Um amigo dizia, se posso me lembrar bem (lá se foi o meu português - agora não domino língua nenhuma; fiquei no prejuízo), que a maior "epifania do zeitgeist" que jamais experimentou foi ouvir acidentalmente, do rádio de um autoposto no interior de SP, a música "You're Always On My Mind" do Petshop Boys.
Alguém por favor pare essa risada.
* * *
Não é possível viver dignamente se não se é trendy, a não ser que você tenha mais de 60 anos e tenha autoridade suficiente para não sê-lo.
Trendy é um conceito mais usado para cortes de cabelo, mas serve para qualquer coisa. Ele indica que o sujeito entende o seu tempo, na sua profundidade e na sua superficialidade. É preciso amar o mundo mais do que os mundanos, e ao mesmo tempo assumir uma atitude transcendente diante dele.
É preciso unir uma profunda filosofia do ser a uma (auto)imagem fiel, que represente ao mesmo tempo um enraizamento nas tendências contemporâneas e um heróico desprendimento - uma capacidade de dizer não e surpreender que nem os "bons", nem os "maus" costumam ter.
Uma pessoa "boa" é aquela que não sabe negar. Uma pessoa "má", entregue ao cinismo, é aquela que não tem coragem de afirmar. São dois tipos muito presentes no discurso e na ação (como fundamento de motivação para o agir, Handlungsgrundlage).
Estar além do bem e do mal é ser bom - autenticidade que se garante não com provas filosóficas, mas com um comportamento brutalmente afinado com o ser. O ser não se define, o ser diante-se-age.
Nietzsche representa apenas uma sinceridade superficial, de quem não quer chegar até o fim, afinar-se. Um pobre "cristão", o velho Nietzsche, um cagão, por assim dizer (se quer a prova, leia com atenção as suas cartas).
Dá-me pena ver homens perdidos, que um dia são gnósticos - imaginam que o mundo foi esculpido por um demiurgo e não conseguem adaptar-se -, outro dia ateus, outro dia filocristãos, kantianos, o que for, segundo a conveniência ou o estado de espírito. Essa inadaptação é sinal de que o sujeito está ainda sob a saia da mãe. O que não é motivo para escárnio, mas para ajuda.
A ditadura do estado de espírito é o que é, totalitarismo do eu. Divide et impera.
* * *
Agora no twitter. Add juliolemos, cabra. Blog é coisa do passado.
Domingo, Março 29, 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)

3 comentários:
Julio...
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ...
Depois de eu conseguir parar de tant rir e não acabar morrendo... Volto aqui e comento...
Chris
Cabra, senti-me obrigado a responder. É preciso defender os meus.
Você que é uma autoridade em auctoritas entende.
Todos temos que abordar esse assunto da auto-imagem de vez em quando:
versão 1 versão 2 versão 3
Postar um comentário