Domingo, Março 29, 2009

Pessoas ameaçando-se com guardanapos

Um amigo dizia, se posso me lembrar bem (lá se foi o meu português - agora não domino língua nenhuma; fiquei no prejuízo), que a maior "epifania do zeitgeist" que jamais experimentou foi ouvir acidentalmente, do rádio de um autoposto no interior de SP, a música "You're Always On My Mind" do Petshop Boys.

Alguém por favor pare essa risada.

* * *

Não é possível viver dignamente se não se é trendy, a não ser que você tenha mais de 60 anos e tenha autoridade suficiente para não sê-lo.

Trendy é um conceito mais usado para cortes de cabelo, mas serve para qualquer coisa. Ele indica que o sujeito entende o seu tempo, na sua profundidade e na sua superficialidade. É preciso amar o mundo mais do que os mundanos, e ao mesmo tempo assumir uma atitude transcendente diante dele.

É preciso unir uma profunda filosofia do ser a uma (auto)imagem fiel, que represente ao mesmo tempo um enraizamento nas tendências contemporâneas e um heróico desprendimento - uma capacidade de dizer não e surpreender que nem os "bons", nem os "maus" costumam ter.

Uma pessoa "boa" é aquela que não sabe negar. Uma pessoa "má", entregue ao cinismo, é aquela que não tem coragem de afirmar. São dois tipos muito presentes no discurso e na ação (como fundamento de motivação para o agir, Handlungsgrundlage).

Estar além do bem e do mal é ser bom - autenticidade que se garante não com provas filosóficas, mas com um comportamento brutalmente afinado com o ser. O ser não se define, o ser diante-se-age.

Nietzsche representa apenas uma sinceridade superficial, de quem não quer chegar até o fim, afinar-se. Um pobre "cristão", o velho Nietzsche, um cagão, por assim dizer (se quer a prova, leia com atenção as suas cartas).

Dá-me pena ver homens perdidos, que um dia são gnósticos - imaginam que o mundo foi esculpido por um demiurgo e não conseguem adaptar-se -, outro dia ateus, outro dia filocristãos, kantianos, o que for, segundo a conveniência ou o estado de espírito. Essa inadaptação é sinal de que o sujeito está ainda sob a saia da mãe. O que não é motivo para escárnio, mas para ajuda.

A ditadura do estado de espírito é o que é, totalitarismo do eu. Divide et impera.

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Agora no twitter. Add juliolemos, cabra. Blog é coisa do passado.

3 comentários:

Christiane Forcinito Ashlay Silva de Oliveira disse...

Julio...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ...

Depois de eu conseguir parar de tant rir e não acabar morrendo... Volto aqui e comento...

Chris

Adriano disse...

Cabra, senti-me obrigado a responder. É preciso defender os meus.

Você que é uma autoridade em auctoritas entende.

Pinguim Sagaz disse...

Todos temos que abordar esse assunto da auto-imagem de vez em quando:
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