 anos, e ainda pode recompor os fatos, esse encontro ainda está reverberando. Que diferença faz ele ocorreu há 10 anos ou há 10 segundos? Oká, há a diferença psicológica; as impressões foram apagadas, etc. Mas essencialmente não há mudança. Só a mudança acidental – 10 anos ou 10 segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém já deve ser dito isso; não é nada genial. Essa apreensão das coisas deixou uma marca na cultura, e até na cultura popular. Não sei porque, mas os anos 90, já que estiveram lá, ainda estão lá, embora de maneira diversa. O finito somado ao finito dá um número, um «algo», finito. Mas o que há de infinito na coisa não passa, por definição. Assim os eventos históricos importantes: o ano zero, Atenas no séc. V a. C. ou o que for. Estou lado-a-lado com Sócrates; alguns segundos, na prática, me separam dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se reclamamos da passagem do tempo com nostalgia – aliás, algo muito natural, muito humano – é porque não percebemos isso. Temos uma visão pouco realista das coisas, com o perdão da frase feita (aliás de novo, o medo às frases feitas que dizem algo importante é sinal de imaturidade afetiva. «Bem vindo ao mundo de Mickey», dizia uma colega de classe chamada Vaneska).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma cultura, um ambiente intelectual ou afetivo que se preze deve conservar e festejar essa memória do ser com toda a firmeza de que seja capaz. Todas as forças atávicas devem ser mobilizadas para que não nos esqueçamos disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa funda-se justamente na «accidentalidade» do tempo. Um acontecimento pretérito é trazido novamente, em gestos e discursos, para o presente, naquilo que tem de essencial. Uma boa festa é aquela que se pauta num acontecimento de repercussões metafísicas, na memória de um povo ou de um indivíduo – sim, podemos ter festas individuais. Esse blog é uma festa de um convidado só, embora só se complete com as experiências dos leitores, blah blah.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa sumiu, e ficou o final-de-semana, que comemora apenas o esquecimento do trabalho, e nada mais. Não há ócio. Ócio é uma espécie de di-versão que não di-verge de nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E viva o ócio, que não é produtivo merda nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ia ficar sentimental, até que lembrei de um centro cultural em Londrina no qual entrei pela primeira vez em 2003 ou 2002. Saiu até uma nota no blog que eu tinha chamado «Capitalismo» (eu ainda sou &lt;em&gt;very libertarian&lt;/em&gt;, mas no modo inominado). Eu me sinto entrando pela primeira vez naquela casa cheia de bom gosto, encontrando ali um e outro amigo, e tomando vinho do porto D. José na praça ali em frente. Repercussões eternas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como que flutuava de felicidade naqueles dias – e ainda flutuo com eles. A casa será vendida em breve. E acham que estou reclamando? &lt;em&gt;Like, Jesus, no harsh words&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que é flutuar de felicidade? É ter visto, pela primeira vez, que nos tornamos revolucionários até a morte; que não vamos mudar de idéia a não ser que resolvamos perder a razão, perder o campeonato por W. O. Que, se mudamos de idéia, é porque falhamos. E não se pode falhar, nesse campo, a não ser deliberadamente. E eu falava naquela época justamente de livre-arbítrio, porque pela primeira vez cogitava ser minimamente responsável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso são influências do Memorial de Aires, que li aos 17, aos 22, aos 25 e agora aos 29. E vou continuar relendo. Daria um soco no velho que dizia hoje ao Estadão que o grande livro de Machado é Dom Casmurro, porque é mais «sensual». Breguice tem limite. Eu não sou de bater em velhinhos, mas ao ouvir os insultos desse cara imaginei-me a mim, com toda pompa e circunstância, descendo o porrete no vetusto canalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha primeira atitude foi fechar o jornal e ir gastar o meu tempo com coisas mais importantes – beber água. Não se vive sem água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E fico contente com o fato de os artistas desconhecidos começarem a se lançar no My Space. Já fiquei contente com a Mallu Magalhães, que não sabe escrever em prosa inglesa mas tem uma bela voz e um ar de auto-expressão realmente comovente. E depois o Vanguart, o Dimitri Pellz, e outros bandidos que só passaram a ser conhecidos porque, paradoxalmente, não tinham esse projeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo-os ao lado do Fugazi – talvez o conjunto de pessoas da cena punk mais inteligentes do planeta –, vendendo álbuns a 9 dólares com preço estampado na capa. E não precisa ser de esquerda para admirar essas coisas. Ao contrário; penso que os adeptos da &lt;em&gt;philosophia perennis&lt;/em&gt; - ô nominho terrível - têm mais facilidade para reconhecer o valor dessas coisas do que os anarco-punk-sindicalistas com quem me relacionei em pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo Tomás de Aquino escutando Fugazi numa boa, batucando por cima dos códices, para horror dos conservadores e tradicionalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda posso ver o Cão, fundador do HIV, com todo aquele conservadorismo, aquele ranço reacionário saindo pelos poros, a me cumprimentar novamente, E aí, straight-edge?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E  o Cão cantando num &lt;em&gt;middle english&lt;/em&gt; avacalhado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;          ...thise earm younge man,&lt;br /&gt;          welkynge wel on thy oon bench&lt;br /&gt;          clearynge throute, soothsayere,&lt;br /&gt;          singynge to hymself, madame,&lt;br /&gt;         Foofoytheres ‘monkey wrench’&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E assim por diante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-2745320959273842547?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/2745320959273842547/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=2745320959273842547' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2745320959273842547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2745320959273842547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/05/what-would-you-do-if-you-saw-spaceships.html' title='What would you do if you saw spaceships over Glasgow?'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-5578647381758451142</id><published>2008-05-22T06:56:00.000-07:00</published><updated>2008-05-22T07:47:44.872-07:00</updated><title type='text'>So keep your candle burning</title><content type='html'>Nick Cave lançou em julho do ano passado «Dig, Lazarus, Dig!!!», e ainda estou esperando o momento certo de ouvir – sabe como é, depois de «The Boatman’s Call» em 10/10/1999, a vida não ficou fácil, embora tenha melhorado dia a dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Live fast, dye Young.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E há os que acreditam na Redenção pela Cultura. A cultura não é remédio para nada. Nem Tomás de Aquino, nem Aristóteles, nem Eric Voegelin. E tenho comprovado que HQs e direito romano não trazem felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cultura só redime no momento em que o cara acorda para algo que está além dos livros, do Who’s Who, daquelas nossas linhas favoritas de Shelley. Grandes projetos culturais são apenas... grandes projetos culturais. Não é para ceticismo – é para pensar que ler e escrever e divulgar a boa cultura não só não garante nada, mas pode ser pano para a manga para que se pense que está tudo resolvido, e que se pode cruzar os braços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sentido transcende a cultura, e mesmo a cultura do cristianismo, do judaísmo e do que for, porque a cultura é um meio, é um ambiente que muitas vezes ignora as responsabilidades mais sérias. Que não são exatamente sociológicas, e nem – exceto com muita reflexão – sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos dizer assim que, de uma hora para a outra, surgirão novamente bons poetas, romancistas e filósofos, depois dos talentos médios prepararem o terreno (não estamos sequer nessa fase – não há talentos médios ainda, não o suficiente). E então o que? So what? Ainda não passamos do mundo das referências e dos valores retóricos. Se a galera não segura o barco – é uma expressão que só um carioca usaria, por perda da consciência lingüística &lt;em&gt;lato sensu&lt;/em&gt; –, serão citações de Shakespeare que nos virão aos lábios, e não o mistério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, eu quero que Platão seja divulgado. Mas &lt;em&gt;y que&lt;/em&gt;? Deviríamos nos importar mais com o que você fará com o Platão; &lt;em&gt;você&lt;/em&gt; é que nos deveria preocupar. O resto é &lt;em&gt;high science over the pub&lt;/em&gt;. E pedantismo e vanidade. Alta cultura e pouca alma – como o jazz que tocam os alunos de Harvard. A palavra chave é &lt;em&gt;metanóia&lt;/em&gt;, uma droga que só se encontra no mercado negro. É que sou individualista? Que seja. Ou se chega à alma, ou se está perdendo tempo. Ou heroísmo, ou uma nova era de Monstros do Rock.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;And I believe in love&lt;/em&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-5578647381758451142?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/5578647381758451142/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=5578647381758451142' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/5578647381758451142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/5578647381758451142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/05/so-keep-your-candle-burning.html' title='So keep your candle burning'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-2278969608608240061</id><published>2008-05-11T11:26:00.000-07:00</published><updated>2008-05-16T05:29:49.024-07:00</updated><title type='text'>Stuck in Nintendo: Castlevania's 1024Kb</title><content type='html'>Há uma enorme pressão para que sejamos pós-modernos, e eu não escapei; aliás, adotei livremente algo do espírito do tempo, sem remorsos. Escolhi ser fiel à tradição na qual fui criado, e desenvolver-me nesta tradição. É uma linha &lt;em&gt;fringe&lt;/em&gt;: se um dia lemos algum poeta do séc. XIX, no outro estamos elogiando «móveis escuros» – fora de moda desde os anos 60 – ou discutindo sobre Lichtenstein e Rauschenberg, ou admirando o último penteado pós-punk.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha vida mesmo oscila entre Roma do séc. V antes de Cristo e a cultura &lt;em&gt;indie&lt;/em&gt;. Embora não consiga imaginar Riccobono ou Max Kaser assistindo a um Fellini após uma alentada excursão epigráfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico pensando que alguma maturidade é saber compatibilizar os interesses pessoais com o trabalho do dia-a-dia. O que me dá depressão é o célebre clip de um DJ de trance em que o diretor alterna tomadas do cara descolado trabalhando, entediado, e depois se divertindo com os colegas, mostrando o contraste como um grito de terror pós-68.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso me dá depressão. Alguém que não consegue pensar no que está fazendo durante a semana e coloca todas as suas expectativas no final de semana já pirou há muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior escapismo é a contradição, o soerguimento de muros que separam radicalmente a diversão do trabalho. Implantaram isso na sua cabeça em 68 e você não consegue pensar mais fora do esquema. É uma superstição, saca? Você acredita que, sacrificando aos deuses da diversão, tudo ficará resolvido. Os deuses do trabalho te deixarão em paz. Na segunda-feira, os deuses te traíram, continuam na balada, enquanto você tem de trabalhar. E você clama por Diké, a deusa da justiça, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro mandamento do cara é aprender a gostar daquilo que ele deveria gostar, mesmo que minimamente. Até que pega fogo. E então, não comece a sacrificar aos deuses do trabalho, achando que, sendo um workaholic, os deuses da diversão vão te deixar em paz. Você tem de furar o umbral e viver aquilo que se chama unidade: que tudo o que você faz tenha um sentido (que é descoberto e não criado – dê um murro no nariz do Derrida se ele protestar; e chame Paul De Man de nazista), e seja integrado em «alguma» finalidade última.