Quarta-feira, Janeiro 28, 2009

Bela Lugosi's Red, He's fed, He's fed, He's fed

Nunca falei de Guimarães Rosa porque nunca tinha lido com calma. Ainda não é o momento de falar, e nem sei se ele vai chegar, mas ao ler Manuelzão e Miguilim, ouso dizer, tive orgulho de ter nascido na mesma terra que ele (ia dizer "de ser brasileiro", mas o senso do ridículo censurou-me).


Guimarães Rosa é, em alguns aspectos, um modernista - se é que podemos aplicar-lhe essa 'ofensa' - muito melhor do que Joyce: como afirmou um estudioso no prefácio ao livro de correspondências entre Guimarães Rosa e o seu tradutor alemão em Munique, Guimarães está mais para "reacionário" do que para "revolucionário", por tentar recuperar o sentido original das palavras, recuperar o tempo em que elas estavam vivas. É um autor que Nicolai Berdiaev gostaria de ler.


Sou um velho leitor de Graciliano Ramos, mas temo que ela vá ser preterido. Temos pouquíssimos bons prosadores - gente que realmente nos faz pensar que estamos diante de alguém mais inteligente ou o que seja. A pergunta que sempre nos vem diante de um romance nacional é: "Por que vou perder tempo com um cara frustrado e meio medíocre se posso ler Evelyn Waugh?"


E não entro em detalhes. É puro advertisement.

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No avião, o menino chama a mãe para olhar pela janela e diz, com convicção: "Olha, mãe, o Google Earth".

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Os fleumáticos - uma hora o momento chega - acabam por fazer a seguinte pergunta: "Why can't you see / I'm burning inside?" Essa frase povoa, como uma cultura de bactérias, as canções de rock inglesas. É por isso que elas são tão boas.

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Se eu tivesse a fé de um ateu, seria santo.

Gozada essa onda publicitária dos Novos Ateus na Grã-Bretanha. Se eu fosse a mãe, descia a mão e chamava o moleque de chato de galochas.

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Se o diabo não existisse, ele teria um nome insosso como "Sting" e cantaria numa banda insossa como "The Police".

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O jedi tem função social.

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Vem aí tocar no Brasil o Peter Murphy, vocalista do Bauhaus, para o lançamento do novo álbum "Go Away White".

Daí um cara estranho na Paulista o reconhece, puxa ele de lado e diz, sem a sua serenidade habitual: "Eu quero a minha adolescência de volta, seu morcego filho da puta!"

"Olha, mãe, o Batman", diz o menino do avião.

Segunda-feira, Janeiro 19, 2009

When Your Mind's Made Up

Cena da gravação de "When Your Mind's Made Up", em Once (Apenas Uma Vez). Bem, pois então assistam o filme.

Sábado, Janeiro 17, 2009

Se una notte d'inverno un cornuto

Se a vida é movida a paradoxos? Antes, os paradoxos são a única forma de expressar, pela linguagem oral ou escrita, certos aspectos da realidade. Se não há paradoxo, não há fidelidade.

Se digo que a grande meta, no terreno do comportamento, é trazer para si a responsabilidade e, ao mesmo tempo, estar totalmente à vontade, estou dizendo que a alegria genuína é uma espécie de paz na guerra. E o ideal para os pais: firmeza e amabilidade, tudo ao mesmo tempo. É certamente como descreverá alguém que tenha sensibilidade a experiência de um filho diante de um pai e uma mãe na medida certa.

Teorias educacionais e explicações sintéticas da realidade - e talvez toda a procura por uma teoria - nutrem quase sempre um ódio ao paradoxo; ele rouba à teoria a sua capacidade de abarcar a realidade, sempre rebelde às certezas e ao quadriculamento.

Não há nada pior do que um médico 'convicto', que está sempre com a sensação de acertar em tudo; quando se trata de um psicanalista, a tragédia é ainda maior (vejo sempre freudianos cheio de certezas). O médico inteligente é aquele que desconfia sistematicamente da sua habilidade, embora não tenha medo de decidir. Eh, mais um paradoxo.

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Nós esquecemos de tudo. Dizia o Nicolás que o pecado é sempre um esquecimento: uma desordem nas prioridades, na ordo amoris. E vamos seguir errando, nos dois sentidos do termo, enquanto não nos lembrarmos de que importa não esquecer, numquam obliviscere fidem tuam.

Por isso o sucesso de tudo o que 'esquece'. Uma palavra repetida: "Esqueci", que vende muito bem. A memória anda em baixa porque a fidelidade anda em baixa. É um enraizamento tedioso no imediato-sem-memória. O imediato é, sim, o único; mas ele vive de contágios com as resoluções, os valores, as retificações. Sem esse contágio, o presente é uma fixação no nada.

O sucesso dos adágios é sinal de saúde mental coletiva.

Cole no seu carro: quid hoc ad aeternitatem?, que diabos essa joça importa diante da eternidade?, e cause muitos abalroamentos de automóveis, engavetamentos, sinistros incalculáveis, enfim, muito trabalho para a polícia.

Sábado, Janeiro 10, 2009

Obiter dictum

Lendo The Rest is Noise, de Alex Ross, crítico musical da New Yorker: uma história informal da música no séc. XX, cheia de fofocas e, principalmente, de análises de composições. Impressionante o sucesso que fez o livro entre o grande público. O livro abre com flashes de estréias fulgurantes de Strauss e Mahler, duas figuras opostas, ambas suficientemente excêntricas. O segundo capítulo abre com a história de dois personagens: um ficcional, Adrian Leverkühn, e outro real, o lendário Schoenberg. Um must.

Um episódio divertido: Mahler, depois de assistir a uma execução de Five Pieces de Schoenberg, conhecida pelo atonalismo 'livre', ordenou à orquestra que tocasse um acorde de Dó maior (uma tríade, com a fundamental, a 3.a e a 5.a). A orquestra obedeceu, tocando o acorde, e Mahler disse: "Obrigado", aliviado, e saiu.


Se querem um bom review, abram a Dicta n. 2 e procurem pelo breve artigo do Guilherme Malzoni.

Sexta-feira, Janeiro 02, 2009

You like playing the 'antichrist' (you're gay)

E fica a grande pergunta: qual o valor de Finnegans Wake? Tenho esse livro na cabeceira, mas nunca terminei. Às vezes me divirto com ele, como os fans do Jean-Luc "Ceci n'est pas Resnais" Godard, aquele cabeça-de-couve, se divertem com erros cinematográficos intencionais. A verdade é que é um clássico, em certo sentido, mas um clássico isolado, sem conexão com outros grandes livros - talvez com exceção de Tristram Shandy -, e que só acerta, no terreno das idéias, acidentalmente.


Talvez o seu grande problema seja ter inspirado Paulo Leminsky a escrever "Catatau (prosa experimental)".


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Ouvir dizer que alguém "dedicou a vida a defender o liberalismo" ou qualquer sistema de idéias me soa pior do que ouvir dizer que alguém "dedicou a vida a xingar o Parreira".


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Breakfast Epiphany.

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Grow a reactionary moustache and commit social suicide.