Segunda-feira, Abril 13, 2009

Eu te chamo de panaca e você diz olá (Beatles)

De volta. Feliz Páscoa, sem os cuidados politicamente corretos de costume.

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Ouvi há alguns dias de um famoso professor de Roma que o alemão é como a sua mulher: você a ama, quer mantê-la consigo, mas nunca, em hipótese alguma, poderá dominá-la.

APPLAUSE, lat. applaudere.

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Os ataques recentes ao papa, por ocasião da sua visita à África, mostram como os intelectuais ainda não conseguiram obter aquilo que tanto sonharam: distinguir-se das massas. (Com alguma veemência compreensível, aqui estão os comentários do filósofo Olavo de Carvalho a esse respeito).

Chama a atenção (sem crase) como as opiniões da inteligência identificam-se com as opiniões geradas espontaneamente e ad hoc nos botecos e entre uma novela e outra. O que escandaliza o povo escandaliza o jornalista, escandaliza o professor, escandaliza o escritor gaúcho suburbano, escandaliza a tia da psicologia que estudou em Paris.

E todos entram felizes e saltitantes no mesmo saco.

Eu usaria sempre, não fosse a carga meio babaca associada ao termo, a palavra "reacionário" para designar a pessoa que não se sente bem entrando nesse saco. Que seja. Que seja moderno, seja conservador, seja o carajo que seja, e que um raio nos parta que seja o que seja.

E um passo além será escandalizar os reacionários, que - salvo honrosas exceções - costumam entrar no mesmo saco quando ninguém está olhando. Eis a tentação da ideologia, e mesmo a da ideologia sincera que tem como mote o desprezo a qualquer forma de ideologia.

Se mantemos a palavra intacta de vícios, chamaremos "homem sensato" a quem consegue, no meio de tantas tentações, escapar desse maldito saco de gatos pacíficos, mesmo que seja para apanhar diariamente e para cometer as suas pequenas, e muito humanas, traições.

O homem é mesmo o ser que esquece, seja quem for o autor desse simples e brilhante provérbio, e apague a luz quem sair por último.