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As finalidades últimas (o plural é uma ficção dialética nesse caso), ao contrário do que disseram a você, não tornam a vida simplista e bidimensional. Pelo contrário. Quem não tem uma finalidade atira para todo lado e no fim não tem nada, vira um &lt;em&gt;simpleton&lt;/em&gt;, um cantor de &lt;em&gt;reggae&lt;/em&gt;. Quem a tem, começa a enriquecer a memória, adquire – até que enfim – uma personalidade e começa a viver. &lt;em&gt;Hello, my name is Life, Very pleased to meet you&lt;/em&gt;, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo aquele papo de duvidar de tudo... jogue-o na privada. Para afirmar alguma coisa é necessário &lt;em&gt;colhões&lt;/em&gt;. É só olhar o retrato de Descartes para sacar que ele é um dos &lt;em&gt;castrati&lt;/em&gt; da filosofia. Sim, as mulheres têm mais colhões do que você. Comece por acreditar que há uma realidade; basta apertar o pacote um pouco (não recomendo chutar o do vizinho); a dor é o princípio da realidade. Depois disso, é só dar ouvidos a ela e deletar a Família Dó Ré Mi que você tem na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo tosco: você conheceu uma garota que é, vamos dizer assim, muito melhor do que você. E o que você faz? Fica na mesma? Não, você cria vergonha na cara e até cogita largar o youtube. Enquanto não se mexer, ela vai te ignorar, e você merece mesmo todo o desprezo (oká, Jesuis te ama). É preciso trabalhar para atender minimamente às expectativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dar ouvidos à realidade significa mudar de vida. Os psicanalistas dirão que isso é repressão, mas eles mesmos, quando têm um filho, agem tendo em vista o seu bem. Num revés financeiro, não vão dizer que tudo é um sonho. E principalmente vão &lt;em&gt;agir como se fosse tudo muito real&lt;/em&gt;. Não vão dizer que Deus existe ou não; vão simplesmente &lt;em&gt;rezar&lt;/em&gt;, mesmo que seja para um demônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A linguagem que as pessoas usam nas situações concretas do dia-a-dia, como observou Charles Taylor, é a de quem: 1) tem um sentido para a vida; 2) acredita, mais ou menos, na providência; 3) acredita que devem ser melhores do que são (mesmo que seja para conseguir uma namorada ou ser admitido num concurso). Se usam outra linguagem ao defender posições filosóficas ou dar aulas de sociologia, pouco importa. Quando a coisa acontece, são homens piedosos e tementes a Deus que acham Sartre um babaca, não por medo, mas porque ali a sua vida está em jogo e não querem brincar com fogo. A linguagem do homem que está empenhado em um problema que o envolve diretamente é a linguagem da moral. Basta assistir &lt;em&gt;Crimes and Misdemeanors&lt;/em&gt; do Woody Allen.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou dar ouvidos aos palavrões. Eles apontam para uma realidade moral pulsante, absorvente e convidativa. Ninguém quer ser um &lt;em&gt;hijo de puta&lt;/em&gt;. E muito menos que suas irmãs sejam mães de filhos desse tipo de gente. E por isso, na prática, não vão querer se envolver – se forem coerentes – com elas, ou tratar a namorada como se fosse uma delas, e nem, se passarem do que chamo de «estágio Blanka do ser», vão tratar as demais mulheres como se fossem esse tipo de coisa, e assim por diante; mesmo que os filmes não só digam o contrário, mas montem uma realidade virtual em que tudo dê certo, ao menos &lt;em&gt;esteticamente &lt;/em&gt;(desde que Flaubert foi "bem-sucedido"...) Há muito trabalho pela frente, mas a barreira já foi rompida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-2278969608608240061?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/2278969608608240061/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=2278969608608240061' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2278969608608240061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2278969608608240061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/05/stuck-in-nintendo-castlevanias-1024kb.html' title='Stuck in Nintendo: Castlevania&apos;s 1024Kb'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-8707057170933169534</id><published>2008-04-27T05:29:00.000-07:00</published><updated>2008-05-01T11:33:29.088-07:00</updated><title type='text'>Mitte ambo, pvttevs cloaca!*</title><content type='html'>O frio, quando chega a São Paulo, me lembra Campo Grande. Sou eternamente grato por isso. E por que? É simples. Em Campo Grande raramente faz frio; e é dessa rareza que tirei a memória: como as 15, 20 fotos que tirei com uma máquina havia pouco adquirida, e que foi roubada logo na seqvência (trema? não). Essas fotos me ficaram gravadas porque são raras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um fotógrafo, aliás, me dizia que as melhores fotografias são aquelas que estão na nossa memória. Eu lhe disse que, uma vez, tinha visto uma paisagem como de sonho, e estava sem câmera à mão. Ele replicou que ela estava lá na minha cabeça, muito melhor do que a foto que eu teria tirado. Digressões de artista? Hm, pode ser. Mas o fato é que o mundo imprime coisas belas em nossa retina, e a nossa história visual pode bem ser uma espécie de álbum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As imagens moldam o nosso mundo interno. Podemos escolher o que ver e o que não ver; e a qualidade, entretanto, será determinada mais por aquilo que não vimos do que pelo que vimos. Uma imaginação educada é um bem maior do que se supõe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sensibilidade contemporânea parece caminhar nesse sentido. Após o bombardeio da era Warhol, talvez estejamos próximos de uma era mais sóbria. Não é possível pensar com tantas imagens; alguém com uma reflexão desenvolvida talvez o possa controlar, mas nós, não. Dirão os teóricos que isso é uma limitação. Eu digo que pensar não é limitação alguma. E se nos for necessário privar-se de alguns bens menores - eu diria, de bens confortáveis - em favor da inteligência, deveríamos estar dispostos a esse sacrifício. Eis a proposta do cinema de Tarkovsky, embora eu julgue que não tenhamos mais estômago para &lt;em&gt;Stalkers&lt;/em&gt; ou para &lt;em&gt;Solaris&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E veja um exemplo sinistro: o velho David Lynch, se errou na mão ao apelar para a meditação oriental, ao menos serve de prova para o que digo. Os seus filmes são justamente essa profusão confusa de imagens, que deixa no espectador um &lt;em&gt;rictus amarus&lt;/em&gt; no rosto. A sua saída, como a de qualquer intelectual herdeiro do Iluminismo - &lt;em&gt;the road of excess leads to the palace of wisdom&lt;/em&gt; -, foi trocar o excesso de cheio pelo excesso de vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema moderno é o problema da medida. Precisamos engordar a memória e afinar a imaginação. A inteligência sairá ganhando, porque terá com que trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eliot afirma num ensaio nada elogioso sobre romantismo e classicismo que, quando um sujeito tenta, intencionalmente, encarnar uma determinada sensibilidade, tudo vai por água abaixo. Ler a prosa crítica de Eliot é mesmo uma festa para o espírito. Veja bem: aquilo que todos sabiam finalmente vem expresso com elegância e finura. O choque é tamanho que julgamos ler aquilo pela primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser um romancista é das tarefas mais difíceis que existem. A probabilidade de você acertar, rivalizando com os clássicos, incorporando toda a tradição, e sendo ao mesmo tempo um homem do seu tempo, é a mesma que têm os maçons de descobrirem algo de autêntico sobre a religião. Um romancista iniciante é como Baudelaire, que tem de chegar à ortodoxia passando pelo satanismo (curiosidade: na edição que tenho do ensaio de Eliot sobre Baudelaire, nas duas vezes em que a palavra &lt;em&gt;satanism&lt;/em&gt; aparece, no primeiro parágrafo, algumas letras estão faltando: &lt;em&gt;sa nism, sata sm&lt;/em&gt;; agora ponha o telefone no gancho de volta).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São dois mandamentos contraditórios, aparentemente: &lt;em&gt;be yourself and go puppet, shaking the spear&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me dá arrepios é a sensação de desencantamento, de "descarrilhamento", para usar um termo de Voegelin, que as crendices gnósticas provocam. Lembro de um professor de inglês, conhecedor do sânscrito, devoto da deusa Kali (!), que freqüentava as reuniões da Sociedade Teosófica estabelecida em Campo Grande. Era olhar para o sujeito e ficar deprimido: sob aqueles olhos, eu lembrava da &lt;em&gt;Waste Land&lt;/em&gt; de Eliot e mais um pouco. Os gnósticos possuem aquele ar de "eu não pertenço a esse mundo", uma doença incurável que derrubou metade dos intelectuais do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gnosticismo &lt;em&gt;lato sensu (&lt;/em&gt;boa idéia para o Senac) consiste na crença de que vivemos num mundo mau e perigoso, no qual o espírito está como que exilado, preso ao cárcere do corpo. Uma das frases que mais se ouve é "o que importa é o Atman", ou seja, o Ser Supremo Insondável de Ray-Ban Estilo &lt;em&gt;Chips&lt;/em&gt; (Larry Willcox &amp;amp; Eric Strada, 1977). E tudo se sacrifica a este &lt;em&gt;deus absconditus&lt;/em&gt;: não há prazer, não há vida, não há perspectiva. Uma peça de Shakespeare, para um gnóstico, é uma perda de tempo. Ele a lê, ele até se torna um grande crítico como Harold Bloom, mas fica deprimido - ou porque colocou todas as suas esperanças na arte, ou porque colocou todo o seu desespero na arte, o que dá no mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;em&gt;The Last Days of Pompeii&lt;/em&gt;, Lord Bulwer-Lytton faz encarnar no egípcio Arbaces essa visão de mundo angustiada e &lt;em&gt;blasé&lt;/em&gt;. Arbaces é um sacerdote de Ísis que sabe que a religião do povo é uma superstição que o mantém nas rédeas, enquanto os homens superiores governam o mundo e desfrutam um hedonismo intelectualizado (para o gnóstico, mesmo para o mais ascético, os crimes mais obscuros, no fundo, não afetam a alma; são apenas diversões para o cárcere de uma alma nobre). Ele postula que o mundo é uma grande mentira - e ao mesmo tempo age como se o mundo visível fosse a única realidade. Aquela pataquada do véu de maia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;* * *&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Here's how you curse a witch: "You're a such a star, you look like a walking Mondrian".&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Here's how you curse a bi-atch: "Go back to your mother's womb, if you can manage to".&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Here's how you curse a girl who happens to be very rich: "'This is a low-fi music-box', you tell her. 'It plays a couple of Frank Sinatra's tunes, but the lyrics are sung backwards. Plenty of bad words, I'd say'".&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;* Solta os cara, ô rolha de pôça.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-8707057170933169534?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/8707057170933169534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=8707057170933169534' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/8707057170933169534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/8707057170933169534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/04/mittite-ambo-pvttevs-cloaca.html' title='Mitte ambo, pvttevs cloaca!*'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-5534439937351607149</id><published>2008-04-21T08:39:00.001-07:00</published><updated>2008-04-21T08:39:45.714-07:00</updated><title type='text'>Tortoise - I set my face to the hillside</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;p&gt;&lt;object height='350' width='425'&gt;&lt;param value='http://youtube.com/v/v4G4W3UFv0k' name='movie'/&gt;&lt;embed height='350' width='425' type='application/x-shockwave-flash' src='http://youtube.com/v/v4G4W3UFv0k'/&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esta é uma das melhores do Tortoise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou trabalhando num arranjo de "TNT" com três amigos (bateria, clarinete, baixo e guitarra/pedaleira), para tocar na próxima sexta. Apesar de simples - são três ou quatro fugas e um tema -, duas dificuldades surgem: a textura sonora (centrada nos timbres - ou seja, cara) e a estrutura não-linear. Esta última é também um aspecto interessante; um exemplo bom é a própria "I set my face to the hillside", em que a música praticamente se divide em duas (ouçam o "13" do Blur para um exemplo mais hype). Diversão. &lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-5534439937351607149?