Foi mal, mas terei de ir a Roma na páscoa.
É uma grande ironia ter contato direto (ok, um exagero) com meu objeto de pesquisa. Nos últimos tempos, tenho lido muito sobre as origens de Roma segundo Älfoldi, Momigliano e Gjerstadt. E até as maluquices, digamos, pós-modernas de Andrea Carandini, que em "O nascimento de Roma" juntou dados das novas descobertas arqueológicas sobre o tempo pré-romano e da fundação de Roma com dados da mitologia ligada a Alba e de mitos indoeuropeus. Apesar dele ser um pouco hegeliano, não discordo de todo dos seus pontos de partida, que envolvem dar crédito parcial aos legendary accounts (ler a Eneida e trechos de Hesíodo como se fossem aportes factuais), indo na contramão do ceticismo inglês, por exemplo, de Finley.
Não é hora para fazer filosofia da história, mas, sim, os historiadores se sentem uns alienígenas. Provavelmente porque o são.
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Para algo completamente diferente: tente fingir que você não está tentando fingir não ser brasileiro.
Tarefa jedi para casa: escreva a frase anterior em linguagem booleana.
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Revisitem The Killing Fields, ou pior, Gritos do Silêncio (curiosamente, em alemão Schreiendes Land - algum teutão andou tomando caipirinha), do genial Roland Joffé. Um clássico. Vale até o Imagine de John Lennon rolando ao final, uma ironia tremenda, embora não intencional (fosse eu o diretor, colocaria justamente Imagine no final, fingindo que a letra de Lennon não tem nada em comum com o Khmer Vermelho - and no religion, too). A fotografia do filme é perfeita, para quem gosta de alguma nostalgia com câmeras verdadeiramente analógicas. E aquela cena com Sidney diante da televisão, que mostra cenas do Camboja, com um clássico da ópera de sala de estar rolando ao fundo? O que é aquilo? Impagável o cínico, mas generoso, personagem de John Malkovich.
E as crianças cambojanas sofrendo lavagem cerebral, aprendendo graficamente a cortar todos os laços com a família? Spooky.
Um efeito acidental desse filme é que até um jovem de 15 anos dos anos 70 teria, depois de assisti-lo, a chance de se tornar anticomunista e trocar o baseado pelo Marlboro.
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Certas acusações desesperadas me trazem à memória a história de um colega da escola que, aos 8 anos de idade, levantou suspeitas de estar apaixonado por uma Maria Isabel, de 9 anos, uma garota da nossa classe que, segundo o vox minusculi populi, era mais bonita que, sei lá, a Angélica. Sua defesa:
- Sai fora, ô, tá maluco, nunca nem olhei pra ela (não convenceu)
Insistimos mais um pouco e eis a desculpa desesperada:
- Ah meu, sai fora, ela até tem cara de que é... sapatão...
A teoria, obviamente falsa, ganhou adeptos e até chegou a ser, mais tarde, a communis opinio doctorum.
Sábado, Março 21, 2009
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1 comentários:
Julio, também estarei em Roma pela Páscoa. Tudo indica que nos encontraremos por lá!
Abraços!
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