
Para quem ainda não sabe, o número 3 da Dicta será lançado nos próximos dias. Eis a capa.
Foi uma surpresa, até para mim, como as coisas se passaram. A entrevista com o ex-presidente FHC é tudo menos uma entrevista comum. Cremos ter feito - os créditos vão para o entrevistador e para o time da Dicta, que formulou as perguntas com um grande cuidado - um bom trabalho de jornalismo (cabe todavia ao leitor julgar), que implica deixar o sensacionalismo de lado e ir às coisas importantes, sem tirar nada do contexto.
Fiquei muito contente também com o artigo do Olavo, que ainda não tive oportunidade de ler. Os livros do Mario Ferreira dos Santos foram meu primeiro guia quando comecei a estudar metafísica há mais ou menos 7 anos atrás. E por aí vai.
Teremos surpresas também por ocasião do lançamento, que será muito diferente do "habitual".
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Peço desculpas, se é que alguém percebeu, pelo longo tempo sem postar. Eu costumo me desconectar fisicamente da Internet - meu notebook está voluntariamente sem acesso - para poder trabalhar em paz. E eis que -
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Acabo de ler Das Gefängnis der Freiheit de Michael Ende (1992), excelente livro de contos quase que expressamente dedicado a Jorge Luis Borges. Não tenho notícias da sua tradução para o português - o que é uma pena -, mas é possível conferir a tradução espanhola, La prisión de la libertad.
Não é difícil perceber que todos os contos estão relacionados entre si, como era de se esperar. Todos são bons e a melhor coisa é lê-los na sequencia disposta no livro, começando pela história de Cyril, filho fleumático de um rico diplomata que procura, sem querer, algum sentido para a sua vida, e indo até a de Wegweiser (o "Homem Placa", entre muitas outras identidades), um homem legendário cujo nascimento e morte estão ligados por um raio. É praticamente impossível voltar ileso para o mundo real, mas a leitura é mesmo assim fortemente recomendada.
Em certo sentido, Ende entende melhor das coisas do que Borges, embora seja talvez inferior do ponto de vista literário. Os gnósticos escrevem melhor, malgrado a sua confusão. Borges brinca, apesar de parecer um homem sisudo (ele dizia que, se pudesse reencarnar, reincidiria com gosto nos mesmos erros). Michael Ende é uma criança que leva a vida realmente a sério.
Tanto que já comecei a ler Momo (1973) e não consigo mais parar.
Descobri há pouco tempo que Michael Ende morreu em 1995. Tinham me dito que ele estava vivo, eu queria continuar nessa ilusão, mas o Google o matou de câncer de estômago.

1 comentários:
Proponho um movimento mundial: um minuto sem postar nada (nem no twitter) em memória do falecido Michael Ende e em protesto contra o Google que insiste em matar todos estes grandes homens!
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