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/5534439937351607149/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=5534439937351607149' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/5534439937351607149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/5534439937351607149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/04/tortoise-i-set-my-face-to-hillside_21.html' title='Tortoise - I set my face to the hillside'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-1382127904517219972</id><published>2008-04-21T07:44:00.000-07:00</published><updated>2008-04-25T11:19:36.756-07:00</updated><title type='text'>Batman com chapéu de gatinho (1967, óleo sobre tela e tie-dye)</title><content type='html'>"Saint Elizabeth Ann Seton, Saint Frances Xavier Cabrini, Saint John Neumann, Blessed Kateri Tekakwitha, Venerable Pierre Toussaint, and Padre Felix Varela: any one of us could be among them, for there is no stereotype to this group, no single mold. Yet a closer look reveals that there are common elements. Inflamed with the love of Jesus, their lives became remarkable journeys of hope. For some, that meant leaving home and embarking on a pilgrim journey of thousands of miles. For each there was an act of abandonment to God, in the confidence that he is the final destination of every pilgrim. And all offered an outstretched hand of hope to those they encountered along the way, often awakening in them a life of faith. Through orphanages, schools and hospitals, by befriending the poor, the sick and the marginalized, and through the compelling witness that comes from walking humbly in the footsteps of Jesus, these six people laid open the way of faith, hope and charity to countless individuals, including perhaps your own ancestors.&lt;br /&gt;And what of today? Who bears witness to the Good News of Jesus on the streets of New York, in the troubled neighborhoods of large cities, in the places where the young gather, seeking someone in whom they can trust?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"The second area of darkness – that which affects the mind – often goes unnoticed, and for this reason is particularly sinister. The manipulation of truth distorts our perception of reality, and tarnishes our imagination and aspirations. I have already mentioned the many liberties which you are fortunate enough to enjoy. The fundamental importance of freedom must be rigorously safeguarded. It is no surprise then that numerous individuals and groups vociferously claim their freedom in the public forum. Yet freedom is a delicate value. It can be misunderstood or misused so as to lead not to the happiness which we all expect it to yield, but to a dark arena of manipulation in which our understanding of self and the world becomes confused, or even distorted by those who have an ulterior agenda" (Bento XVI, discurso de 19-IV-08 em Nova York).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O papa deu no cravo dos novaiorquinos, com muita delicadeza, mas isso serve também para nós. E o que esse velhinho tem a dizer sobre mim? O problema é individual, e muitas vezes não é necessário olhar para &lt;em&gt;quem&lt;/em&gt;, mas para o &lt;em&gt;que&lt;/em&gt; esse pessoa disse; se ao invés de procurar desculpas pensássemos nesses assuntos, talvez tivéssemos uma oportunidade de pegar alguma coisa no ar, para variar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velhão Aristóteles disse que a felicidade é ter o que fazer, ter o que amar e esperar alguma coisa. O que diabos você espera? Não é "não pode isso", "não pode aquilo", aquele papo de coelho da páscoa de &lt;em&gt;machine gun &lt;/em&gt;(ok, eu sou a favor do coelhinho armado, fumando charuto).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assistam &lt;em&gt;Mon meilleur ami, &lt;/em&gt;de Patrice Leconte, um belo filme. A melhor sacada, na minha opinião, é que, no momento em que o cara aposta com alguém que tem um "melhor amigo" (esse é o roteiro do filme, para resumir), já perdeu a aposta. Putz, e só dá a lésbica dando lição de moral! &lt;em&gt;Aedepol&lt;/em&gt;! Apesar do artificialismo dessa solução, o filme vale pela transgressão ao mau humor (concedo que é charmoso, e muito) parisiense. O roteiro peca às vezes por ser caricaturesco, e pela brusquidão com que as coisas acontecem, sem, contudo, surpreender os razoavelmente espertos. O filme é quadradinho na estética - aquela política queijo e vinho do Leconte -, mas está de bom tamanho. A mensagem é boa: não se pode instrumentalizar uma amizade. Não é só uma questão ética; é que simplesmente não funciona.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-1382127904517219972?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/1382127904517219972/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=1382127904517219972' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/1382127904517219972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/1382127904517219972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/04/batman-com-chapu-de-gatinho-1967-leo.html' title='Batman com chapéu de gatinho (1967, óleo sobre tela e tie-dye)'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-1944539704420357356</id><published>2008-04-13T13:45:00.001-07:00</published><updated>2008-04-13T13:45:25.366-07:00</updated><title type='text'>Low </title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;p&gt;&lt;object height='350' width='425'&gt;&lt;param value='http://youtube.com/v/vWUQpvfRkVM' name='movie'/&gt;&lt;embed height='350' width='425' type='application/x-shockwave-flash' src='http://youtube.com/v/vWUQpvfRkVM'/&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-1944539704420357356?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/1944539704420357356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=1944539704420357356' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/1944539704420357356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/1944539704420357356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/04/low.html' title='Low '/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-6347460020612046311</id><published>2008-04-13T12:37:00.000-07:00</published><updated>2008-04-13T13:48:46.636-07:00</updated><title type='text'>Bull of ground and bury</title><content type='html'>Não há jovens que parecem uns velhos? Qual a natureza da juventude?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha, o melhor é ser homens de idéias sempre novas do que homens de novidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A juventude é uma conformação com as coisas que não morrem, mais do que uma adesão a novidades. As novidades só são boas quando supõem uma renovação daquilo que é eternamente vivo. T. S. Eliot, por exemplo, foi sempre um cara meio velhão, um inglês antiquado, para ser franco; mas a sua poesia é extremamente jovem. Isso se explica pelo seu contato, depois da sua fase inicial meio Ezra Pound, com "conteúdos de existência" (a-ham, cof cof) que não cheiram nem um pouco a velharia. Eliot começou com um &lt;em&gt;Let us go then, you and I / When the evening is spread out against the sky &lt;/em&gt;/ &lt;em&gt;Like a patient etherised upon the table&lt;/em&gt; etc. Versos imagistas que são de uma musicalidade revolucionária - como lembrava Cyril Connoly lá atrás, em &lt;em&gt;Enemies of Promise &lt;/em&gt;(1938) -, mas que são &lt;em&gt;a-penas &lt;/em&gt;um pálido reflexo do Eliot maduro, a dizer algo como &lt;em&gt;I do not know much about gods; but I think that the river / Is a strong brown god - sullen, untamed and intractable&lt;/em&gt;, etc&lt;em&gt;, &lt;/em&gt;algo duro, mas que fala do homem como poucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou acostumado a ver rapazinhos de 80 anos, rapazinhos de mp3 player que, com a sua infantilidade ranzinza, lembram tudo menos o bom e velho entusiasmo de quem descobriu alguma coisa nova e eterna. Parecem ter descoberto, na sua inocência, que tudo é velho e sem sentido, que a vida é &lt;em&gt;a tale told by an idiot&lt;/em&gt;, mas - é bom lembrar - desprovida de som e loucura. E não vão voltar atrás, a não ser que lhes apareça um câncer. Todavia será tarde demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ensinar juventude a quem só tem aparência de?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há que cair do cavalo. Lembro de uma entrevista para um curso em que o moleque dizia que era filho do presidente da Embraer, e que tinha lido todos os romances russos. O problema é que nenhum livro lhe tinha caído em cima da cabeça; quando cair, ele vai começar a entender o que leu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Berlusconi disse no parlamento italiano que as "mulheres de direita", se é que isso existe, são mais bonitas. Olha, há um fundo de verdade nisso. Não há coisa que envelheça mais do que aquele criticismo velhaco de marxista, de quem já entendeu como as coisas funcionam e só falta bater em velhinhos na Páscoa. Aposto que até a maquiagem cai melhor, com um pouco de Chesterton na veia (ou na véia, como quiserem).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível, e necessário, ser jovem e levar nos lábios um sorriso experiente, matreiro; é aí que entra a ironia, mas uma ironia bem pouco conhecida pelos pessimistas: aquela que sabe que &lt;em&gt;há uma verdade&lt;/em&gt;, embora estejamos &lt;em&gt;a tomar pauladas &lt;/em&gt;(dá nele, portuga - isso me lembra um certo fado monarquista). Um cínico não é irônico; é só um ingênuo querendo proteger o seu ego dos ataques da verdade (não de alguma Verdade altissonante, mas de pequenos &lt;em&gt;fatos&lt;/em&gt; sobre o seu caráter), turrão como uma mula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da próxima vez em que ouvir alguém dizer &lt;em&gt;anatomia é destino&lt;/em&gt;, dê-lhe umas flores e uma caixa de bombons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra você ver quanto tempo eu gasto com esse negócio, estou no meu quarto cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Uh, temos medo da &lt;em&gt;transformação&lt;/em&gt;. Mas isso é simples: depois de transformado, você percebe como era um cabeça de bagre e sai por aí, soltando fogos, ouvindo jazz e assustando velhinhas" (Julio Cortázar).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-6347460020612046311?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/6347460020612046311/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=6347460020612046311' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/6347460020612046311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/6347460020612046311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/04/bull-of-ground-and-bury.html' title='Bull of ground and bury'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-5189066118860951165</id><published>2008-04-08T08:28:00.000-07:00</published><updated>2008-04-08T08:38:07.474-07:00</updated><title type='text'>How Strange, Innocence (Ruined Potential records, 2000)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;É fácil perceber, quando se tem amigos, que a amizade é um troço radicalmente importante, que só perde – no campo das relações «interpessoais» (oh, palavras vãs) – para os laços sobrenaturais e os do casamento. Reencontrei nesse final de semana um amigo que não via há uns 5 anos, e é como se nada tivesse sido interrompido. Como dizia o rapaz do Mogwai no dialeto local, «old songs remind me of friends».&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Há amizades ainda mais obscuras, cujo contato desaparece por completo, pela razão que seja. Se essa razão for nobre, essa aparente interrupção pode ser justificada. Por exemplo: um compromisso potente, como o casamento, pode comprometer por completo uma amizade entre um homem e uma mulher, por razões óbvias – óbvias a ponto de confundir as pessoas, como sempre acontece com a defesa do bom senso.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;A decadência da amizade é um tema recorrente. Na era vitoriana, eram os formalismos que a matavam; hoje, é a tosquice travestida de «espontaneidade»: praticamente desaparece a possibilidade de uma amizade nobre, com conversas limpas e agradáveis. Reúnem-se uma penca de sujeitos para falar de qualquer coisa, mas há... privacidade demais, por incrível que pareça.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;* * *&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Poucas palavras me conquistaram tanto como a «independência»; ou melhor – jogando de lado esse vício semanticista –, poucas idéias me parecem tão poderosas como a da liberdade de espírito.