Quarta-feira, Abril 29, 2009

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Olá, primeiro post via smartphone.

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Es konnte auch auf diese hochintelligente Sprache geschrieben werden, aber es geht nicht. Der Deutscher, der drinnen wohnt, ist normalerweise kaputtgemacht, oder ´was. Das Problem besteht darin, daß er immer besofen ist.

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Sempre o problema de viver os fatos como se estivéssemos em casa, tomando uma cerveja. Os altos e baixos, por mais que as hordas protestem, constituem um sinal de que, por vaidade, estamos insistindo em algum erro essencial. Em uma palavra - se não é problema para os médicos resolverem (e negá-lo seria outro sinal de vaidade) - imaturidade.

Domingo, Abril 19, 2009

So lost in the sacred majesty

O objetivo mais humano - a saber, viver ancorado numa profunda alegria em meio à dureza inescapável da vida - não se atinge humanamente. Alguns diriam que é uma pena, mas até aqui se manifesta paradoxalmente a dureza da vida. Como comunicar o segredo dessa alegria? Por definição, trata-se de um fato imediatamente incomunicável. Por isso a frustração de quem tenta compartilhar esse segredo - nesse momento esquecendo-se de que, novamente, será necessário ancorar-se ainda mais nesse gaudium a fim de confortar-se diante da sua própria inexcrutabilidade.

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A alegria nos pede que a compartilhemos. E mais uma vez sofremos com a sua incomunicabilidade imediata, embora não impossível a longo prazo. Quem quer comunicá-la, conhecendo a limitação da sua comunicabilidade, precisará de algo que só o seu interlocutor pode dar: a sua liberdade. O acesso à alegria passa pelo bom uso da liberdade, algo difícil de se atingir. Se podemos compartilhar conhecimentos com certa facilidade, não podemos compartilhar a livre adesão a algo que pressupõe uma grande responsabilidade.

Eis algo que o próprio Deus não pode tocar, ou melhor, não quer, de modo algum, tocar. A tua liberdade, o teu aqui e agora diante das escolhas (ou ainda, a tua escolha diante do hic et nunc). Os bens mais excelentes escondem-se, esquivam-se dos orgulhosos e dos que não querem gastar a sua vida. Mas essa é a realidade, essa a constituição da persona.

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A eternidade é a posse simultânea e perfeita de todos os instantes e de toda essa alegria, a *interminabilis vitae tota simul et perfecta possesio* de Boécio: sendo a vida enraizada no tempo, isso exige paciência, e o tipo mais duro de paciência, que deve se dispor a enfrentar a inexcrutabilidade do futuro (pode ser uma paciência para hoje ou para daqui 50 anos, nunca se sabe - e aqui entra a afirmação de Aristóteles de que só é possível conhecer a felicidade de um homem após a sua morte). Paciência = fidelidade.

A dança é a arte da paciência. (E assim devo estar a copiar algum teórico do ballet).

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Isso me lembra a história de um ex-agente da KGB, que com toda a sinceridade, admitia a sua maldade ao se deixar recrutar pela organização. Todos os que reclamam que foram recrutados esquecem que, apesar de tudo o que possa pesar em seu favor (que sim, devemos levar em conta e suspender o julgamento pessoal), deram o seu assentimento quando podiam não tê-lo dado. Ninguém se torna um assassino por exigência do meio.

E assim ninguém alcança a felicidade em virtude de um determinismo. Se somos recrutados por uma falsa alegria, "a joy that glows at Nature's bourn" (Shelley), a responsabilidade é só nossa.

É para esquecer a idéia de que liberdade rima com facilidade que alguns homens cessaram de a procurar e a encontraram, no meio das maiores dificuldades. Isso significa gastar a vida, não querer segurá-la, mão sucumbir a uma filosofia fácil e irresponsável que tem como mote o "livre exame da constituição do mundo e do homem", ou seja, uma fuga da realidade do sofrimento.

Os passos mais difíceis da filosofia são pouco teóricos: implicam uma escolha livre que, sinceramente, dói, complica a vida. Reconhecer os erros pessoais - reconhecer que fomos recrutados livremente pela falsidade - é das coisas mais dolorosas que há, mas também das mais saudáveis.

Segunda-feira, Abril 13, 2009

Eu te chamo de panaca e você diz olá (Beatles)

De volta. Feliz Páscoa, sem os cuidados politicamente corretos de costume.

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Ouvi há alguns dias de um famoso professor de Roma que o alemão é como a sua mulher: você a ama, quer mantê-la consigo, mas nunca, em hipótese alguma, poderá dominá-la.

APPLAUSE, lat. applaudere.

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Os ataques recentes ao papa, por ocasião da sua visita à África, mostram como os intelectuais ainda não conseguiram obter aquilo que tanto sonharam: distinguir-se das massas. (Com alguma veemência compreensível, aqui estão os comentários do filósofo Olavo de Carvalho a esse respeito).

Chama a atenção (sem crase) como as opiniões da inteligência identificam-se com as opiniões geradas espontaneamente e ad hoc nos botecos e entre uma novela e outra. O que escandaliza o povo escandaliza o jornalista, escandaliza o professor, escandaliza o escritor gaúcho suburbano, escandaliza a tia da psicologia que estudou em Paris.

E todos entram felizes e saltitantes no mesmo saco.

Eu usaria sempre, não fosse a carga meio babaca associada ao termo, a palavra "reacionário" para designar a pessoa que não se sente bem entrando nesse saco. Que seja. Que seja moderno, seja conservador, seja o carajo que seja, e que um raio nos parta que seja o que seja.

E um passo além será escandalizar os reacionários, que - salvo honrosas exceções - costumam entrar no mesmo saco quando ninguém está olhando. Eis a tentação da ideologia, e mesmo a da ideologia sincera que tem como mote o desprezo a qualquer forma de ideologia.

Se mantemos a palavra intacta de vícios, chamaremos "homem sensato" a quem consegue, no meio de tantas tentações, escapar desse maldito saco de gatos pacíficos, mesmo que seja para apanhar diariamente e para cometer as suas pequenas, e muito humanas, traições.

O homem é mesmo o ser que esquece, seja quem for o autor desse simples e brilhante provérbio, e apague a luz quem sair por último.