Segunda-feira, Outubro 06, 2008

Wynton Marsalis' Black Code from the Underground

Estou 97% insatisfeito com os posts que escrevi. Dizia alguém que o melhor é simplesmente não ler nada do que se escreveu. É uma verdade. Ainda assim, é melhor escrever: embora isso não valha para mim, há muita gente talentosa que não escreve ou não publica por perfeccionismo (um defeito, está claro? Lembremo-nos daqueles caras que, ao serem entrevistados para uma vaga numa empresa, dizem que têm dois defeitos: "pensar demais nos outros" e "perfeccionismo").

O ato de escrever... oh shut up.

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Pump up the jam / pump it up. O número de pessoas para as quais esse verso faz sentido tem diminuído. É que convivo com gente jovem demais?

As festas no final dos anos 80 e início dos 90 foram embora e não voltam mais. Não havia baladas. As pessoas davam festas de aniversário (!).

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Os acontecimentos culturais não existem. Existem os caras que pensam e depois se misturam com os outros, causando inquietações com uma semântica e uma sintaxe quase natural, mas delicadamente demolidoras. Isso é educação liberal.

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Senac Tereza, bom dia!

Já foi o tempo em que o Jardel, um amigo meu, podia afirmar com segurança, ao ver uma ave de rapina deixando escapar um peixe, que "ela fez curso de predador no Senac".

Vocês ainda têm quele curso de Predador aí no Senac?

Beg your pardon?

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"Pensar demais nos outros", ora vejam, não é um defeito. Só será se você for um maldito filantropo, e então terei certeza de que "pensar nos outros", para você, é promover-se.

O que nos deve motivar é o bem intrínseco das coisas, mas não há problema algum em sentir-se bem por isso, nem em receber recompensas. Quem age "por puro desinteresse" no estilo kantiano é doente mental.

Não é só um problema de semântica; é algo muito mais profundo. Quando ouve a sentença "pensar nos outros", o sarcástico logo imagina uma caricatura. Toda a prática do mal envolve a desculpa de que os bons são alguma caricatura. Acontece que os bons, em sentido estrito, não são caricaturas.

Um cara bom pode ser mais irônico, mais furioso, mais violento, mais ranzinza, mais sexualmente carregado do que o típico cockney-speaking waste ou do que o tipo freqüente de mano que tem uma banda de hip-hop satanista. A diferença é que o cara bom está lutando, com uma ponta de bom humor, para ser menos cabeça-de-bagre.

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Hakim Bey, anarquistas ontológicos e gadgets: vão todos à putaquiospariov.

5 comentários:

Carlos Eduardo disse...

Volto a comentar, só não sei se passará pelo crivo do dono do blog...
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Discordo do início do post. Acho que 97% do que se escreve por aqui está acima da média de outros blogs.
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E por falar em festas de aniversário: aproveito este primeiro post de Outubro, para dar os parabéns pelo segundo ano do Feliz Nova Dieta, ocorrido em 01-X-08.
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Tenho sido leitor deste blog desde que soube que ele estava no ar. É difícil falar de Júlio César Lemos _ sujeito que se tornou um amigo, pelo menos é assim que o considero _sem cair na bajulação pura e simples. Por isso fico por aqui.

(Comentado de Maceió, em 06-X-08, ao som de Auf Achse, de Franz Ferdinand)

Zé Luis disse...

I've got the power, por isso que ninguém foge à política. Me esqueço que o outro, o aristotélico outro é, na verdade, próximo. Enquanto é o outro, é bestificação metafísica, se próximo, entra no espaço-tempo e voilá! é um ser concreto! (mas ora, ora, como é chato ouvir burguesinhas cheirosas a elogiar as edições da Expressão Popular...) O perfeccionismo é mal intestinal que conheço bem. Mas como lembrou o Massimo Borghesi, groove is in the heart.

Jorge disse...

c'mon! os dois últimos foram supimpas. e [orgulho, defeito] olha que eu tenho todas as características de um juiz imparcial de blogs rs.

estou pensando em me mudar para São Paulo -- ter contato com os caras que pensam (não que eu mesmo seja um, mas vale ter inquietações). não quer me dar uns 'toques' (blergh) sobre a USP? posso te enviar um e-mail?

;-)

Gustavo Nagel disse...

Descobri-me um cara bom, hehe.

Julio disse...

Jorge, demorou. Mande para old.mores@gmail.com e conversamos à vontade. E vamos ver se vc vem logo para a metrópole zinza.