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Independência, liberdade de espírito. Eu, como qualquer um, assumi compromissos depois de uma certa idade. Todos o fazemos, sob pena de desistirmos da humanidade (hey, ho). Mas a pergunta é: quanto mais responsabilidade, menos liberdade?&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Qualquer pessoa minimamente séria sabe que há opções fundamentais a serem feitas. Enquanto não formamos um núcleo duro, não de convicções – pois isso seria subjetivismo – mas de adesões inteligentes, não podemos ainda escolher. Pois escolher implica critério. Quem não tem critério, não pode escolher – portanto não é livre. Ou vai, ou racha.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Esse paradoxo está no centro da «nossa» existência. Se não fazemos uma opção fundamental, individual, não somos livres; ou seja: se não nos limitamos voluntariamente, estamos presos. Ninguém pode fazê-lo por nós. Isso porque as opções são sempre teoricamente infinitas. Se escolho ter um carro, os modos de ter-um-carro tendem ao infinito; assim como tendem ao infinito os modos de ter-dois-carros, de ter-dez-carros (oh, uma punhalada em Sartre por debaixo da mesa).&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Para ter liberdade de ser escritor, preciso comprometer-me, em teoria, mas eficazmente, com um dever de auto-exigência altamente limitante; esse princípio, essa escolha acabará por derrubar várias namoradas e vários fins-de-semana tranqüilos. Joyce adorava um pub, mas tinha de ficar fechado, sofrendo e escrevendo, &lt;i&gt;that old pain i. t. a., the pen&lt;/i&gt;. Os seus vizinhos certamente eram mais «felizes», mais despreocupados. Mas não podiam ser escritores.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Dizia isto a propósito do seguinte: se estou fundado num núcleo duro de adesões, só então posso crescer, construir, &lt;i&gt;augere&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;vermehren&lt;/i&gt;. Não se constrói sobre o nada – e esse nada é a falta de uma escolha fundamental que dê sentido às escolhas que virão. Depois da «opção fundamental», novas possibilidades, antes inexistentes, emergem. Agora posso escrever livros sérios, antes não podia. Agora posso acordar cedo; quem tem liberdade para acordar pontualmente? O Bob Marley, rei da liberdade, não tinha; nem para «deixar passar» um baseado, vez ou outra. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;A grande pergunta do séc. XX: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bob Marley, a free spirit?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;A liberdade de espírito, a genuína independência de pensar por conta própria, surge quando temos critérios claros, que só um sentido de vocação – embora isso passe desapercebido, o alemão manifesta essa idéia no termo «Beruf» – pode dar. Se temos um ideário potente em vias de formação, podemos optar com segurança. Adquirimos aquela naturalidade &lt;i&gt;cool &lt;/i&gt;dos grandes sujeitos, dentro das nossas limitações. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Uma vez perguntaram a John McEntire, músico e produtor da cena independente americana, se ele se preocupava com o sucesso; ele disse algo como «Eu não tenho tempo para me preocupar com isso; a música me consome». Apesar de parecer limitado pelos compromissos, o cara é um dos poucos que fazem algo pela música no começo do séc. XXI. Ian McEye pensava e fazia o mesmo nos anos 80-90, e lá está o Fugazi na história, soberano.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;A liberdade de espírito se alcança com muitos erros. É preciso decidir. E tomar pau, rindo de si para si. Sem bom humor não há seriedade. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Esses «escravos da coerência» é que deixam sulcos profundos; a inveja é que, muitas vezes, lhes prejudica a boa fama. Mas isso não tem importância. Quem trabalha precisa de boa fama? A discrição a dispensa, como um bom atleta dispensa os aplausos depois da vitória (e viva a analogia redundante). E no dia seguinte o bandido está treinando, sadiamente descontente com os resultados.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Alguém manifestava tudo isso com uma frase antológica:&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;«E aí cara, como vai essa vida de filhodaputa?»&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;* * *&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Rafael, meu caro, foi mal, mas a New Castle não chega nem perto da Guinness. De fato, a cor dela é bonita, mas não justifica uma quebra na tradição familiar.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Falando em «metafísica dos pubs» – expressão que adoraria encontrar em Kant, «Metaphysik der Kneipen» – [...]&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-5189066118860951165?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/5189066118860951165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=5189066118860951165' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/5189066118860951165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/5189066118860951165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/04/how-strange-innocence-ruined-potential.html' title='How Strange, Innocence (Ruined Potential records, 2000)'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-1252644037865151320</id><published>2008-03-31T14:28:00.000-07:00</published><updated>2008-03-31T14:37:29.139-07:00</updated><title type='text'>Natas Kaupas</title><content type='html'>Amanhã, às 20:00, com a palestra &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Filosofia: As Ruínas do Todo&lt;/span&gt; (Henrique Elfes), começa o módulo "A Crise do Mundo Moderno", do curso do IFE  em parceria com o Universo do Conhecimento. Se alguém quiser ir, pode dar uma olhada no site  &lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.universodoconhecimento.com.br/ife/cursos-parceria-ife" target="_blank" onclick="return top.js.OpenExtLink(window,event,this)"&gt;http://www.universodoconhecimen&lt;wbr&gt;to.com.br/ife/cursos-parceria&lt;wbr&gt;-ife&lt;/a&gt; para um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;overview&lt;/span&gt; do curso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podem me mandar um e-mail, de qualquer forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;font-size:100%;" &gt;* Local: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: arial;font-family:Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:100%;"  &gt;Alameda Ministro Rocha Azevedo, 419 (Próximo ao Metrô Trianon-Masp), Jardins, São Paulo/SP.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-1252644037865151320?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/1252644037865151320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=1252644037865151320' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/1252644037865151320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/1252644037865151320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/03/natas-kaupas.html' title='Natas Kaupas'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-8198343192746433099</id><published>2008-03-26T04:32:00.000-07:00</published><updated>2008-03-26T05:05:19.547-07:00</updated><title type='text'>Quoi hoi sakros essed sorm</title><content type='html'>A questão das células-tronco embrionárias não é humanitária. É de cadeia. Aristóteles era muito mais radical do que esse pessoal pró-vida: achava que, quando se está diante de pessoas que não reconhecem o óbvio, a única solução é exilar o cara, esse tipo de coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brincadeiras à parte, vivemos numa sociedade que quer ser democrática. Olha, democracia não é brincadeira. Eu não gosto desse termo; todavia, se ele tem um conteúdo, trata-se, não de deixar rolar – isso seria tirania –, mas de defender algumas coisinhas básicas. Uma delas é a verdade, é o óbvio; um democrata não pode admitir o auto-engano, e muito menos que a sociedade minta para si mesma em questões de fundo, tentando justificar o injustificável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro da SS todos sacavam que, no fundo, estavam pisando na bola. Estavam mentindo para si mesmos em nome de ideais irrealizáveis – ao menos os que não eram psicopatas (uma minoria). Qualquer um que tenha acreditado pessoalmente num ideal socialista, ou que tenha sido kantiano, sabe do que estou falando – o cara mente mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Um parênteses: o Dalai Lama, por quem tenho muito respeito, declarou com boa intenção que «a violência não faz parte da natureza humana». A rigor, o problema é que faz. Todos somos capazes de eliminar crianças em massa, especialmente se não vemos o que estamos fazendo; basta «deixar rolar». O que não faz parte da natureza humana é a impecabilidade. É evidente que a violência injustificada é um desvio. O homem tem um padrão natural de excelência. O que não se pode ignorar é a nossa tendência a atuar bem abaixo dele).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As Protestantes pelo Direito de Decidir, como disse alguém com pouca imaginação, chamaram de «terrorismo» a distribuição de fetos de resina pelo pessoal pró-vida. Eu não sou de distribuir esse tipo de coisa; depende do estilo do sujeito. Mas aqueles fetos de resina nada mais são do que estátuas que apontam diretamente para algo muito real. Se a realidade é terrorista, muito bem, quê fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Não, é que vamos curar outras pessoas». Meu amigo, se você pudesse matar trinta crianças recém-nascidas, voluntariamente, para salvar a sua mãe doente, você o faria? Pense bem. O fato das crianças não se terem tornado adultos inteligentes em nada muda a situação de que pertencem ao gênero humano. Sim: não temos afeto por embriões, e às vezes nem por crianças chatas. Mas todos já fomos embriões, não importa o que sentimos a esse respeito. Não gostaríamos de saber que um sujeito quis nos eliminar quando éramos do tamanho de, sei lá, uma ervilha. A questão é zero-ou-um; é quase computacional. Ou há um ser humano, ou não há. Se há (e há, porque um embrião humano crescido não é uma salamandra ou o Michel Jackson), é assassinato. Eu não vou ensinar lógica de 6.ª série a ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma desinformação total sobre questões mínimas de ação humana. Alguém jogou merda no ventilador, como dizia o Kurt Vonegut. Sempre vemos argumentos do tipo «Mas não posso matar em legítima defesa?», «E se tiver tudo pegando fogo, e eu tiver de salvar fulano», etc. Se o cara faz perguntas desse tipo, é porque nem começou a entender; está evocando cenas de filme e se esqueceu dos fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Life ain’t the movies, man.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou aproveitar a Páscoa para falar de amizade. Piegas, não? Concordo. Mas não é porque odeio com todas as minhas forças o Milton Nascimento e seu amigo guardado «a sete chaves / dentro do coração» que vou deixar de falar daquilo que é bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Vivemos num tempo, etc». Mas é isso: a amizade está em baixa. Se você tem um amigo de verdade, vão pensar que você é meio estranho até que prove o contrário. Uma conclusão deveras precipitada e infantil. Mas todo mundo quer ter bons amigos; até o William Burroughs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou de começar por definições, mas na esfera ética a isso pode ser um setting of standards. Pois bem: «[the true kind of friendship] is that which embodies a shared recognition of and pursuit of a good» (McIntyre, falando em nome Aristóteles). Quanto mais excelente é esse bem, mais potente, mais chique a amizade. Se buscamos apenas uma companhia divertida – jogar poker, por exemplo – a amizade é superficial, se é que chega a ser amizade. Se buscamos o aperfeiçoamento intelectual, a coisa começa a ficar mais interessante. Mas o supra-sumo é buscar a excelência espiritual do amigo: que ele seja mais prudente, que se interesse pelo sentido da sua existência – &lt;em&gt;we’re there, dude&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tão simples que chega a ser ridículo. E às vezes até a parecer uma coisa perigosa. Tanto que uns e outros se assustam quando seus amigos se interessam de verdade por eles. «Ora pois, deve haver algo errado; ele provavelmente é comuna e está a me lavar o cérebro». Isso porque dar toques e exigir é politicamente incorreto, especialmente na Europa, onde cada um se enraizou em si mesmo e compara as mútuas confidências a uma invasão do Iraque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se temos medo de exigir ou de ser exigidos, não somos amigos. Às vezes o amigo é o único cara que tem a