Quarta-feira, Dezembro 31, 2008

Just too busy to go fox hunting

Entrei para o clube dos blogs em 2002, com o Capitalismo. Pouco depois, acho que em 2003, fundei o velho Comentário ultramontano, com arroubos triunfalistas e tudo o mais que nos autos consta. Só em 2006 fui criar esse Feliz Nova Dieta.

Isso é uma placa comemorativa de coisas inúteis, e talvez nem tanto.

Em 1989, comecei a construir bestas usando borracha de injetar soro, pregos e um arco de goiabeira. Agora, por pouco mais de 100 mangos, você compra uma besta amadora em qualquer loja de esportes.

Em 1999, derrubei um copo de uísque num bar. Em 1998, eu e uns amigos estourávamos para nós mesmos em uma banda de hardcore chamada Insight 13, da qual não temos gravada nenhuma música e da qual não se conservam as letras.

Em 1979, surpreendi-me, com um ano de idade, fugindo das tias dos futuros anos 80 cheias de creme no rosto.

Em 2009, trinta anos depois, cá estou escrevendo asneiras.

Em 1969, minha mãe era uma criança (era mesmo). Em 1959, ela nem tinha nascido.

Em 2007, com a visita de Bento 16, entrei para o mundo de Marlboro, pois ninguém é de ferro, com 1 exceção (estilo Kurt Vonnegut)

Em 10 de outubro de 1999, dois dias antes do dia da criança, percebi que não era, nem de longe, a pessoa mais inteligente que eu tinha encontrado. Hoje, raramente me esqueço de que não estou nem no top 100 dos mais inteligentes da minha casa. Cé burro de nascença?, dizem no Ceará.

A virada de ano é motivo de balanço ou não é uma virada de ano. Esqueçam os preconceitos iluministas: o fato de que um ano termina tem um significado psicológico importante: é um recomeço mesmo, se você não for um texugo gripado. Daqui poderei ver os fogos da Paulista de camarote. Quem sabe uma champanhe prendada. Muita alegria, apesar da dor pelas burradas de 2008; é legal cumprimentar as pessoas num terraço que dá para a Paulista.

Única coisa é ser fiel, macacada. High fidelity: uma expressão que me lembra mais pessoas interessantes que televisões.

Ser, em oposição a pensar, a discursar, a pregar, a ter, a aparentar, sempre implica uma meta, um cara descontente com os resultados até então obtidos. Não se pode ser algo que não seja bom, se estamos a entender os têrmos (palavra que era assim duas reformas atrás, não é isso?).

"Quando o recurso chegar no STF, será um macaco a dar a sentença, naquele esquema Planeta dos Macacos", dizia um jurista criticando a lentidão dos processos.

"Eh, Brasil!", dizia um amigo se referindo a tudo o que era falta de profissionalismo. A nuance é que "Brasil" soava sempre maravilhosamente, como se fosse um apelido aplicado à pessoa.

Ei, você. Cê tá perdendo tempo. Por que não vai até o fim?

* * *

Seymour na praia falando para a nova amiguinha de 6 anos:

"Vamos esnobar essa onda. Olha ela chegando. Dois esnobes".

* * *

A profissão mais antiga do mundo é a de engenheiro agrônomo.

* * *

Quando olho para a história, olho para coisas que aconteceram.

Sempre houve alguém no momento certo que disse:

"Vai lá, Pedrão, acontece esse negócio!"

* * *

Os valores também acontecem. Não há valor desencarnado. Não há Humanidade. Não há também amor: só presentes sinceros de namoro.

Por isso eu e você gostamos de fatos, e não de conversinha.

* * *

Um cara que só tinha três ternos no guarda-roupas foi eleito o homem mais elegante do ano na Espanha. Muito mais do que esse babaca do Patrick Dempsey. Não é possível ser elegante se o cara não tem caráter.

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Toda hora que você não tiver palavras para expressar um coisa muito ruim, diga apenas "preta Gil".

3 comentários:

Douglas Catisti disse...

Vila Nova Conceição: sussa na montanha russa!

Julio disse...

Sumaré: até o Cazé vai de ré!

Zé Luis disse...

Ocorreu-me também que se trata de um belo recomeço.

Pompéia: para além dos mistérios da vila, e da vida.