Sábado, Janeiro 10, 2009

Obiter dictum

Lendo The Rest is Noise, de Alex Ross, crítico musical da New Yorker: uma história informal da música no séc. XX, cheia de fofocas e, principalmente, de análises de composições. Impressionante o sucesso que fez o livro entre o grande público. O livro abre com flashes de estréias fulgurantes de Strauss e Mahler, duas figuras opostas, ambas suficientemente excêntricas. O segundo capítulo abre com a história de dois personagens: um ficcional, Adrian Leverkühn, e outro real, o lendário Schoenberg. Um must.

Um episódio divertido: Mahler, depois de assistir a uma execução de Five Pieces de Schoenberg, conhecida pelo atonalismo 'livre', ordenou à orquestra que tocasse um acorde de Dó maior (uma tríade, com a fundamental, a 3.a e a 5.a). A orquestra obedeceu, tocando o acorde, e Mahler disse: "Obrigado", aliviado, e saiu.


Se querem um bom review, abram a Dicta n. 2 e procurem pelo breve artigo do Guilherme Malzoni.

1 comentários:

Ricardo Leal disse...

Havia lido resenha na D&C. Parece bacana. 1)Sobre Strauss e Mahler, aprendi a gostar de muita coisa de ambos, mas até que me ensinem melhor continuo achando que o primeiro usa frequentemente as grandes orquestras e efeitos para espantar burgueses (Salomé, etc); o segundo, um pouco na onda anedótica da menção postada, para expressar conflitos reais e sua resolução em chave que me é mais afim (vg, na terceira sinfonia o contraste entre a canção da meia noite do Zaratustra e canção folclórica religiosa em vozes de crianças). 2) Claro que isto é simplificação: Strauss conseguiu apreciar e promover um oratório como o Sonho de Gerontius, de Elgar; e seus últimos lieder ou ópera como "Capriccio" dão mostras suficientes do quanto ele valia. Não bastasse mais, um cara que foi grande músico e escolheu trabalhar com Hoffmansthal merece todo respeito. Quanto a Mahler, para ouvidos pouco educados como são os meus ele aqui e ali soa apenas grandiloqüente e sentimental à maneira alemã. 3) De resto, acho engraçado lembrar que a mesma exploração dos limites do tonalismo se dava na França com meios e resultados bem distintos, patentes na finura intimista de Debussy, por exemplo. Música são idéias, pois é.