oportunidade de colocar o dedo na chaga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E viver para os amigos – isso é que é vida. Chega de egotrips, bzw. Daniel Galera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma boa regra para a leitura é preferir aquilo que nos incomoda. Deixamos de ler sobre um assunto importante muitas vezes porque pensamos: «Caraca mané, isso vai me complicar a vida». Pois que complique! Nada melhor do que questionar nosso modo de estar-no-mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assisti a umas aulas de filosofia da religião em que o professor, um filósofo muito competente e cuidadoso, soltava perguntas constrangedoras aos assistentes: «Você, diga-me: por que acredita em Deus? Você realmente está convencido disso?» Ele tinha como objetivo fazer com que os alunos fossem ao fundo da questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela velha crença estúpida de que um católico não questiona as coisas. Pois se não questiona, é um autômato ou um tradicionalista; se não escolheu livremente, e se não renova a sua escolha todos os dias, não pode ser católico. Isso é coisa pra macho. Boiola não entra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A velha boiolice espiritual: ser carregado pelos outros, viver como uma ovelha a mais no rebanho. E criticar essa atitude não significa ser protestante ou livre-pensador. Pelo contrário. O ateísmo, por exemplo, é uma afirmação de escravidão e covardia intelectual. Porque Deus é um assunto espinhoso, e enfrentá-lo requer estômago; e o ateu resolve fugir do problema pela tangente, como um escravo foge da chibata, como fá-lo um cristão meia-boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grau de liberdade que se exige para se submeter a um ser que ultrapassa todo limite é enorme. É uma responsabilidade tremenda, que se vai assumindo aos poucos. Um ateu, completamente ignorante em matéria de grandes responsabilidades – o máximo que ele agüenta é um trabalho acadêmico ou humanitário, «social» –, até que seja tocado por algo que venha de fora dele mesmo, estará impedido de penetrar no sentido da existência (falo com todas as letras). Ele sabe alegar Sartre ou alegar Dawkins, mas não sabe alegar falta de coragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque quando um cara diz a sério «sou cristão», ele está dizendo: vou derramar todo o meu sangue nesse negócio. Quando alguém diz «sou ateu» &lt;em&gt;meaning it&lt;/em&gt;, ele pluga o joystick e começa a jogar Castle of Wolfenstein.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço desculpas ao leitor ateu, que nessas horas está armado de um sorriso irônico; pois bem – é esse sorriso irônico que, com um belo &lt;em&gt;kick in the ass&lt;/em&gt;, eu gostaria de tirar da sua cara e fazê-lo pensar e deixar de ser puritano e moço de família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Usar a inteligência é muito mais do que ler Nietzsche. Eu diria que é mais inteligente quem aceita um convite da consciência para pensar com serenidade e coragem, durante dez minutos, sobre as suas misérias pessoais, do que quem consegue publicar um artigo na &lt;em&gt;Zeitschrift der Savigny-Stiftung&lt;/em&gt; (acreditem, não há nada mais difícil do que isso).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse convite da consciência, se for ignorado, gera um ateu prático, mesmo se o cara for católico, como um mogwai gera um gremlin ao receber água. Todos temos a oportunidade de pensar. Mas não há, em toda a literatura atéia e racionalista, um único convite a se pensar a sério sobre o tema de Deus e da responsabilidade moral. Há um clima de frivolidade intelectual que impede que essa pergunta seja feita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você passará de um autor a outro, como eu fiz, com a esperança de que «dessa vez encontrarei um cara ferradão», mas nunca o encontrará. Vai por mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas bandas passam e ninguém repara. É o caso de &lt;a href="http://www.epitonic.com/index.jsp?refer=http%3A%2F%2Fwww.epitonic.com%2Fartists%2Flabradford.html"&gt;Labradford&lt;/a&gt;; alguém aí ouviu falar? São herdeiros de Morricone, Brian Eno e de coisas mais obscuras como Bark Psychosis. Para quem gosta de post-ambient, ouça «Mi Media Naranja», do Labradford, e vejam o que é música de rico. Embora me lembre os sítios ao redor de Campo Grande...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Régis Frias, um velho amigo, está com um projeto multimídia chamado +zero. O blog está &lt;a href="http://www.maiszero.org/blog/"&gt;aqui&lt;/a&gt;; confiram as fotos primorosas e as apresentações ao vivo, que lembram os shows muito charmosos do G.Y.B.E. O Régis tem pesquisado a fundo, como «conceptualizador», a interação recíproca entre imagens e áudio; &lt;em&gt;skip the philosophical part&lt;/em&gt;. Pessoalmente, acho que o público desse tipo de arte é muito &lt;em&gt;tong-in-cheek&lt;/em&gt;, pouco inteligente e frívolo – mas a coisa-em-si é interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardamos o ressurgimento de uma arte superior a essa que se faz hoje; mas todos sabemos que, para haver arte superior, é necessário uma civilização melhorzinha. Ou você acha que Caravaggio surgiu do nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por trás dele, há um tesouro começou a ser amontoado no séc. XI, ou um pouco antes. Depois do primeiro impacto da arte moderna – da qual sou, como todos nós, herdeiro – o pessoal ficou meio preguiçoso. Não sei o que aconteceu. O ponto positivo é que estamos de saco cheio de picaretas e podemos recomeçar a qualquer momento, dado o grande volume de informação. Isso não é reacionarismo; é ter critério, olhar e comparar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até lá, vivamos a fragmentação e o copy-and-paste. A arte é uma festa, &lt;em&gt;athanatoi mèn hemeis, athanatos mèn gar egoge&lt;/em&gt;!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-8198343192746433099?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/8198343192746433099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=8198343192746433099' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/8198343192746433099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/8198343192746433099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/03/quoi-hoi-sakros-essed-sorm.html' title='Quoi hoi sakros essed sorm'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-2456864881767456269</id><published>2008-03-10T13:40:00.000-07:00</published><updated>2008-03-10T13:50:59.205-07:00</updated><title type='text'>Aufklärung</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu estava pensando em aprender, tarde demais, a tocar piano. Ontem, desisti: um &lt;a href="http://www.alvarosiviero.com/"&gt;pianista&lt;/a&gt; – o melhor que conheci – deu uma «palhinha» aqui em casa, e pensei o que todos pensam: cada movimento equivale a anos de estudo intenso, diário. &lt;i&gt;Ars longa, vita brevis&lt;/i&gt;. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Tudo o que é bom custa sangue; e porque não aplicar isso às nossas tarefas diárias? Um bom pesquisador deve penar como um pianista. E o que dizer da própria e alheia perfeição, que devemos buscar? Custa mais sangue ainda, e sangue nobre, de qualidade. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;E devemos escolher. A seleção é o mínimo que podemos fazer, diante da multiplicidade de artes e profissões. Limitarmo-nos ao que já escolhemos é uma necessidade. E dentro de cada arte, escolher uma especialidade e manter-se nela, heroicamente. Muitos sequer começam, ou borboleteiam de atividade em atividade. O nome disso é mediocridade, com o perdão da dureza.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não é preciso ser o melhor; mas um mínimo de excelência, se é que posso dizê-lo, é condição para a felicidade. (Ninguém é obrigado a ser feliz, e muito menos tem direito a isso; e nunca confunda felicidade com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;assholeness&lt;/span&gt;).&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;E por que custa sangue? No contexto da técnica e da pesquisa, porque outros vieram antes, e deixaram a coisa num determinado estado-da-arte. A civilização é composta de virtudes e afazeres difíceis. Cara, você nasceu em estado bruto: não pode ficar parado. A competição não é ruim, nem na luta pela perfeição moral: é a graça da coisa. Só os perdidos desanimam.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;* * *&lt;/p&gt;Parte do processo de maturidade é parar de defender os «losers». Há toda uma literatura de «losers», toda uma cultura de apoio à auto-justificação do fracasso. Eles formaram um clube, são inteligentes, irônicos, e afetam complexo de superioridade, embora estejam entre o Beavis e o Butt-head na escala da estatura humana.    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Um amigo contou um caso paradigmático num avião para Brasília. Dois cultos parlamentares sentados ao seu lado assistiam filmes ’xtupid-rated em seus notebooks. Meu amigo percebeu que o ambiente descera ao ponto mais baixo e começou a ler, ignorando-os. O parlamentar, com cara de espertinho, perguntou se ele era evangélico. Meu amigo, numa saudável atitude de cima para baixo, disse que não era evangélico; e soltou uma versão mais educada do meu «isso é coisa de veado». Os parlamentares não sabiam onde enfiar a cara. «Vai um mousse de maracujá?»&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;* * *&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Tudo bem, podem usar bermudas. Se procurarem aí em baixo, há uma foto minha de bermudas, numa excursão. Ok, eu andava de skate de calças – quando a moda &lt;i&gt;new school&lt;/i&gt; pegou, eu e meus companheiros de esporte voltamos ao &lt;i&gt;old school&lt;/i&gt;, que recomenda calças pouco largas de veludo e carteiras com correntes curtas. Mas nunca vi problema em usar bermudas quando se der na telha usá-las. Leiam a seção &lt;i&gt;Mores &amp;amp; Manners&lt;/i&gt; do &lt;i&gt;Spectator&lt;/i&gt; e sejam felizes. Ou não leiam. Viva a liberdade.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;* * *&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A felicidade consiste numa atividade excelente; e essa atividade é a contemplação, &lt;i&gt;theoría&lt;/i&gt;. Para Aristóteles, isso estava reservado a poucos. A verdade é que é para todos. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Estatisticamente, entretanto, poucos chegam lá. Dá trabalho. É preciso trocar o «gostosinho», o «nhém nhém nhém» pelo «melhor». E o melhor é fazer o mais difícil e, por tabela, gostar de fazer o mais difícil – sim, sentir prazer nisso –, mesmo sofrendo. Sacou? É simples como tocar piano. Dá trabalho e não se pode pular fora. Dói. Mas o cara agradece a si mesmo pela coragem, como se voltasse de um retiro.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A melhor melodia que inventaram é a &lt;i&gt;Chaconne&lt;/i&gt; in de Bach. O objetivo é o cara fazer a sua vida soar como ela (eu odeio analogias desse tipo, mas mesmo o mau escritor tem de fazer o que não gosta).&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;* * *&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Eu e alguns amigos – gente muito melhor do que eu, podem confiar – fundamos há alguns meses o Instituto de Formação e Educação (IFE), resultado natural de alguns anos de gestação paciente, discreta e laboriosa. O site provisório do Instituto passa a integrar a seleta lista de links ao lado.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;O Instituto lançou, em parceria com o Universo do Conhecimento, da Universidade de São Marcos, um curso de imersão cultural em filosofia e literatura aberto ao público com formação universitária. Os residentes em São Paulo e povoações vizinhas estão praticamente intimados a ao menos dar uma olhada no programa.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Em breve, mais surpresas em primeira mão.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-2456864881767456269?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/2456864881767456269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=2456864881767456269' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2456864881767456269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2456864881767456269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/03/eu-estava-pensando-em-aprender-tarde.html' title='Aufklärung'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-2064467909516058633</id><published>2008-02-25T10:12:00.000-08:00</published><updated>2008-03-03T07:44:57.400-08:00</updated><title type='text'>Tombé en enfance</title><content type='html'>&lt;p&gt;Ficariam escandalizados se eu dissesse que sou «contra» a culpa, o remorso e a «humildade»?