O mais cômico no mundo da pieguice progressista é o transhumanismo (hifens agora à pqp). Veja lá em transhumanism.org: "we want people to be better than well".
Sim, concordo, mas então comece por não ser um otário e pensar que ainda está no meio de uma partida de GURPS Cyberpunk.
Na minha época, quem jogava GURPS com personagem cheio de membros biônicos e viciado em anfetaminas era bicha.
Só o fato de você querer atribuir a si o epíteto de "pós-humano" já me dá vontade de te espancar com uma perna fleumática do C3-PO (sim, eu também acho que rolaria um "gradiente bacana").
Na Declaração Transhumanista (pqp), o chabi analfabeto que a escreveu diz: "Humanity will be radically changed by technology in the future (right). We foresee the feasibility of redesigning the human condition (aham), including such parameters as the inevitability of aging (conta outra), limitations on human and artificial intellects, unchosen psychology (in english, please), suffering (hello, my name is Future Buddha, love me tender), and our confinement to the planet earth (yeah, right)".
Ahn? Você pensa que vai morar fora da Terra? Você já tem 30 anos, não agüenta nem subir uma montanha, toma Prozac e vai se mudar para outro planeta? Que planeta? O mauricinho Timberland vai preferir os desertos marcianos ao Iguatemi?
Ahn? Você pensa que vai morar fora da Terra? Você já tem 30 anos, não agüenta nem subir uma montanha, toma Prozac e vai se mudar para outro planeta? Que planeta? O mauricinho Timberland vai preferir os desertos marcianos ao Iguatemi?
Pelo jeito, o cara nem percebeu que o ano 2000 foi um fiasco. O ano 2020 será um fiasco também: pouco irá mudar, fora a sua empregada, que vai ter um i-phone, na melhor das hipóteses, o que não é grande vantagem. Pense só: quem vai cozinhar enquanto a empregada roll-down na barrinha de vídeos do youtube?
Eu adoro tecnologia. Mas confesso que os otários não me agradam.
* * *
Um tipo de sofrimento que a medicina cyberpunk nunca vai conseguir eliminar é o constrangimento. Isso me lembra de um amigo que, obrigado a participar de uma terapia de grupo, aguentou o tranco estoicamente. Mas aí veio a psicóloga e perguntou-lhe, após o experimento de "exclusão social" em que todos faziam um círculo com seus corpos e não o deixavam entrar: "como você se sentiu, Ricardo?" (adianto que a única resposta certa, socialmente imposta, era "excluído"). O Ricardo, que é velho de guerra, respondeu com seu sotaque carioca: "constrangido, porra".
Toda essa linha de pensamento débil, piegas e otária das terapias de grupo (um transhumanismo avante a letra), do naturalismo psicodélico, do panteísmo de boutique, é rigorosamente constrangedora.
A minha tese é que até a mais burra, mais foucaultiana das tias da psicologia no fundo, no fundo, se sente ridícula, sabe que há algo muito errado nisso tudo. Mas isso é o salário dela, é o respeito que ela deve às autoridades acadêmicas, é o gostinho de sofrer.
Não podemos eliminar o sofrimento. Para mim já seria um sofrimento enorme se uma autodenominada "nova raça superior de pós-otários" quisesse me amputar o saudável sofrimento de viver. Entendem o paradoxo?
Pois bem, os otários do futuro não entendem. E ninguém vai conseguir eliminar deles o profundo - mas muito útil - sofrimento de serem apenas mortais, destinados a voltarem (daqui a 200, 300 anos de tédio?) ao pó de onde vieram, com ou sem silício no corpo.

6 comentários:
Brave new world?
Eu ri. Bastante.
"Avante a letra" também achei ótimo! Não sei se existe ou você inventou, mas achei ótimo. Copiarei.
E não entendo nada desse alemão que você botou aqui.
Ler:
http://en.wikipedia.org/wiki/Transhumanism#Threats_to_morality_and_democracy_.28Brave_New_World_argument.29
O mais engraçado é que eu estava ouvindo Brave New World do Iron Maiden e postei aquele primeiro comentário. Depois fui no Wikipedia ler sobre o romance, e no "see also" tinha esse link.
Gostei, mas achei reclamão demais. Queria poder ficar incomodado com transhumanistas.
O transhumanismo é coisa lá do tempo do onça. Frank Zappa também.
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