Um dos melhores artigos que li do Olavo de Carvalho. Ele explica o que se deve fazer para se adquirir uma formação filosófica. Não é fácil, mas é o único caminho. As dicas dele se aplicam não só à filosofia, mas a qualquer tipo de estudo sério, guardadas as especifidades. Impagável a parte onde ele explica o método que seu professor utilizava.
Embora em pequena quantidade, também recebo um ou outro e-mail com pedidos de bibliografia e etc. Reenvio os leitores ao artigo do filósofo, que tem toda a competência para esclarecer esse problema (mas tratem de não amolar o pobre Olavo!).
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Acho que isso também ajuda: desfazer-se de uma visão "reclamona" do mundo, deixar a velhice de lado. Essa atitude é extremamente prejudicial, pois impede a pessoa de começar a pensar. A impressão é que tudo está perdido e que não há nada a fazer. Sabemos que não é assim. O mundo é como é, nosso ambiente é esse mesmo, e aí devemos nos esforçar para ser melhores, calar e trabalhar. A Europa não é nenhuma espécie de "último baluarte da cultura" (para os poucos que ainda alimentam semelhante esperança), e o Brasil nunca foi uma terra boa para se pensar. É sempre hora de ligar o "I don't give a f***", com o perdão da expressão.
Não advogo uma visão ingênua do mundo, como vocês já estão carecas de saber (alguns literalmente). Mas sou a favor do otimismo esperto, se é que podemos chamá-lo assim. O pessimismo sempre teve mais glamour. É muito mais chique reclamar e dar uma de sombrio. Não sei, essa é a minha natureza. Embora não me sinta tão bem, gosto de dias nublados, clipes do The Cure (e agora, a música do Bat For Lashes), e até gostava de usar preto; afinal de contas, meu avô sempre reclamou do Sol porque a seca era prejudicial à fazenda, e meu pai só escutava música anglo-saxônica. Sempre achei que as "pessoas felizes" fossem meio babacas. Preconceito besta.
Mas isso é uma questão de propensão natural. Só crescemos contrariando um pouco nossas tendências, só por birra, e não precisava nem o Confúcio tê-lo dito (para citar um autor contemporâneo, entre muitos outros). O bom mesmo é ser imprevisível.
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Acabo de voltar de uma exposição chamada Luxus und Decandenz - Römisches Leben am Golf von Neapel, com descobertas arqueológicas de Pompéia vindas de Nápoles, tudo muito bem disposto e organizado. Não sei porque, mas havia aquele toque pós-moderno. Entre os souvenirs, um ímã de geladeira com a inscrição o tempora o mores, sabonetes e audiobooks com obras de Sêneca. Ouvi alguém dizendo, "mãe, eu quero um sabonete do Horácio", e lembrei-me imediatamente da Turma da Mônica.
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Embora a Europa não seja mais o que foi, ainda vejo gente estudando papiros, e falando deles em reuniões informais. Tenho uma colega de pouco mais de 20 anos que passa o dia estudando papiros gregos, e que parece ter saído do séc. XIX. Sou a favor do Estado conceder bolsa de estudos para 1 papirologista cada vez que 1 novo irmão do Eminem iniciar a sua carreira no rap. É a lei do equilíbrio universal. Quando não houver mais gente que saiba escrever sem errar oxyrhynchus papyri (mesmo que tenha esquecido o que significa), o mundo terá embarcado dessa para uma melhor. Eu lamento.
Oká, para manter a cultura viva, deixo um link para o site oxfordiano onde se pode consultar de graça imagens dos papiros mencionados. Agora, cuidado. No momento em que a página for acessada, um outro irmão do Eminem largará a Ilíada* e dirá um doloroso Yo!, lembrando que, quando era bebê, cuspiam na sua cerveja enquanto ele fingia dormir a sesta.
Então ferrar-nos-emos, sem qualquer menção ao estado decadente do rock.
* (23) Coincidentemente, as primeiras palavras da Iliáda são Eminem áeide theà, e assim por diante.
Domingo, Maio 10, 2009
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5 comentários:
Eu sou um dos carecas literais. :)
Aos poucos tenho deixado de ser um pessimista literal, em que pese as crises, sejam as econômicas, sejam as pessoais. Ainda que a falência seja previsível, é possível encarar a parada. Não foi dito que acertaríamos, mas que tentássemos. Um abraço, Julio, ainda escrevo contando mais desta terra brasilis.
Fico pensando... e se houver um número impares de seres? Haverá um rapper helenista?
Ok, hora de dormir. :)
bom assunto pra um post: afinal, pq as pessoas alegronas parecem meio babacas? escreverei sobre isso...é de se pensar.
Ferrar-nos-emos é uma dupla redundância. Um certificate of pagan sacrifice pra você, 'lemão.
na boa, é real esse troço do pessimismo. todo filme aí de arte tem um protagonista triste ou com um final triste -- o lance não é só o glamour na tristeza, mas neguinho botar sempre goela abaixo que se você se enveredar por estes caminhos vários e virar esse cara 'inteligente', sensível, cê vai ser triste também.
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