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estilo que uso aqui é um tanto perturbador, pelo seguinte motivo: eu sempre tenho em conta que o leitor sabe lidar com a ironia e caminhar por múltiplas camadas de sentido (esse podia ser o título de uma tese de doutorado sobre «A farmácia de Platão», de Jacques Derrida). Escandalizar é uma mania meio aristocrática. Nem todos pegam a coisa no ar, e muitas vezes nem deveriam; é que os ingênuos existem, e são necessários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A culpa e o remorso, tal como os entendemos, são ficções dos dois últimos séculos. Os teóricos de esquerda e demais pessoas comprometidas com um mundo melhor têm em mente conceitos desse tipo quando atacam os «conservadores». Tudo isso estava já em voga na época de Freud; por incrível que pareça, eu tenho em princípio a mesma opinião que o velho de Viena – que já foi um meninote alemão chamando pela mãe aos berros, ao que ela respondia algo como «don’t you cry tonight» – tinha da culpa e do remorso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando alguém mata um semelhante com uma bigorna, sente-se naturalmente culpado por isso – se não for um personagem de um filme de Vincent Gallo. Até aí tudo bem: nossa estrutura interna foi feita para desaprovar essas coisas. O problema está na atitude a tomar diante desse sentimento. O homicida pode esconder-se de si mesmo e alimentar a culpa, ou então pode procurar a polícia, o advogado, o confessor. A primeira atitude, pérfida e egoísta, não é atitude de homem; a segunda, perfeitamente. O «sentimento de culpa» não diz nada: é uma reacção natural; mas se ele não é «encaixado», dá pau. Nisso o freudiano e o cristão bem formado estão de acordo. Mas Freud pisou na bola: para ele, ou ao menos para os seus divulgadores, não só o sentimento, mas a própria resposta desmedida a ele dão no mesmo: devemos ignorar a culpa ou colocá-la em algum defeito ou em outra pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cara com um mínimo de noção sabe que não pode se desvencilhar do sentimento de culpa, mas que pode dirigi-lo de modo adequado: para o arrependimento sincero, sem firulas, sem escrúpulos indevidos, sem atribuir a responsabilidade a outras pessoas. É muito simples: «eu errei e vou lutar da próxima vez», um propósito firme e acabou. Se o sujeito começa a cultivar um remorso injustificado, comporta-se como um Lutero, e terá problemas sérios.Victor Frankl, numa das suas sugestões mais populares, recomendava aos pacientes que desabafassem com uma pessoa de confiança: um rabino, um sacerdote, um pai (acrescento eu), um amigo ou mesmo um psicanalista. Se o cara diz as coisas claramente, o problema está em parte resolvido. O efeito é imediato. Sei que não é possível livrar-se da responsabilidade do ponto de vista metafísico, a não ser recorrendo a uma autoridade transcendente. Mas ao menos do ponto de vista psicológico as coisas começam a se resolver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é a auto-suficiência, que paradoxalmente exige muletas – e quem exige muletas acaba achando que os cristãos também precisam delas, e isso é mentira de torcida organizada. Para começar, ser auto-suficiente é pouco inteligente. Nós somos animais dependentes: «dependent rational animals», na tese inovadora de McIntyre. O que temos de fazer é aceitar as limitações. Em geral, parece-me que o sentimento prolongado de culpa é uma manifestação de orgulho das piores, e não de humildade. Sempre que imagino um cara humilde, imagino um cara «orgulhoso», sem medo à vida ou à morte. Não são paradoxos em sentido estrito: são problemas semânticos. Assim como não quero que você seja morto por um cara com uma bigorna, não quero que você seja «humilde».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui a Aparecida no sábado passado, não para ver «testemunhos» ou bandas de rock católicas – embrulham-me o estômago, e os punhos também, se me permitem o afetado enfezamento –, mas para ver o que o bom velhinho* tinha a dizer aos universitários de Nápoles, Avignon, Bielorrússia e, por tabela, aos do novo continente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que reparei é que o brasileiro – peço desculpas por mais uma crítica ranzinza – orgulha-se de ser mais animado, festivo e cordial, mas está cego para os seus defeitos, que afloram abundantemente em eventos desse tipo: não ouve o que os outros têm a dizer (oh sim, caipiras), não tem senso estético e confunde piedade com sentimentalismo. Os europeus têm problemas igualmente sérios: são fechados, acham que tudo é invasão de privacidade e... e o que mais? Ah, peço desculpas: sou meio cego para os defeitos europeus. O leitor saberá sorrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como os italianos se vestem bem, por Júpiter!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mais, fico feliz com a devoção popular. Até os comunistas ficam felizes com essas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que há uma tendência contrária aos gênios e ao conceito de genialidade, muito saudável por sinal (de onde vem esse «por sinal»? Alguém? Alguém? Lembram-se do professor de matemática em «Férias muito loucas», 1985, 1986?). Mas mesmo assim sinto a sua falta. Purificado da aura de excêntrico, de sujeito que pode fazer o que quiser e nunca é censurado, o gênio pode ser necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordo que haja apenas dois ou três por século – eis outra idéia salutar –, mas podemos ampliar a coisa para agasalhar os excessivamente inteligentes, que fazem a alegria das pessoas. – Há dias em que acordo odiando-os, mas hoje estou do lado deles. Partiria o Nietzsche de porrada, mas não hoje. Nietzsche é um poeta, não um gênio; mas tem uma aura atraente, de bom-moço arredio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, os epiléticos! Dostoievski daria uma boa tertúlia às 19:30.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que faz bem a eles é manter um convívio regular com pessoas de inteligência mediana. Em pouco tempo, adquirem o grato hábito de esperar a vez de falar, e de falar com modéstia e parcimônia. Ainda não é excessivamente inteligente o nerd que não saiu do seu quarto ou iglu; e se usa Internet o tempo todo, isso já é um indício de burrice, com o perdão da palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é necessário que use óculos. &lt;em&gt;Mais c'est si nécessaire&lt;/em&gt; que no dia-a-dia não use chinelos, camisetas sem manga ou bermudas. Bermudas! Por Zeus, há indicativo mais seguro de que o cara perdeu a cabeça?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«O exagero é uma verdade apressada», como disse o &lt;em&gt;Schirmschnurrbart&lt;/em&gt;** ali em cima.&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;______________&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;* O Papa, seu paspalho, não o Papai Noel.&lt;br /&gt;** «Bigode de guarda-chuva».&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-2064467909516058633?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/2064467909516058633/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=2064467909516058633' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2064467909516058633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/2064467909516058633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/02/tomb-en-enfance.html' title='Tombé en enfance'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-5648254086541550510</id><published>2008-02-21T07:39:00.000-08:00</published><updated>2008-02-21T07:42:25.468-08:00</updated><title type='text'>Whosoever has not been a dharma bum may throw the first rolling stone</title><content type='html'>Vi aqui em casa «Zidane: un portrait du 21e siècle», um documentário-instalação – é isso mesmo, instalação – sobre a celebridade mencionada no título, Zinedine Zidane.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única coisa que a princípio me atraía no filme era a trilha sonora original, composta e executada pelo Mogwai, que continua minha banda favorita. Mas vi que é mais do que isso. Não é grande coisa, nem se pretende: quem é que já teve a idéia brilhante, mas ousada, de filmar uma partida inteira focalizando apenas um jogador, praticamente omitindo todo o resto do jogo, inclusive os gols? O filme inteiro é isso; você não sabe o que está a acontecer. No intervalo surgem imagens aparentemente aleatórias, a música começa e se interrompe, explode em ruídos. Há também o atrativo de Zidane, um homem concentrado, entre irado e apático, pronto a agredir um jogador – até fazê-lo e ser expulso aos 35, mais ou menos, do segundo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estética explorada por Douglas Gordon e, mais especialmente, Philippe Parreno, duas bichas muito espertas, é tudo aquilo que eu tinha concebido e um pouco mais: se você escuta Mogwai no carro, às 11 da noite, só, olhando os semáforos e os postes, como eu fazia em 2002 ao descer em direção à Av. Mato Grosso, vai ter uma idéia do que quero dizer. A parte gráfica é apenas um acessório. Vendo esse filme eu me lembrei de que o futebol é mais do que um esporte. Dominic, um dos integrantes do Mogwai, o sujeito que tem uma cara muito legal e irônica – de porteiro de prédio underground – sabe muito bem disso quando teve a idéia, se é que foi ele, de trabalhar no filme (até onde sei é ele que faz propaganda de um polêmico árbitro escocês que deixa o jogo rolar, sem apitar faltas). «Your music makes me closer to God», disse um fã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso tem pouco sentido. O filme não é sobre muita coisa. É uma obra para ser contemplada, mesmo que se tenha de lutar contra o sono. Não recomendo aos que gostam do futebol em ação e nunca se preocuparam com arte contemporânea. O fato é que é impossível não simpatizar-se com Zidane, especialmente naquele jogo decisivo entre o Real Madrid e o Villareal em 23 de abril de 2005: ele é um cara enigmático. É um ator, e lembra mais Meursault do que o próprio Meursault do Camus; detalhe: ele é argelino. Os argelinos são muito estranhos. Essa história de tirar as coisas de contexto, na arte, também é muito estranha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estrangeiros à parte, o filme combinou com um livro que terminei de ler ontem, «Raise High the Roof Beam, Carpenters», do Salinger. O personagem Seymour, que é retratado em «Nine Stories», é uma espécie de padrão para os desajustados. Não que eu concorde com os seus atos: ele se suicida quando você menos espera, no final de «Um dia ideal para os peixes-banana» (um dos melhores contos já escritos em americano, pelo seu senso de humor e sutileza), e é uma espécie de místico zen, que procura Jesus no cinzeiro, debaixo dos cigarette remainings. É ele, o fato de ser único, o que nos agrada. O seu retrato é absolutamente fragmentário e insuficiente, por mais que o narrador, seu irmão mais novo, nos tente convencer do contrário. Ele é inteligente de uma forma singular, e não tem culpa, isso afirmo-o com convicção, dos seus distúrbios. É apaixonado pela noiva e depois esposa de um modo comovente. Eis aí: Seymour (say more!) é comovente. Nem um pouco sentimental (cito uma passagem traduzida):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Ela olhou para mim (parênteses: Seymour é o narrador, falando de um episódio no cinema com Muriel, sua noiva) quando as crianças no filme trouxeram os gatinhos para mostrar à mãe. Muriel adorou os gatinhos e queria que eu também os adorasse. Mesmo no escuro, podia perceber que ela se sentia afastada de mim como em outras ocasiões em que eu não compartilhei automaticamente as coisas de que ela gosta. Mais tarde, quando estávamos bebendo alguma coisa na estação ferroviária, ela me perguntou se eu não tinha achado os gatinhos ‘muito simpáticos’. Já não usa a palavra ‘engraçadinhos’. Quando é que a assustei a ponto de ela abandonar o seu vocabulário normal? Como sou mesmo um chato, mencionei a definição de sentimentalismo de R. H. Blyth: uma pessoa é sentimental quando confere a alguma coisa mais ternura do que Deus a ela confere. Disse-lhe (pomposamente?) que Deus sem dúvida ama os gatinhos, mas, muito provavelmente, não com botinhas nas patas e em tecnicolor».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é genial? Essa cena se repete, talvez sem a inteligência sutil de Seymour, todos os dias nos cinemas. Balzac precisaria de muitas páginas para dizer a mesma coisa, e ainda sim com aquele jeito pomposo de ver as coisas. Quem não queria ter Seymour como amigo? A simplicidade – assim como o seu ódio à palavra ‘simples’, dita de certa maneira, em certos contextos – de Salinger comove, porque ele toca a realidade, o seu absurdo e o seu profundo sentido, como poucos. Ele leu Kirkegaard como Kierkegaard deve ser lido, e não virou um maldito beatnik ou um maldito fanático zen, e duvido que Chesterton o desprezaria se tivessem sido contemporâneos. Essa simplicidade fica muito bem retratada nos seus simpáticos irmãos mais novos (são sete ao todo, incluindo a genial esportista e dona-de-casa Boo Boo) Franny e Zooey. Acho que é Zooey que toma um drink – acho que um Martini – com Jesus em «Franny &amp;amp; Zooey», numa das cenas mais inteligentes dos seus livros. São crianças geniais, precoces, que brilham com pseudônimos num programa de televisão de perguntas e respostas (tipo quiz). Não é genial? Não deixe de ler. Os fumantes estão em extinção mas continuam vivos nos seus livros. Não era Lewis que fumava 4 maços por dia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que é essa a única fase da vida em que consigo amar ao mesmo tempo o jazz, Bach, a barulheira indie, os clássicos do rock (expressão que não deixa de ser irônica, porque me lembra o Thiago Balduzzi II) e qualquer ruído programado por c-sound.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou eclético porra nenhuma: eclético é quem não gosta de nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O máximo equilíbrio que se pode atingir é amar o trabalho e os hobbies de acordo com a sua hierarquia. Depois vem conciliar a «sabedoria acumulada» com todo tipo de loucura que se tem feito no século XX e se fará no século XXI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O entusiasmo é necessário, sempre. Ser equânime é apaixonar-se e não se deixar tragar, nem um pouco (num ritmo João da Cruz, de austeridade total), pelos atrativos do século. Essas coisas estão aí para as colocarmos no seu lugar. Apaixonamento total e desapego total. Embora não goste dessa palavra, desapego, que me cheira a Hermann Hesse e a patchouli e a elefantes de madeira no quarto, ela tem um fundo de verdade. O grande problema é que o cara desequilibrado não sabe no que se exceder – &lt;em&gt;the road of excess&lt;/em&gt;... – e no que ser moderado. Nunca amamos o suficiente aquilo que deve ser amado. E nunca somos moderados o suficiente naquilo que deve ser moderado, se necessário com cortes violentos: por exemplo, a mulher do vizinho, que no caso não deve ser moderada, mas excluída das nossas cogitações como quem amputa um braço; sem perder o senso de humor, &lt;em&gt;ça va sans dire&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não ser engolido, mastigado e cuspido pela inveja? Há vários manuais no mercado, mas acho que tudo se resume a não supor que os outros têm o mesmo defeito que nós. Um maldito pé-de-chinelo acha que todo mundo é cleptomaníaco, mesmo sem saber o significado dessa palavra. Conhecemos a cantilena do Machadão, que erra e insiste no seu erro em todos os seus romances, sem deixar de ser clássico: «Não há virtude, só há hipocrisia; se você cava bem fundo, encontrará um escândalo a esconder-se em cada alma piedosa».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na versão pastelão, para quem não é clássico: «Esses padres tão aí porque foram chutados pela namorada» (bem, se foi assim, então estão a merecer um chute divino, ‘jesuit-like’, com chuteiras Umbro e tudo; mas que tenho eu a ver com isso, ô Jefferson Airplane? &lt;em&gt;Do you want somebody to love? / Do you neeeed somebody to lo-ove?&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é balela. O grande efeito da inveja é rebaixar as pessoas que podem ter uma virtude que você não tem, para terminar, pelo menos, no nível delas. Não se trata de inveja, apenas: isso é traição. Se você está cheio de defeitos terríveis e não consegue superá-los, vai sentir vontade de trair até o seu melhor amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso não devemos ter medo e chamar as coisas pelos seus nomes; o resto é mentira. A inveja torna tudo suspeito. É um modo de rebaixar a tudo e a todos. Lobo Antunes começa uma crônica assim: «Sempre achei que a minha maior qualidade era a ausência de inveja. Para ser inteiramente honesto confesso que é mentira».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cara acabou de dizer uma verdade: porque a sinceridade começa quando procuramos, encontramos e esmagamos alguma mentira a nosso respeito que andava travestida de virtude. E o Richard Mitchell, numa conferência: «Instead of reading books telling you: oh you’re so good!, we should turn up to the ones which say: oh you suck».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu fosse um maldito hippie eu diria: «Basta ler o nosso livro interior», mas eu não comprei o meu senso estético na Santa Ifigênia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso não pense, caro leitor, que escrevo para você: seria paranóia demais pensar que só você sofre de inveja, e ademais eu não poderia acusar ninguém sem me ferrar no mesmo minuto. A única pessoa que, tenho certeza absoluta, sofre dela, sou eu. Yes, I rot, and I predict a riot.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um mecanismo que costuma ser interpretado como um expediente ingênuo, mas que é a chave para não morrer de inveja e começar, pela primeira vez, a crescer e deixar de ser um meninão. Trata-se de cegar-se para os defeitos dos outros, procurando as suas qualidades e, numa certa medida, proceder da forma inversa conosco próprios: sendo exigentes e implacáveis quando o assunto é o ‘eu’. As minhas qualidades existem; mas eu já as contemplo demais, de modo que não há perigo de pessimismo. Quanto aos outros, os seus defeitos existem em abundância; mas eu os contemplo demais (e pior: presumo que existem defeitos onde não os há), de modo que não há perigo de otimismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer esforço sério por melhorar passa por esse tipo de mecanismo aparentemente paradoxal, estranho. É o gênero de coisas que a psicanálise ignora, porque é humano demais, pouco sistematizável, arredio ao controle. As ciências da psique, ou o que seja, costumam complicar o que é simples e tentar meter num leito de Procusto o que é complexo, variável e imprevisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais complicado o sistema, menor o controle da realidade – tudo o que deveria ficar sob as rédeas da consciência, da sindérese e da prudência passa ao sistema, que é burro e não sabe decidir por você. É por isso que até a cultura literária – que fica o mais longe possível dos sistemas – não costuma ser de muito ajuda quando morre alguém, quando a namorada chuta a nossa bunda ou o Arsenal perde para o Milan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, quanto foi o jogo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-5648254086541550510?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/5648254086541550510/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=5648254086541550510' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/5648254086541550510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/5648254086541550510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/02/whosoever-has-not-been-dharma-bum-may.html' title='Whosoever has not been a dharma bum may throw the first rolling stone'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-3575114009436830773</id><published>2008-02-15T05:48:00.000-08:00</published><updated>2008-02-20T07:29:09.430-08:00</updated><title type='text'>Removal of primary somatic sensory cortex may cause severe brain cabbage</title><content type='html'>Bem, continuando o assunto do clericalismo, aí vai uma resposta a um ou outro comentário ao post retrasado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém diz - se entendi bem - que, por exemplo, se a Ressurreição ocorreu, e acreditamos nisso, nossa vida nunca poderia ser uma vida ordinária. Ora, o problema é o que entendemos por vida ordinária. Se é uma vida medíocre, incompatível com as exigências do cristianismo - que são heróicas, radicais, politicamente incorretas, aquela coisa toda -, então, meu amigo, eu não quero ter uma vida ordinária e não desejo isso a ninguém, nem para o meu pior inimigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, se por vida ordinária entendemos trabalho, vestuário, descanso, lazer, relações sociais, enfim, tudo aquilo que uma pessoa faz habitualmente, a não ser que seja um maldito hippie, então sim, com toda a certeza, o cristianismo não só é compatível com ela, mas a exige para 99% das pessoas, excluindo apenas os religiosos e os clérigos (embora mesmo estes levem, dentro das suas circunstâncias, uma vida igualmente ordinária). Fazendo referência a um comentário, digo que, se eu tivesse uma visão mística - Deus me livre -, continuaria fazendo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;exatamente &lt;/span&gt;as mesmas coisas que faço, talvez com um estímulo a mais. Se dependo de visões ou coisas do tipo para me tocar, pfui, então sou um hipócrita (ou melhor, mais hipócrita do que deveria).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pessoal imagina Jesus, José e Maria fazendo coisas estranhas: levitando, falando manso, cheirando flores, vestindo roupas rasgadas, aquela coisa toda. Isso é coisa de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;freaks&lt;/span&gt;. Além disso, nenhum deles era freira ou monge: isso nem existia, embora esteja feliz, como todo mundo, que isso tenha surgido - e, só para lembrar, você não é o São Francisco; ele tinha todos os motivos para fazer o que fez (o cara tinha moral para isso, além da vocação). Esse pessoal todo era mais normal do que eu e você. São as cabeças daquela "elite da normalidade" da qual eu falei certa vez. Se vivessem hoje, teriam profissões normais e você nem os notaria. Cristo era um judeu como os outros, que teve excelente instrução e trabalhava com seu pai; só mais tarde se manifestou publicamente como sendo - &lt;em&gt;wow, niggah! &lt;/em&gt;(isso não é hebraico, é &lt;em&gt;black english&lt;/em&gt;, ô seu carola solteirão) &lt;em&gt;-&lt;/em&gt; o Verbo, e assim mesmo com uma discrição heróica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é pura historiografia. Raw facts, dude. Oh, get a job.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de um cara se tornar católico não muda o seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;status&lt;/span&gt; na sociedade. Ele continua engenheiro, financista, ele continua um maldito cigano (por Zeus, como os ciganos são fera). Se ele começar a usar roupas da Palestina, leva um "pedala" na cabeça, até aprender. Se começar a citar frases da bíblia no meio de uma reunião de família, no ambiente de trabalho, certamente vão pensar: esse sujeito perdeu a noção. Perdeu mesmo. Ser católico não é citar a bíblia e sair para o abraço: as virtudes se vivem, mesmo em grau heróico, com naturalidade absoluta. Tudo bem, temos de compreender essas atitudes estranhas: a falta de formação é uma realidade, ainda mais no que se refere ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;normal people mode &lt;/span&gt;(quase sempre no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;stand by&lt;/span&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há atitudes que chocam, evidentemente: "ah, então o cara não vai pra balada?" É pra chocar mesmo. O cristão é um transgressor social da pior espécie, mesmo quando é natural e odeia chamar a atenção. Mas a maioria dessas atitudes chocam justamente porque são normais. É a norma, e não a estatística, o que conta. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;There are three kinds of lies: lies, wretched lies, and statistics&lt;/span&gt;. A balada foi feita para bundões. Não deveria chocar que um cara não quisesse ser um bundão. Mas se choca, I don't give a shit.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-3575114009436830773?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/3575114009436830773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=3575114009436830773' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/3575114009436830773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/3575114009436830773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/02/removal-of-primary-somatic-sensory.html' title='Removal of primary somatic sensory cortex may cause severe brain cabbage'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-389640095765411184</id><published>2008-02-11T06:12:00.000-08:00</published><updated>2008-02-11T06:47:13.485-08:00</updated><title type='text'>Happy not-that-few</title><content type='html'>Coloquei ao lado o link para o Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS) - Departamento de Humanidades, antigo Centro de Extensão Universitária, conhecido pelo Master em Jornalismo. Vários dos professores do Módulo de Educação Clássica - Luiz Felipe Pondé, Martim Vasques da Cunha, Érico Nogueira, Marcelo Consentino, Gabriel Ferreira da Silva, Renato José de Moraes, Pedro Sette Câmara e Henrique Elfes - de uma forma ou outra representam o que há de melhor na renovação do pensamento brasileiro em pequena escala, quase sempre fora do alcance dos holofotes do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mass media&lt;/span&gt; (alguns participam do grupo de estudos de filosofia do centro do Sumaré, de modo que tenho a opinião 'suspeita' de quem está próximo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além destes, estão o Nivaldo Cordeiro, o João Pereira Coutinho e muitos outros, que neste ano, a convite do diretor do departamento - Martim Vasques - darão conferências por lá. E muito mais virá com o tempo, inclusive um estreitamento de vínculos com o pessoal do além-mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem mora em São Paulo ou possa vir, mesmo morando longe, que seja esperto. O projeto é pioneiro: não temos nada no Brasil que se aproxime de fato dos moldes da educação liberal (Newman, Great Books, M. Adler, A. Bloom), amplamente testada, por exemplo, no St. John College, de certa forma em Oxford e na Universidade Católica de Lisboa; às vezes, falta gente competente; às vezes, sobra ideologia, intrigas, essas coisas desagradáveis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-389640095765411184?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/389640095765411184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=389640095765411184' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/389640095765411184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/389640095765411184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/02/happy-not-that-few.html' title='Happy not-that-few'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-3487445649205518963</id><published>2008-02-08T06:37:00.000-08:00</published><updated>2008-02-08T10:49:42.730-08:00</updated><title type='text'>And we were galloping manic</title><content type='html'>Alguém arriscaria uma definição de clericalismo? Em nenhum livro achei – mas que há um «anticlericalismo» bom, há, e posso citar exemplos clássicos: São Felipe Néri, Newman e Thomas More, que entendiam muito bem a diferença entre o preconceito verdadeiramente anticlerical e a autonomia dos leigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você é católico, não faz propaganda disso e não vive sob a batina de um clérigo, procurando ser um bom advogado, um bom escritor, um bom pianista, você entendeu como as coisas funcionam – e o clero vai te agradecer por não viver na sacristia, mas no seu escritório ou ao lado do seu piano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso imaginar – porque há exemplos vivos – um ateu clerical. É o cara que, quando sem querer entra numa igreja, fica encurvado, com medo, e age como se estivesse num campo de concentração. Esse cara é clerical. Se duvidar, vai até puxar uma musiquinha sentimental para se sentir bem, para se sentir «por dentro». Dentro de um comunista dos anos 30 na Espanha havia sempre um cara «de Igreja», pronto a imitar religiosos e seminaristas: bastava ele se converter e logo tinham de lhe explicar como se comportar: sendo menos ostensivo com a sua roupa católica e a sua vitrola católica e o seu modo «católico» de falar. Além de mau-gosto, o «catolicão» precisa aprender a adquirir virtudes de homem, a não fazer pregações e a não viver como quem pede desculpas por estar vivo. Não há nada mais anti-cristão do que ser um &lt;em&gt;religious freak&lt;/em&gt; ou um pregador do Speaker’s Corner que deveria estar num hospício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A melhor forma de ser católico é ser discreto. É não ser «o católico», o sujeito que faz todo mundo pensar: «aí vem o católico». E tem também o católico de lista de discussão, o católico amigo do padre, o católico amigo do abade, o católico de Internet. Veja bem, não estou atiçando a ira contra essas pessoas; eles vão muito melhor do que os pós-estruturalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que falta é o seguinte: pessoas normais, exigentes, que não deixam um operário ir embora enquanto não fizer o seu trabalho direito, que cobram bem pelo que fazem («eu sou cristão, humilde, então trabalho quase de graça»), que ditam comportamentos. Esse é o nosso sonho de consumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine uma estilista de moda, Sarah Newborn, mãe de 5 filhos, super in, tudo de bom, e que reza o terço todos os dias. Porra, isso é que é vida. Brendon de Vito, empresário, ainda solteiro, com um sorriso entre maroto e irônico típico da turma ’99 de Harvard, com um currículo invejável e boa pinta. Um cara desses, se for católico, alguém pode acusar de clericalismo? E um bombeiro levemente arrogante, mas coerente, que diz aos amigos que estão sendo uns idiotas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses dias li uma entrevista com Malu Mader sobre esse filminho recém lançado do qual ela participou. Ela dizia que, pessoalmente, é fiel ao marido; mas que, do jeito como as coisas estão – o adultério é comum –, não tem nada contra. Que cabeça de jaca! Qual a relação entre a estatística e o que é melhor? No lugar dela, gostaria de ver uma atriz muito mais atraente dizendo algo como: «Divórcio? Isso é tão... anos 60... tão... mocinha de família...». Ora, as heresias são sempre antiguidades decrépitas; e o que faz uma mocinha de família é usar anticoncepcional e viver como uma estudante de 68, egoísta e mal-amada (divórcio traz depressão e rugas; casamento só umas briguinhas violentas que gente adulta resolve pensando menos em si).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha, o beautiful people, que defendo quando posso, deveria estar aí para despejar boas idéias. Eles deveriam pensar. Tudo o que eles falam é assimilado e se torna práxis. Por que não são rebeldes de verdade? Isso eu nunca entendi. Quero ver um James Dean dizendo que pornografia é coisa de canalhas, sem aquela cara de bom moço do Kaká.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou o cara tem estilo e fala asneira, ou é um caipira que dá bolas dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você tiver a oportunidade, junte as duas coisas boas e seja feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se há vários modos de não ser homem, o pior deles é o de fazer comentários cínicos na caixa de comentários sem se identificar. Isso me lembra aquele filme «Te pego lá fora». Se calhar vou inserir no blog uma caixa com esse título para o cara marcar briga lá fora, informando a altura, o peso e o currículo em artes marciais, boxe, essas coisas. Aviso que vou armado com um Plautus’s &lt;em&gt;Opera omnia&lt;/em&gt; pesando 6 kg.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oká, Julio, agora larga esse Paul Auster.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35343279-3487445649205518963?l=julio-lemos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://julio-lemos.blogspot.com/feeds/3487445649205518963/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35343279&amp;postID=3487445649205518963' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/3487445649205518963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35343279/posts/default/3487445649205518963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://julio-lemos.blogspot.com/2008/02/and-we-were-galloping-manic.html' title='And we were galloping manic'/><author><name>Julio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08839672132652021289</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_yeo7MAo0ah4/SljeJRIHA0I/AAAAAAAAAY4/GJJC0k9ysYc/S220/julioblg.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35343279.post-2330825820839232692</id><published>2008-01-28T04:08:00.000-08:00</published><updated>2008-01-30T03:25:53.759-08:00</updated><title type='text'>Quandoque in iure te conspicio</title><content type='html'>Goth haicai&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I expect indeed, alone, a Christian Death.&lt;br /&gt;And oh pray this Death in June be&lt;br /&gt;For I desire Joy, Division none.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas pescaria sempre foi legal. Os psicanalistas estão certos quando não se excedem: alguma coisa no inconsciente aflora quando se joga anzóis n’água, esperando que Algo no fundo agarre a isca. Isso é saudável. Os melhores sonhos têm esse tema: uma enorme piscina em que se pode ver enormes peixes no fundo, esperando ser pescados. Ou mudar para uma casa com um lago subterrâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um esporte contemplativo, metafísico: quando praticado em criança, prepara a cabeça – a inteligência investigativa junto com a imaginação – para descobertas mais interessantes logo adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito simples. Afora o lado técnico (a arte), que é relativamente rico e complexo, basta preparar o equipamento e esperar. Há vida lá embaixo; você não sabe o que vai acontecer. O engraçado é que o bom pescador sempre leva a melhor; ele atrai os peixes, por incrível que pareça (nunca consegui explicar esse fato: meu pai vai pescar com tamanha confiança na arte, que nunca falha – já pescou até tilápias com capim, e uma carpa lendária de uns 15 kg, numa pequena represa, com um anzol Mustad do tamanho de uma unha do mindinho). Não é superstição; é estatística: mesmo que as varas estejam uma ao lado da outra, o bom peixe vai na do cara que manja do assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o único esporte na qual a modalidade que normalmente se julga politicamente correta – «pesque e solte» – é muito mais chocante para os ecologistas do que a tradicional (peque e frite).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lado metafísico poucos pegam conscientemente. Mas isso não importa: como em tudo o que transcende o puramente factual, não é necessário fazer filosofia para aproveitar o que a pescaria tem a oferecer de metafísico. Basta pescar, com competência e «eutrapélia», a arte de se divertir e descansar com sabedoria. Como a caça, a pescaria é uma busca pelo desconhecido, um desejo de profundidade do qual poucos se dão conta (foi preciso que Ortega y Gasset escrevesse um livro sobre a caça para que se notasse isso; mas a caça é uma arte antiqüíssima, e ninguém precisava desse livro para vivê-la de verdade).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é preciso que haja pescadores para que as melhores metáforas continuem fazendo sentido. A providência se encarregará disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos um grande problema: o espírito brasileiro não inclui, entre as suas virtudes, a excelência no trabalho. Há exceções: mas mesmo essas exceções estão, no final de semana, rindo de piadas que glorificam o desleixo. Estou mentindo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O português, por exemplo, assim como o suíço, é um cara caprichoso, no bom sentido. Quando pega algo para fazer, e isso é da sua competência, faz muito bem feito, especialmente se é pequeno e ninguém, aparentemente, vai notar. Não sei se algum de vocês andou pela Suíça: o fato é que tudo parece rendilhado, trabalhado, cuidado. Andar pela rua é uma experiência estética. Basicamente, isso é sinal de que o bom gosto – que começa com o capricho – está incorporado na cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que tal ir contra a corrente? Esse é nosso passatempo favorito. Um bom brasileiro não é aquele que traduz os defeitos do ser-brasileiro; é o cara que quebra as convenções, mantendo as virtudes do povo e simultaneamente combatendo as suas «qualidades simpáticas»: a preguiça, o desleixo, a informalidade auto-complacente (olhe num dicionário bom para ver se errei no hífen). Assim, ser brasileiro mesmo começa por não ser brasileiro naquilo que destoa do bom gosto e da excelência. É preciso até, se necessário, ser meio mal-educado com esses defeitos genéticos, dando uma de eugenista e de metido a europeu, desde que com moderação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos, assim, ser brasileiros com orgulho de não ser brasileiros. Às vezes é bom explicar os termos; às vezes é bom mandar essa explicação às favas, como faz ali o Alexandre Soares Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que não dá é ser um maldito preguiço
